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Secretaria estadual de Políticas para as Mulheres repudia declaração de Bolsonaro
Secretaria estadual de Políticas para as Mulheres repudia declaração de Bolsonaro
Por Redação
30/03/2020 às 18:00
Atualizado em 30/03/2020 às 18:00
Foto: Divulgação

A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Julieta Palmeira, repudiou a declaração do presidente Jair Bolsonaro que citou o aumento da violência contra as mulheres no período de isolamento social, em decorrência da pandemia da Covid-19, como uma das justificativas para seu apelo à população romper a medida, indicada pelas autoridades de saúde e sanitárias como fundamental para conter a pandemia.
"O isolamento social para enfrentar o coronavírus não é uma escolha, é uma medida mandatória para a saúde pública nesse momento. Apostar no caos social é a pior atitude e isso exige desobediência civil. O momento é de solidariedade e de promoção de uma proteção mais efetiva do governo federal com medidas para amparar as mulheres, evitar o adoecimento e garantir o sustento das famílias brasileiras", disse.
Segundo a secretária, a tensão entre pessoas que permanecem muito tempo convivendo num mesmo espaço é sempre uma possibilidade, especialmente nos lares em que a violência doméstica e familiar é uma realidade, mas o fundamental é implementar políticas públicas de proteção às mulheres.
"O presidente Bolsonaro até o momento não se preocupou em estabelecer medidas eficazes de enfrentamento à violência e de proteção às mulheres. Ao invés, reduziu drasticamente, no último ano, os recursos para o combate à violência contra as mulheres, suprimindo repasses dos projetos federais nos estados com foco no enfrentamento à violência de gênero. Não estabeleceu nenhuma medida de proteção social de iniciativa do Executivo, diante das necessidades das mulheres e da população em geral nessa crise", pontuou.
A titular da SPM-BA lembrou que a ONU Mulheres divulgou recentemente um alerta mundial para prevenir e enfrentar a violência de gênero diante da necessidade de isolamento social durante a pandemia da Covid19. Para Julieta Palmeira, as medidas de proteção às mulheres já existentes devem continuar disponíveis, sendo adotadas durante a crise. Isso inclui garantir acesso à proteção, mantendo abrigos seguros e linhas de denúncia disponíveis a exemplo do Disque 180, que registrou aumento de 8% nesse período.
Julieta destacou, ainda, a atitude pessoal de solidariedade com as mulheres nessas circunstâncias, além da necessidade de buscar iniciativas mais criativas diante de possíveis restrições de se deslocar até uma delegacia para registrar a violência.
