Petrobras corta investimentos em 10% e reforça foco no pré-sal
Por Folhapress
28/11/2019 às 13:30
Atualizado em 28/11/2019 às 13:30
Foto: Fábio Motta/Estadão

Em seu primeiro plano estratégico no governo Jair Bolsonaro, a Petrobras reduziu em 10% a previsão de investimentos para cinco anos e decidiu focar ainda mais seus recursos na exploração do pré-sal. A empresa pretende manter o ritmo de venda de ativos. O Plano Estratégico 2020-2024, anunciado nesta quinta, traz projeção de investimentos de US$ 75,7 bilhões (cerca de R$ 322 bilhões, na cotação atual), dos quais 85% serão destinados à exploração e produção de petróleo.
O plano anterior falava em US$ 84,1 bilhões (R$ 357 bilhões) para o período entre 2019 e 2023. A Petrobras não explicou as razões para a queda. Durante o ano, porém, a empresa anunciou que não investirá mais em energias renováveis e que venderá metade de sua capacidade de refino. "Essa alocação [de recursos] está aderente ao nosso posicionamento estratégico, com foco nos ativos de E&P [exploração e produção, especialmente no pré-sal, nos quais a Petrobras tem vantagem competitiva", disse a empresa, em nota divulgada nesta quarta.
O documento considera preços de petróleo mais baixos do que os atuais: US$ 50 (R$ 212) por barril nos próximos cinco anos e US$ 45 (R$ 191) no longo prazo. Na quarta (27), o barril do Brent, negociado em Londres, fechou em US$ 63,01 (R$ 267).
A companhia espera colocar em operação 13 novos sistemas de produção de petróleo -que incluem plataformas e equipamentos submarinos. Em 2024, pretende atingir a produção de 3,5 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia, crescimento de 30% com relação à meta de 2019. Para 2020, a companhia não espera aumento de produção, diante de perdas de volumes com o declínio natural de campos mais antigos e concentração de paradas para manutenção de plataformas durante o ano.
No novo Plano Estratégico, a Petrobras passa a considerar um conceito de "produção comercial", que exclui da conta os volumes de gás que são reinjetados nos poços, consumidos em suas instalações ou queimados. A produção comercial, portanto, é aquela que a companhia pode vender ao mercado. Em 2019, menos da metade da produção nacional de gás chegou ao mercado. O restante foi reinjetado ou consumido nas instalações da Petrobras.
O elevado volume de reinjeção (40,9 dos 118 milhões de metros cúbicos por dia produzidos até setembro), é motivo de preocupação no governo, que trabalha para ampliar a oferta do combustível no país. No plano divulgado nesta quinta, a Petrobras prevê elevar a oferta de gás natural ao mercado em 33% até 2024, mas os volumes reinjetados ou usados em suas instalações ainda representarão metade da produção total.
O Plano Estratégico da Petrobras prevê a entrada de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões (R$ 85 bilhões a R$ 127 bilhões) com a venda de ativos. O valor está em linha com o previsto no plano de investimentos anterior, que foi divulgado no fim de 2018, ainda no governo Michel Temer.
