15 de setembro de 2019, 18:00

MUNDO Oposição e manifestantes pró-Pequim se enfrentam em ato em Hong Kong

Membros de grupos pró-democracia se enfrentaram nas ruas de Hong Kong com defensores do governo da China, em mais um dia de protestos. Centenas de manifestantes pró-Pequim cantaram o hino nacional e balançaram bandeiras chinesas em um ato em Amoy Plaza, no distrito de Kowloon. Ativistas pró-democracia também se aglomeraram na região, e a tensão subiu à medida que os dois grupos de insultavam.

A situação se tornou caótica quando vários grupos de pessoas se agrediram e alguns utilizaram guarda-chuvas para golpear seus rivais. A polícia atuou para acalmar a situação e deteve várias pessoas. Os enfrentamentos ocorreram após diversas noites de mobilizações pacíficas dos partidários de reformas democráticas. Fonte: Associated Press.

Estadão

15 de setembro de 2019, 15:30

MUNDO Ex-premiê David Cameron faz mea culpa e lamenta consequências do Brexit

Foto: Tânia Rêgo/ABr

Primeiro-ministro do Reino Unido em 2016, quando houve o plebiscito para o Brexit, David Cameron disse em entrevista ao jornal The Timesque “lamenta” as divisões do país após a votação em que o divórcio da União Europeia foi vencedor. O conservador disse que pensa nas consequências do Brexit “todos os dias” e que se preocupa “desesperadamente” com o que acontecerá no futuro.

“Lamento profundamente o resultado e aceito que minha abordagem falhou”, disse ele. “As decisões que tomei contribuíram para esse fracasso. Eu falhei.” Apesar de ter convocado o plebiscito, Cameron apoiou a permanência do Reino Unido na UE e renunciou na manhã seguinte à votação, ficando desde então fora da política eleitoral e em grande parte fora dos olhos do público. Fonte: Associated Press.

Estadão

15 de setembro de 2019, 13:00

MUNDO Neymar diz que esperava vaias, mas lamenta: ‘Será como jogar sempre fora de casa’

Foto: Reprodução/Twitter

Após voltar ao Paris Saint-Germain com golaço que deu a vitória por 1 a 0 em cima do Strasbourg, neste sábado, pelo Campeonato Francês, Neymar falou pela primeira vez sobre o desejo de retornar ao Barcelona. O atacante brasileiro admitiu que queria deixar o PSG e alegou motivos pessoais. Neymar foi vaiado antes, durante e depois da partida deste sábado. Além disso, ele também foi alvo em faixas estendidas no Estádio Parque dos Príncipes, direcionadas ao seu pai. “Neymar Sr. venda seu filho na Vila Mimosa”, dizia uma delas, referindo-se a uma zona de prostituição no Rio de Janeiro.

O atacante disse que já esperava esse comportamento da torcida e lamentou. “Já joguei em várias vezes sendo vaiado. É triste, mas sei que a partir de agora será como jogar todo jogo fora de casa Deixo claro que não tenho nada contra os torcedores, nem nada contra a entidade Paris Saint-Germain, mas todo mundo sabe que eu queria sair sim, e deixei claro isso. Mas não vou entrar em detalhes do que aconteceu nas negociações. As pessoas e o presidente daqui sabem o que aconteceu, e isso é uma página virada. Hoje sou jogador do PSG e prometo dar tudo em campo, cumprir o meu papel e ser feliz dentro de campo. Não preciso que gritem meu nome e nem que estejam ali por mim. E sim pelo PSG”, afirmou Neymar.

“Teve alguns motivos, principalmente pessoais. Deixo bem claro que não foi nada contra o PSG e nem torcedores. Mas quando você não se sente bem em um trabalho, você procura outro. Não pelas pessoas que tem nele e que você está servindo, e sim por motivos pessoais. Tive os meus e quis sair. Deixei bem claro para todo mundo e fiz o possível, mas infelizmente não deixaram. Mas isso é uma página virada. Primeira vez que estou falando sobre isso, e será a última. A partir de agora minha cabeça está toda voltada para o PSG”, acrescentou o atacante.

