2 de setembro de 2019, 20:50

MUNDO Ao menos cinco mortos e 20 feridos após passagem do furacão Dorian nas Bahamas

Foto: Tim Aylen/AP Photo

Estrada é inundada durante a passagem do Furacão Dorian na cidade de Freeport, nas Bahamas

Ao menos cinco pessoas morreram e 20 ficaram feridas após a passagem do furacão Dorian pelas Ilhas Ábaco, no arquipélago das Bahamas, nesta segunda-feira, 2. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, na noite desta segunda. Mais cedo, somente a morte de um menino de sete anos havia sido confirmada pelo Ministério do Turismo e Aviação do arquipélago. “O governo das Bahamas confirma a morte nas ilhas Ábaco e continua a coletar informações, enquanto os esforços de resgate começam em locais que já são seguros”. De acordo com a emissora “Eyewitness News” e o portal “Bahamas Press”, o menino Lachino McIntosh morreu afogado devido ao forte aumento do nível do mar nas Ilhas Ábaco pela passagem do furacão. Além dele, a irmã do garoto está desaparecida. A avó, Ingrid McIntosh, disse a “Eyewitness News” que recebeu a informação pela filha, mãe de Lachino, que achou o corpo do menino. O número de vítimas será maior, de acordo com as autoridades. O ministro de Assuntos Exteriores de Bahamas, Darren Henfield, informou nesta segunda que há relatos de numerosos corpos boiando nas Ilhas Ábaco, a primeira afetada pelo Dorian nas Bahamas. “Temos informes de que corpos foram avistados, mas não podemos confirmar esses dados até sairmos e vermos”, indicou Henfield em declarações à cadeia de TV ZNS. O fenômeno meteorológico avançou nesta segunda a uma velocidade de deslocamento de 2km/h pela ilha de Grand Bahama, com redução para categoria 4 e singela diminuição da velocidade dos ventos, a 240 km/h, segundo novo relatório do Centro Nacional de Furacões (NHC) em Miami, EUA. Segundo o comunicado, a situação é de “destruição extrema”. O Dorian ficou uma hora em Grand Bahama. Ainda no domingo, o furacão devastou as Ilhas Ábaco, no nordeste, onde centenas de casas estão submersas e cabos elétricos foram rompidos, árvores despedaçadas e comunicações cortadas. Os meteorologistas indicaram que o ciclone gerou rajadas de vento superiores às 200 milhas por hora (320 km/h) e elevou o nível do mar em até sete metros. Foi a tempestade mais poderosa que atingiu o arquipélago. Segundo uma estimativa inicial da Cruz Vermelha, cerca de 13 mil casas poderiam ter sido danificadas ou destruídas durante a passagem do Dorian nas Bahamas. O Dorian deve atingir a Flórida na noite de segunda-feira e “se moverá perigosamente” até quarta-feira, segundo o NHC. Além da Flórida, que já havia decretado estado de emergência na sexta-feira, os estados da Geórgia e Carolina do Sul também entraram em estado de emergência nesta segunda. A Flórida emitiu as primeiras ordens de retirada obrigatórias para Palm Beach. Na Carolina do Sul, o governador Henry McMaster decretou a retirada obrigatória da costa, afetando cerca de 800 mil pessoas, enquanto a Geórgia decidiu pela saída dos moradores de seis condados.

