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Escolha de Denice leva intelectuais de esquerda a chamarem Rui de "autoritário" e trava apoio a ela entre derrotados
Escolha de Denice leva intelectuais de esquerda a chamarem Rui de "autoritário" e trava apoio a ela entre derrotados
Por Redação
29/04/2020 às 10:43
Atualizado em 29/04/2020 às 11:13
Foto: Divulgação/Arquivo

Apesar da tradição petista pela qual normalmente as bases e candidatos internamente derrotados rapidamente aceitam e encampam as decisões partidárias, a escolha de Major Denice Santiago pelo diretório municipal para candidata a prefeita de Salvador parece que levará ainda algum tempo para ser internalizada pela legenda.
Nos dias que se seguiram à decisão, no último domingo, pelos menos dois intelectuais do partido se posicionaram publicamente contra o processo de escolha e a própria candidata, apontando para a imposição de seu nome pelo governador Rui Costa contra quadros orgânicos da legenda e uma suposta "militarização" que a escolha representa.
Citada indiretamente em um artigo do advogado e coordenador do programa 'Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (UFBa) Samuel Vida como a verdadeira candidata do partido, a própria Vilma Reis, que disputou e perdeu a indicação para Denice no diretório, deixou a refrega abalada.
Ela disse a este Política Livre que vai aguardar uma plenária de sua pré-campanha para esta quinta-feira a fim de decidir como se comportará. Embora no PT o comentário seja o de que, disciplinada, Vilma vá entrar na campanha por Denice, a decisão não deixa de ser um indicativo de que seu coração ainda não se abriu para apoiar a vencedora.
Outro que deve também acompanhar a decisão partidária por Denice é o ex-ministro Juca Ferreira, que também levou a disputa até o fim contra Denice e teve sete votos, um a mais do que Vilma, na reunião do diretório, embora ninguém ainda saiba se vai se engajar na campanha da Major ou se manifestará apoio à distância.
Além do advogado Samuel Vida, a professora Patrícia Valim, que já havia criticado a preferência de Rui Costa por Major Denice, desprezando opções surgidas no próprio partido, como Vilma, também voltou à carga e chamou o processo de escolha da ex-comandante da Ronda Maria da Penha de "autoritário", referindo-se ao governador.
"Autoritário, porque os dirigentes do partido, essa heteronormatividade branca e anacrônica que comanda os diretórios municipal e estadual do PT/BA precisaram usar todo tipo de dispositivo para silenciar a pré-candidatura de Vilma Reis que saiu do movimento de mulheres e da turma do "Eu quero Ela", afirmou.
Vida classificou a escolha de Denice como um gesto "antidemocrático" que, em sua avaliação, demonstra a imunidade às estratégias de enfrentamento do racismo pelos negros e entrará para a história, "confirmando a cumplicidade do partido e de seu autoritário governador Rui Costa com o genocídio negro na Bahia e no Brasil."
Ele chamou ainda a atenção para "dois prejuízos graves" que a imposição da candidatura da PM apresenta para a luta antirracista: "Em contraposição à autonomia do protagonismo negro, reforça-se a ideia do branco salvador (o governador Rui Costa), o patrono (patrão) da candidatura, minimizando a relevância da organização e atuação do Movimento Negro e produzindo um álibi para uma gestão marcada por induvidosa política racista; 2. A deliberada e cínica associação do protagonismo negro e sua agenda antirracista com a instituição que representa sua antítese, a polícia militar."
