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Com Doria, PSDB atrai prefeitos e passa a comandar um terço dos municípios de São Paulo
Com Doria, PSDB atrai prefeitos e passa a comandar um terço dos municípios de São Paulo
Por Folha de S.Paulo
24/07/2020 às 06:42
Foto: Ravena Rosa/Agência Brasil

Sob o comando do governador João Doria e fora do período eleitoral, o PSDB de São Paulo ampliou em 24% o número de prefeitos filiados ao partido. O total de gestores tucanos nos municípios paulistas passou de 173, na posse de janeiro de 2017, para os atuais 215.
O PSDB lidera o ranking de prefeitos no estado. Em segundo lugar está o MDB, que no mesmo intervalo caiu de 84 para 75 gestores.
Neste ano, para consolidar a hegemonia no estado e ao mesmo tempo fortalecer a base de Doria para uma eventual disputa eleitoral de 2022, o PSDB quer lançar candidatos em cerca de 500 das 645 cidades paulistas.
Após a eleição de 2016, o PSDB passou a governar 23,7 milhões de habitantes em São Paulo, pouco mais que a metade da população do estado. Hoje, com as novas adesões, governa 25,3 milhões de pessoas, o que representa 55% da população estimada (45,9 milhões).
A sigla enfrentou nas últimas semanas desgaste após acusações que atingiram o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o senador e ex-governador José Sera (PSDB).
O aumento do número de prefeitos era uma meta do presidente do PSDB paulista, Marco Vinholi, colocado no cargo por Doria em maio de 2019.
O governador também nomeou Vinholi secretário de Desenvolvimento Regional, posto no qual dialoga com prefeitos, recebe suas demandas e coordena a liberação de verbas para os municípios.
A maior parte das filiações de prefeitos ao PSDB ocorreu em 2019 e, sobretudo, na janela partidária de março de 2020. Embora os prefeitos sejam livres para trocar de partido em qualquer período, as migrações costumam ocorrer nessa janela da Justiça Eleitoral.
Adversários de Doria o acusam de usar a máquina do governo para atrair prefeitos, algo que Vinholi nega. "Não misturamos partido e governo, nunca. A relação do governo com os prefeitos é republicana, e a liberação de verbas respeita os municípios, e não as siglas partidárias dos prefeitos."
O saldo de 42 novos prefeitos filiados em São Paulo contrasta com o cenário nacional —o PSDB ficou com 103 prefeitos a menos no país no mesmo período. Como mostrou a Folha, os partidos do centrão cresceram, e a esquerda encolheu na janela partidária.
Enquanto em São Paulo o partido administra 33,3% dos municípios, esse percentual cai para 12,6% no país. O PSDB governa o estado desde 1995.
Vinholi afirma que, desde que assumiu o PSDB paulista, teve como prioridade as eleições municipais e estabeleceu como meta "ampliar o número de eleitos e a participação de mulheres e jovens".
O secretário assume que o partido saiu em busca de novos filiados, com cada membro da direção estadual responsável por uma região. "Fizemos uma busca ativa de lideranças, eleitas ou de fora da política."
A maior parte dos 51 prefeitos atraídos ao PSDB no estado fora do período eleitoral (o saldo final é de 42 porque 9 deixaram a sigla) veio do PSB. Dez gestores aderiram aos tucanos após a derrota do candidato do seu partido, Márcio França, na disputa com Doria pelo Governo de São Paulo em 2018.
O PSD perdeu oito prefeitos para o PSDB, enquanto o MDB e o PTB viram sete e cinco prefeitos, respectivamente, virarem tucanos.
O presidente do PTB em São Paulo, deputado estadual Campos Machado, chegou a procurar o Ministério Público para pedir investigação de improbidade administrativa. Segundo ele, os prefeitos estão sendo pressionados e assediados pelo governo do estado, que oferece vantagens.
O deputado anexou à peça uma gravação em que o prefeito de Chavantes (SP), Márcio Burguinha, que trocou o MDB pelo PSDB, supostamente afirma a sua secretária que a criação de um órgão municipal do PSDB na cidade renderia repasse de R$ 2 milhões para obras de rodovias. Procurado, Burguinha não atendeu à reportagem.
A investigação no Ministério Público não avançou. Segundo dados da Secretaria da Fazenda, a verba liberada por Doria para obras de recapeamento em Chavantes foi cerca de R$ 285 mil em 2019 e 2020.