Estadão Conteúdo

1 de setembro de 2019, 19:31

MUNDO Trump diz que trabalhará com Congresso para impedir tiroteios em massa

Foto: Evan Vucci/AP

O presidente dos EUA, Donald Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, se comprometeu neste domingo horas após o último tiroteio em massa em território norte-americano, a trabalhar com o Legislativo para “frear a ameaça de ataques em massa”. Ele salientou, porém, que qualquer medida deve satisfazer os objetivos de proteger a segurança pública e o direito constitucional de posse de armas. “Queremos reduzir substancialmente o crime violento”, afirmou Trump. Ele acrescentou que seria “maravilhoso dizer” que trabalharia para “eliminar” os tiroteios em massa, mas reconheceu que isso era improvável. As declarações de Trump ocorreram horas depois um homem detido por uma infração de trânsito no Texas ter aberto fogo contra as tropas estaduais, matando sete pessoas e deixando 22 feridos antes de ser morto pela polícia. Autoridades disseram neste domingo que ainda não sabem explicar porque o homem agiu dessa forma. Registros judiciais mostram que o atirador foi preso em 2001 e acusado por contravenção e resistência à prisão. Ele confessou culpa e entrou em acordo para cumprimento de pena por 24 meses. Os antecedentes criminais não impediriam o atirador de comprar armas legalmente no Texas, embora as autoridades não tenham informado onde ele conseguiu a arma utilizada o massacre. De qualquer forma, a ocorrência levanta mais uma vez a questão sobre maior controle de armas nos EUA. Trump, porém, pareceu lançar novamente dúvidas sobre o mérito de instituir verificações mais completas de antecedentes para a compra de armas. O compromisso de Trump com o controle de armas está em dúvida desde que 17 pessoas foram mortas em um tiroteio em uma escola secundária de Parkland, Flórida, em fevereiro de 2018. Inicialmente, o presidente norte-americano saiu em defesa de verificações mais fortes de antecedente, mas rapidamente recuou sob pressão da National Rifle Association, o lobby dos proprietários de armas que apoiou fortemente a candidatura de Trump. Mais recentemente, ele questionou os méritos de verificações mais fortes após os tiroteios consecutivos em El Paso (Texas) e Dayton (Ohio), que mataram mais de 30 pessoas cerca de um mês atrás. Em vez disso, Trump procurou citar os problemas de saúde mental. “Na maioria das vezes, infelizmente, se você olhar para os últimos quatro ou cinco (tiroteios) voltando mesmo cinco, seis ou sete anos, na maior parte, por mais fortes que sejam as verificações de antecedentes, elas não teriam parado nada disso” disse. “Portanto, é um grande problema. É um problema mental. É um grande problema”. Trump mencionou a necessidade de “medidas fortes para manter as armas fora das mãos de indivíduos perigosos e perturbados”, juntamente com alterações em um sistema de saúde mental que ele descreveu como “quebrado”. Ele também pediu para garantir que os criminosos com armas “sejam colocados atrás das grades e mantidos fora das ruas”. “A segurança pública é a nossa prioridade número 1, sempre querendo proteger nossa Segunda Emenda. Tão importante”, disse ele, referindo-se à emenda constitucional que estabeleceu o direito de manter e portar armas. Trump disse a repórteres neste domingo que estava falando com parlamentares de ambos os partidos e “as pessoas querem fazer alguma coisa”. Ele disse que o governo está “olhando muitas coisas diferentes” e espera ter um pacote pronto para o momento em que o Congresso voltar à sessão na próxima semana.

Estadão Conteúdo

1 de setembro de 2019, 18:30

MUNDO Furacão Dorian devasta Ilhas Abaco, nas Bahamas

Foto: Ramon Espinosa

Homem se prepara para a chegada do furacão Dorian no teto de uma loja em Freeport, Bahamas

O histórico furacão Dorian devastou, neste domingo, as Ilhas Abaco, um pequeno agrupamento localizado ao noroeste do arquipélago atlântico das Bahamas. A maior parte dos 15 mil habitantes que compõem a população das ilhas deixou a área antes da chegada do ciclone. O governo das Bahamas ainda não ofereceu um balanço da passagem do furacão pela região. Dorian se dirige para Grand Bahama, outro ponto do arquipélago, onde deve causar também sérios danos. Vídeos compartilhados em redes sociais mostram inundações de proporções desconhecidas. As imagens mostram que parte da superfície das Ilhas Abaco foi completamente inunda pelas chuvas monumentais que acompanham Dorian. As autoridades afirmam que o furacão Dorian é o mais catastrófico já registrado. Após atingir a categoria 5, a mais alta existente na escala Saffir Simpson, o furacão chegou neste domingo, 1, a Elbow Cay, nas ilhas Abaco, deixando um rastro de destruição pelo caminho. As chuvas geraram rios de água que quase cobriam casas, muitas com telhados quebrados pela força dos ventos, que chegaram a 295 quilômetros por hora. Imagens mostram carros tombados em estradas próximas as casas punidas por chuvas torrenciais e ventos fortes. Também há registros de pessoas que tentam alcançar as partes superiores de suas casas enquanto o nível de água aumenta. O primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, pediu no sábado, 30, que a população do noroeste do arquipélago, em especial moradores das ilhas Abaco e Grand Bahama, deixassem a área se não tivessem um lugar seguro para resistir à passagem de Dorian. Muitas pessoas, no entanto, não quiseram deixar suas casas e foram surpreendidas por inundações monumentais.

