/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Uma advogada no centro da briga dos Bolsonaros e do PSL

Uma advogada no centro da briga dos Bolsonaros e do PSL

Por Estadão

27/10/2019 às 08:25

Atualizado em 27/10/2019 às 08:25

Foto: Reprodução/Instagram

Jair Bolsonaro e Luciano Bivar

Em meados de abril de 2014, a advogada Karina Kufa, especializada em direito eleitoral, negociou seus serviços com a campanha de Alexandre Padilha (PT) ao governo de São Paulo. Ela fora indicada por Gabriela Araújo, esposa do tesoureiro nacional do PT, Emídio de Souza, de quem era colega em grupos de advogadas feministas. O partido considerou o pedido salarial de Karina alto demais e o negócio não prosperou.

Após quatro anos, a advogada paulista de 38 anos, mãe de dois filhos, estava no outro lado do espectro político - algo normal no direito eleitoral. Contratada pela campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, tornou-se uma das colaboradoras mais próximas do presidente e foi parar no meio do fogo cruzado entre o Planalto e o PSL.

Dirigentes do partido, parlamentares e antigos colaboradores de Bolsonaro atribuem a Karina responsabilidade direta na crise que já se arrasta por mais de duas semanas. Segundo eles, a advogada ajudou a fazer a cabeça de Bolsonaro contra o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar; atua para afastar seus desafetos do círculo do poder e usa o fato de ter bom trânsito nos palácios de Brasília para exercer influência na capital.

Ela nega e diz que só defende seu cliente da melhor forma possível. "Estou na defesa do presidente da República e qualquer pessoa no meu lugar faria o mesmo", disse ela ao Estado.

O nome de Karina surgiu no imbróglio entre o Planalto e o PSL no início do mês, quando uma peça com sua assinatura - representando Bolsonaro e dezenas de deputados do PSL - circulou na imprensa, sem que tivesse sido protocolada na Justiça. Ela exigia todas as informações de doadores e de receitas do partido além de demandar que a direção da sigla informasse a existência de procedimentos internos para decidir como os recursos são aplicados.

Mas a participação da advogada na crise começou em fevereiro, com a queda do então secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Karina foi parar na equipe de Bolsonaro pelas mãos do coordenador jurídico da campanha, Tiago Ayres, sobrinho do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ayres Britto, que fora contratado por Bebianno. Ayres precisava de alguém em São Paulo para acompanhar o andamento de um processo referente ao diretório estadual do PSL e se lembrou de um casal que conhecera em congressos de advocacia eleitoral, Amilton e sua esposa, Karina, e decidiu contratá-los.

Dias após a queda de Bebianno, Ayres foi dispensado por meio de uma mensagem de áudio em seu celular na qual Karina dizia que a partir de então os processos do presidente ficariam "concentrados" com ela.

Àquela altura Karina já havia se aproximado de Eduardo Bolsonaro e não dependia de intermediários para chegar ao núcleo do poder. De acordo com pessoas que acompanharam o processo, Bivar começou a se incomodar com os pedidos da advogada por contratos com o PSL, principalmente para fazer o compliance do partido.

Ao Estado, a advogada afirmou que apenas intermediou negociações de Bolsonaro com o vice-presidente do PSL, Antonio de Rueda, para tentar encontrar soluções às insatisfações do mandatário, sobretudo em relação a boas práticas.

Duas reuniões aconteceram no Palácio da Alvorada. Segundo uma fonte, Bolsonaro ignorou o compliance e começou a criticar o deputado Delegado Waldir, então líder do partido na Câmara. Conforme Kufa, o advogado Admar Gonzaga foi incluído para tocar o projeto de compliance interno e chegou a propor a refundação do partido, com a anuência de Rueda.

O auge da irritação de Bivar, segundo aliados, foi quando a senadora Selma Arruda (então no PSL e hoje no Podemos-MT) reclamou que Karina não comparecera ao tribunal para fazer a sustentação oral no julgamento no qual foi cassada por caixa dois e abuso do poder econômico. A partir de então, ele cobrou relatórios dos serviços da advogada. O Estado procurou Selma, mas não a achou.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.