2 de maio de 2019, 17:33

MUNDO Maduro volta a ameaçar prender líderes da oposição

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a ameaçar com a prisão os líderes da oposição que insuflarem protestos contra seu governo. “Está dada a ordem. Aos traidores, deter. Aos golpistas, rechaçar e prender também. E às Forças Armadas, união. Coesão sob o mando supremo das leis e da Constituição”, declarou Maduro durante uma cerimônia na Academia Militar Bolivariana. Segundo o governo, cerca de 4,5 mil oficiais e soldados participaram do ato Marcha pela Lealdade Militar à Pátria de Bolívar. No palanque, ao lado de Maduro, estavam o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, os comandantes das Forças Armadas e alguns chefes de unidades militares. “Neste momento histórico, a lealdade é um valor coletivo que se exerce como Nação, como povo e como instituição para sermos cada vez melhores, mais honestos e eficientes, para elevar as Forças Armadas a um nível cada vez mais alto de profissionalismo, de eficiência militar. Para que, diante de seu poder dissuasivo, ninguém jamais se atreva a tocar nosso solo sagrado e trazer até nós a guerra”, disse Maduro durante o discurso transmitido em rede nacional. “Estamos em marcha permanente, a passo firme”, acrescentou.

Agência Brasil

2 de maio de 2019, 13:35

MUNDO Comissão do Senado do Brasil apoia ‘pressão diplomática’ sobre Venezuela

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado emitiu nesta quinta-feira, 2, um comunicado apoiando “pressão diplomática” sobre a Venezuela. O presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MT), leu o comunicado do colegiado defendendo uma transição democrática no país vizinho com um “processo pacífico” e respeito aos direitos humanos. “O nosso país continuará a exercer pressão diplomática nessa direção”, diz o comunicado. Na segunda-feira, 6, a subcomissão que acompanha a situação da Venezuela no Senado vai realizar uma audiência com representantes da prefeitura de Pacaraima (RR), município de fronteira, e da Assembleia Legislativa de Roraima.

Estadão Conteúdo

2 de maio de 2019, 09:00

MUNDO Maduro: “Justiça busca responsáveis pelo golpe”

Foto: Divulgação

Nicolás Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nessa quarta-feira (1º) que a Justiça está em busca dos responsáveis pela revolta militar que foi contida na terça-feira (30) pelo governo, e que eles, “mais cedo ou mais tarde”, pagarão com a prisão pelo crime de traição. “Estão fugindo de embaixada em embaixada”, disse Maduro diante de milhares de simpatizantes, que se reuniram nos arredores do Palácio Presidencial de Miraflores para celebrar o 1º de Maio, em referência ao líder oposicionista Leopoldo López, a quem não mencionou diretamente. “A Justiça está em busca dos responsáveis e, mais cedo ou mais tarde, eles pagarão com prisão por sua traição e seus crimes”, acrescentou o presidente. “Aqui não são as balas nem os fuzis que vão impor um presidente marionete em Miraflores, é absolutamente inviável”, afirmou Maduro. “Nos próximos dias, mostrarei todas as provas de quem conspirou e como conspirou para que o povo saiba quem são os traidores e que a Justiça faça a sua parte”. López burlou a pena de quase 14 anos que cumpria em seu domicílio. Ele acompanhou o presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, que é reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, em seu discurso aos militares, no qual pediu que se voltassem contra Maduro. Durante a manhã dessa quarta-feira, o opositor compareceu a várias concentrações da oposição no leste de Caracas e depois se refugiou na residência do embaixador da Espanha em Caracas, Jesús Silva. As palavras de Maduro também faziam alusão a Guaidó, que liderou as manifestações da oposição em Caracas. A Justiça venezuelana já tem duas linhas de investigação contra o líder do Parlamento: uma por ter proclamado um governo interino e outra pelos apagões que deixaram quase todo o país paralisado e às escuras em março passado. Maduro também acusou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, de ter conduzido pessoalmente a revolta de uns 20 militares, que classificou de “escaramuça golpista”. “Assim denuncio e peço que se averigue nos Estados Unidos as ações ilegais e golpistas de John Bolton contra a democracia venezuelana”, disse.

