Doria tenta se aproximar de generais, ante desgaste militar com Bolsonaro
Por Folha de S.Paulo
18/11/2019 às 06:39
Atualizado em 18/11/2019 às 06:39
Foto: Felipe Rau/Arquivo/Estadão

Em meio ao aumento da desconfiança e da insatisfação de integrantes da cúpula militar com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), iniciou articulação para construir um canal de diálogo com as Forças Armadas.
O movimento ocorre na esteira da demissão de generais de cargos de destaque do governo federal e da tentativa do tucano de reduzir os índices de criminalidade em São Paulo, o que pode servir como uma vitrine eleitoral para a sucessão presidencial de 2022.
O plano defendido por aliados do governador é o de atrair para a gestão estadual nomes de militares de peso, entre eles egressos da administração bolsonarista, e o de filiar sargentos e generais ao PSDB, pavimentando caminho para um apoio futuro.
Recentemente, um interlocutor do tucano procurou o general Carlos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, que deixou o cargo em junho. Ele foi informado que, caso deseje se filiar a uma sigla, será bem-vindo no PSDB. "Eu só vou pensar em filiação partidária mais para a frente", disse o general à Folha.
Hoje, de acordo com tucanos paulistas, a principal ponte do governador com as Forças Armadas é o general da reserva João Camilo Pires de Campos, atual secretário da Segurança Pública de São Paulo.
Antes de assumir o posto, que desde 1979 não era ocupado por um militar, ele chefiou o Departamento de Educação e Cultura do Exército. O general tem uma boa relação com o atual ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que o substituiu à frente do Comando Militar do Sudeste no ano passado.
Os aliados do governador defendem que ele também ensaie uma aproximação com o general da reserva Guilherme Theophilo, atual secretário nacional de segurança pública. Ele é próximo do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e já foi filiado ao PSDB, mas se desfiliou após ser derrotado na última disputa ao governo cearense.
"As relações com as Forças Armadas sempre foram respeitosas, fluídas e construtivas, em defesa das boas causas e dos brasileiros de bem”, disse Doria à Folha.
