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Dólar fecha em novo recorde nominal, a R$ 5,26; Bolsa encerra com queda de 2,81%

Dólar fecha em novo recorde nominal, a R$ 5,26; Bolsa encerra com queda de 2,81%

Por Estadão Conteúdo

01/04/2020 às 19:05

Foto: Paulo Vitor/Estadão

O dólar voltou a disparar nesta quarta-feira, 01, e fechou o dia com um novo recorde nominal

O dólar voltou a disparar nesta quarta-feira, 01, e fechou o dia com um novo recorde nominal, quando não se considera a inflação. A moeda terminou sendo negociada a R$ 5,26, uma alta de 1,27%. O mau humor também atingiu a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou o pregão com queda de 2,81%, aos 70.966,70 pontos.

Desde a parte da manhã, a moeda americana não deu sinais de alívio. O dólar já abriu as negociações desta quarta em forte alta, de 1%, cotado a R$ 5,24. Pouco tempo depois, ele bateu novo recorde nominal para uma cotação diária, ao encostar em R$ 5,27. O real tem sido depreciado desde o início da crise do novo coronavírus, frente às moedas de maior força.

A situação foi parecida com a Bolsa brasileira. Nesta quarta, a B3 já abriu as negociações do dia em forte queda, superior a 4% - o que a fez perder temporariamente o patamar dos 70 mil pontos e voltar para a casa dos 69 mil pontos. Na mínima do dia, o Ibovespa, o principal índice do mercado brasileiro, bateu nos 69.549,52 pontos. No entanto, o movimento de queda não é de hoje: na última terça-feira, 30, o pregão também foi encerrado com uma queda superior a 2%.

Para se ter uma ideia, neste mês de março de 2020, em meio ao caos econômico que o mundo se encontra por conta da pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19, tanto dólar (moeda dos Estados Unidos) e euro (moeda da União Europeia) ultrapassaram, pela primeira vez, desde o início do Plano Real, em 1994, o patamar de R$ 5. Ambas as moedas têm valorização superior a 25% neste ano. No caso do dólar, 29%, e, para o euro, 26%.

Cenário local

Com os resultados negativos do dia, o mercado brasileiro já começa a trabalhar com a possibilidade de um novo corte de 50 pontos-base da Selic, taxa básica de juros, em maio diante da fragilidade da economia. A produção industrial de fevereiro, que sai nesta quarta, deve mostrar queda mesmo antes dos impactos do coronavírus.

Já nesta quarta, pesou sobre o mercado, as indiretas trocadas entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Na noite da última terça, os três trocaram farpas em torno da demora do governo, em aprovar o auxílio de R$ 600 a trabalhadores informais, MEIs e intermitentes. Apesar de Jair Bolsonaro ter prometido a aprovação para esta quarta, ainda não houve a sanção do projeto.

Também hoje, a Câmara aprovou a PEC do 'orçamento de guerra', que cria uma espécie de orçamento separado para que o governo possa lidar com os gastos emergenciais relacionados ao novo coronavírus. Entre outras medidas, o governo também anunciou que vai destinar cerca de R$ 51 bilhões para complementar o salário de quem tiver a jornada reduzida.

No entanto, a economia do País começa a dar os primeiros sinais de desaceleramento. A Petrobrás já informou um corte na sua produção diária de barris e que também vai atrasar o pagamento dos salários de membros da gerência. O governo também já discute nos bastidores um auxílio de até R$ 17 bilhões às distribuidoras de energia, mas ainda não há consenso na equipe econômica. Porém, nem todos os resultados são negativos. Mesmo em meio novo coronavírus, o País ainda teve superávit de US$ 4,7 bilhões em março, uma alta de 9,7% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Cenário internacional

Os mercados do mundo inteiro reagiram negativamente nehsta quarta ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, projetar que haverá, ao menos, 100 mil mortes no país por conta do novo coronavírus, causador da covid-19. No mundo, são mais de 42 mil mortes e o 860 mil infectados.

Na Ásia, a maior queda foi vista no Japão, que recuou 4,50%, seguida da Coreia do Sul, com perdas de 3,94%, e Hong Kong, com queda de 2,19%. China e Taiwan tiveram quedas menos expressivas, de 0,57% e 0,46%, respectivamente. O único país no oriente do mundo a ter alta foi a Austrália, na Oceania, com aceleração de 3,52%.

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