Agência Brasil

1 de maio de 2019, 19:35

MUNDO Venezuela diz que Bolsonaro age de forma criminosa durante crise

A Venezuela acusou o presidente Jair Bolsonaro e outras 11 autoridades internacionais de agir de “forma intervencionista e criminosa” durante o levante convocado pelo líder da oposição à ditadura de Nicolás Maduro, Juan Guaidó, na terça (30). A tensão permanece nas ruas de Caracas nesta quarta (1º). “Os eventos não foram nada mais do que uma operação midiática de desestabilização apoiada na cumplicidade imediata de forças externas”, disse, em nota aos Estados-membro da ONU (Organização das Nações Unidas), a representação venezuelana na entidade. Ela então lista os presidentes do Brasil, Colômbia, Argentina, Paraguai, Equador e Panamá, o chanceler canadense, o presidente do Parlamento Europeu e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, além dos políticos norte-americanos Mike Pompeo (secretário de Estado), John Bolton (conselheiro de Segurança Nacional) e Marco Rubio (senador). Segundo o embaixador Samuel Moncada, signatário da nota, essas autoridades estimularam publicamente militares venezuelanos a seguir o chamado de Guaidó e derrubar Maduro, além de ameaçar abertamente usar a força -caso dos americanos. Para o venezuelano, a atitude configura violação do direito internacional e da Carta da ONU. Para os críticos, tais parâmetros inexistem desde que a ditadura de Maduro se consolidou em 2017, quando o então presidente interveio no Judiciário e no Legislativo, além de instalar uma Constituinte formada por simpatizantes do chavismo. Com exceção da aliada Bolívia e do neutro Uruguai, todos os países sul-americanos pedem a saída de Maduro e apoiam Guaidó em seu pleito de ocupar interinamente a Presidência, até realização de novas eleições. Os EUA são os grandes fiadores do grupo, enquanto Rússia e China lideram o apoio a Maduro. O Brasil mantém relações diplomáticas com a Venezuela, apesar de reconhecer Guaidó como presidente interino. Um dos principais canais de comunicação entre os países é a área militar: as três Forças têm adidos em Caracas, e eles estão em plena atividade desde o agravamento da crise.

Folhapress

1 de maio de 2019, 11:30

MUNDO Guaidó convoca venezuelanos para novos protestos

O presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, publicou hoje (1º), em sua conta na rede social Twitter, uma mensagem convocando os opositores de Nicolás Maduro a irem às ruas novamente. Ao divulgar uma lista com o que chamou de pontos de concentração para os atos na capital Caracas, ele acrescentou “seguimos com mais força do que nunca”. O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, utilizou sua conta na mesma rede social para parabenizar trabalhadores pela data, mas sem deixar de citar a crise política no país. “A classe trabalhadora tem em mim um presidente que sempre defenderá seus direitos e reivindicações, fazendo frente ao império e seus lacaios, que pretendem retirar nossas conquistas. Fracassarão”.

Agência Brasil

1 de maio de 2019, 11:00

MUNDO Papa Francisco diz que desemprego é tragédia mundial

O papa Francisco definiu hoje (1º) o desemprego como uma tragédia mundial e pediu a intercessão de São José por aqueles que perderam o emprego ou não conseguem encontrá-lo. Ao final da Audiência Geral na Praça São Pedro, diante de milhares de fiéis, o pontífice fez votos de que a figura de São José, “o humilde trabalhador de Nazaré, nos oriente em direção a Cristo, sustente o sacrifício daqueles que praticam o bem neste mundo e interceda por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo, uma tragédia mundial nesses tempos”.

Agência Brasil

1 de maio de 2019, 10:15

MUNDO Delta desiste de patrocinar evento que irá homenagear Bolsonaro

A companhia aérea Delta anunciou nesta terça-feira, 30, que não irá mais patrocinar o evento da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, no qual o presidente Jair Bolsonaro (PSL) será homenageado e receberá o prêmio “Pessoa do ano”. A empresa não comentou a decisão. De acordo com a CNN, a consultoria Bain & Company também desistiu de apoiar o evento. “Encorajar e celebrar a diversidade é um valor central para a Bain”, escreveu a consultoria em nota. A premiação está marcada para o dia 14 de maio, em Manhattan, Nova York. Em abril, o Museu Americano de História Natural da cidade anunciou, após sofrer críticas de opositores de Bolsonaro que não iria mais sediar o evento. “Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos de nossas organizações individuais, concordamos que o museu não é o local ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Este evento tradicional irá acontecer em outro local, na data e hora originais”, anunciou o museu pela conta no Twitter. O museu também usou a rede social para ressaltar que Bolsonaro não foi convidado pela instituição para receber o prêmio, mas sim convidado como “parte de um evento externo”.

