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Testemunha de Lula, Dilma diz a procurador: ‘isso não é sério’

Testemunha de Lula, Dilma diz a procurador: ‘isso não é sério’

Por Estadão

25/10/2019 às 19:41

Foto: André Dusek/Estadão

Ex-presidente Dilma Rousseff

A ex-presidente Dilma Rousseff reagiu em ‘protesto’ a uma pergunta da Procuradoria durante audiência na Justiça Federal de Brasília nesta quinta, 25. Testemunha arrolada pela defesa do ex-presidente Lula, a petista disse ao procurador: “O sr desculpa, mas isso não é sério.” Depois, dirigindo-se ao juiz Vallisney Oliveira, que presidia a audiência, a petista queixou-se. “Eu não concordo, estou protestando e peço para que o sr redija isso. É um desrespeito a mim.”

A audiência se deu por videoconferência. Dilma Rousseff estava na Justiça Federal do Rio Grande do Sul.

A ação penal se refere a um suposto acerto de US$ 40 milhões da Odebrecht ao PT pela liberação do aumento de uma linha de crédito do BNDES, em 2010.

Segundo a denúncia, com aval de Lula, o então ministro Paulo Bernardo (Planejamento) teria feito pedido de propinas ao empresário Marcelo Odebrecht.

Durante quarenta minutos, a defesa do ex-presidente e também a dos demais acusados fizeram perguntas a Dilma.

Quando a palavra foi passada ao procurador, ele explicou que, apesar de ter respondido questões sobre a política de empréstimos do governo a países estrangeiros, a denúncia se tratava de um acerto específico de propinas.

Em seguida, ele questionou se Dilma saberia de uma reunião ‘a sós’ entre Paulo Bernardo e Marcelo Odebrecht.

“Como eu poderia afirmar alguma coisa se a sua premissa é que ele recebeu a sós? Óbvio que eu não posso afirmar nada”, retrucou Dilma.

“Eu não vou afirmar nada, mas a pergunta…eu quero registrar ao juiz que a pergunta é um absurdo. Ele me dá como uma pressuposição que havia um fato a sós e me pergunta se eu posso afirmar alguma coisa sobre um fato a sós. A resposta está na pergunta dele. Ele responde”, queixou-se a petista.

Um embate em torno da pergunta ocupou 20 minutos. Durante a audiência, o juiz Vallisney de Oliveira chegou a questionar o procurador se não seria uma ‘pergunta diabólica’, e se a manteria.

A audiência se encerrou com a ex-presidente insistindo junto ao magistrado para registrar em ata um ‘protesto’ contra a pergunta.

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