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PGR acessar dados da Lava Jato seria como banqueiro ver a conta de um cliente, diz Deltan
PGR acessar dados da Lava Jato seria como banqueiro ver a conta de um cliente, diz Deltan
Por Folha de S.Paulo
07/07/2020 às 06:46
Atualizado em 07/07/2020 às 06:46
Foto: Danilo M Yoshioka/Futura Press/Folhapress

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, afirma que o acesso indiscriminado a provas e documentos da operação pela Procuradoria-Geral da República, como defende o procurador-geral Augusto Aras, seria o equivalente a um banqueiro acessar dados sigilosos de um correntista sem justificativa.
“Quando as informações são sigilosas, há regras para o acesso”, disse Dallagnol à Folha. A entrevista foi por email, a pedido do procurador.
A tentativa da PGR de obter esse acervo de informações foi o estopim do maior atrito da força-tarefa com a chefia do Ministério Público Federal em seis anos de Lava Jato. A Procuradoria-Geral chegou a dizer no fim de junho que a equipe do Paraná “não é um órgão autônomo” e precisa “obedecer a todos os princípios e normas internas da instituição”.
Outro ponto de divergência entre as duas partes é a proposta de criação de uma unidade na estrutura da PGR para integrar diferentes forças-tarefas, o que, na visão de Curitiba, poderia tirar a autonomia dos procuradores, caso seja mal formulada. Deltan defende “freios e contrapesos” nesse eventual órgão.
Na entrevista, ele também rechaçou a acusação de que a Lava Jato influenciou na eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e voltou a afirmar que as críticas a procedimentos da operação feitas após a revelação de conversas no aplicativo Telegram são “uma série de distorções”.
