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Escolha de Bruno consagra liderança de Neto em Salvador e seu projeto ao governo

Escolha de Bruno consagra liderança de Neto em Salvador e seu projeto ao governo

Por Redação

06/01/2020 às 19:30

Atualizado em 06/01/2020 às 19:49

Foto: Reprodução Instagram

Neto e Bruno em ato que oficializou o segundo como candidato do primeiro à sucessão em Salvador

O lançamento oficial da candidatura de Bruno Reis (DEM) à Prefeitura de Salvador hoje pela manhã, a nove meses das eleições municipais, marca a consagração da liderança do prefeito ACM Neto, por acaso presidente nacional do partido, na capital baiana.

Apesar de enfrentar um adversário poderoso, representado pelo PT no comando do governo do Estado, Neto não precisou se afastar um milímetro de sua estratégia para a própria sucessão em Salvador nos meses que antecederam seu pronunciamento.

Pelo contrário, assistiu praticamente de camarote ao principal projeto que pretendia confrontar sua hegemonia na capital, mal articulado por forças governistas estaduais, se desfazer por falta de planejamento e coordenação, além de inconsistência e irracionalidade.

Sobraram candidaturas que se apresentam por determinação individual de seus líderes sem qualquer articulação entre si. Foi como se, percebendo que era impossível vencer o inimigo, o governador Rui Costa (PT) tivesse decidido se associar a ele, permitindo que triunfasse sozinho em campo.

O sucesso registrado até aqui, no entanto, está longe de assegurar automaticamente a vitória em outubro próximo para o candidato Bruno, aliado de Neto de primeira hora, amigo pessoal, vice e secretário municipal de infraestrutura, embora marque um excepcional começo.

Para se tornar realidade, a eleição do vice demandará empenho da máquina política e administrativa sob controle do prefeito, mas também do grupo de aliados, hoje integrado por 14 partidos, que terão que demonstrar vontade para vencer a batalha.

As moedas de troca são conhecidas: a vice, cobiçadíssima desde a oficialização do nome, mas reservada para quem possa acrescentar eleitoralmente ao cabeça da chapa, e espaço no futuro governo, quiçá no atual, o que não deve faltar, além de eventualmente negociações em torno do Legislativo municipal.

Com o anúncio de hoje, Neto quita também uma dívida política com Bruno. Como manda a previdência política, ele havia sido escolhido para a sua vice, ainda durante o primeira gestão do prefeito, com a promessa de que poderia assumir seu lugar no caso em que Neto saísse candidato ao governo, em 2018.

Convencido de que o prefeito ganharia e apostando em ocupar legitimamente a Prefeitura, Bruno empenhou-se para viabilizar a candidatura. Como Neto desistiu de concorrer, soube administrar como ninguém a expectativa frustrada com sabedoria, aguardando o momento certo de poder ser escolhido para disputar o comando do Thomé de Souza.

Neste período, o vice foi obrigado a conviver com insinuações de que seria preterido pelo prefeito tanto de adversários quanto de forças internas ao seu grupo, que naturalmente tinham suas preferências pessoais para o posto e não deixaram de tentar trabalhar por elas às suas costas.

O fato de, em algumas oportunidades, ter sido subestimado ou mesmo atrapalhado por segmentos próximos não o abateu. Pelo contrário, pareceu lhe ter dado mais força para continuar, enfrentando a competição de alguns aliados, firme na batalha por sua própria escolha como candidato do prefeito.

Talvez o momento mais delicado tenha sido aquele em que o correligionário Léo Prates, a quem sempre apoiou, decidiu ele próprio desfiliar-se do DEM para ingressar no PDT anunciando que também concorreria à Prefeitura, num processo até hoje muito nebuloso até para os parceiros políticos.

Bruno não se deixou contaminar pelo sentimento dos amigos que revoltaram-se contra a atitude de Prates, que, por acaso, não foi hoje ao lançamento de sua candidatura, segundo figuras próximas, também dentro de um jogo, ainda que pouco claro, supostamente combinado com o prefeito.

A escolha de Bruno por Neto está associada a um projeto político consistente e de longo prazo que passa pela disputa ao governo do Estado pelo prefeito no ano de 2022. Contornando o risco, Neto evitou concorrer no ano passado contra o governador petista, que se reelegeu.

Mas, com três anos de antecedência, já sabe que 2022 talvez seja tão desafiador para ele quanto foi 2012, quando disputou a Prefeitura na cara e na coragem, disposto a ir para o tudo ou nada, contra o poderio do lulismo, então enorme, e conseguiu vencer.

No entanto, a disputa à sucessão de Rui Costa, para a qual já se prepara o antecessor, também petista, Jaques Wagner, não poderá, como a anterior, ser travada a descoberto. Na condição de prefeito de Salvador, se seguir o script de bom gestor que Neto lhe traçou, Bruno será simplesmente fundamental para ele.

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