Neymar não atuava pelo PSG desde o dia 11 de maio. Ele participou dos amistosos da seleção brasileira contra Colômbia e Peru nas últimas semanas, e neste sábado jogou os 90 minutos. Nos acréscimos, marcou um golaço de voleio que deu a vitória ao time francês. Na comemoração do gol, Neymar colocou a bola dentro da camisa e fez o famoso gesto de gravidez. Após a partida, ele explicou que foi uma homenagem a Carol Dantas, mãe do seu filho, David Lucca, e que deu à luz neste sábado ao segundo filho, fruto do relacionamento com Vinicius Martinez. Neymar tem boa relação com o casal. No último lance da partida, o brasileiro ainda balançou a rede outra vez, mas o lance foi invalidado com o auxílio do VAR (árbitro de vídeo) por impedimento de Di Maria. Com a vitória, o PSG chegou a 12 pontos no Campeonato Francês e permanece na liderança.

Estadão

15 de setembro de 2019, 11:00

MUNDO Mais de 1,8 mil brasileiros fazem hoje o Encceja Exterior

Foto: Divulgação

Mais de 1,8 mil brasileiros que moram fora do país farão hoje (15) o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos residentes no exterior (Encceja Exterior). A prova será realizada em 18 cidades de 12 países: Bruxelas (Bélgica); Barcelona e Madri (Espanha); Boston, Houston, Nova Iorque e Miami (Estados Unidos); Paris (França); Caiena (Guiana Francesa); Amsterdã (Holanda); Roma (Itália); Nagoia, Hamamatsu e Tóquio (Japão); Lisboa (Portugal); Londres (Reino Unido), Genebra (Suíça) e Paramaribo (Suriname).

O Cartão de Confirmação da Inscrição está disponível na Página do Participante na internet. O cartão contém informações pessoais, número de inscrição e o endereço do local do exame, além dos recursos de acessibilidade, quando for o caso. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recomenda que os inscritos no exame imprimam e levem o cartão para a prova.

O Encceja é um exame para jovens e adultos que não tiveram oportunidade de concluir os estudos na idade apropriada. Os interessados em tentar o certificado do ensino fundamental devem ter, no mínimo, 15 anos de idade completos na data da prova; para obter o certificado do ensino médio, a idade mínima exigida é de 18 anos. O exame é composto por quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha, e uma redação. Para a certificação do ensino fundamental, o participante é avaliado em ciências naturais; matemática; língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física e redação; e história e geografia. Já para o ensino médio, as áreas avaliadas são ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; linguagens e códigos e suas tecnologias e redação; e ciências humanas e suas tecnologias.

Certificação
Após a aprovação do candidato, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília e o Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, que firmaram Acordo de Cooperação Técnica junto ao Inep, ficam responsáveis pela emissão dos certificados. Cabe ao Ministério das Relações Exteriores encaminhar os certificados e as declarações de proficiência às embaixadas e aos consulados de cada país, bem como avisar aos participantes que os documentos encontram disponíveis para retirada nas representações diplomáticas.

Agência Brasil

15 de setembro de 2019, 09:00

MUNDO Ataque à Aramco pode afetar cerca de 5% da produção mundial de petróleo bruto

O ataque a unidades da petroleira da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, representa uma perda de cerca de 5 milhões de barris por dia de petróleo (bpd), montante equivalente a aproximadamente 5% da produção mundial do óleo bruto, de acordo com fontes ouvidas pela Dow Jones Newswires. Rebeldes houthis, do Iêmen, reivindicaram a autoria do ato, mas o governo dos EUA insiste que o Irã está por trás da ação.

Os ataques atingiram Hijra Khurais, um dos maiores campos de petróleo da Arábia Saudita, que produz cerca de 1,5 milhão de barris por dia. Eles também atingiram a Abqaiq, a maior instalação de beneficiamento de petróleo do mundo, processando sete milhões de barris de petróleo saudita por dia, cerca de 8% do total mundial. Os danos em Abqaiq têm efeitos indiretos nos campos de petróleo do reino, porque lá é um ponto de coleta para grande parte da indústria de energia, transformando o óleo bruto em produtos específicos solicitados pelos clientes. O campo de Ghawar, o maior do mundo, e o Shaybah, que produz um milhão de barris por dia, também relataram interrupções por causa dos problemas em Abqaiq, disseram as fontes.

Sem confirmar a extensão do dano à produção de petróleo, autoridades sauditas disseram esperar que a extração no país volte ao nível de 9,8 milhões de bpd até segunda-feira. Os ataques ocorrem em meio à escalada das tensões entre os rebeldes houthis, aliados do Irã, com a Arábia Saudita, apoiada pelos EUA. Nas últimas semanas, houve atos menores contra a infraestrutura de petróleo saudita. “O ataque foi bastante surpreendente pela simples quantidade de danos que causou”, disse Fabian Hinz, pesquisador de armas do Instituto de Estudos Internacionais Middlebury, em Monterey, Califórnia. “Vimos muitos ataques de drones e mísseis contra a infraestrutura saudita, mas na maioria dos casos o dano real foi mínimo”, disse Hinz.

