21 de outubro de 2018, 07:38

BRASIL Novo presidente terá de iniciar sucessão nas Forças Armadas

Foto: Marcos Corrêa/PR

O almirante Eduardo Leal, o general Eduardo Villas Bôas e o brigadeiro Nivaldo Rossato

Embora fora das discussões de campanha, umas das atribuições do novo presidente será a sucessão de comando nas Forças Armadas. Enquanto na Marinha a escolha mais provável é o primeiro integrante do alto comando na ordem de antiguidade, no Exército e na Aeronáutica há mais questões que devem ser consideradas. Na FAB, por exemplo, Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT) terão a oportunidade de empossar o primeiro comandante negro. O perfil considerado ideal entre os militares para assumir o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica, no atual momento do País, é de um oficial-general que tenha forte liderança e apetite político. Também precisa ter pulso para não permitir que a política volte aos quartéis, o que consideram inadmissível, assim como impedir qualquer tipo de interferência do governo nas forças e vice-versa. A observação vale para PT, que já tentou interferir em assuntos internos no passado, e para Bolsonaro, que, segundo os oficiais, se eleito, não ficará à frente de um governo militar. Na Marinha, o atual chefe do Estado-Maior da Armada, almirante de Esquadra Ilques Barbosa Júnior, é o favorito. Mesmo próximo de ir para a reserva, o que não é impeditivo, é quem reúne o maior apoio entre colegas. A boa relação com o Exército também conta a seu favor para substituir o atual titular, almirante Eduardo Leal Ferreira. Mas a lista tríplice conteria ainda os nomes dos almirantes Paulo Cezar Küster, Comandante de Operações Navais, e Liseo Zampronio, Secretário-Geral da Marinha. Já na Aeronáutica há divisões nas preferências internas. Quem hoje tem mais chances, segundo militares ouvidos pelo Estado, é o número dois na ordem de antiguidade, o atual chefe do Estado-Maior da Força Aérea, brigadeiro Raul Botelho. Caso escolhido, ele será o primeiro negro a assumir o posto. Conta a seu favor também a influência do seu colega de turma na FAB, coronel Braga Grillo, que está assessorando a campanha e trabalha há anos com o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio. O brigadeiro mais antigo, porém, é Antonio Carlos Moretti Bermudez, diretor do Departamento de Ensino da Aeronáutica (Depens). Ele também está próximo de ir para a reserva, mas ainda espera assumir o comando da Força. Recentemente, recusou um convite para uma vaga no Superior Tribunal Militar (STM) por acreditar que tem chances de comandar a tropa. A mesma vaga foi oferecida a Botelho, que também a recusou pela chance de chegar ao posto mais alto da carreira militar. Há ainda um terceiro nome na possível lista da FAB: o brigadeiro Antonio Carlos Egito do Amaral, que está no Comando de Preparo. Além do comando da FAB há ainda outro posto pretendido pelos quatro estrelas da Aeronáutica: o de chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, hoje ocupado pelo almirante Ademir Sobrinho. A FAB pleiteia que seja chancelado rodízio no posto que, seguindo este critério, deverá ser ocupado agora por um tenente-brigadeiro. Neste caso, valeria a mesma lista de concorrência. A sucessão mais delicada, porém, é a do Exército. Caso Bolsonaro seja o eleito, os quatro primeiros na linha de antiguidade foram companheiros de turma do capitão reformado na Academia Militar da Agulhas Negras (Aman): generais Edson Leal Pujol, Paulo Humberto, Mauro César Lourena Cid e Carlos Alberto Neiva Barcellos. Os nomes considerados mais fortes são o do chefe do Estado-Maior do Exército, general Paulo Humberto César de Oliveira – número dois na linha de antiguidade –, e o comandante Militar do Sul, Geraldo Antônio Miotto. Embora seja só o quinto mais antigo, Miotto é quem aparece como favorito. Seu perfil é considerado semelhante ao do atual comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, além de ser ligado ao general Hamilton Mourão, vice na chapa de Bolsonaro. Na hipótese de vitória do presidenciável do PSL, Mourão e o general Augusto Heleno, cotado para o Ministério da Defesa, terão forte influência nesta escolha. Caso o eleito seja o candidato do PT, a avaliação é de que Haddad opte pelos primeiros nomes da lista de antiguidade, podendo haver um diferencial em relação ao Exército. Neste caso, há quem lembre que há possibilidade de que o general Marcos Antônio Amaro dos Santos possa ser o escolhido para o comando da Força. Chefe da segurança da presidente cassada Dilma Rousseff, ele foi fiel a ela durante o período em que esteve no Planalto.

