Faroeste ou a Crônica de uma devastadora Operação Anunciada
Por Redação
19/11/2019 às 17:57
Atualizado em 20/11/2019 às 09:23
Foto: Reprodução TV Bahia

A Faroeste é o que se pode chamar de Operação de uma Crônica Anunciada. Não foi uma nem duas vezes apenas que, desconsiderando os sinais emitidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão máximo de controle do Judiciário, a cúpula do Tribunal de Justiça da Bahia resolveu prosseguir em caminho perigoso com relação à polêmica posse de uma área equivalente a cinco vezes a cidade de Salvador localizada no Oeste da Bahia.
Em alguns momentos, não apenas deu de ombros para as determinações que contrariavam suas decisões e orientações, como, cheia de direitos, desviou-se delas e até buscou contestá-las judicialmente. Deveria estar plenamente respaldada na convicção expressa por conhecida e arrogante frase dita na Corte baiana de que "ninguém mexe com desembargador". Como o passado demonstra, o CNJ mais uma vez mostrou que tem coragem de sobra para fazê-lo.
Ou, quando é o caso, recorrer a quem pode fazê-lo. Inclusive, sem maiores afobações, depois de algum tempo de espera.
Sem precisar entrar no mérito da participação ou envolvimento dos magistrados afastados pela operação, que podem, eventualmente, ser, inclusive, inocentados à medida que as investigações avancem e acabem, não era difícil prever que era apenas uma questão de tempo o jogo embolar no meio de campo do TJ se alguma atenção fosse dedicada, por exemplo, a alguns personagens de toda esta estranha história.
Focando em apenas dois deles, um borracheiro apontado como rico e próspero proprietário da área, que a ganhou por meio de uma portaria do TJ em 2015, e um sócio seu autointitulado Cônsul, com poderes para mandar e desmandar no pedaço, seria impossível não prever, sem preconceitos, que havia algo de muito esquisito com a denunciada grilagem num dos lugares mais cobiçados de todo o Estado e uma sucessão de atos a atestar o favorecimento de ambos.
Na Faroeste, um capítulo especial deve ser devotado ao antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), desnecessariamente rebatizado como UIF (Unidade de Inteligência Financeira) e transferido da Receita para o Banco Central por este governo de Jair Bolsonaro (sem partido), no importantíssimo papel de consubstanciar as investigações do MPF e da PF e o respaldo a elas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça.
Através do órgão, os investigadores conseguiram identificar movimentações financeiras fabulosamente atípicas de alguns dos envolvidos, gente que ganhava salário, mas ostenta em transações bancárias uma inacreditável fortuna, se os dados vazados pela imprensa se confirmarem, numa prova de que o país tem às mãos o instrumento perfeito e adequado para descobrir esquemas e confirmar suspeitas cabeludas.