Estadão

14 de setembro de 2019, 20:00

MUNDO Ataque de drone atinge maior campo de processamento de petróleo saudita

Um ataque de drones atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo na Arábia Saudita, na madrugada deste sábado (14). De acordo com o Ministério do Interior saudita, além da instalação, um campo de petróleo em atividade também foi atingido. As duas instalações eram operadas pela Saudi Aramco, empresa estatal saudita, uma das gigantes da indústria do petróleo, nas cidades de Buqyaq e Khurais. Não ficou claro se houve feridos nos ataques, nem que efeito isso terá na produção de petróleo do país.

As autoridades sauditas não apontaram responsáveis pelos ataques até o momento. Embora nenhum grupo tenha reivindicado os ataques as suspeitas caíram sobre os rebeldes houthis do Iêmen. Desde 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita luta contra o grupo rebelde. Os houthis, apoiados pelo Irã, mantêm a capital do Iêmen, Sanaa, e outros territórios no país mais pobre do mundo árabe. O grupo já utilizou drones em outros ataques.

Vídeos online que mostram a situação nas instalações em Buqyaq, registraram o som de tiros ao fundo e chamas saindo da instalação de processamento de petróleo. O ataque também provavelmente aumentará as tensões em todo o Golfo Pérsico, em meio a um confronto entre os EUA e o Irã por causa de seu acordo nuclear com as potências mundiais.

Estadão

14 de setembro de 2019, 19:30

MUNDO Maduro desiste de ir à Assembleia-Geral das Nações Unidas

Foto: Carlos Becerra/Boomberg

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na sexta-feira (13), que desistiu de discursar na abertura Assembleia-Geral da ONU, no fim do mês, em Nova York. A decisão ocorre em meio a uma crise crônica do chavismo e de rumores de que ele estaria desconfiado de uma possível tentativa de golpe de aliados. “Este ano não vou”, disse Maduro. “Ficarei aqui trabalhando com vocês, mais seguro e mais tranquilo.” Em seu lugar, o governo enviará a vice-presidente, Delcy Rodríguez, e o chanceler, Jorge Arreaza. Os dois prometeram levar ao secretário-geral da ONU, António Guterres, um abaixo-assinado com 12 milhões de assinaturas contra as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela. Segundo Maduro, o texto mostrará ao mundo “a verdade do que acontece” no país.

O Departamento de Estado dos EUA acusou o governo chavista de vincular as assinaturas da população à entrega de cestas básicas em meio a uma grave crise de escassez de alimentos e de remédios – Maduro nega. As sanções impedem a venda de petróleo venezuelano para os EUA, congelam ativos do governo chavista e proíbem empresas com negócios em território americano de comercializar com a Venezuela. Em março, o líder da oposição, Juan Guaidó, liderou uma tentativa de deposição de Maduro, que contou com o apoio de alguns setores do Exército. Desde então, o líder chavista redobrou a preocupação com dissidências internas, principalmente nas Forças Armadas, que são fiadoras de seu governo.

Os EUA mantêm canais informais com dois dos principais homens do chavismo, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino – que teria participado das discussões de uma tentativa de golpe, em março, segundo o Washington Post – e o número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, acusado nos EUA de corrupção e narcotráfico. Na quarta-feira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou a convocação de reunião que pode reativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar). O pacto, da época da Guerra Fria, prevê um mecanismo de defesa mútua e é considerado uma forma de justificar, em último caso, uma intervenção militar na Venezuela.

Guaidó defendeu o Tiar como forma de pressionar Maduro. Apesar disso, diplomatas brasileiros rejeitam a possibilidade de usar a força para derrubar o regime. No entanto, na OEA, o Brasil se uniu à Colômbia, aos EUA e aos representantes de Guaidó para ressuscitar o Tiar. O chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, disse ontem que o governo chavista está pronto para se defender de qualquer ameaça do Tiar. “Estamos preparados para nos proteger, estamos preparados para responder. Nós não vamos permitir que ninguém pise no sagrado solo venezuelano. Responderíamos. Mas tomara que nunca aconteça”, disse o chanceler.