Estadão Conteúdo

21 de outubro de 2018, 07:15

BRASIL Bolsonaro quer Sérgio Moro no Supremo, diz presidente do PSL

Foto: Wilton Júnior/Estadão

O presidente do PSL, Gustavo Bebbiano

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, afirma que uma das linhas de um eventual governo de Jair Bolsonaro será “discutir tabus”. Cotado para ser ministro da Justiça caso o capitão reformado seja eleito, Bebianno – que dedicou os últimos meses a coordenar a campanha de Bolsonaro –, afirma que entre os “tabus” brasileiros estão a Previdência, a legislação trabalhista e o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Bebianno, um eventual governo Bolsonaro poderá indicar o juiz Sérgio Moro, titular da Operação Lava Jato em Curitiba, para ministro do Supremo. Apesar do discurso de Bolsonaro contra o sistema político, o presidente do PSL admite fazer alianças com o MDB e o DEM.

Qual será o seu papel em um eventual governo Bolsonaro?

Não sei nem qual vai ser a minha atuação e se vou ter um espaço no governo. Na hora certa, a gente vai tratar disso. Agora, o que importa são os dez dias de campanha (restam sete dias agora – a entrevista foi concedida na quinta-feira, 18). Estamos focados, fazendo um bom trabalho de comunicação, lembrando ao País o que significaria ter o PT de volta, o caos, a destruição, a corrupção. Como nós sabemos, os petistas não amam o Brasil, os petistas amam o PT.

Como será o PSL na Câmara?

Com petista não há papo, não há diálogo, porque petistas são o mal para o Brasil. Com eles, PSOL, PCdoB, com a extrema esquerda não haverá nenhum diálogo. Zero. O PDT do Ciro (Gomes) também acho difícil, talvez com um ou outro. A gente pensa menos no partido e mais em pessoas. Partidos são feitos por pessoas que, muitas vezes, se perdem dentro de uma estrutura viciada. O Congresso precisa de oxigênio.

Esse oxigênio passa pela presidência da Câmara?

A Câmara tem vida própria, e acho saudável que o presidente da Câmara não seja do PSL, apesar de ser legítimo o interesse dos membros do PSL pela vaga. Mas, com muita concentração de poder, na presidência da Câmara o partido acabaria se confundindo com a presidência do Executivo. De um modo geral, a gente precisa do Congresso para governar, então é importante que haja um bom diálogo.

De qual partido seria?

Um do centro, como MDB, DEM.

Poderia ser o Rodrigo Maia?

É um bom nome, não vejo nada contra.

Continuar com os mesmos partidos e as mesmas pessoas no Congresso não é continuar com o mesmo modus operandi de Brasília, tão criticado por Bolsonaro?

Não. Isso já mudou, mesmo antes de começar a nova legislatura, o novo governo. Esse paradigma já foi quebrado por um homem só, chamado Jair Bolsonaro. Ele sozinho elegeu 59 deputados federais. Infelizmente, sete não atingiram a cláusula de barreira. Então, são 52 deputados eleitos por um único homem, que carrega uma bandeira de um ideal de uma pátria livre democrática, livre da mentalidade arcaica, mesquinha, atrasada, imposta pela esquerda bolivariana que insiste em se apoderar do Brasil.

Há muitos partidos procurando o PSL?

Todo mundo nos procura. Essa votação tão contundente, maciça, e por termos feito tantos deputados federais e estaduais, evidentemente atrai outros parlamentares. Prefiro não mencionar nomes, mas estamos conversando. Evidentemente que da esquerda ninguém nos procurou, até porque eu não receberia.

Quais serão as prioridades de um eventual governo Bolsonaro?

O combate à violência de forma contundente. A redução da maioridade penal seria um desses itens. Nós achamos que qualquer ser humano acima de 12 anos de idade sabe exatamente o que está fazendo. O Brasil poderia trabalhar a redução da maioridade penal de 18 para 17 ou 16 (anos). Em países como a Inglaterra e EUA não há um mínimo de idade. Dependendo do nível de crueldade, esses jovens respondem pelos seus atos. Mas dentro da nossa realidade, talvez uma redução para, se não for possível, 16 anos, para 17, talvez no primeiro momento.

Como isso será feito?

Por projeto de lei, evidentemente passando pelo Congresso. Uma proposta da Presidência, ou de algum parlamentar nosso. Assim como a retaguarda jurídica de policiais, o excludente de ilicitude.

E o Estatuto do Desarmamento?

