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Embraer acusa Boeing de romper acordo e exige compensação dos americanos

Embraer acusa Boeing de romper acordo e exige compensação dos americanos

Por Folhapress

25/04/2020 às 16:59

Foto: Sergio Castro/Estadão

Imagem de Embraer acusa Boeing de romper acordo e exige compensação dos americanos

A compra da área de aviação civil da Embraer pela Boeing, maior negócio aeroespacial da história brasileira, foi cancelado. O noivado iniciado em 2017 acaba como um divórcio litigioso, com a fabricante paulista acusando a gigante americana de deslealdade e prometendo ir à Justiça.

O anúncio foi feito na manhã deste sábado (25) pela empresa americana, que afirmou ter rescindido o contrato porque a fabricante brasileira não teria cumprido todas as suas obrigações para executar a separação da sua linha de aviões regionais.

No começo da tarde, a Embraer divulgou nota acusando a Boeing. "A Embraer acredita firmemente que a Boeing rescindiu indevidamente o MTA (Acordo Global da Operação) e fabricou falsas alegações", diz o texto.

O fez, segundo a nota, "como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação e pagar à Embraer o preço de compra de U$ 4,2 bilhões (R$ 23,5 bilhões na sexta)".

"A empresa acredita que a Boeing adotou um padrão sistemático de atraso e violações repetidas ao MTA, devido à falta de vontade em concluir a transação, sua condição financeira, ao 737 MAX e outros problemas comerciais e de reputação", afirma a Embraer, que disse ter cumprido todas as condições necessárias para o negócio.

Por fim, a fabricante brasileira afirma que irá tomar "todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação do MTA".

O próprio CEO da empresa, Francisco Gomes Neto, gravou um vídeo dando essa versão dos fatos. "Vamos buscar compensação", disse, afirmando que "lamenta a decisão", mas que a Embraer já superou crises no passado. "Seguimos firmes e fortes", disse.

As dificuldades financeiras da Boeing citadas são conhecidas, embora a empresa negue que sejam o motivo da rescisão.

São uma crise interna, com a paralisação da produção do best-seller 737 MAX por problemas técnicos que geraram acidentes fatais, e a queda de demanda mundial de aeronaves pela pandemia do novo coronavírus.

Como há discussões nos EUA sobre ajuda federal à empresa, politicamente seria complicado explicar o dispêndio com a Embraer caso venha a receber dinheiro de contribuintes americanos.

A crise da Covid-19 desvalorizou brutalmente a Embraer também, levantando dúvidas sobre o preço a ser pago pela brasileira.

As empresas tinham até a meia-noite desta sexta (24) para fechar o acordo em termos técnicos. Isso não ocorreu.

"A Boeing trabalhou diligentemente nos últimos dois anos para concluir a transação com a Embraer. Há vários meses temos mantido negociações produtivas a respeito de condições do contrato que não foram atendidas, mas em última instância, essas negociações não foram bem-sucedidas", disse Marc Allen, presidente da Boeing para a parceria com a Embraer e operações.

Segundo ele, "é uma decepção profunda". Allen não detalhou quais seriam os itens não cumpridos pelos brasileiros.

Segundo negociadores do lado da Embraer, desde que a crise da Covid-19 se agravou, havia sinais de que os americanos poderiam cair fora do negócio.

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