Estadão

14 de setembro de 2019, 19:00

MUNDO Avanço de direitos civis passará incólume por eleições uruguaias

Enquanto países como Brasil e Argentina observam o avanço de leis e garantias de direitos civis empacar, quando não retroceder, o Uruguai se aproxima das próximas eleições presidenciais com um panorama diferente. Ainda que os principais candidatos ao pleito de 27 de outubro pertençam a espectros ideológicos diferentes, todos defendem legislações já aprovadas e colocadas em prática. Entre elas, as que projetaram o país sul-americano como espaço de vanguarda na região nos últimos 15 anos: legalização do aborto pela vontade única da mulher (até a 12ª semana de gravidez, ou em período mais avançado, em caso de risco para a mãe), matrimônio igualitário, cotas para mulheres no Parlamento e estatização da produção e da distribuição de maconha.

Tanto o líder nas pesquisas, o ex-prefeito de Montevidéu Daniel Martínez, da coalizão de esquerda Frente Ampla, no poder desde 2005, quanto os liberais Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, e Ernesto Talvi, do Partido Colorado, não têm intenção de retroceder nas pautas progressistas conquistadas até aqui. As discordâncias entre eles são basicamente na área de economia e envolvem propostas sobre como manter a taxa de crescimento do país, cuja média nos últimos 15 anos é de 3%. Educação, que já foi um dos pilares da sociedade uruguaia e hoje está em decadência, e segurança também são temas de discussão.

Existem algumas explicações para isso. Em primeiro lugar, o Uruguai é o país mais legalista da América do Sul. O atual presidente, Tabaré Vázquez, ele mesmo contrário ao aborto e à legalização da maconha, ao assumir, disse: “Sou contra ambas, mas, antes de tudo, sou um legalista, e essas leis foram aprovadas pelo Congresso uruguaio, portanto eu as implementarei porque manda a lei”. E o fez. Para Julio Calzada, que foi secretário da Junta Nacional de Drogas de José “Pepe” Mujica (2010-2015), “a sociedade está convencida de que a questão das drogas hoje é questão de saúde pública, não de repressão”, afirma à reportagem.

Folhapress

14 de setembro de 2019, 18:00

MUNDO Greve de transportes contra reforma da aposentadoria provoca caos em Paris

Uma greve nos transportes públicos, a maior nos últimos 12 anos, contra a reforma da previdência do governo francês, provocou na sexta-feira (13) caos em Paris. Dez das 16 linhas do metrô estavam fechadas e as demais saturadas, os ônibus circulavam em número reduzido e grandes engarrafamentos evidenciavam o primeiro grande protesto sindical contra a reforma do presidente francês, Emmanuel Mácron.

A greve também afetou os trens de cidades próximas, usados diariamente por milhares de pessoas que moram ou trabalham nos subúrbios da capital francesa. As linhas que levam ao Aeroporto Charles de Gaulle, no entanto, funcionaram normalmente.

Estadão

14 de setembro de 2019, 17:00

MUNDO Disputa entre Índia e Paquistão pela Caxemira deixa dois mortos e seis feridos

Forças indianas e paquistanesas entraram em confronto na altamente militarizada fronteira entre os dois países, onde fica a disputada região da Caxemira, deixando dois mortos – sendo um soldado paquistanês – e seis feridos. Os dois vizinhos do sul da Ásia trocam tiros regularmente ao longo da chamada Linha de Controle, que divide a província da Caxemira reivindicada pelos dois países.

O administrador local paquistanês Raja Tariq disse que o bombardeio atingiu aldeias na área de Nakyal e matou uma mulher e feriu outras seis. A polícia e autoridades locais disseram que incêndios indianos em outros setores da Caxemira administrada pelo Paquistão também destruíram uma casa, danificaram parcialmente uma escola e atingiram um galpão para vacas e cabras, resultando na morte dos animais.

As forças armadas do Paquistão também disseram que as tropas indianas abriram fogo sem serem provocadas no setor de Hajipir, matando um soldado. As tensões entre os dois países com arsenal nuclear aumentaram desde o dia 5 de agosto, quando a Índia rebaixou a autonomia de seu lado da Caxemira e impôs mais controles na área.

Estadão

14 de setembro de 2019, 15:15

MUNDO Trump confirma morte de filho de Osama bin Laden, herdeiro da Al-Qaeda

Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado, 14, a morte de Hamza bin Laden, o filho do terrorista Osama bin Laden, considerado seu herdeiro à frente da rede Al-Qaeda. Seu óbito havia sido anunciado pela imprensa americana no final de julho, citando fontes confiáveis do governo.

