Com enfrentamento a pressão, Neto se distancia dos demagogos
Por Raul Monteiro*
09/07/2020 às 08:36
Atualizado em 09/07/2020 às 08:37
Foto: Reprodução/Arquivo

O enfrentamento à Covid 19 mostrou que o prefeito ACM Neto (DEM) não tem afinidade com a demagogia, essa linguagem política que se espalhou como praga pelo mundo e consiste em levar o governante a, sob o argumento de que age em nome e defesa dos interesses da sociedade, conduzir esta mesma sociedade ao caos e ao desespero pensando exclusivamente nos resultados eleitorais que pode auferir. O país está também cheio de demagogos-populistas, assim como todos os espaços públicos, incluindo a Praça Municipal, onde é possível ver claramente onde o pequeno foco da prática, normalmente associada à desqualificação moral e intelectual, se aninha.
O reconhecimento, que poderia também se aplicar ao governador Rui Costa (PT) nesta batalha específica, serve apenas para aludir ao comportamento que o prefeito tem adotado com relação ao coronavírus, mesmo sabendo que uma eleição se aproxima e que um relativo consenso que poderia haver em relação às medidas minimamente eficazes para controlar a pandemia tem sido sistematicamente solapado por uma liderança maior, cuja cartilha é exatamente a do populismo autoritário, nu e cru. A bem da verdade, o prefeito poderia ter tomado a iniciativa de, temporariamente, nestes tempos duríssimos, diminuir ou suspender a carga tributária municipal sobre os pequenos empreendedores.
A decisão poderia ter lhe poupado das poucas críticas que lhe chegaram ante o comportamento irretocável que tem adotado até agora em relação às medidas para evitar a disseminação da doença, capaz de colapsar o sistema de saúde não apenas para as suas vítimas diretas, como para todos aqueles que precisem, no período em que os casos explodirem, de atendimento de urgência e emergência, quer por uma doença crônica que se agrava, um mal repentino ou mesmo um acidente que demande cuidados imediatos e intensivos. Em todo este período, o prefeito tem suportado a pressão para reabrir a economia praticamente sozinho.
Como se sabe, tem utilizado os conselhos técnicos e científicos como seus principais auxiliares, no que, mais uma vez, merece mais elogio, sobretudo num cenário de todos contra todos em que a ausência do Estado nacional engolfou o país com a ausência de uma coordenação nacional mínima que se disponha a auxiliar Estados e municípios a enfrentar a crise. Aposta, naturalmente, em sua intuição, mas sobretudo na responsabilidade que deveria ser a marca de qualquer agente público, assistindo de camarote à manobra de uns poucos que se vendem como aliados, mas de aliados já sabe há algum tempo que não têm nada, tentando populística e ridiculamente, sabotar o que constrói.
Não há dúvida de que a sociedade está fatigada do 'vou não vou' em que o governo federal transformou o enfrentamento à Covid 19 pela estupidez de negá-la. Empresários vêem seus negócios falir, empregados perdem seu ganha pão e desempregados ampliam seu desalento em desespero visível. Enquanto o brasileiro, principalmente sua elite econômica, não tiver clareza do papel que o sistema político e administrativo reserva a cada um nessa história, vai ficar difícil cobrar de cada qual a ação correspondente neste processo e a coordenação geral que tanto tem feito falta a quem busca agir com rigor pensando, efetivamente, na maioria.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna.
