Após acusações de Moro, Moraes blinda delegados do inquérito das fake news
Por Estadão Conteúdo
24/04/2020 às 21:00
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Após as acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, contra o presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decidiu nesta sexta-feira (24) blindar os delegados do inquérito das fake news, conduzido pela Corte, e também atribuem a eles a função de investigar os atos que pediam o fechamento do Congresso Nacional.
Ao anunciar a saída do cargo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, acusou nesta sexta-feira (24) o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.
O procurador-geral, Augusto Aras, pediu ao STF, uma investigação após as declarações de Moro. O objetivo é apurar se foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.
O inquérito das fake news é um dos que preocupam o presidente. A investigação identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros da Corte nas redes sociais.
A investigação é conduzida por Igor Romário de Paula, que integrou a Lava Jato em Curitiba, e é tido como um aliado do ex-ministro Sérgio Moro, e também Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher. Em uma nova decisão, Alexandre determina que o inquérito deve continuar nas mãos destes delegados.
Já o inquérito 4828, foi solicitado pelo procurador-geral, Augusto Aras, para mirar “fatos em tese delituosos envolvendo a organização de atos contra o regime da democracia participativa brasileira”. O objetivo é verificar se houve violação à Lei de Segurança Nacional nos protestos ocorridos no último domingo.
Para esta investigação, Alexandre decidiu hoje que os mesmos delegados do inquérito das fake news devem conduzi-las. Esse inquérito não mira o presidente, que também participou dos atos, mas inclui deputados em seu polo de investigados.
O algoritmo do Supremo deixou a investigação dos atos com Moraes, mesmo relator do inquérito das fake news. “Como diria Maradona: a mão de Deus”, resumiu um ministro, que deve prorrogar o inquérito.