“Hamza bin Laden, o alto responsável da Al-Qaeda e filho de Osama bin Laden, foi abatido em uma operação de contraterrorismo realizada pelos Estados Unidos na região do Afeganistão e Paquistão”, disse Trump em um comunicado. “A perda de Hamza bin Laden não somente priva a Al-Qaeda de sua autoridade e conexão simbólica com seu pai, assim como também debilita importantes atividades operativas do grupo”, acrescentou. “Hamza bin Laden planejou e trabalhou com diversos grupos terroristas”.

No final de agosto, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, foi a primeira autoridade americana a se expressar publicamente sobre a morte de Hamza bin Laden. Então questionado sobre o falecimento do líder jihadista, respondeu que “isso foi o que entendi”. Porém, negou-se a fornecer detalhes sobre o ocorrido. Considerado como o sucessor designado por Osama bin Laden, o fundador da rede terrorista responsável pelos atentados do 11 de setembro, que completaram 18 anos nesta semana, Hamza estava na lista negra americada de pessoas acusadas de “terrorismo”. Hamza esteve ao lado do pai no Afeganistão, em 2001, antes dos atentados. Ele também chegou a fugir com Osama para o Paquistão, após a invasão dos EUA no Afeganistão ter levado grande parte dos líderes da Al-Qaeda para o país vizinho, de acordo com a Brookings Institution.

Osama foi morto em 2011 em uma operação no Paquistão, quando militares americanos localizaram o seu esconderijo. O departamento de Estados dos EUA considerou Hamza um terrorista global em 2017, após ele pedir publicamente a seus apoiadores por atos de terrorismo em capitais ocidentais, além de ter ameaçado os EUA de vingança pela morte de Osama. Em fevereiro deste ano, Washington ofereceu uma recompensa de US$ 1 milhão por qualquer informação sobre o paradeiro de Hamza. O jovem, que estava na faixa dos 30 anos, perdeu sua nacionalidade saudita em março. Ele era o 15º filho de Osama bin Laden, pai de 20 pessoas.

Estadão

14 de setembro de 2019, 12:00

MUNDO OEA: Bolsonaro segue Maduro ao adotar medidas contra saúde financeira da imprensa

Foto: Adriano Machado/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro segue os passos de ditadores como Nicolás Maduro, na Venezuela, e Rafael Correa, ex-presidente do Equador, ao estigmatizar e desacreditar a imprensa, além de adotar medidas que afetam a saúde financeira dos veículos de comunicação. Esse é o alerta de Edison Lanza, relator da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a liberdade de expressão. Lanza esteve no Brasil para se reunir com membros da sociedade civil – ele diz que tem procurado se comunicar com o governo Bolsonaro, mas tem recebido respostas protocolares ou, pior, tem sido ignorado.

Quais são suas maiores preocupações em relação à liberdade de expressão no Brasil?
EL –
Vejo dois padrões preocupantes. O primeiro é um discurso dos governantes para estigmatizar e desacreditar a imprensa, sobretudo a imprensa crítica independente, que não é controlada pelo governo. Quando há uma investigação jornalística, o governo deveria prestar contas, responder, explicar. Na realidade, o que fazem é insultar e desqualificar o jornalista. Um bom exemplo é o caso de Glenn Greewald. Há uma investigação com dados e respaldo, a partir de um vazamento. Em vez de responder a isso, as autoridades dizem que ele tem de ser preso e o expõem à criminalização. Trata-se de uma narrativa contra a imprensa, instando as pessoas a não acreditar na mídia, dizendo que a imprensa é militante. Isso é muito parecido com o que fizeram outros presidentes que descambaram para o autoritarismo, como o Rafael Correa, no Equador, ou Nicolás Maduro, na Venezuela.

