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Em live com alvos de ação do STF, Eduardo Bolsonaro defende reação enérgica a Moraes e Celso

Em live com alvos de ação do STF, Eduardo Bolsonaro defende reação enérgica a Moraes e Celso

Por Folha de S.Paulo

28/05/2020 às 06:53

Atualizado em 28/05/2020 às 07:10

Foto: Gilmar Félix/Câmara dos Deputados

Eduardo Bolsonaro

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, criticou as decisões recentes dos ministros do STF (Supremo Tribunal de Federal) Alexandre de Moraes e Celso de Mello.

Em live nesta quarta (27) ao lado de alvos da ação contra fake news, ele defendeu reagir energeticamente contra a corte.

"Temos de pontuar, diagnosticar o problema e depois começar a tomar algumas atitudes", afirmou o deputado.

A Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (27) no chamado inquérito das fake news, que apura ofensas, ataques e ameaças contra ministros do Supremo.

Políticos, empresários e ativistas bolsonaristas estão entre os alvos da investigação.

O filho do presidente Jair Bolsonaro participou de live do Terça Livre, canal mantido pelo blogueiro Allan dos Santos, um dos alvos da operação desta quarta, ao lado da deputada Bia Kicis (PSL-DF), o escritor Olavo de Carvalho e o médico bolsonarista Ítalo Marsili. Kicis vai ser ouvida na investigação.

Policiais também buscaram provas nos endereços do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, do dono da Havan, Luciano Hang, e de assessores do deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL).

Eduardo concordou com a insinuação do blogueiro Allan dos Santos de que outros Poderes estariam conspirando contra o governo e criticou a postura de aliados que tentam buscar diálogo na atual crise política.

"Até entendo quem tem uma postura moderada para não chegar num momento de ruptura, de cisão ainda maior, de conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos, mas falando abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de se, mas de quando isso vai ocorrer. Essas reuniões aqui que o Allan está falando de altas autoridades, até mesmo de dentro de setores políticos, a gente discute esse tipo de coisa", afirmou.

O deputado afirmou que pode ser o próximo alvo da corte. Ele também criticou as decisões de Celso de Mello no inquérito que investiga a suposta interferência do presidente na PF.

"Se a gente mantiver essa postura colaborativa, amanhã eles vão entrar na nossa casa", afirmou.

Eduardo criticou os trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da Fake News, que apura disparo de mensagens em massa durante as eleições.

O deputado voltou a insultar a jornalista da Folha Patrícia Campos Mello. Afirmou que a repórter tentou seduzir Hans River, funcionário da Yacows, em troca de informações. A empresa foi usada na campanha de Bolsonaro para disparo de mensagens e é alvo de investigação da CPMI.

"Essa Patrícia Campos Mello, vale lembrar, tentou seduzir o Hans River. Não venha me dizer que é só homem que assedia mulher não. Mulher assedia homem, tá? Tentando fazer insinuação sexual para obter uma vantagem de entrar na casa de Hans River e obter o laptop dele. E tentar ali achar alguma coisa contra Jair Bolsonaro que não achou", afirmou Eduardo Bolsonaro.

Em fevereiro, o deputado já havia aproveitado uma fala de Hans na CPMI para difundir ofensas

"Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder", afirmou na ocasião.

Hans River mentiu em depoimento à CPMI em fevereiro ao afirmar que a repórter da Folha tentou oferecer qualquer tipo de vantagem a ele em troca de informação. Nunca houve assédio da parte dela, que, desde o primeiro contato com ele, deixou claro que produzia uma reportagem sobre o processo trabalhista ligado à empresa de disparo de mensagens.

Conforme mostra reprodução da conversa pelo WhatsApp publicada pela Folha após o insulto do ex-funcionário da Yacows, é Hans quem convida a repórter, primeiramente para um encontro ao vivo e, depois, para um show, e cobra insistentemente dela uma resposta. A repórter não respondeu ao convite e não foi ao show.

Em decorrência dos ataques de conotação sexual, Patrícia Campos Mello já entrou com processo cível na Justiça contra Hans.

Com base em informações obtidas com Hans e com o processo trabalhista que ele impetrou na Justiça contra a Yacows, a Folha revelou em 2 de dezembro de 2018, uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de celular e assim conseguir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.?

Durante a discussão, o escritor Olavo de Carvalho e o médico Ítalo Marsili criticaram os militares e o STF.

"Esse Alexandre de Moraes não tem de ter direito de falar. Eu sou a favor da pena de morte para esses caras", afirmou Olavo.

O presidente ficou irritado com a operação autorizada pelo STF que atingiu deputados da base e apoiadores. Ele se reuniu com ministros para definir uma estratégia de reação ao STF.

No encontro, segundo auxiliares presentes, o presidente avaliou como absurda e desnecessária a investigação contra aliados do seu governo, considerou que se trata de uma retaliação e reforçou que o Poder Executivo não pode aceitar calado.

A primeira medida que ficou definida é que a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressará com pedido de habeas corpus para que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não preste depoimento ao STF.

Ele foi intimado no mesmo inquérito que apura o disparo de fake news por aliados do presidente.

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