Lula revê discurso e ecoa Eduardo Bolsonaro com 'Lula solto não é Lula livre'
Por Folhapress
17/01/2020 às 11:58
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

"Mais uma da série 'Lula solto não é sinônimo de Lula livre'", tuitou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no dia 9 de novembro de 2019, um dia após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixar a Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba.
Filho de Jair Bolsonaro, o deputado usou a expressão com conotação negativa para esfriar as celebrações de petistas com a soltura de Lula após 580 dias de prisão. O tuíte citado acompanhava uma reportagem sobre a impossibilidade
de o líder do PT, que segue condenado, se candidatar à Presidência da República.
Dois meses depois, Lula ecoa discurso semelhante. "Eu não estou livre, eu estou solto", afirmou em entrevista ao site Diário do Centro do Mundo transmitida pelo YouTube no dia 8 de janeiro. Ele completa: "É importante lembrar que tem muitos processos e eles vão inventando cada dia um. Eles não têm limite". Na última quarta-feira (15), em entrevista à TVT, Lula repetiu a frase.
A ideia, que já vem sendo replicada por entidades amigas do ex-presidente, tende a ganhar força a partir de reunião neste sábado (18) que vai atualizar e reposicionar para 2020 a campanha Lula Livre -bandeira de seus apoiadores no período da prisão.
Estarão no encontro membros do PT, de outros partidos de esquerda e do Instituto Lula e movimentos sociais, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
O trecho da entrevista do dia 8, em que o ex-presidente diz que está solto e não livre, foi repercutido em um vídeo do Boletim Lula Livre -que distribui por WhatsApp conteúdo em vídeo da campanha- e compartilhado pelo deputado federal Beto Faro (PT-PA) em sua conta no Twitter.
Na sexta-feira em que Lula saiu da prisão, parte da militância comemorou a liberdade de Lula como a concretização do slogan. "Livre" e "solto" acabaram sendo vistas como palavras-chave para identificar pessoas que apoiavam ou não o ex-presidente. Após a euforia, o comitê Lula Livre revê a estratégia.
"A gente fez até a reflexão se deveríamos mudar ou não o nome", afirma Ana Flávia Marx, coordenadora de comunicação da campanha.
A conclusão, no entanto, foi de que a condição atual do petista não seria de liberdade. A jogada permite que o slogan ganhe fôlego e continue sendo usado. "Não tinha como a gente comemorar com 'Lula solto', mas a verdade é que aquele foi um momento de vitória parcial", diz.
