'É na omissão que a injustiça se fortalece', afirma Deltan após punição
Por Estadão
26/11/2019 às 13:58
Atualizado em 26/11/2019 às 14:28
Foto: Theo Marques/Estadão

O procurador Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato de Curitiba, comentou em seu perfil no Twitter a punição que recebeu do Conselho Nacional do Ministério Público, na manhã desta terça, 26. Por 8 a 3, o ‘Conselhão’ decidiu aplicar punição de advertência a Deltan por causa de uma entrevista à rádio CBN na qual o procurador criticou o STF. Ele afirmou que três ministros da Corte formam ‘uma panelinha’ e passam para a sociedade uma mensagem de ‘leniência com a corrupção’.
Em 15 de agosto de 2018, Deltan criticou uma decisão da Segunda Turma do STF que determinou o envio para a Justiça Federal e Eleitoral do DF trechos de delação premiada sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Guido Mantega que se encontravam sob a competência da Justiça Federal de Curitiba.
“Agora o que é triste ver, Milton [Milton Yung, jornalista da CBN], é o fato de que o Supremo, mesmo já conhecendo o sistema e lembrar que a decisão foi 3 a 1, os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre formando uma panelinha assim que manda uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”, disse Deltan na ocasião, em referência aos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e ao hoje presidente do STF, ministro Dias Toffoli.
Após receber a punição, Deltan sinalizou que sua manifestação é decorrente de um ‘sistema de justiça que não funciona, em regra, contra poderosos’. “É na omissão e no silêncio que a injustiça se fortalece”, afirmou o procurador.
O coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato do Paraná disse ainda que a advertência que recebeu não refletia o ‘apreço’ que ele tem pelas instituições e que continuará trabalhando para ‘reduzir a corrupção e a impunidade’.
Esta é a primeira vez que o Conselho Nacional do MP pune Deltan – na prática, a advertência é uma punição branda, que fica registrada na ficha funcional do procurador, servindo como uma espécie de ‘mancha no currículo’.
O conselheiro Luiz Fernando Bandeira, relator do caso, decidiu mitigar a punição do procurador – que poderia ter sido de censura – para uma advertência, por causa dos ‘bons antecedentes’ de Deltan.
O relator entendeu que a fala do chefe da Lava Jato configura ‘ataque deliberado e gratuito a integrantes do Poder Judiciário, constituindo violação a direito relativo à integridade moral’.
Na noite desta segunda, 25, Deltan já havia se manifestado no Twitter sobre a sessão do CNMP e o caso das críticas aos ministros do Supremo.
O procurador disse que fez uma ‘ressalva expressa’ na rádio e sinalizou que ‘não via razões’ para ser censurado.