Na verdade, a gente quer fazer valer o referendo de 2005, em que a população optou pelo direito de posse de arma, porque sem uma arma de fogo é impossível o pleno exercício da legitima defesa. Então, quando Jair Bolsonaro menciona a posse de arma por cidadão comum, de bem, ele não usa isso como plano de redução da violência. Ele simplesmente considera razoável que cada ser humano possa defender a sua vida. E esse direito só pode ser exercido com arma de fogo.

E sobre o STF? O número de ministros será ampliado, como disse Bolsonaro?

Não. Acho que isso foi um pensamento, um comentário alto que ele fez.

A maneira de funcionar do Supremo está correta?

Também precisa ser discutido. Por que o tabu? Por que não? Quem sabe mais na frente? O Poder Judiciário tem a sua autonomia. Isso precisa ser pensado pelo próprio Judiciário. Agora, de forma alguma há o desejo do Executivo de impor qualquer alteração do Judiciário. Os ministros são independentes. Acho que, nos próximos quatro anos, seriam dois casos de aposentadoria compulsória. Duas indicações pela Presidência da República. Serão indicações absolutamente republicanas, feitas pela competência e credibilidade. É muito ruim qualquer tipo de questionamento sobre a lisura do STF. Seria bom que o STF recuperasse a sua credibilidade. Ter um ministro com o perfil do juiz Sérgio Moro seria muito bom. É um nome que se cogita, sim. Ele é uma pessoa séria, patriota e que quer o bem para o Brasil. Nossa relação com o STF será a melhor possível, harmoniosa.

A intervenção federal no Rio será renovada?

A princípio, entendemos que a polícia, estimulada, com retaguarda jurídica, o excludente de ilicitude, nós acreditamos que a polícia local seja capaz de enfrentar a criminalidade com êxito. Afinal, nossa polícia é muito experiente, pois vive uma situação de guerra urbana há muitos anos. Qualquer outro policial de primeiro mundo, por mais treinado que fosse, teria dificuldades para sobreviver em um ambiente como o nosso. Nossos policiais são verdadeiros heróis e acreditamos que eles, com melhores equipamentos, sejam capazes de atuar com êxito.

Mas vão pedir a renovação?

Pode ser que sim, pode ser que não. Vamos estudar mais para frente, ouvindo especialistas da área.

Haverá mudanças em leis voltadas para minorias?

Nosso pensamento é: não compete ao Estado se meter na vida privada das pessoas. Tem que se meter o menos possível na vida de cada um. O que não concordamos é com o excesso de poderes para minorias. Todos são iguais perante a lei. Todos são merecedores de respeito, proteção física e moral. Certas divisões enfraquecem a sociedade e dificultam o convívio harmônico.

Em caso de vitória, o que será feito na legislação trabalhista?

Temos um problema hoje, que é um fato: o nosso arcabouço jurídico trabalhista dificulta a relação entre patrões e empregados. Ninguém quer ser patrão. O excesso de encargos, o custo é muito alto. O empregado recebe um salário, mas acaba custando quase dois. O salário é pouco para quem recebe e muito para quem paga. De forma moderada, com inteligência, com boa vontade, isso precisa ser discutido e avaliado para que o Brasil se desenvolva. Não pode ser um tabu.

Qual solução para isso?

Não é uma solução específica. É um conjunto de soluções. A gente tem que olhar para quem dá certo. Nos Estados Unidos da América, como funciona? Há menos direitos trabalhistas e maior oferta de empregos. O que o patrão paga vai para o bolso do funcionário e não para o Estado. Aqui, temos um Estado supostamente paternalista que, na hora que a pessoa precisa, não recebe nada. Precisa de saúde, não recebe, aposentadoria pouca. Nós acreditamos nas relações mais diretas entre patrão e empregado. Mas para isso exigirá uma apreciação. Tem que ser respeitada a cultura do Brasil, que á uma cultura paternalista. Nenhum assunto pode ser tabu. Todos têm que ser colocados na mesa, discutidos.

Tipo o 13.º salário? Férias?

São garantias e têm que ser mantidas. Agora, a forma ineficiente que o governo administra o FTGS, por exemplo, precisa ser revista. Por que a remuneração é tão baixa?

