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Estados acertam nas restrições contra avanço do vírus, afirma grupo da USP

Estados acertam nas restrições contra avanço do vírus, afirma grupo da USP

Por Folha de S.Paulo

13/04/2020 às 07:54

Atualizado em 13/04/2020 às 07:54

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Imagem de Estados acertam nas restrições contra avanço do vírus, afirma grupo da USP

A maioria dos estados acertou ao adotar políticas para restringir a circulação de pessoas contra o avanço do coronavírus, impondo medidas drásticas quando havia poucos casos de infecção conhecidos, segundo um grupo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo).

Os governadores reagiram rapidamente ao avanço da epidemia com as medidas de distanciamento social e mantiveram essas políticas por um número de dias prolongado, em alguns estados antes mesmo que os primeiros casos de Covid-19 fossem notificados, afirmam os pesquisadores.

"Vários estados responderam cedo à situação de acordo com as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e com mais clareza que o governo federal", diz a cientista política Lorena Barberia, coordenadora do grupo. "Eles entenderam que essas medidas são importantes para controlar o contágio".

Parte de uma rede multidisciplinar que começou a estudar o impacto das políticas de combate ao coronavírus no Brasil, o grupo adotou a mesma metodologia que pesquisadores da Universidade de Oxford desenvolveram para monitorar medidas adotadas por governos de vários países.

O grupo criou um Índice de Rigidez do Distanciamento Social para avaliar restrições impostas por governos a escolas e empresas e para evitar aglomerações. O indicador varia de 0 a 100. Quanto maior o número, maior a rigidez das políticas adotadas.

Segundo o primeiro relatório do grupo, 18 dos 26 estados e o Distrito Federal atingiram índices entre 51 e 75 --entre eles, São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentra a maior parte dos casos notificados até agora. Quatro alcançaram índices de 76 a 100: Acre, Alagoas, Ceará e Goiás.

Em 20 estados, as medidas de fechamento do comércio atingiram o nível de rigidez mais alto. Na maioria, a política foi adotada para todo o território, e não apenas na capital e nas principais cidades do interior. Somente cinco estados restringiram às maiores cidades as medidas dirigidas ao comércio.

Cinco estados impuseram restrições às indústrias também: Alagoas, Ceará, Goiás, Rio Grande do Norte e Roraima. Embora a maioria não tenha adotado medidas específicas para o setor, muitas fábricas fecharam as portas ou reduziram o ritmo de produção mesmo assim, por causa da paralisia geral da atividade econômica.

São Paulo, onde o primeiro caso de Covid-19 do país foi notificado, em 25 de fevereiro, foi o primeiro estado a impor restrições. O relatório do grupo da USP observa que as medidas começaram a ser tomadas num estágio inicial da transmissão da doença, diferentemente do que ocorreu em outros países.

Escolas e universidades fecharam e aglomerações foram proibidas em São Paulo em 16 de março, quando só havia 152 casos conhecidos em todo o país. O comércio fechou no dia 24, quando os casos confirmados eram 840. Na Itália, medidas semelhantes só foram tomadas quando milhares estavam infectados.

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