Correa e Maduro faziam algo muito parecido com o que está fazendo o governo Bolsonaro?
EL –
Na Venezuela, na época de Chávez, tudo começou com estigmatização e ataques contra a imprensa. A narrativa era outra, diziam que a imprensa era neoliberal, vendida, inimiga da revolução. Mas o modelo era o mesmo, e foi assim nos primeiros anos.
Depois vieram medidas concretas [contra a mídia], e aqui no Brasil isso tem acontecido. Tem sido realizadas medidas que visam a afetar a sustentabilidade financeira da imprensa: corte na publicidade oficial, na publicação obrigatória de balanços, editais.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também atacava a imprensa e, durante seu governo, havia um clima de hostilidade à mídia. Qual é a diferença? Por que agora é comparável a Maduro e Correa?
EL –
Nós sempre demos atenção a todos esses episódios e emitimos comunicados sobre isso. Há um elemento diferente, que tem a ver com incitar seguidores para que se unam e façam ataques, por meio das redes sociais, como um centro de operações coordenadas, e isso muitas vezes leva a violência contra jornalistas. Além disso, acho que hoje existe uma ameaça mais ampla à liberdade de expressão. Existe uma concepção de que algumas coisas devem ser censuradas no campo acadêmico, com a Escola sem Partido, por exemplo. Isso não se limita ao presidente, temos governantes no Rio e em São Paulo dizendo que alguns conteúdos são ataques à família, aos adolescentes, disseminam a ideologia de gênero, e por isso não devem ser permitidos. E daí tentam censurar. Todos os governos têm a obrigação de permitir a circulação de ideias e o debate, desde que não incite à violência. É inadmissível governantes combaterem de forma discriminatória alguns tipos de mensagens porque não gostam delas. Não estou dizendo que o Brasil se transformou na Venezuela de Maduro. Não é o caso, graças à defesa da liberdade por parte de muitos meios de comunicação, da sociedade civil e de instâncias judiciais. A democracia funciona: se o executivo não garante algumas liberdades, outros poderes fazem isso. Também me preocupa a decisão do Congresso de aprovar uma lei contra fake news, criminalizando as chamadas fake news.

Por que te preocupa?
EL –
Primeiro, acho que é muito difícil combater a desinformação. É propagada por alguém que vai se manter no anonimato, ou ficar fora do país, e vai ser impossível punir quem verdadeiramente difundiu a desinformação. Segundo, porque a lei é muito ampla e ambígua ao prever punição contra aquele que difundir informação que prejudique a reputação de um candidato. Os jornalistas serão convenientemente encaixados nessa situação. Quando um jornalista publicar uma informação que prejudica um candidato, a primeira reação será dizer que é desinformação. E agora isso passa a ser um delito. Esse não é o caminho para resolver o problema.

Como está a imagem do Brasil no mundo?
EL –
Há preocupação não só por parte da OEA, também das Nações Unidas, como se viu pelo comunicado de Michelle Bachelet, alta comissária para os Direitos Humanos. Existe uma determinação do governo de não voltar atrás em suas decisões. Por exemplo, no governo Lula, quando quiseram impor um conselho para fiscalizar jornalistas, houve um grande debate, e o governo desistiu. Nos governos de Lula e Dilma Rousseff aprovaram a Lei de Acesso à Informação, o Marco Civil da Internet. Havia um entendimento de que a sociedade civil e a imprensa eram atores do jogo democrático e que às vezes o governo tomava uma decisão e tinha de voltar atrás. Isso hoje está ameaçado. Temos um governo que diz que todos os ativismos são maus, a sociedade civil não é um interlocutor válido, os organismos internacionais não são interlocutores válidos. A imprensa é contra o governo. Tudo isso preocupa.

E a tentativa do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, de censurar um livro?
EL –
É muito perigoso. Não se trata de discutir se um conteúdo é pertinente, é uma ordem direta de censura. A censura está proibida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e em todos os pactos de direitos humanos que o Brasil assinou. Uma autoridade determinar que as pessoas não podem ter acesso a uma bibliografia é censura prévia. E alegar que o intuito é proteger as crianças é uma desculpa para impedir que adolescentes tenham acesso à diversidade.

Isso está acontecendo em outros países da região, além das nações não democráticas, como Cuba, Venezuela e Nicarágua?
EL –
Na região, há um problema que vai além da liberdade de expressão, tem a ver com um recuo da democracia. Estamos vendo isso na Guatemala, em Honduras, no Brasil e nos Estados Unidos, embora lá existam mais freios. No México, o presidente Andrés Manuel López Obrador também rotulou a mídia, diz que a imprensa é fifí [playboy]. Todos imitam esse modelo de presidente que ataca a imprensa que investiga e a trata como inimiga. O presidente de El Salvador acaba de excluir de uma entrevista coletiva sobre corrupção os veículos que mais investigam casos de corrupção -El Faro e a revista Factum. É uma tendência preocupante, de atacar a imprensa que não é partidária, não está alinhada ao governo.

O que o senhor achou da capa da Folha de S.Paulo com o desenho que foi alvo de tentativa de censura?
EL
– Mostra que no Brasil há uma reação saudável dos veículos de imprensa e do povo na defesa da liberdade de expressão. Neste momento, a melhor defesa, a melhor proteção, é o povo não se acostumar, não normalizar uma situação de imposição de censura e de ataques à liberdade de expressão.