Estadão Conteúdo

21 de outubro de 2018, 07:00

BRASIL No Rio, Jair Bolsonaro fala em acabar com a reeleição

Foto: Wilton Júnior/Estadão

air Bolsonaro durante entrevista a jornalistas na casa do empresário do Paulo Marinho, na zona sul do Rio

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado, 20, que, caso seja eleito, “pretende fazer uma excelente reforma política” e acabar com o “instituto da reeleição”. Bolsonaro afirmou também que, como parte dessa reforma, pretende reduzir o número de deputados. “Quero diminuir um pouco, em 15%, 20%, a quantidade de parlamentares”, disse. A entrevista foi dada na chegada do candidato à casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico, na zona sul, onde estão sendo gravados os programas da campanha. “Um presidente não tem autoridade de fazer reforma política. Cada parlamentar vota de acordo com seu interesse. O que eu pretendo fazer, tenho conversado com o parlamento também, é você fazer uma excelente reforma política para acabar com instituto da reeleição, que no caso começa comigo, se eu for eleito”, disse. Bolsonaro voltou a reclamar das urnas eletrônicas e afirmou que, caso seja eleito, pretende criar “um sistema eletrônico de votação confiável, que possa ser auditado”. O candidato falou sobre a composição de seu ministério, em caso de vitória. O tenente-coronel da Aeronáutica Marcos Pontes, primeiro brasileiro a ir para o espaço, “está quase confirmado para a Ciência e Tecnologia”. Bolsonaro disse ainda que não haverá um Ministério das Comunicações e que a pasta poderia fazer parte do Ministério da Educação. O candidato admitiu a hipótese de manter o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, no cargo. “O que está dando certo tem que continuar”, afirmou. “Não vou dizer que está tudo errado no governo Temer”. Em seguida, no entanto, Bolsonaro assumiu um outro tom ao dizer que o dólar teria caído muito mais por conta das pesquisas de intenção de voto do que pela ação de Goldfajn. “Não sei se ele é um bom nome, quem vai ver isso é o (economista) Paulo Guedes”. Sobre a denúncia envolvendo a disseminação de notícias falsas por milhares de grupos de whatsapp que estariam sendo impulsionados em seu nome, o candidato limitou-se a dizer que não tem nada a ver com isso. “Eu não preciso de fake news”, afirmou. “Esse tipo de contato com bandidos quem tem é o PT, não eu”.

