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Em 1 mês, Pazuello melhora relação com estados, mas abre crise dos dados da Covid
Em 1 mês, Pazuello melhora relação com estados, mas abre crise dos dados da Covid
Por Folha de S.Paulo
21/06/2020 às 11:05
Foto: José Dias/PR

Há um mês como interino no comando do Ministério da Saúde, o general Eduardo Pazuello já deixou sinais duplos em sua gestão: se por um lado ganhou a simpatia de secretários estaduais para seguir na pasta, por outro contribuiu para uma crise sem precedentes de confiabilidade para o governo brasileiro na gestão da pandemia do novo coronavírus.
O apagão de dados oficiais de sites do ministério gerou forte repercussão em território nacional e no exterior e fez o Brasil sumir temporariamente do ranking elaborado por universidades respeitadas como a Johns Hopkins.
Em meio a isso, militares se preocupam com arranhões gerados à imagem que tentavam construir desde o início do governo de Jair Bolsonaro, de que eles compõem a ala moderada do governo.
Os fardados buscam enfatizar a impressão de que foi o grupo que conseguiu convencer o presidente em recuos pontuais na visão dele de minimizar o impacto da pandemia no país.
Exemplo disso foram alterações nos pronunciamentos em rede nacional que Bolsonaro fez ao longo de março e abril e que acabou deixando de lado nos últimos meses.
A entrega da Saúde ao general, depois de dois ministros terem deixado o comando da pasta em meio ao agravamento da crise, colocou isso por terra.
Pazuello assumiu no dia 15 de maio, logo após o pedido de demissão de Nelson Teich, que não ficou um mês no cargo. Teich substituiu Luiz Henrique Mandetta.
Assim que assumiu o cargo, Pazuello passou a atender demandas do presidente na contramão de recomendações da ciência —e que, não à toa, seus antecessores se recusavam a cumprir.
Já nas primeiras horas de comando de forma oficial, ele repassou orientações para ampliação da oferta de cloroquina a pacientes com sintomas leves da doença, mesmo sem evidências de eficácia científica. Recentemente, ampliou também a grávidas e crianças.
Sem experiência em saúde, Pazuello deixou o comando da 12ª Região Militar, em Manaus, para assumir a secretaria-executiva ainda na gestão de Teich, mas como um nome ligado aos generais e a Bolsonaro.
O objetivo era dar apoio em questões logísticas. A saída repentina de Teich, porém, fez com que assumisse a pasta interinamente.
No posto, passou a fazer do ministério uma espécie de quartel, ampliando a presença de militares em cargos próximos e até mesmo em secretarias especializadas.
Também exonerou funcionários que assinaram uma nota técnica sobre atenção à saúde das mulheres em meio a pandemia distorcida por Bolsonaro, que apontou proposta de legalização do aborto que não constava do documento.
