Alunos ocupam o Odorico Tavares e pedem que instituição não feche as portas
Por Redação
21/01/2020 às 18:53
Atualizado em 21/01/2020 às 19:03
Foto: Gil Santos/Correio*

O Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, foi ocupado por cerca de 30 estudantes e ex-alunos na tarde desta terça-feira (21). Eles pedem que a escola não seja fechada e querem uma reunião com a Secretaria Estadual de Educação (SEC) para discutir o fechamento desta e de outras instituições no estado. A SEC informou que técnicos da pasta estão em diálogo com representantes do movimento estudantil.
A ação desta terça no Odorico é similar à que aconteceu na novela Amor de Mãe, da Rede Globo, na semana passada, mas os estudantes garantem que o planejamento aconteceu bem antes de as cenas irem ao ar. O fechamento do Odorico foi anunciado em dezembro pelo governador Rui Costa (PT). Com capacidade para 3,6 mil alunos, o local estava com apenas 308 matriculados.
A ocupação desta terça começou a ser discutida como uma possibilidade há algumas semanas. Durante a tarde, o grupo combinou um ponto de encontro no Centro e, em seguida, dois alunos saíram na frente e foram até a porta da escola para sondar como estava a segurança do espaço. Foram eles que deram o sinal para o restante do grupo entrar.
A vice-presidente nacional da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Débora Nascimento, 20 anos, contou que o grupo entrou no colégio por volta das 14h30 e que a polícia chegou cerca de 30 minutos depois. Segundo o relato dos estudantes, quando os policiais passaram pelo primeiro portão, eles usaram mesas e cadeiras para bloquear o segundo portão. "Dissemos que a ocupação é pacífica e que o que queremos é apenas dialogar com a secretaria. Os PMs acabaram recuando", disse Débora.
Os estudantes disseram também que um representante da Secretaria da Educação esteve no prédio, mas na entrada dos fundos na Avenida Reitor Miguel Calmon. Os alunos pediram que a negociação acontecesse na frente da imprensa, que está concentrada na entrada principal, no Corredor da Vitória, mas o representante se recusou a subir e foi embora. Depois, a SEC voltou ao local e aceitou dialogar, mas os estudantes informaram que só darão início às conversas quando a PM for embora, o que não aconteceu ainda.
Depois da ocupação dos primeiros 30 alunos, professores se juntaram ao movimento. Três viaturas da Polícia Militar estão acompanhando o caso. Ao CORREIO, a PM informou que a "Secretaria de Segurança Pública está cuidando desta demanda" e não se manifestou. Já a SSP informou que, através da PM, acompanha a manifestação, que é pacífica.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação disse que "está garantida a matrícula dos 176 estudantes em unidades próximas da região, como o Colégio Estadual Manoel Novais (Canela), que fica a cerca de 1 km do Odorico; o Colégio Estadual Mário Augusto Teixeira de Freitas (Nazaré); e o Colégio Estadual da Bahia – Central (Nazaré), que possuem estrutura para recepcionar os novos alunos".
A pasta informou ainda que "a matrícula pode ser solicitada em qualquer unidade escolar da rede estadual, independente de ser o colégio onde o aluno irá estudar, observando o cronograma".
Urgência
A ocupação acontece um dia após a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) aprovar o requerimento de urgência do projeto da venda da área onde está situado o colégio. O setor imobiliário já está de olho no imóvel, que tem área de 5 mil metros quadrados e fica em um bairro onde o metro quadrado é o mais caro de Salvador - custa, em média, R$ 15 mil. As informações são do jornal Correio*.
