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Bolsonaro cobrava investigações sobre Rodrigo Maia, Doria e Witzel na PF

Bolsonaro cobrava investigações sobre Rodrigo Maia, Doria e Witzel na PF

Por Redação

25/04/2020 às 09:42

Atualizado em 25/04/2020 às 09:42

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Jair Bolsonaro

Ao deixar o Ministério da Justiça nesta sexta-feira, Sergio Moro afirmou que o presidente Jair Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal para ter em cargos estratégicos pessoas de sua confiança a quem ele pudesse solicitar informações de investigações. Preocupam o presidente dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Mas aliados dele e integrantes do judiciário afirmam também, segundo o jornal O Globo, que Bolsonaro reclamava com frequência porque achava que a PF "fazia corpo mole" ao não investigar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os governadores João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ)

"A recusa em atuar no inquérito das Fake News que pode respingar no Eduardo (Bolsonaro) foi o estopim", afirmou um integrante do Judiciário, que pediu anonimato. "Bolsonaro queria autonomia para 'pilotar' a PF como um todo, principalmente para investigar Maia, a quem ele vem pedindo mais empenho nas investigações", acrescentou.

Os inquéritos do STF apuram a disseminação de fake news e ataques a parlamentares e ministros da Corte pelas redes sociais, enquanto o outro está centrado na organização de atos antidemocráticos no último fim de semana.

Os superintendentes e diretores que participaram da reunião com Maurício Valeixo na quarta-feira ficaram perplexos ao ver o presidente Jair Bolsonaro afirmar no pronunciamento ontem que o diretor-geral teria dito que estava "cansado" e que queria deixar o cargo. Duas pessoas presentes à reunião com Valeixo na quarta-feira de manhã disseram que ele afirmou apenas que "não tinha apego a cargos" e que, se ele tivesse que sair por vontade do ministro Sergio Moro, ele sairia. "É muito diferente de dizer que ele tava cansado e que ia sair, comunicando a exoneração. Ele não disse isso", afirmou um delegado.

Existe expectativa sobre um eventual boicote como ocorreu com Fernando Segóvia durante o governo de Michel Temer, que ficou pouco mais de três meses no cargo e não contava com cooperação da própria instituição.

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