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Governo não vai usar dinheiro que falta na saúde para salvar grandes empresas, diz Guedes

Governo não vai usar dinheiro que falta na saúde para salvar grandes empresas, diz Guedes

Por Folha de S.Paulo

29/04/2020 às 10:50

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo não usará recursos públicos que faltam na saúde e na educação para salvar grandes empresas durante a crise do novo coronavírus.

Em videoconferência com o setor varejista, Guedes disse que o Tesouro Nacional dará garantia a empréstimos concedidos a empresas maiores, mas em proporção mais baixa do que o limite dado a companhias de outros patamares.

"O governo não vai pegar dinheiro público, dinheiro que falta para saúde e educação, e simplesmente salvar uma grande empresa, não é assim. É da vida ser abatido, é do mercado. Uma economia de mercado de vez em quando é atingida”, disse.

O ministro explicou que companhias de grande porte fortemente atingidas pela crise, como os setores de aviação, automotivo e distribuição de energia, poderão fazer livre negociação com sindicatos bancários.

Para empresas com faturamento anual superior a R$ 10 milhões, Guedes afirmou que será reforçado um fundo de garantias de investimentos com um mecanismo chamado de primeira perda.

“Os bancos repassam os recursos. Se tiver uma perda de até 20%, quem paga é a gente. Se 20% foram perdidos, quem arca é o Tesouro. O Tesouro dá uma garantia para que eles possam ter um incentivo a correr um pouco de risco”, disse.

O patamar de garantia, portanto, é muito menor do que o liberado pelo governo para empresas menores. Em projeto votado no Congresso com aval da equipe econômica, companhias com faturamento anual de até R$ 360 mil poderão fazer empréstimos com garantia de até 80% do Tesouro.

Em outra frente, empresas que faturam entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões ao ano ganharam direito a crédito para folha de pagamentos a juros de 3,75% ao ano. Nesse caso, o Tesouro repassa R$ 36 bilhões para dar garantia a 85% dos financiamentos.

Sem mencionar especificamente o programa pró-Brasil, o ministro criticou a possibilidade de retomar a atividade econômica após a pandemia por meio de investimento público em obras.

“Se você cavou um buraco, foi para o fundo do poço através dessas obras públicas indiscriminadas, a solução não pode ser cavar mais fundo, não pode ser repetir a mesma estratégia, fazer um novo PAC. Pode ter um ministério ou outro que tenha uma ideia dessa, mas não encaixa”, disse.

Nesta semana, após rumores de que Guedes poderia pedir demissão após o anúncio do programa defendido pela ala militar do governo, o presidente Jair Bolsoanro declarou que a última palava em projetos que impactem a economia será do ministro da Economia.

“Estou absolutamente igual, com a mesma energia, mesma determinação. O presidente tem me apoiado, as hipóteses com que eu trabalho têm se mantido. O presidente tem me apoiado nos programas”, afirmou o ministro.

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