Folhapress

14 de setembro de 2019, 09:30

MUNDO Salles vai se reunir em Washington com negacionistas do aquecimento global

Foto: Adriano Machado/Reuters

Um dia antes de milhares de jovens tomarem as ruas de Nova York para protestar contra a inação dos governos frente às mudanças climáticas, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deve se reunir em Washington com representantes de um dos principais grupos de opositores do consenso científico a respeito do aquecimento global. Na agenda preliminar do ministro, obtida pela Folha, consta uma reunião com representantes do Competitive Enterprise Institute (CEI) na sede da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, em Washington, na próxima quinta-feira(19).

O CEI se descreve como uma entidade que “questiona o alarmismo sobre o aquecimento global” e “opõe-se ao Acordo do Clima de Paris, protocolo de Kyoto” e a regulação para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Em uma de suas últimas ações, o instituto fez uma petição à Nasa pedindo que a agência espacial tire de seu website um texto dizendo que 97% dos cientistas concordam que os humanos são responsáveis pelo aquecimento global. No dia seguinte ao encontro de Salles agendados com o CEI, começa em Nova York a Climate Week, maior foro de discussões sobre medidas para combater as mudanças climáticas.

Além de protestos organizados por jovens como a ativista Greta Thunberg, sueca de 16 anos que velejou da Europa até Nova York, acontece a Cúpula da ONU para Ação Climática, dia 23, às margens da Assembleia Geral da ONU. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) deve fazer o discurso de abertura da assembleia, no dia 24, seguindo a praxe – a assembleia é sempre inaugurada pelo discurso do presidente do Brasil. O diretor de ambiente do CEI, Myron Ebell, que deve participar da reunião com Salles, é chamado pela imprensa de “o inimigo número 1 da comunidade das mudanças climáticas” -algo que o próprio instituto cita na biografia de Ebell. Em julho, o Itamaraty já havia enviado um diplomata para participar de uma conferência com Ebell e outros lobistas contrários às ações ambientais.

Na agenda de Salles constam também, no mesmo dia, reunião com o administrador da Agência de Proteção Ambiental, Andrew Wheeler, almoço com o presidente da US Chamber of Commerce e entrevistas para a Bloomberg e Reuters. Procurada por telefone e e-mail, a assessoria do ministério não retornou a pedidos de informação da reportagem.

Folhapress

13 de setembro de 2019, 19:30

MUNDO Fotos de Guaidó com milicianos geram crise na Venezuela

Foto: Reprodução/Twitter

O presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, ao lado de dois membros de uma milícia da Colômbia