Estadão Conteúdo

1 de maio de 2019, 10:00

MUNDO Maduro perdeu o respeito das Forças Armadas, diz Guaidó

O líder opositor Juan Guaidó disse que o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, não tem o apoio e o respeito das Forças Armadas de seu país, mas que todos sabiam que não seria fácil derrubá-lo. “Hoje é um dia histórico para a Venezuela, o início da última fase da Operação Liberdade”, afirmou ele em um vídeo divulgado na noite desta terça-feira (30) pelas redes sociais. Foi a primeira manifestação do opositor desde o início da tarde, quando se intensificaram os confrontos entre manifestantes que o apoiam e as forças leais a Maduro. As imagens não identificam seu paradeiro. Ele defendeu a tática adotada pela oposição e disse que “pressão e protestos geram resultados”. Guaidó chamou as manifestações desta terça de “uma rebelião pacífica” e negou que a ação tenha sido uma tentativa de golpe. Chamando o regime de “farsa” e Maduro de “tirano”, ele também convocou novos protestos para esta quarta (1º) e pediu que a população vá às ruas contra o ditador.

Folhapress

1 de maio de 2019, 09:43

MUNDO Assange é condenado a 50 semanas de prisão por violar medida de coação

Foto: Arquivo/REUTERS/Henry Nicholls/Direitos Reservados

Julian Assange foi preso em Londres

O fundador da Wikileaks, Julian Assange, foi condenado ontem (30) a 50 semanas de prisão por ter violado uma medida de coação no Reino Unido. Ele foi sentenciado por ter violado uma medida de coação de liberdade condicional há quase sete anos, tendo aproveitado esse tempo para se refugiar na Embaixada do Equador em Londres, em 2012. Agora, a justiça britânica condenou o fundador da Wikileaks a 50 semanas de prisão no Reino Unido. A decisão surge quase um mês depois de Assange ter sido detido pela justiça britânica, depois de o presidente do Equador, Lenín Moreno, ter anunciado, no último dia 11, que iria retirar asilo diplomático ao ativista australiano.

Agência Brasil

1 de maio de 2019, 09:13

MUNDO Ciclone mata 30 pessoas em Moçambique e deixa rastro de destruição

Chove sem parar há três dias na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, já severamente afetada pela passagem, quinta-feira, do ciclone Kenneth. O governo estima que um milhão de pessoas tenham sido afetadas. Até o momento, há 38 mortos, mas o número deverá aumentar nas próximas horas à medida em que o socorro chega a povoações mais distantes. A devastação foi generalizada e deve se agravar por causa das inundações. O desespero marca a ordem do dia para a população e para os que vão prestar auxílio. A ONU – Organização das Nações Unidas – admitiu grandes problemas em fazer chegar ajuda à região. É uma situação “incrivelmente difícil”, explicou o gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários. As chuvas contínuas, que caem desde a madrugada de domingo, tornaram quase impossível a missão de entregar auxílio às populações afetadas.

Agência Brasil

1 de maio de 2019, 09:00

MUNDO Golpe foi derrotado e todos os envolvidos devem se render, diz Maduro

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou, em pronunciamento à TV estatal na noite desta terça-feira (30), que o lider oposicionista Juan Guaidó foi derrotado. “Nunca nos renderemos às forças imperialistas”, disse, em referência aos Estados Unidos, que apoiam o opositor. Maduro disse ainda que os perpretadores do movimento para depô-lo do poder, que ele chama de golpe, estão sendo interrogados. “Isto não pode ficar impune”, disse ele, “todos os envolvidos devem se render”. O ditador também afirmou que seu regime continuará a ser vitorioso. Segundo ele, os atos da oposição foram detectados às 4h15 da madrugada desta terça e liderados por Leopoldo López, a quem chamou de fascista. Enquanto fez seu pronunciamento, Maduro esteve sentado a uma mesa rodeado das principais lideranças militares do país, que foram aplaudidas por sua atuação firme durante os eventos do dia. O ditador reforçou a lealdade dos militares ao seu regime, em claro contraste com as declarações da oposição de que um grande movimento de deserção estaria em curso.