Estadão Conteúdo

1 de setembro de 2019, 16:40

MUNDO Furacão Dorian é elevado à categoria 5 e segue rumo às Bahamas e à Flórida

O furacão Dorian se fortaleceu e atingiu neste domingo a categoria 5, no momento em que se aproxima das Bahamas e do Estado americano da Flórida. Autoridades advertem que ele deve provocar tempestades que podem representar risco de vida para pessoas da região. A tempestade está cerca de 360 quilômetros a leste de West Palm Beach, na Flórida, na manhã deste domingo, e se movimenta a 12 87 quilômetros por hora, informou o Centro Nacional de Furacões. Dorian deve se aproximar da costa leste da Flórida no fim desta segunda-feira até a noite de terça-feira, acrescentou o órgão dos Estados Unidos.

1 de setembro de 2019, 15:50

MUNDO Argentina impõe controles para evitar corrida por dólares

Foto: Divulgação

A compra de dólares terá de passar por autorização do Banco Central

O governo argentino anunciou neste domingo (1º) medidas de controle à saída de capitais e também exigirá que exportadores internalizem recursos obtidos com vendas no exterior em prazo que ainda será definido. Segundo edição deste domingo do Diário Oficial argentino, haverá controle de câmbios em razões de “necessidade e urgência”. A compra de dólares terá de passar por autorização do Banco Central, até 31 de dezembro. Até 2017, exportadores tinham que retornar com a moeda estrangeira em até 30 dias. O presidente Mauricio Macri retirou estes controles -a mudança foi o coração de suas propostas de campanha e uma das primeiras atitudes que tomou quando assumiu o governo.

Folhapress

1 de setembro de 2019, 12:00

MUNDO EUA e China adotam neste domingo alta nas tarifas entre si na guerra comercial

Os Estados Unidos e a China levaram adiante neste domingo sua mais recente rodada de altas nas tarifas sobre produtos um do outro, o que pode elevar preços que os americanos pagam por algumas roupas, calçados, produtos esportivos e outros bens de consumo antes da temporada de compras em feriados locais. A tarifa de 15% dos EUA se aplica a cerca de US$ 112 bilhões em produtos da China. Mais de dois terços dos bens de consumo que os americanos importam do país asiático agora enfrentam tarifas mais altas. Em rodadas anteriores, o governo do presidente Donald Trump havia em grande medida evitado os bens de consumo. Mas com os preços de muitos produtos do varejo agora provavelmente subindo, a administração Trump ameaça o principal motor da economia americana: os gastos dos consumidores. Muitas companhias nos EUA já advertiram que terão de repassar altas aos consumidores. Algumas empresas, porém, podem decidir absorver os custos mais altos, em vez de elevar os preços. Na China, autoridades começaram a cobrar tarifa mais alta de importações americanas ao meio-dia do domingo (hora local), segundo funcionários que responderam ao telefone de escritórios aduaneiros em Pequim e no porto de Guangzhou, no sul do país. Eles não quiseram dar seus nomes. As tarifas de 5% a 10% se aplicam a itens que vão desde milho congelado e fígado de porco a mármore e pneus de bicicleta, como havia anunciado anteriormente o governo. Após a alta de tarifa deste domingo, 87% dos têxteis e roupas e 52% dos sapatos que os EUA compram da China estarão sujeitos a tarifas de importação. Em 15 de dezembro, o governo Trump deve impor uma segunda rodada de 15% de tarifas, dessa vez sobre cerca de US$ 160 bilhões em importados. Se isso entrar em vigor, praticamente todos os produtos importados da China serão afetados. Já Pequim afirma que, no total, as tarifas deste domingo e uma elevação planejada para dezembro se aplicarão sobre US$ 75 bilhões em produtos americanos. Washington e Pequim travam uma guerra comercial por reclamações americanas de que a China rouba segredos comerciais dos EUA e subsidia de modo injusto suas próprias companhias, em setores como os de alta tecnologia. Para pressionar a potência asiática, o governo Trump tem imposto tarifas comerciais, o que levou a China a retaliar sobre as exportações americanas.