Fotos publicadas nesta quinta-feira, 12, nas redes sociais mostram o presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, ao lado de dois membros de uma milícia da Colômbia, denominada Los Rastrojos, em ponto indefinido no trajeto até a fronteira entre os dois países. Funcionários do governo venezuelano têm usado as fotografias como uma prova de que a entrada de Guaidó na Colômbia, em fevereiro, foi orquestrada com o auxílio de criminosos, gerando uma crise para a oposição venezuelana e para o presidente da Colômbia, Ivan Duque. Ambos acusam o presidente Nicolás Maduro de apoiar e ceder território venezuelano para milícias como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Liberação Nacional (ELN) exercerem suas atividades e controle de território. Grupos menores como o Los Rastrojos foram criados com dissidentes das milícias maiores. Na ocasião das imagens, Guaidó se deslocava para um evento na cidade colombiana de Cúcuta, próxima à fronteira com a Venezuela e ponto estratégico para a entrada de imigrantes venezuelanos no país. Um empresário britânico organizou na cidade um show beneficente em 22 de fevereiro, para arrecadar fundos para o envio de itens de ajuda humanitária aos venezuelanos. Guaidó esteve presente, ao lado de Duque, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez e o presidente do Chile, Sebastian Piñera, além de outros apoiadores da oposição venezuelana. Nesta sexta, após um dia de silêncio em relação ao episódio, Guaidó negou manter vínculos com grupos paramilitares colombianos, afirmando em entrevista à uma rádio colombiana que “era difícil saber quem me pedia fotos”. O chefe da Assembleia Nacional venezuelana expressou que durante a travessia entre a Venezuela e a Colômbia, onde teve que desviar de diversos bloqueios das autoridades para cruzar a fronteira, muitas pessoas pediram para tirar fotos. Ao ser questionado se os paramilitares das fotografias ajudaram-no a cruzar a fronteira, Guaidó respondeu que recebeu o apoio de “cidadãos da fronteira”, e que sua equipe o aguardava do lado colombiano. “Nossos aliados na fronteira colombo-venezuelana, evidentemente, é o exército colombiano, que está fazendo um grande trabalho enfrentando esses grupos, e a polícia, que felizmente deteve esses irregulares, o que celebramos”, defendeu. O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Luis Fernando Navarro, revelou à imprensa local nesta sexta as identidades de Albeiro Lobo Quintero, conhecido como Brother, e Jhon Jairo Duran, o Menor, ambos do Los Rastrojos. Quintero se entregou às autoridades colombianas pouco depois das fotografias terem sido tiradas, enquanto Duran foi capturado enquanto era transportado em uma canoa com um ferimento, após ter lutado contra outro grupo paramilitar na Venezuela. A difusão das fotografias levou à abertura de um processo judicial contra Guaidó, o quinto neste ano, para investigar o caso. O procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, considerou “impensável” a hipótese de que as fotografias sejam de “fãs”, afirmando que Guaidó e o seu entorno “mantêm relação com estes grupos criminosos”. Em resposta, Duque reiterou que “Guaidó é um herói, é um defensor da democracia, um defensor de seu povo, é um homem que teve a valentia e força de enfrentar um ditador”, considerando as explicações fornecidas por Guaidó “satisfatórias”. As relações entre Venezuela e Colômbia também se fragilizaram na semana passada, após Maduro ter enviado tropas para treinamentos militares em ponto próximo à fronteira entre os países, acusando Duque de deixar tropas colombianas a postos para atacar a Venezuela. O episódio é originário do anúncio de dois dissidentes das Farc, Jesús Santrich e Iván Márquez, considerados desaparecidos até o início de setembro, de que retornariam à luta armada. Guaidó e Duque acreditam que a milícia receba apoio do governo venezuelano.

Estadão Conteúdo

12 de setembro de 2019, 20:19

MUNDO Brasil prepara aliança com EUA por defesa da liberdade religiosa

A Aliança Internacional para Liberdade Religiosa será um dos principais assuntos do encontro do chanceler Ernesto Araújo com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, nesta sexta-feira (13), em Washington. Os Estados Unidos apostam na aliança como um dos pilares de sua política externa, e o Brasil deve ser um dos membros fundadores do órgão.

A cooperação na ofensiva contra discriminação religiosa no mundo é considerada ponto chave da parceria estratégica entre os dois países. A iniciativa visa a defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes. “Estamos totalmente de acordo com o conceito e com o esforço de promover a liberdade religiosa para todas as religiões ao redor do mundo”, disse à reportagem o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que se reuniu nesta quarta-feira (11) com Sam Brownback, embaixador dos EUA para Liberdade Religiosa.

Os Estados Unidos realizaram sua segunda reunião sobre o tema em julho, com presença de Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, e do pastor Sérgio Queiroz, secretário nacional de Proteção Global do ministério. Em sua participação, Damares disse estar “particularmente apreensiva com a perseguição contra cristãos”, mas mencionou que o Brasil dará atenção especial às religiões de matriz africana. Participaram do encontro delegações de 106 nações, com representantes de diversas religiões. Países com histórico de perseguição religiosa, como Irã, China e Arábia Saudita, não compareceram, embora outros que também registram altos níveis de restrição, segundo o Pew Research Center, como Israel, Emirados Árabes e Egito, estivessem presentes.

“As pessoas acham que lutar por liberdade religiosa é só luta pelos cristãos, mas isso não é verdade; tratamos de todas as religiões –as de matriz africana são perseguidas na América Latina, muçulmanos na Europa e, no Oriente Médio, o maior alvo são os cristãos”, disse à reportagem o secretário Sérgio Queiroz. “Mas é que, em números totais, a religião mais perseguida do mundo é a cristã.”

Estudo conduzido pelo Pew Research Center e publicado em julho deste ano mostra que os cristãos são o grupo religioso perseguido no maior número de países (143), seguidos por muçulmanos (140) –ambos representam as religiões com o maior número de fiéis. Segundo Queiroz, os EUA são os grandes defensores da liberdade de discutir a fé em contexto político. “Lá, existe uma resistência grande de setores religiosos, que querem levar a religião para a arena pública”, diz. “O Brasil é um país laico, mas isso não significa que a religião deva ser retirada da esfera pública, que a fé não possa fazer parte do debate.”

Folhapress