Ibama diz que comandos militares se recusaram a apoiar ações de fiscalização
Por Folhapress
30/09/2019 às 14:29
Atualizado em 30/09/2019 às 14:34
Foto: Divulgação

A coordenação de operações de fiscalização do Ibama informou, em documento interno, que "Comandos militares" das Forças Armadas se recusaram a prestar apoio aos fiscais do órgão em pelo menos três ocasiões no mês de setembro, dificultando ações de repressão a crimes ambientais no Pará e em Mato Grosso. Duas das ações foram impedidas por decisão do CMN (Comando Militar do Norte), sediado em Belém (PA), segundo o documento do Ibama. O documento foi divulgado pelo site "Congresso Em Foco" no último sábado (28) e pelo "O Globo" neste domingo (29) e obtido pela reportagem. O ofício foi enviado no último dia 23 pela Cofis (Coordenação de Operações de Fiscalização) à coordenação-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, em Brasília. Segundo o documento, nas três ocasiões os Comandos militares negaram apoio quando souberam que poderia ocorrer, no decorrer da ação do Ibama, destruição de máquinas e equipamentos utilizados em crimes ambientais. As destruições são autorizadas em lei, mas são questionadas por garimpeiros e madeireiros e também pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que, em abril, disse que ações do gênero iriam acabar no seu governo. Foram três as ocasiões da retirada do apoio militar ao Ibama, segundo o documento do órgão ambiental: em 11 de setembro, para reprimir a ação de garimpo ilegal na terra indígena Trincheira Bacajá, em 15 de setembro, para uma ação no Alto Rio Guamá -que acabou realizada com apoio da Polícia Federal-, e uma ação contra garimpos ao longo da rodovia BR-163. No último caso, segundo o documento do Ibama, os militares argumentaram que "a operação poderia causar problemas tendo em vista as negociações que estavam em curso com os garimpeiros e o recente bloqueio da BR-163".