Estadão Conteúdo

21 de outubro de 2018, 06:45

BRASIL Menor e menos renovado após eleições, Centrão reavalia atuação na Câmara

Foto: Luis Macedo/Estadão

Plenário da Câmara dos Deputados

Menor, menos renovado e mais ligado a seus caciques. Esse é o novo perfil do Centrão, grupo de partidos que, com diferentes composições, ocupou cargos e deu sustentação a governos de orientações ideológicas distintas desde a redemocratização. O Centrão voltou ao comando da Câmara dos Deputados em 2015 e trabalha para se manter no controle na próxima legislatura, liderado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Aliados do tucano Geraldo Alckmin, derrotado no primeiro turno, eles elegeram 142 parlamentares para os próximos quatro anos – 22 a menos do que têm atualmente. Apesar da redução, há 82 deputados com mandato atualmente na Câmara, o que significa uma taxa de reeleição de 58%. A média da Câmara foi 10 pontos porcentuais menor, de 48%. Entre os 60 novos integrantes do Centrão, há deputados de primeiro mandato e também alguns que voltam à Casa, como o ex-ministro da Agricultura Neri Geller (PR-MT). Destacam-se também familiares de caciques regionais, herdeiros políticos de clãs, policiais militares, estrelas nas redes sociais, líderes evangélicos e apresentadores de TV, além de deputados estaduais. Unido no primeiro turno, o grupo rachou agora entre Jair Bolsonaro (PSL), que desfruta da simpatia do DEM e do PRB, e Fernando Haddad (PT), o preferido do Solidariedade. No PP e no PR não há preferências majoritárias. Os dirigentes do Centrão ainda não voltaram à mesa para definir os rumos de 2019, o que deve ocorrer após o segundo turno. Há quem defenda a união em um bloco formal e os que prefiram a informalidade, usando a força dos partidos apenas nas eleições internas. Campeã de votos no Distrito Federal (120 mil), Flávia Arruda (PR-DF), mulher do ex-governador José Roberto Arruda, acredita que ainda é “cedo” para definir a atuação do bloco. “Não sei se o PR deverá ou não ser enquadrado como Centrão. Prudência não faz mal a ninguém. Vou esperar o resultado da eleição, a formação do novo governo, e a posição que o PR vai adotar, para só depois definir uma linha política”, afirma. Com trânsito na esquerda e na direita, Rodrigo Maia articula para ficar na presidência, mas há no grupo outros deputados interessados em ocupar o cargo. O bloco pretende trabalhar para que o partido do próximo presidente da República não comande a Casa. A única bancada do Centrão que cresceu em relação aos eleitos em 2014 e à bancada atual foi a do PRB, que passou de 21 para 30 deputados. O partido privilegiou candidaturas de pastores e bispos ligados à Igreja Universal do Reino de Deus e apresentadores da TV Record. Foram eleitos âncoras do programa policialesco Balanço Geral Wagner Montes, no Rio, Amaro Neto, no Espírito Santo, e Hélio Costa, em Santa Catarina. Além disso, os partidos querem “engordar as bancadas” no início da próxima legislatura, nas palavras de um líder do PP. Dirigentes regionais começaram conversas individuais para atrair deputados eleitos por partidos que não atingiram a cláusula de barreira e, que, por isso, podem migrar sem o risco de perder o mandato. As cinco siglas do Centrão direcionaram verbas do fundo eleitoral e do Fundo Partidário para garantir a reeleição dos deputados com mandato. Os caciques das siglas deram preferência a quem tentava a reeleição. O PP chegou a vincular a destinação dos recursos à fidelidade dos deputados. Agora, pelo menos dois presidentes nacionais de partidos do bloco estarão no dia a dia do plenário. Paulinho da Força se reelegeu pelo Solidariedade, e Marcos Pereira elegeu-se pela primeira vez pelo PRB. No DEM, além de Maia, o presidente do partido, ACM Neto, terá João Roma (PRB), seu ex-chefe de gabinete na prefeitura de Salvador. No PP, o tesoureiro nacional, ex-ministro da Saúde Ricardo Barros, reelegeu-se, assim como os dois deputados mais influentes, Aguinaldo Ribeiro e Artur Maia, ligados ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional. No PR, quem ainda dá as cartas é o ex-deputado Valdemar Costa Neto, por meio de José Rocha, líder da bancada reeleito na Bahia. O Centrão ainda mostrou força individual com sete “puxadores de votos”. Entre os mais votados do País, dois são do grupo: Celso Russomanno (PRB), o terceiro colocado no geral, e Tiririca (PR), o sexto, ambos eleitos por São Paulo. Nas disputas de cada Estado, o Centrão conseguiu eleger cinco campeões de votos dos 27 – todos deputados federais de primeiro mandato: Flávia Arruda (PR), no Distrito Federal, Amaro Neto (PRB), no Espírito Santo, Josimar Maranhãozinho (PR), no Maranhão, Hélio Costa (PRB), em Santa Catarina, e Tiago Dimas (SD), em Tocantins. Apesar de alguns novos integrantes terem sido eleitos pelo voto de opinião – e possam mostrar posturas independentes –, dirigentes esperam respeito às orientações partidárias. “Eu não digo (que vou ser) independente porque quero fazer o trabalho em conjunto com meu partido. Eu já faço um trabalho no partido de acatar algumas decisões a partir do diálogo, já que eu tenho alguns sonhos de ser prefeito da capital e governador do meu Estado”, diz Amaro Neto (PRB-ES). Um trunfo dos caciques é a promessa ou a restrição de verba para campanha. Tanto o Fundo Partidário quanto o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, principais fontes de dinheiro nas eleições deste ano, são divididos segundo regras estabelecidas pela cúpula das siglas. Os novos deputados do Centrão foram financiados majoritariamente por seus respectivos partidos. As siglas enviaram R$ 70 milhões aos eleitos. Ao todo, 57 de 60 deputados receberam dinheiro das direções partidárias – dez deles não tiveram nenhuma outra fonte de financiamento. Só três (todos do DEM) não receberam recursos partidários, e dois (ambos do Solidariedade) não tiveram o dinheiro público como a principal fonte de receita, conseguindo arrecadação de apoiadores.

Estadão Conteúdo

21 de outubro de 2018, 06:32

BRASIL Manchetes do Dia

– A Tarde: Startups financeiras atraem empresários e clientes de bancos

– Correio*: Será que é fake?