Estadão Conteúdo

31 de agosto de 2019, 19:41

MUNDO Atentado deixa ao menos 20 feridos no Texas

Cerca de 20 pessoas foram baleadas nas cidades de Midland e Odessa, no oeste do Estado do Texas, nos Estados Unidos, neste sábado, 31. De acordo com uma emissora de televisão local e a polícia, os ataques foram cometidos por possivelmente dois atiradores em veículos separados. “Um sujeito (possivelmente 2) está atualmente dirigindo em torno de Odessa e atirando em pessoas aleatórias”, disse a polícia de Odessa no Facebook. “Neste momento, existem várias vítimas de tiros. O suspeito acabou de seqüestrar um caminhão carteiro dos EUA”, acrescentou a polícia. Um suspeito foi preso em Midland depois que um policial foi baleado na rodovia interestadual I-20 e várias outras pessoas na área também foram atingidas por balas, informou a afiliada da CBS 7. Há menos de um mês, os Estados Unidos enfrentaram dois ataques a tiros em menos de 24 horas. No dia 3 de agosto, um homem portando fuzil entrou em um central comercial no Texas e assassinou 20 pessoas. No dia 4, um atirador matou 9 frequentadores de um bar em Ohio, incluindo a própria irmã.

Estadão Conteúdo

30 de agosto de 2019, 21:25

MUNDO Argentina impõe controle sobre fluxo de capital

Foto: Estadão

O presidente da Argentina, Mauricio Macri

Diante da nova corrida por dólar, o Banco Central da Argentina anunciou que bancos que operam no país terão de pedir autorização para distribuir seus resultados, o que inviabiliza a remessa de lucros de bancos internacionais para suas sedes. Em comunicado, a autoridade monetária afirmou que “entidades financeiras deverão ter autorização prévia do Banco Central da República Argentina (BCRA) para a distribuição de resultados”. A medida, adotada para garantir liquidez no mercado interno, não alcança pessoas físicas. A procura por dólares no país se intensificou nesta semana, após o governo de Mauricio Macri anunciar que não pagará a maior parte de sua dívida de curto prazo na data de vencimento, postergando uma parcela para daqui a seis meses. Isso significa que a conta poderá ficar nas mãos de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que formam a chapa da oposição e saíram vencedores nas eleições primárias, em 11 de agosto. O BCRA leiloou mais US$ 387 milhões de suas reservas internacionais na tentativa de segurar a desvalorização do peso. Se mantiver esse ritmo, as reservas do país se esgotarão em menos de dois meses, ou antes das eleições presidenciais, marcadas para 27 de outubro. Apesar de afirmar possuir US$ 57 bilhões em reservas, pouco menos de US$ 13 bilhões são líquidos. Os esforços da autoridade monetária, porém, não foram suficientes. O dólar fechou o dia cotado a 59,5 pesos, com alta de 2,8%, após o candidato à presidência Alberto Fernández afirmar ao Wall Street Journal que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é responsável pela crise atual. O governo Macri fechou no ano passado um empréstimo de US$ 56 bilhões, o maior já concedido pelo órgão, e agora procura renegociar o pagamento das parcelas, que começam a vencer em 2023. Fernández já afirmou que, se eleito, também renegociará essa dívida. A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da dívida da Argentina de B2 para Caa2 e informou que alterou a perspectiva de rating do país de negativa para “em observação para eventual rebaixamento”. A Fitch, por sua vez, rebaixou a nota para “default restrito” e afirmou, em nota, que a vitória nas eleições primárias da chapa de Fernández e Cristina (tidos como mais intervencionistas e avessos ao mercado) indica um aumento no risco de descontinuidade das políticas e provoca forte depreciação da moeda. A também agência classificadora de risco S&P, por outro lado, elevou a nota do país. Na noite de quinta, ela havia rebaixado o rating para “default seletivo” e, após o governo Macri divulgar as novas datas de pagamento da dívida de curto prazo, elevou a nota ao patamar anterior. Independentemente das avaliações das agências, parte do mercado já considera que o país está em default. Desde o resultado das eleições primárias, papéis do governo que valem US$ 1 e têm vencimento em 2023 são negociados por cerca de US$ 0,40. Números inferiores a 50% do valor de face de um título apontam para a necessidade de reestruturação da dívida. O Credit Default Swap (CDS) da Argentina de cinco anos, espécie de termômetro do risco país, encostou em 4.200 pontos – o do Brasil operou em queda a 132 pontos. Antes das primárias, o CDS argentino era negociado em 900 pontos. O atual patamar argentino indica que os investidores estão considerando que a possibilidade de calote do país é superior a 85%.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2019, 18:45

