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Embate entre Bolsonaro e Moro põe futuro do governo em xeque

Embate entre Bolsonaro e Moro põe futuro do governo em xeque

Por Folha de S.Paulo

25/04/2020 às 07:11

Atualizado em 25/04/2020 às 07:11

Foto: Alan Santos/PR

Jair Bolsonaro

Em um dia considerado divisor de águas no governo de Jair Bolsonaro, Sergio Moro, o ex-juiz símbolo da Lava Jato, anunciou nesta sexta-feira (24) sua demissão, apontou fraude no Diário Oficial da União, acusou o presidente da República de tentar reiteradas vezes interferir politicamente nas investigações da Polícia Federal e colocou o futuro da atual gestão em xeque.

Inicialmente considerado, ao lado de Paulo Guedes (Economia), um dos superministros de Bolsonaro, Moro comandou a pasta da Justiça e Segurança Pública por um ano, três meses e 24 dias.

Foi o quinto a perder o posto na atual gestão (outros três foram remanejados), em meio à pandemia do coronavírus e apenas oito dias após a queda de Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, também por causa de embates com o presidente.

Ao anunciar sua demissão, antecipada pela Folha na quinta-feira (23), Moro afirmou, em pronunciamento no fim da manhã, que Bolsonaro queria ter acesso a informações e relatórios confidenciais de inteligência da Polícia Federal.

Também negou que tenha assinado, como saiu publicado no Diário Oficial, a exoneração a pedido do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seu homem de confiança.

"Não tenho condições de persistir aqui sem condições de trabalho", afirmou Moro, acrescentando que "sempre estará à disposição do país". Ele é considerado um dos nomes no tabuleiro das eleições presidenciais de 2022.

No fim da tarde, Bolsonaro partiu para o ataque contra Moro em pronunciamento feito ao lado de quase todo o seu ministério, de quem cobrou unidade e apoio neste momento.

O presidente negou tentativa de interferência —apesar de mencionar três casos em que pediu atuação por interesse pessoal. Acusou Moro de trabalhar em prol do próprio ego, afirmando que o ex-ministro disse que aceitaria a demissão de Valeixo desde que fosse indicado para o Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro também afirmou que conversou com Valeixo e que ele concordou com a exoneração a pedido. "Desculpe, sr. ministro, o sr. não vai me chamar de mentiroso", declarou o presidente, mas sem se manifestar sobre a assinatura que Moro negou ter colocado no decreto de exoneração do diretor-geral da PF.

No início da noite, o Palácio do Planalto publicou retificação do Diário Oficial retirando o nome do ex-ministro da exoneração de Valeixo.

Em suas redes sociais, Moro disse que Valeixo estava cansado de ser "assediado" para ser demitido, mas que não pediu para sair nesta semana. E que nunca usou a permanência do auxiliar como moeda de troca para sua nomeação para o STF. "Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do diretor-geral da PF."

Já nesta sexta-feira, o procurador-geral da República, Augusto Aras, que foi indicado ao cargo por Bolsonaro e adota condutas consideradas favoráveis ao presidente, pediu autorização ao STF para investigar as acusações de Moro.

Aras deixou claro que o próprio ex-ministro pode virar alvo caso não apresente provas de suas afirmações. O ministro Celso de Mello será o relator do pedido da PGR.

Tanto a divulgação da saída de Moro como o pronunciamento de Bolsonaro foram acompanhados de panelaços em várias cidades do Brasil.

No Congresso, cresceu a pressão por impeachment ou renúncia do presidente, apesar de integrantes do centrão, que negociam cargos federais diretamente com Bolsonaro, terem saído em sua defesa.

Pedidos de CPI foram protocolados, além de novos pedidos de impeachment, um deles apresentado pela ex-aliada Joice Haselmann (PSL-SP).

Atualmente adversário de Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não se pronunciou até a conclusão desta edição. É dele a responsabilidade de autorizar a tramitação dos pedidos de impedimento.

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, também se manteve mudo. Ambos se reuniram durante todo o dia, a sós e com outros parlamentares.

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPI das Fake News, protocolou pedido para que as reuniões da comissão sejam retomadas de forma emergencial, de forma virtual, para que sejam votados requerimentos de quebra de sigilo e de convocação, inclusive de Moro e de Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente, suspeito de chefiar gabinete de ataque virtual a adversários.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), do PSDB, pediu que Bolsonaro renuncie.

"[O presidente] está cavando sua fossa. Que renuncie antes de ser renunciado. Poupe-nos de, além do coronavírus, termos um longo processo de impeachment. Que assuma logo o vice para voltarmos ao foco: a saúde e o emprego. Menos instabilidade, mais ação pelo Brasil", escreveu nas redes sociais.

Em caso de renúncia ou impeachment, assume o vice, Hamilton Mourão (PRTB), que nesta sexta lamentou a saída de Moro. Disse que o ministro prestava um bom serviço e "é um cara muito bom e excepcional". Mourão ficou ao lado de Bolsonaro em seu pronunciamento.

Augusto Aras, em seu pedido para investigar as acusações de Moro, requer como primeira providência que o Supremo autorize a oitiva do ex-ministro.

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