Folhapress

30 de abril de 2019, 20:50

MUNDO Opositor Leopoldo López e família se refugiam na embaixada chilena

Foto: Miguel Gutiérrez/EFE

Fachada da Embaixada do Chile em Caracas, onde a família de López se refugiou

O líder opositor venezuelano Leopoldo López, libertado nesta terça-feira, 30, de sua prisão domiciliar por militares que apoiam Juan Guaidó, refugiou-se com sua mulher e um de seus três filhos na Embaixada do Chile em Caracas, anunciou a chancelaria chilena. Segundo informou o chanceler Roberto Ampuero, a família está na representação na condição de “hóspede”. Em uma mensagem do Twitter, o Ministério das Relações Exteriores do Chile informou que Lilian Tintori e sua filha entraram como hóspedes na residência de missão diplomática em Caracas. “Em minutos se somou seu cônjuge, Leopoldo López, que permanece junto à sua família nesse lugar. O Chile reafirma o compromisso com democratas venezuelanos.” Preso em 2014, López cumpria desde 2017 sob prisão domiciliar uma sentença de quase 14 anos de regime fechado, por incitar protestos violentos contra o governo Maduro. No início da rebelião nesta terça-feira contra o presidente, Guaidó apareceu em La Carlota, a principal base aérea no país, com um pequeno grupo de uniformizados e Leopoldo López, que disse ter sido “libertado” pelos militares de sua prisão domiciliar. Na mesma residência diplomática do Chile em Caracas, o parlamentar opositor Freddy Guevara é mantido como “hóspede” há um ano e cinco meses. Cinco outros juízes venezuelanos também foram recebidos na residência chilena, mas conseguiram deixar o país. Atualmente, encontram-se no Chile, sob asilo político. O Chile faz parte do Grupo de Lima, que nesta terça-feira anunciou uma reunião de emergência. Criado em 2017 por uma dúzia de países da América, incluindo o Canadá, o grupo procura uma solução pacífica para a crise na Venezuela.

Estadão Conteúdo

30 de abril de 2019, 20:05

MUNDO EUA dizem que Maduro estava pronto para deixar Caracas, mas foi convencido pela Rússia a ficar

Foto: Marco Belo/Reuters

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O chefe da diplomacia dos EUA, Mike Pompeo, disse nesta terça-feira, 30, que o presidente Nicolás Maduro estava pronto para deixar a Venezuela, mas foi dissuadido pela Rússia. “Ele tinha um avião na pista, estava pronto para sair nesta manhã, pelo que sabemos, e os russos lhe disseram que deveria ficar”, disse Pompeo em uma entrevista à TV CNN, acrescentando que Maduro pretendia seguir para Havana.

Estadão

30 de abril de 2019, 19:20

MUNDO Vinte e cinco militares venezuelanos pediram asilo à Embaixada do Brasil e foram recebidos, diz Planalto

Foto: Miguel Gutiérrez/EFE

Veículos das forças armadas de Maduro jogam água para dispersar manifestantes favoráveis a Guaidó

O Palácio do Planalto confirmou na tarde desta terça-feira, 30, que cerca de 25 militares venezuelanos pediram asilo à Embaixada do Brasil em Caracas e foram recebidos. O governo brasileiro não revelou, por enquanto, a identidade dos militares acolhidos. A decisão de recebê-los foi do presidente Jair Bolsonaro. Embora a leitura inicial deste gesto seja de que autoridades militares começariam a se desgarrar de Nicolás Maduro, o que reforçaria a situação do presidente autoproclamado Juan Guaidó, fontes do Planalto ressaltaram que não há dados concretos sobre isso. A situação ainda está muito instável, conforme relatou uma fonte do Planalto. Daí a cautela em se afirmar que melhorou a situação de Guaidó. As informações sobre a possibilidade de novas deserções venezuelanas ainda não foram atualizadas. Uma espécie de gabinete de crise foi montado no Planalto para acompanhar de perto a situação e repassar as informações para o presidente Bolsonaro.