MUNDO Brigitte Macron agradece aos brasileiros por campanha nas redes

Foto: Reprodução

A primeira-dama da França, Brigitte Macron

A primeira-dama francesa Brigitte Macron agradeceu aos brasileiros que se solidarizam com ela após o presidente Jair Bolsonaro endossar um comentário depreciativo sobre ela. “Eu só queria dizer duas palavras para os brasileiros e brasileiras, em português: Muito obrigada! Muito obrigada a todos que me apoiaram (…) Os tempos estão mudando, e existem aqueles que estão a bordo do ‘trem da mudança’. As mulheres estão lá com vocês, que compreenderam quase tudo, senhores. Não foram todos (que compreenderam): alguns estão na plataforma, e tenho certeza que eles não vão demorar a subir a bordo desse trem”, disse ela em evento em Azincourt nesta quinta, 29. O presidente da República, em meio ao embate com o presidente francês, Emmanuel Macron, respondeu no Facebook a um comentarista que dizia saber, em tom de ironia, o motivo pelo qual Macron teria inveja de Bolsonaro, colocando em seguida uma montagem fotográfica com Michele Bolsonaro e Brigitte Macron. O presidente da República respondeu: “Não humilha cara. Kkkkk”. A partir daí, tanto as relações diplomáticas entre os dois países degringolaram como Brigitte foi defendida nas redes sociais, especialmente, por várias brasileiras. As informações são do BR Política, blog do Estadão.

28 de agosto de 2019, 19:56

MUNDO Argentina declara moratória na dívida externa

Foto: Estadão

O presidente da Argentina, Mauricio Macri

A Argentina pediu ao FMI (Fundo Monetário Internacional) a revisão dos vencimentos de sua dívida de US$ 56 bilhões, que começam em 2021, para aliviar a atual turbulência no mercado cambial, anunciou nesta quarta-feira (28) o ministro da Fazenda, Hernán Lacunza. “Argentina propôs [ao FMI] iniciar o diálogo para reperfilar os vencimentos da dívida”, disse Lacunza em uma coletiva de imprensa na qual anunciou outras iniciativas para postergar o pagamento de bônus aos investidores institucionais. O ministro estimou que as conversas podem começar no mandato do atual presidente, Mauricio Macri, mas que terminariam “inexoravelmente” no próximo governo, que começa em 10 de dezembro. Além disso, o ministro disse que não prevê negociar mudanças nos débitos ou dos juros a serem pagos, mas apenas estender os prazos para que o próximo governo argentino “possa implantar sua política sem condicionamentos financeiros”. A reprogramação do pagamento de bônus aos investidores institucionais, que detenham 10% desses títulos, buscaria aliviar as pressões sobre as reservas internacionais e permitir que elas sejam usadas para intervir no mercado cambial e “preservar” a moeda, de acordo com o ministro. O país atravessa fortes turbulências financeiras, com uma depreciação superior a 20% do valor do peso e uma subida maior que 2.000 pontos no índice de risco país, após Macri sofrer um revés nas eleições primárias à presidência, em 11 de agosto, contra o peronista de centro-esquerda Alberto Fernández. O candidato é o favorito nas eleições marcadas para 27 de outubro. Uma delegação do FMI visitou a Argentina nesta semana e se reuniu com autoridades do governo e também com Fernández e seus assessores econômicos.

Folhapress

28 de agosto de 2019, 18:45

MUNDO Suplente do PSL falava em nome do governo Bolsonaro, diz assessor paraguaio sobre Itaipu