– Estadão: Bolsonaro quer Sérgio Moro no Supremo, diz Bebianno

– Folha de S. Paulo: Empresa fez oferta ilegal de disparo de mensagens

– O Globo: Do Lulismo ao Bolsonarismo

20 de outubro de 2018, 13:00

BRASIL Após chamar petistas de babacas, Cid Gomes faz campanha pró-Haddad

Foto: Ed Ferreira/Estadão

O senador eleito Cid Gomes (PDT)

Cinco dias depois de cobrar uma autocrítica do PT, e de chamar um militante petista de babaca, em discurso em Fortaleza, o senador eleito Cid Gomes (PDT) distribuiu de adesivos da campanha de Fernando Haddad (PT) na manhã deste sábado (20) em Sobral (CE). Junto com um grupo de militantes, o irmão de Ciro Gomes (PDT) ajudou a colar adesivos da campanha petista em carros que circulavam pelas principais ruas do centro da cidade, que é berço político da família Ferreira Gomes. Em evento de apoio a Fernando Haddad (PT) na segunda-feira (15), Cid cobrou da direção do PT que se desculpe pelos erros que cometeu. Foia vaiado pela plateia e ouviu um grito de “Lula livre”, ao qual respondeu que “o Lula tá preso, babaca”. Ele ainda disse que o partido merece perder caso não faça uma autocrítica. No mesmo momento que Cid fazia o adesivaço, Fernando Haddad participava de um ato de campanha em Fortaleza, a cerca de 220 km de Sobral. O petista ainda faz campanha nas cidades de Juazeiro do Norte e Crato, na região do Cariri cearense. Cid não irá participar de nenhum dos atos. Em seu discurso em Fortaleza, Haddad fez uma única referência a Cid Gomes. Ele citou parcerias que fez com ele quando foi ministro da Educação do governo Lula e Cid era governador do Ceará. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

20 de outubro de 2018, 12:35

BRASIL PF instaura inquérito para investigar mensagens no WhatsApp sobre presidenciáveis

Foto: Reprodução

Polícia Federal

A Polícia Federal instaurou na manhã deste sábado (20) inquérito para investigar o disparo de mensagens pelo WhatsApp referentes aos presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O pedido de abertura de investigação partiu da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que quer a apuração de uma eventual utilização de esquema profissional por parte das campanhas, com o propósito de propagar notícias falsas. Fontes da PF disseram à Coluna que as investigações não devem ser demoradas. Em outra frente, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Jorge Mussi, decidiu na última sexta-feira (19) abrir ação de investigação judicial pedida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para que sejam investigadas as acusações de que empresas compraram pacotes de disparos em larga escala de mensagens no WhatsApp contra a legenda e a campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República. A denúncia foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. A reportagem diz que empresários estão comprando pacotes de disparos em massa pelo WhatsApp. O jornal não exibiu documentos nem mencionou relatos de testemunhas. Mussi concedeu prazo de cinco dias para que o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, seu vice, Hamilton Mourão, o empresário Luciano Hang, da Havan, e mais 10 sócios das empresas apontadas na ação do PT apresentem defesa no processo, se desejarem.

Estadão

20 de outubro de 2018, 12:21

BRASIL Haddad chama Bolsonaro de ‘soldadinho de araque’ e critica ausência em debates

Foto: Mauro Pimentel/AFP

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad

Fazendo um discurso para militantes em Fortaleza, o presidenciável Fernando Haddad (PT) chamou seu adversário no segundo turno da campanha ao Planalto, Jair Bolsonaro (PSL), de “soldadinho de araque” e o acusou de montar uma organização criminosa para aplicar “dinheiro sujo” nas redes sociais contra o PT. “Ele não me enfrenta porque não tem coragem de falar na minha cara o que o WhatsApp dele falou durante uma campanha inteira”, disse Haddad no ato. “Vem falar da minha família na minha cara, vem falar dos meus bens na minha cara. Vem me enfrentar, soldadinho, soldadinho de araque”, discursou. Em sua fala, o petista citou ainda o senador eleito pelo Ceará Cid Gomes, que na última semana teceu fortes críticas ao PT na mesma cidade que Haddad visitou neste sábado. “Construímos com o governador Cid o Fundeb, foi muito importante porque injetou dinheiro na educação do Ceará para aplicar no piso nacional do magistério e fazer o Ideb do Ceará ser o maior do País hoje”. Haddad também criticou a eventual equipe de Jair Bolsonaro. “O possível ministro da Casa Civil dele, que é tão desqualificado quanto ele, diz que ele foge de debate porque fede. Ele não mentiu porque há muito tempo isso acontece. Faz 28 anos que ele está no Congresso Nacional e só vomita barbaridades”.