Estadão Conteúdo

30 de abril de 2019, 17:30

MUNDO Augusto Heleno diz que apoio militar a Guaidó não chega ao alto escalão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, considera que o apoio da alta cúpula das Forças Armadas da Venezuela ao oposicionista Juan Guaidó não foi confirmado ao longo do dia, como chegou a ser anunciado pelo presidente autoproclamado no início da manhã. Para Heleno, não há expectativa de solução no curto prazo para a crise no país vizinho e o cenário segue indefinido. “Não se sabe quanto tempo irá demorar para uma solução que leve à saída de (Nicolás) Maduro do País”. Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, Heleno também avaliou que a perda de apoio militar ao governo de Maduro “não está evidente”, embora acredite que ele está mais enfraquecido diante da população. Segundo Heleno, o governo tem a impressão de que o apoio à Guaidó “é fraco militarmente”, mas o Planalto ficou em alerta após o autoproclamado presidente da Venezuela dizer, pela manhã, que tinha apoio militar para derrubar Maduro. “À medida que o tempo vai passando e há situações que não comprovem esse apoio (dos militares a Guaidó), você começa a duvidar”, disse em coletiva de imprensa. De acordo com o general Heleno, não houve confirmação também de que o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas da Venezuela tenha se bandeado para o lado de Guaidó, como chegou a ser anunciado em meios de imprensa. Mas ressaltou que não houve nenhuma declaração em contrário. Este ponto poderá ser muito importante e um diferencial se for concretizado porque Guaidó tem apoio do baixo escalão, mas os generais, que foram, em sua grande maioria cooptados por Maduro, não deram qualquer declaração de apoio ao oposicionista. Em relação ao fato de Guaidó ter afirmado que tinha suporte dos militares, Heleno considerou que é “natural” o oposicionista fazer uma “autopropaganda” para buscar apoio da população. Na avaliação do ministro, havia “certo apoio das Forças Armadas” ao oposicionista, mas não chegava a atingir o alto escalão, o que, para ele, é um apoio “quantitativo, e não qualitativo”. “É válido o Guaidó tentar engrossar a manifestação”, justificou. Caso Maduro permaneça no poder, o ministro do GSI não descartou a possibilidade de surgir outro líder oposicionista como alternativa ao nome de Guaidó. Do contrário, se Guaidó eventualmente assumir, acredita que o Brasil pode se reaproximar da Venezuela. Sobre “o informe” de que Maduro estaria preparando uma saída pra Cuba, o general Heleno lembrou que “nada se confirmou”. Com isso, reiterou: “A situação permanece indefinida”. A maior preocupação do governo brasileiro é com a possibilidade de confrontos da população com apoiadores de Maduro. A cena de tanques avançando sobre pessoas, demonstrando um agravamento da situação, aponta que poderia haver um descontrole. “Foi até uma covardia”, disse Heleno, se referindo à cena ocorrida em frente à Base Aérea de Caracas, onde uma mulher foi atropelada e estava ensanguentada. O ministro afirmou, anda, que o governo brasileiro está em estado de alerta na fronteira com a Venezuela desde o início da crise, sobretudo por causa da Operação Acolhimento, que dá assistência aos venezuelanos que chegam ao Brasil. Ele ponderou, no entanto, que as tropas não estão de prontidão. Na reunião comandada pelo presidente Jair Bolsonaro e que contou com a participação de Heleno, do vice-presidente Hamilton Mourão, e dos ministros da Defesa, general Fernando Azevedo, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a decisão foi de continuar acompanhando atentamente a evolução no caso na Venezuela e a certeza de que não há definição do que poderá acontecer nas próximas horas. A demora para uma definição concreta, para um lado ou para o outro, mostra que a situação poderá perdurar ainda sem solução, crescendo a preocupação com a possibilidade do agravamento dos confrontos. De acordo com o ministro Augusto Heleno, “causou estranheza” países aliados da Venezuela como Cuba e China “não terem se manifestado” sobre estes últimos acontecimentos. A Rússia, no entanto, lembrou o ministro, que está presente no país vizinho, deu uma declaração tentando qualificar a possibilidade de queda de Maduro como golpe de Estado. Mas a sua afirmação reforça o apoio que aquele país sempre deu a Maduro, embora os russos tivessem afirmados que não vão empregar tropas. Só que o governo brasileiro tem informação de que eles já tinham mandado um reforço militar para lá. Ainda de acordo com o ministro, não se sabe exatamente quantos cubanos estão presentes na Venezuela e nem qual o adestramento desta tropa, para que se saiba exatamente qual o poder de fogo e de apoio deles a Maduro.

Estadão Conteúdo