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Boeing desiste de comprar área de aviação comercial da Embraer

Boeing desiste de comprar área de aviação comercial da Embraer

Por Folhapress

25/04/2020 às 12:00

Foto: Sergio Castro/Estadão

Imagem de Boeing desiste de comprar área de aviação comercial da Embraer

A compra da área de aviação civil da Embraer pela Boeing, maior negócio aeroespacial da história brasileira, foi cancelado.

O anúncio foi feito na manhã deste sábado (25) pela empresa americana, que afirmou ter rescindido o contrato porque a fabricante brasileira não teria cumprido todas as suas obrigações contratuais para executar a separação da sua linha de aviões regionais.

Mas as dificuldades financeiras da Boeing devido à conjunção de uma crise interna, com a paralisação da produção do best-seller 737 MAX por problemas técnicos que geraram acidentes fatais, com a queda de demanda mundial pela pandemia do novo coronavírus, são fatores considerados centrais para o desfecho por envolvidos nas negociações.

Não só: a crise da Covid-19 desvalorizou brutalmente a Embraer também, levantando dúvidas sobre o preço a ser pago pela brasileira.

As empresas tinham até a meia-noite desta sexta-feira (24) para fechar o acordo em termos técnicos. Isso não ocorreu, com duas versões distintas para o caso.

"A Boeing trabalhou diligentemente nos últimos dois anos para concluir a transação com a Embraer. Há vários meses temos mantido negociações produtivas a respeito de condições do contrato que não foram atendidas, mas em última instância, essas negociações não foram bem-sucedidas", disse Marc Allen, presidente da Boeing para a parceria com a Embraer e operações.

Segundo ele, "é uma decepção profunda". Allen não detalhou quais seriam os itens não cumpridos pelos brasileiros.

A Embraer ainda não se manifestou oficialmente. Executivos da empresa afirmam que os detalhes seriam mínimos e a Boeing não renegociou o prazo porque decidiu que a compra não seria viável agora.

Eles também levantam a hipótese de que a americana quis evitar pagar as multas contratuais estimadas em até US$ 75 milhões (R$ 420 milhões nesta sexta) por conta de uma desistência –valores não são conhecidos, mas são altos segundo quem tem familiaridade com a operação.

Os americanos vivem uma crise dupla. A do 737 MAX é a maior da história da Boeing, mas a pandemia dificultou ainda mais a vida da fabricante americana devido ao tombo na demanda do setor aéreo. Sua ação custava R$ 1.820 no último dia de 2019 e R$ 716 na sexta.

Já a Embraer está sob impacto da Covid-19, com adiamentos de entregas e revisão de pedidos. Sua ação nos EUA custava R$ 109 em 31 de dezembro passado e, nesta sexta, fechou a R$ 32,50.

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