Estadão Conteúdo

20 de outubro de 2018, 12:03

MUNDO Deputado republicano pede apoio de Trump à segurança de Bolsonaro

Foto: Reprodução

O deputado republicano Dana Rohrabacher

O deputado republicano Dana Rohrabacher escreveu uma carta para o secretário de estado americano Mike Pompeo temendo pela segurança de Jair Bolsonaro e pedindo ajuda do governo dos EUA para que as eleições no Brasil sejam livres e seguras. De acordo com a coluna radar, da revista Veja, no texto, Rohrabacher, que foi assessor e redator de discursos de Ronald Reagan, informa ter sido alertado que grupos da Venezuela, do Irã e do Hezbollah estão com especial interesse nas eleições brasileiras. Ainda segundo a publicação, o congressista faz menção também ao atentado a faca sofrido por Bolsonaro antes do primeiro turno. Rohrabacher é ligado no Brasil ao empresário Mario Garnero, do grupo Brasilinvest, que vem apoiando a candidatura de Bolsonaro desde o início.

20 de outubro de 2018, 11:35

BRASIL Com Bolsonaro eleito, precisaremos de defensores da democracia, diz FHC

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Sem dar apoio explícito a nenhum dos candidatos à Presidência da República no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso citou uma “provável eleição” de Jair Bolsonaro (PSL) e afirmou que o País precisará ainda mais de defensores da democracia para evitar que o presidente eleito tente sair do “rumo constitucional”. “Há em circulação um manifesto de democratas progressistas. Bem-vindo. Com a provável eleição de Bolsonaro, precisaremos mais ainda de defensores da democracia, para impedir que ele (ou quem vier a vencer) tente sair do rumo constitucional”, escreveu o tucano em sua conta oficial no Twitter.

Estadão Conteúdo

20 de outubro de 2018, 11:20

BRASIL Ação do PT contra Bolsonaro é que é crime, diz Janaina Paschoal

Foto: José Patrício/Estadão

Janaina Paschoal foi eleita deputada estadual por São Paulo com 2 milhões de votos

Eleita com dois milhões de votos deputada estadual por São Paulo e confiante na derrota do PT nas eleições presidenciais para Jair Bolsonaro (PSL), Janaina Paschoal não contém sua felicidade. Em entrevista à BBC News Brasil, fica evidente também sua surpresa com o enorme assédio após a eleição. Desde que conquistou seu mandato com votação recorde para o cargo, embalada pelo reconhecimento pela atuação no impeachment de Dilma Rousseff (PT), ela não para de receber ligações pedindo emprego e apoio político. “É surreal”, diz, aos risos. Sua equipe de gabinete, ela pretende montar “tecnicamente”. Por isso, todos que a procuram são orientados a encaminhar o currículo. Já o apoio político ela reserva apenas a Bolsonaro. Na disputa pelo governo de São Paulo, que está sendo travada em segundo turno por João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), decidiu ficar neutra, pois quer ter independência para fiscalizar o que for eleito. E espera que a votação expressiva lhe garanta apoio para presidir a Assembleia Legislativa, mesmo sem realizar qualquer articulação política. Sua confiança também é grande na vitória de Bolsonaro, que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto. Janaina não vê ameaça à candidatura na ação movida pelo PT após denúncias de uso ilegal do WhatsApp para propaganda eleitoral, veiculada pelo jornal Folha de S.Paulo. “A ação é uma piada, não tem nada. (…) Como é que cria um pânico na população sem fundamento nenhum? Isso sim é crime”, acusou. Caso Bolsonaro seja confirmado presidente, Janaina dispensa qualquer cargo e defende a nomeação do juiz federal Sergio Moro para o STF (Supremo Tribunal Federal). Apesar de críticos verem o candidato como “uma ameaça à democracia”, a jurista rechaça que Bolsonaro seja autoritário e diz que ele governará para a “pluralidade”. Por outro lado, ao ser confrontada com suas declarações de incentivo à violência, deixa claro seu distanciamento. “Eu tenho pedido ponderação desde sempre. Não sou o que se possa chamar de uma bolsonarista. (…) Passei a apoiá-lo porque não quero o PT de volta e vi nele a força suficiente para fazer frente a isso, força que não vi nos outros”, contou. As informações são do site UOL.

