Movimentos bolsonaristas fazem campanha por coronel do Exército no MEC
Por Redação
09/07/2020 às 19:45
Atualizado em 09/07/2020 às 21:39
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Principal base de sustentação do bolsonarismo nas redes sociais, movimentos de rua que pediram o impeachment de Dilma Rousseff, ativistas 'olavistas' e influenciadores digitais conservadores se uniram em uma campanha para que o coronel do Exército José Gobbo Ferreira seja escolhido para comandar o Ministério da Educação (MEC). Os ativistas criaram até a hashtag #gobbonoMEC e têm pressionado parlamentares governistas. Parte dos grupos bolsonaristas quer impedir que o centrão - colegiado de partidos de centro que apoia o Palácio do Planalto - indique o próximo ministro. O nome do coronel, que é amigo do presidente Jair Bolsonaro, também agrada a setores do Exército.
Bolsonaristas foram contra a nomeação do secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, que contava com apoio de líderes do centrão, e rejeitam o nome do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL), que foi sondado por Bolsonaro e é um dos favoritos para a pasta. A atual secretária de Educação Básica, Ilona Becskehazy, também foi cotada para assumir o Ministério da Educação (MEC) e passou a ser criticada quando o Estadão revelou que ela participou da elaboração do plano de governo do então candidato Ciro Gomes (PDT) à presidência em 2018.
Líderes bolsonaristas ressaltam o currículo do coronel formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Gobbo é bacharel em Engenharia Química pelo Instituto Militar de Engenharia, pós-graduado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade de Itajubá e doutor em Engenharia Aeroespacial pela Universidade de Poitiers, na França. O nome dele tem apoio dos grupos Acorda Brasil, do qual o coronel faz parte, Nas Ruas e Avança Brasil, os três principais movimentos bolsonaristas.
"O centrão pode estar no governo via cargos. Isso é inevitável, mas na chefia da pasta é preciso um nome mais comprometido com a pauta que elegeu Bolsonaro e que agrade a ala militar. O Gobbo era membro do Acorda Brasil e foi um dos nossos mentores intelectuais", disse Otávio Fakhoury, um dos fundadores do movimento Acorda Brasil ao lado do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP).
O presidente tem dito a interlocutores que o futuro ministro da Educação precisa ter um currículo sólido e ser engajado na política da escola sem ideologia. A bancada evangélica da Câmara também pressiona o presidente a escolher um nome que seja fiel às bandeiras conservadoras e a pauta dos costumes.
As informações são do jornal Estado de S.Paulo
