Trump acusa movimento antirracista de querer 'apagar a história dos EUA'
Por Folhapress
04/07/2020 às 12:40
Atualizado em 04/07/2020 às 12:40
Foto: Reprodução

Em um discurso em tom de campanha e carregado de simbolismo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou na noite desta sexta-feira (3) o que classificou como "multidões raivosas" que tentaram derrubar estátuas de líderes confederados e outras de outras figuras históricas.
A fala foi dada durante um comício no Monte Rushmore, o famoso marco com o rosto de quatro ex-presidentes americanos. O evento marca o início da comemoração do feriado de 4 de julho, o Dia da Independência americana.
Em seu discurso, Trump tentou se colocar como um baluarte contra o que ele considera um extremismo da esquerda americana. Aos milhares de apoiadores, o líder republicano disse que os manifestantes antirracistas estavam tentando apagar a história dos EUA.
Sob um marco famoso que representa quatro ex-presidentes americanos, Trump disse que os atos contra a desigualdade racial na sociedade americana ameaçavam os fundamentos do sistema político dos EUA.
"Não se enganem! Essa revolução cultural de esquerda foi projetada para derrubar a revolução americana", disse Trump. "Nossos filhos são ensinados na escola a odiar seu próprio país".
Desde o início de junho, uma onda de questionamentos incitada pelos atos antirracismo após o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, transformou em alvos estátuas dedicadas a figuras históricas associadas ao racismo, à escravidão e ao colonialismo.
Nos EUA, uma estátua de Cristóvão Colombo foi derrubada, incendiada e jogada em um lago. Dezenas de monumentos em homenagem a figuras do Exército Confederado, que defendia a manutenção da escravidão na Guerra Civil Americana (1861-1865), também foram pichados e, em alguns casos, derrubados.
Em resposta aos protestos, Trump enfatizou uma abordagem de "lei e ordem" e advogou uma reação militarizada aos manifestantes, com uso de armas de fogo.
"Multidões raivosas estão tentando demolir estátuas de nossos fundadores, desfigurar nossos memoriais mais sagrados e desencadear uma onda de crimes violentos em nossas cidades", disse o presidente, durante o comício.
"Há um novo fascismo de extrema esquerda que exige lealdade absoluta. Se você não fala sua língua, executa seus rituais, recita seus mantras e segue seus mandamentos, então você será censurado, banido, colocado em uma lista negra, perseguido e punido. Não vai acontecer conosco".
Apesar de não fazer parte do calendário oficial de campanha, o evento atraiu cerca de 7.500 pessoas, e serviu para energizar a base eleitoral de Trump antes das eleições em novembro.
Reunidos em um anfiteatro sob a escultura que retrata os ex-presidentes dos EUA George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln, muitos participantes não usaram as máscaras de proteção oferecidas na entrada do evento.
Trump realizou três eventos públicos que atraíram milhares de apoiadores nas últimas três semanas, apesar das advertências de autoridades de saúde pública para que os americanos evitem grandes reuniões enquanto a pandemia do coronavírus continua devastando o país.
O chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse a jornalistas que Trump não precisava se concentrar na pandemia durante uma cerimônia destinada a destacar o Dia da Independência.
Em seu discurso, de fato, o líder republicano praticamente ignorou a pandemia. Além de também não usar máscara, Trump fez poucas referências ao vírus que já contaminou 2,8 milhões de americanos e provocou a morte de 138 mil. Os EUA lideram o ranking em número de casos e óbitos pela Covid-19
Sete estados registraram um número recorde de novos casos de coronavírus na sexta-feira (3). Entre as pessoas mais próximas de Trump, um caso foi confirmado. Kimberly Guilfoyle, funcionária da campanha e namorada de Donald Trump Jr., filho do presidente, recebeu diagnóstico de Covid-19 horas antes do evento na Dakota do Sul.
O evento também acendeu um alerta em relação a questões ambientais. Devido ao risco de incêndio, o Monte Rushmore não recebia um espetáculo de fogos de artifício desde 2009. Trump, porém, defendeu a retomada de exibições do gênero.
O presidente teve respaldo das autoridades estaduais, que disseram que a Floresta Nacional de Black Hills "ganhou força" nesse período e que a tecnologia de fogos de artifício está mais segura.
Manifestantes nativo-americanos foram presos depois de bloquear uma estrada para o monumento, de acordo com um vídeo transmitido nas redes sociais.
Eles criticaram a visita de Trump por aumentar o risco de espalhar o coronavírus, e por celebrar a independência dos EUA em uma área que é sagrada para eles.
Dakota do Sul, um estado solidamente republicano, não foi atingido tão duramente quanto outros estados pela Covid-19, mas os casos no Condado de Pennington, onde está localizado o Monte Rushmore, mais do que dobraram no mês passado.
Trump realizará outra comemoração do feriado de 4 de julho neste sábado, em Washington.