20 de outubro de 2018, 10:55

BRASIL Nova cirurgia de Bolsonaro pode ser antecipada

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro

Diante da evolução do quadro clínico, interlocutores mais próximos de Jair Bolsonaro já trabalham com novo calendário para a cirurgia de retirada em definitivo da bolsa de colostomia que o candidato do PSL vem usando. A bolsa, que fica presa externamente ao corpo, foi colocada depois da cirurgia à qual o presidenciável foi submetido em razão da facada que recebeu em um atentado durante um ato de campanha no último dia 6 de setembro em Juiz de Fora. De acordo com o colunista Gerson Camarotti, do site G1, a expectativa é que ele já possa fazer o procedimento de retirada da bolsa no final de novembro. A projeção inicial é que ele teria de se submeter a essa cirurgia no final de dezembro ou até mesmo depois da posse, caso eleito, o que o obrigaria a se licenciar logo no início do mandato. Se fizesse essa cirurgia no final de dezembro, Bolsonaro teria dificuldades para participar da cerimônia de posse, na hipótese de vir a ser o vitorioso na disputa em segundo turno contra Fernando Haddad (PT), no próximo dia 28. O novo cronograma, com a antecipação da cirurgia para novembro, é visto como ideal pelos interlocutores mais próximos porque daria a Bolsonaro tempo de recuperação suficiente antes de receber a faixa presidencial. De qualquer maneira, a palavra final será da equipe médica que cuida de Bolsonaro.

20 de outubro de 2018, 10:41

BRASIL Em Fortaleza, Haddad diz buscar 75% dos votos válidos no Estado de Ciro Gomes

Foto: Amanda Perobelli/Estadão

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad

Em sua primeira viagem ao Nordeste no segundo turno da campanha presidencial, o candidato do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad, disse querer ter 75% dos votos válidos no Ceará, Estado onde Ciro Gomes (PDT) foi o mais votado na primeira etapa da disputa. O porcentual representa a soma dos votos de Ciro e do petista no primeiro turno. Haddad faz na manhã deste sábado, dia 20, uma caminhada em Fortaleza ao lado do governador reeleito no Estado, Camilo Santana (PT), e de outros aliados. “Quero encostar em você no segundo turno, para ver se chega em 75%”, disse o ex-prefeito de São Paulo a Camilo durante a caminhada. Apoiador de Ciro, o governador petista foi reeleito com 80% dos votos válidos no primeiro turno da disputa estadual.

Estadão Conteúdo

20 de outubro de 2018, 10:25

BRASIL Juristas fazem manifesto em apoio a Bolsonaro

Foto: Fábio Rossi/Agência O Globo

A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon apoia o candidato a presidente Jair Bolsonaro

A equipe de advogados do presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, divulgou um manifesto assinado por 300 nomes da área jurídica em apoio à candidatura do capitão reformado. Entre os nomes, segundo o Broadcast Político, estão o de Janaína Paschoal, eleita deputada estadual pelo PSL, em São Paulo, e o da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon. A manifestação aparece um dia após outro grupo de advogados declarar apoio ao candidato do PT, Fernando Haddad, em um evento em São Paulo. No texto, os juristas defendem, entre outras questões, o desaparelhamento da máquina estatal, o resgate da meritocracia e o fim aos “patrulhamentos ideológicos”, além da recuperação da moralidade na política. O grupo afirma que o caminho ideal é aquele que “melhor assegure que estes valores e princípios, tão caros ao nosso país e seu povo, sejam preservados, o que se apresenta com a candidatura de Jair Bolsonaro”.

Estadão

20 de outubro de 2018, 10:11

BRASIL Auditoria confirma que não há indícios de fraude em urnas do Paraná

Foto: Estadão

Justiça Eleitoral fez auditoria nas urnas no PR e SC

Auditoria realizada na sexta-feira, 19, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) concluiu que não há indícios de fraude no sistema ou no funcionamento de urnas eletrônicas. A averiguação dos equipamentos em que foram apontados problemas na votação de primeiro turno começou às 8h da manhã, só se encerrou à noite e foi acompanhada por técnicos dos tribunais eleitorais nacional e estadual, da Polícia Federal, e indicados pelo PT e PSL. Auditoria realizada nesta sexta-feira, 19, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) concluiu que não há indícios de fraude no sistema ou no funcionamento de urnas eletrônicas. A averiguação dos equipamentos em que foram apontados problemas na votação de primeiro turno começou às 8h da manhã, só se encerrou à noite e foi acompanhada por técnicos dos tribunais eleitorais nacional e estadual, da Polícia Federal, e indicados pelo PT e PSL. Via assessoria do TRE, o diretor de Informática da Associação dos Magistrados do Paraná (AMAPAR) e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o juiz estadual Sérgio Bernardinetti declarou que a resposta dada pela auditoria deve ser “acatada como definitiva pela sociedade”. “Trata-se de uma auditoria feita pela própria sociedade civil. Somos nós, a população, que estamos fazendo essa auditoria. Podem ocorrer defeitos nos equipamentos, mas nenhum desses problemas foram decorrentes de fraude para modificar o voto”, disse. Os laudos da auditoria do Paraná e de Santa Catarina serão agora apreciados pela Corte da Justiça Eleitoral de cada Estado.

Estadão Conteúdo