Foto: Estadão

Usina de Itaipu

O ex-assessor da vice-presidência do Paraguai José ‘Joselo’ Rodríguez – apontado como lobista na tentativa de venda de energia da Usina de Itaipu para a empresa brasileira Léros – disse em entrevista à imprensa paraguaia nesta quarta-feira, 28, que o empresário Alexandre Giordano falava nas negociações em nome do governo brasileiro. “Em todas as conversas com a empresa brasileira a primeira coisa que faziam era dizer que tinham apoio da alta cúpula do governo brasileiro para obter a autorização para importar energia”, disse Rodríguez à Rádio ABC Cardinal. “Isso disseram não apenas a mim, mas na reunião pública também. Questionado se Giordano disse que a Léros estaria vinculada à família do presidente Jair Bolsonaro, o ex-assessor respondeu que sim. “Não disseram isso só a mim, mas a todos os demais”. Suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), Giordano esteve no Palácio do Planalto um dia depois de o presidente visitar Itaipu, em fevereiro. Ele viajou duas vezes ao Paraguai no primeiro semestre para discutir a compra de energia excedente de Itaipu para a Léros num jatinho da empresa– o que é ilegal, segundo a CPI que apura o caso no Paraguai. A primeira viagem de Giordano ao Paraguai ocorreu 9 de abril juntamente com Adriano Tadeu Deguimerndjian Rosa, executivo da Léros e o advogado Cyro Dias Lage Neto, além de dois tripulantes. Eles voltaram a Foz do Iguaçu no mesmo dia. A segunda viagem ocorreu em 25 de junho. A crise em Itaipu começou quando mensagens de celular vazadas para a imprensa revelaram que o governo do presidente Mario Abdo Benítez aceitou um acordo lesivo ao país nas negociações com o Brasil. O escândalo quase levou ao impeachment de Abdo Benítez e só perdeu força depois de Bolsonaro anunciar a anulação do acordo. Em paralelo, veio à público a informação de que a vice-presidência paraguaia pressionou a Ande, a estatal elétrica paraguaia, para vetar um artigo do acordo que dificultaria a venda de energia exclusivamente para a Léros. Nas conversas entre Joselo e a Ande, apareceu o nome de Giordano. Ao Estado, o suplente e a empresa negaram qualquer irregularidade. “Não tenho nenhuma relação com esse acordo. A Léros me chamou e eu fui lá escutar a proposta da Ande sobre venda de energia. Existe uma licitação aberta, que é pública. Eu não comprei nada. A própria Léros não assinou nada”, disse Giordano. O chamamento público da licitação, divulgado no site da própria Ande, data de 25 de junho, dia da segunda viagem de Giordano ao Paraguai.

Estadão Conteúdo

27 de agosto de 2019, 20:17

MUNDO Macron alfineta Bolsonaro e diz ser ‘erro’ confundir soberania com agressividade

Foto: Yoan Valat/Reuters

O presidente da França, Emanuel Macron

O presidente da França, Emanuel Macron, alfinetou nesta terça-feira, 27, o presidente Jair Bolsonaro ao comentar a posição do governo brasileiro ao recusar a oferta de ajuda dos países ricos do G-7 no combate aos incêndios na Amazônia. Sem citar o nome de Bolsonaro, Macron diz que “alguns dirigentes confundem soberania com agressividade” e defendeu ser um erro pensar desta forma. Nesta terça, Bolsonaro condicionou o recebimento da ajuda de R$ 83 milhões oferecida pelo G-7 a um pedido de desculpas de Mácron. “Observei a atitude de alguns dirigentes que consideram que soberania significa agressividade. Acho que isso é um erro. Somos um país soberano e, quando temos grandes eventos, aceitamos com felicidade a solidariedade internacional porque é um sinal de amizade”, afirmou Macron nesta terça, em discurso na conferência de embaixadores franceses em Paris. Macron afirmou ainda que outros países amazônicos pediram ajuda internacional para combater as queimadas e que terão o auxílio o mais rápido possível. “Acima de tudo, há nove países na Amazônia. Muitas outras nações já pediram a nossa ajuda. É importante mobilizá-la para que Colômbia, Bolívia e todas as regiões brasileiras que queiram ter acesso a essa ajuda internacional possam tê-la e reflorestar (a Amazônia) rapidamente”, declarou.

Estadão Conteúdo

26 de agosto de 2019, 21:25

MUNDO Na contramão de Bolsonaro, vizinhos pregam pacto global pela Amazônia

Foto: Francois Mori/EFE

O presidente do Chile, Sebastian Piñera, e o presidente da França, Emmanuel Macron

