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Aliados de Doria esperam afastamento de secretário preso para reduzir danos

Aliados de Doria esperam afastamento de secretário preso para reduzir danos

Por Folha de S.Paulo

06/08/2020 às 12:07

Atualizado em 06/08/2020 às 13:48

Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Alexandre Baldy

A prisão do secretário estadual Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) é o maior constrangimento político enfrentado por João Doria (PSDB) desde que assumiu o governo de São Paulo.

O entorno do tucano espera que Baldy se licencie, ou peça demissão, o mais rapidamente possível. Isso, dizem aliados do governador, tem pouco a ver com o mérito das acusações contra ele e já teria ocorrido em outras circunstâncias.

Diferentemente dos dois outros episódios envolvendos autoridades de alto escalão alvo da Justiça, no caso Gilberto Kassab (Casa Civil) e Aloysio Nunes Ferreira (InvestSP), contudo, desta vez houve prisão.

Assim, Doria ainda não pôde conversar com Baldy na manhã desta quinta (6). Assim, auxiliares do governador consideram que seria politicamente inábil manifestar qualquer outra coisa senão o teor neutro da nota divulgada.

Nela, o tucano faz o que pode: ressalta que as acusações contra o secretário não têm a ver com o governo paulista e que confia em que ele irá se explicar à Justiça.

Ainda assim, o incidente é bastante diferente das agruras recentes do PSDB, que viu seus antigos caciques José Serra e Geraldo Alckmin, ambos ex-governadores paulistas como Doria, acusados de crimes como caixa dois e lavagem de dinheiro.

O constrangimento de estar numa sigla com líderes sob investigação, ao fim, poderia ser absorvido pelo fato de que nenhum dos alvos fazia parte de sua equipe.

Baldy, por outro lado, era uma das estrelas do secretariado de Doria, e uma ponte com o centrão —desde 2017 ele está no Progressistas, depois de ter entrado na política em 2010 no PSDB e tido uma curta passagem pelo Podemos.

Além disso, o secretário tem grande interlocução tanto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Doria, e o ministro Fábio Faria (Comunicação), o homem do PSD no governo federal. Baldy era visto com candidato certo a senador ou governador de Goiás em 2002.

Essa articulação foi vista como explicação possível por um estranhamento do dia, que foi o fato de o secretário ter pedido licença na terça e na quarta, vésperas da operação.

A prisão de Baldy também significa mais uma rachadura em um dos esteios da gestão Doria, o aproveitamento de ex-ministros do governo Michel Temer (2016-17) em sua gestão. Foram escolhidos ao todo oito ex-ministros para seis secretarias e outros órgãos.

A ideia sempre foi a de fazer um "mini ministério" em São Paulo, o que aliados e adversários já viam como uma antecipação de pretensões presidenciais do tucano para 2022, mas o ônus acompanhou o bônus.

Logo antes da posse, Gilberto Kassab teve de se licenciar da Casa Civil porque foi alvo de acusações de caixa dois.

O presidente do PSD era uma das mais vistosas aquisições políticas de Doria, olhando o longo prazo. Até hoje se queixa do governador, segundo seus aliados, pelo tratamento dispensado.

Tanto foi assim que, sem fechar as portas ao PSDB, operou a entrada de seu partido no governo de Jair Bolsonaro, o adversário principal de Doria.

O mesmo valeu para o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira, que teve de deixar a agência InvestSP depois que a Lava Jato bateu às suas portas.

Eleito em 2016 prefeito paulistano e, dois anos depois, governador, Doria sempre associou-se fortemente ao discurso de moralidade pública típico do "Zeitgeist" do lava-jatismo. Daí as execuções sumárias de auxiliares.

A Lava Jato e métodos de seus expoentes, como como o próprio juiz que levou Baldy à prisão, o fluminense Marcelo Bretas, estão em xeque nesses dias.

Sofreram reveses com as acusações de impropriedade de condução de processos pelo então juiz Sergio Moro, que podem levar à declaração de sua suspeição no caso em que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, o governo de Jair Bolsonaro, eleito presidente também pelo desejo antiestablishment decorrente da erosão da classes política pelo lava-jatismo, agora tenta se livrar dos riscos de manter o grupo forte.

Daí decorre o embate no qual saiu Moro do governo e se digladiam o procurador-geral da República, Augusto Aras, e os procuradores associados ao lava-jatismo.

Isso não deverá aliviar a situação de Baldy, exceto que Doria mude o curso que traçou desde que elegeu-se prefeito. Se isso ocorrer, terá de assumir o risco que Bolsonaro assumiu ante parte do eleitorado.

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