Na contramão do Brasil, países sul-americanos passaram a pregar uma cooperação de âmbito global para combater a destruição causada pelos incêndios florestais na Amazônia, com apoio da União Europeia. Os apelos mais fortes saíram de países que, na esteira do desgaste brasileiro, assumiram protagonismo na agenda ambiental, como o Chile e a Colômbia, ambos presididos por governantes de direita simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro. Eles querem levar a discussão à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá em setembro em Nova York. O movimento é apoiado pela Bolívia, também impactada pelas chamas. Dos países vizinhos, Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Venezuela ofereceram auxílio para conter as chamas em solo brasileiro, ainda na semana passada. Os países acenaram com o envio de aviões, centenas de brigadistas e especialistas em gestão de desastres, investigação e controle de incêndios florestais. Mas, até agora, o Palácio do Planalto só comunicou que aceitou o envio de um avião e equipamentos ofertados por Israel, que se tornou um dos aliados preferenciais de Bolsonaro. Governos estaduais, como o do Acre, decidiram pedir diretamente apoio às embaixadas sul-americanas. Em uma dobradinha com o presidente da França, Emmanuel Macron, cuja relação com Bolsonaro se degradou, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, assumiu a coordenação da ajuda emergencial oferecida pelos países ricos do G-7, o que inclui um fundo de U$ 20 milhões. Piñera afirmou que a soberania dos países amazônicos deve ser respeitada, mas que proteger a floresta “é dever de todos”. Embora não tenha território amazônico, o Chile tem histórico de cooperação prestada e recebida em incêndios florestais, inclusive com o Brasil. Piñera enviou um avião-tanque com capacidade de 3 mil litros para conter as chamas no pantanal do Paraguai. Santiago, a capital chilena, sediará em dezembro a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP25), em substituição ao Brasil, que abriu mão do evento por intervenção de Bolsonaro. O discurso dos países vizinhos sobre os incêndios amazônicos destoa da visão de Bolsonaro. O Palácio do Planalto trata o caso como uma questão interna e sempre reforça que não aceitará ameaças à soberania nacional sobre o território e a biodiversidade da floreta brasileira. Hoje, o presidente voltou a rechaçar as iniciativas de Macron e do G-7. “Não podemos aceitar que um presidente, Macron, dispare ataques descabidos e gratuitos à Amazônia, nem que disfarce suas intenções atrás da ideia de uma ‘aliança’ dos países do G-7 para ‘salvar’ a Amazônia, como se fôssemos uma colônia ou uma terra de ninguém”, escreveu nesta segunda-feira Bolsonaro, pelo Twitter. O presidente da Colômbia, Iván Duque, anunciou a intenção de liderar, entre os países amazônicos, um “Pacto pela Conservação” e já conversou sobre o tema com Bolsonaro. Duque vai discutir o assunto nesta terça-feira com o presidente do Peru, Martín Vizcarra, e pretende apresentar mais detalhes na ONU. No domingo, ele visitou uma comunidade indígena próxima a Letícia, cidade colombiana de fronteira com o Brasil na Amazônia, relacionou as queimadas ao desmatamento e disse que elas “estremeceram o mundo”.“A proteção da mãe natureza e da Amazônia é um dever moral”, disse Duque. “Esse tem que ser um chamado ao mundo, a proteção da Amazônia envolve a todos”. Duque estava acompanhado de representantes de Reino Unido, Alemanha e Noruega – os dois últimos, países que suspenderam repasses milionários ao Brasil por meio do Fundo Amazônia. Para o governante colombiano, que nega ter focos de incêndio em seu território, a Amazônia é “patrimônio do mundo” e “a tragédia ambiental da região amazônica não tem fronteiras”. O país vai receber uma reunião prévia sobre diversidade da COP26, em 2020. O presidente Lenín Moreno, do Equador, disse, ao oferecer um avião com três equipes de brigadistas a Bolsonaro, que as queimadas “alertam o mundo inteiro”. Segundo país mais afetado pelo fogo, a Bolívia faz uma campanha aberta por “qualquer ajuda internacional” e já recebeu dois helicópteros enviados pelo Peru para apagar as chamas em seu trecho Amazônia. O presidente Evo Morales, de esquerda, disse que vai participar da aliança a convite da França e propôs um encontro na ONU. Ele convidou Macron para ir à Bolívia firmar compromissos de cooperação, com base em obrigações assumidas no Acordo de Paris. “Os membros do G7 devem entender que o incêndio na Amazônia é um chamado urgente para passar da preocupação à ação”, disse Evo. “O incêndio na Amazônia é um chamado aos países e governo do mundo a proteger o meio ambiente com responsabilidade integral, inevitável e compartilhada. Devemos trabalhar unidos contra os efeitos do aquecimento global e também combater suas causas”. Da Venezuela, o regime Nicolás Maduro acenou com a “modesta ajuda” que possa dar para mitigar imediatamente essa dolorosa tragédia”. A diplomacia chavista, apoiada pelos bolivianos, tenta convocar para uma reunião de emergência os chanceleres dos países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. Participam ao bloco Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Com 41 anos, o tratado é visto como subutilizado e sem apoio pelos governos regionais. O presidente da Colômbia diz que o novo “Pacto pela Conservação da Amazônia” respeitará ações internas e soberanas dos governos, mas que elas serão mais bem coordenadas. Pelo Twitter, Bolsonaro também defendeu o plano de Duque, reiterando sua defesa do respeito à soberania dos países. “Em conversa com o Presidente Iván Duque, da Colômbia, falamos da necessidade de termos um plano conjunto, entre a maioria dos países que integram a Amazônia, na garantia de nossa soberania e riquezas naturais. Outros chefes de estado se solidarizaram com o Brasil, afinal respeito à soberania de qualquer país é o mínimo que se pode esperar num mundo civilizado”.

Estadão Conteúdo

26 de agosto de 2019, 11:33

MUNDO Macron rebate acusação de ingerência e lembra que França tem fronteira com Amazônia

Foto: Reprodução/Twitter

A cúpula do G7 chegou nesta segunda-feira (26) a um acordo para ajudar a combater as queimadas na Floresta Amazônica. Os líderes do grupo -formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido- concordaram em liberar 20 milhões de euros (cerca de R$ 91 milhões) para a Amazônia. A maior parte do montante será usada para enviar aviões de combate a incêndios, informou uma fonte da Presidência francesa. O grupo das sete maiores economias do mundo também decidiu apoiar um plano de reflorestamento de médio prazo que será divulgado pela ONU em setembro, acrescentou um assessor presidencial. O presidente dos EUA, Donald Trump, não participou da reunião em que foi fechado o acordo. Mas o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula, afirmou que o colega americano apoia a iniciativa.

Segundo ele, Trump só não participou da sessão sobre biodiversidade porque tinha reuniões bilaterais agendadas para o mesmo horário. O G7 está reunido desde sábado (24) na cidade de Biarritz, na França, e as queimadas na região amazônica se tornaram uma das principais pautas do encontro. Ao fazer o anúncio, o líder do país anfitrião enfatizou que o fogo na floresta afeta diretamente nove países, inclusive a França -a Guiana é um departamento da nação europeia. Segundo Macron, por causa disso, nenhum governo pode querer responder sozinho à emergência, “ainda que seja preciso respeitar a soberania nacional”. Era um aceno claro a Jair Bolsonaro, que reclamou da suposta ingerência estrangeira na gestão da crise. O presidente francês disse ainda que a iniciativa conjunta a ser apresentada na Assembleia-Geral da ONU “será inclusiva”, ou seja, definirá atribuições para cada país da região amazônica. A reação do governo brasileiro diante da gravidade dos incêndios, que vieram a conhecimento do público na semana passada, provocou indignação internacional e uma onda de protestos.

Folhapress

25 de agosto de 2019, 09:26

MUNDO Nos EUA, preocupação com mudanças climáticas supera ameaça nuclear

O medo de ameaças nucleares passa longe do topo da lista de maiores preocupações da geração atual nos EUA. A saída do país do Tratado de Proibição de Mísseis Intermediários (INF), um dos acordos de redução de armas nucleares mais bem-sucedidos da História, não mudou a perspectiva dos americanos. Uma pesquisa do Pew Research Center, feita em 26 países em 2018 mostra que há uma concordância mundial de que as mudanças climáticas são um risco real. Em 13 dessas nações, mudanças climáticas são a primeira das ameaças globais. Em oito delas, o terrorismo ligado ao Estado Islâmico é a principal. Os ciberataques aparecem como grande temor em quatro países e em um deles o medo maior é da influência russa. O temor a uma ameaça nuclear vinda da Coreia do Norte não está em primeiro ou segundo lugar em nenhum dos países – nem mesmo na vizinha Coreia do Sul. Outros institutos de pesquisa, como o Gallup, confirmam que a ameaça nuclear não chega ao topo da lista das preocupações recentes quando se fala em questões mundiais. Deverrick Holmes, de 28 anos, graduado em história, se preocupa com o fato de sua geração não temer uma guerra nuclear – o que o levou a publicar um manifesto sobre o assunto para o Centro para Controle e Não Proliferação de Armas. “Certamente estudar história abriu meus olhos sobre o que aconteceu no passado. Não há uma garantia de que uma guerra nuclear nunca acontecerá. Infelizmente, não acho que os mais jovens e as pessoas da minha geração se importam com isso, provavelmente porque não está nas manchetes o tempo todo. Há outras questões que as pessoas da minha idade se importam mais, como mudança climática”, afirma Holmes.

Estadão