25 de janeiro de 2017, 11:48

EXCLUSIVA Rosemberg diz que almoço de Nilo nesta quinta será “um sucesso”

Foto: Mateus Pereira/Arquivo

Rosemberg Pinto é líder do PT na Assembleia Legislativa

O deputado estadual Rosemberg Pinto, líder do PT na Assembleia, disse há pouco a este Política Livre que o almoço em que o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PSL), pretende nesta quinta-feira divulgar a chapa com que concorrerá à reeleição, reunindo, no mínimo, 28 parlamentares, será um sucesso. “Marcelo é favorito. Estou acompanhando a movimentação. Vivi isso na eleição passada, sei como a Casa se movimenta, aprendi”, declarou o petista, que foi candidato contra Nilo na sucessão passada na Assembleia. Ele acrescentou que, na bancada de seu partido, apenas dois deputados manifestaram dificuldade de comparecer ao evento. São Neusa Cadore, que se encontra em Santa Catarina acompanhando a mãe enferma, e Joseildo Ramos, que está viajando. A deputada já, inclusive, gravou um vídeo se justificando e pedindo votos para o presidente, o qual será exibido no almoço. Rosemberg disse que, apesar de ser mais amigo de Angelo Coronel (PSD), principal adversário do presidente na disputa, optou por apoiar Nilo porque “é a melhor opção para este momento em que precisamos manter o equilíbrio na Casa”. “Falo de cátedra, porque fui candidato pela renovação contra todos eles, inclusive Coronel e Luiz Augusto (o outro adversário, do PP), que votaram nele (Nilo)”, disse Rosemberg. Em favor da manutenção do presidente, ele lembrou que a imprensa acabou de escolher Nilo como o melhor deputado da Assembleia e que todos os deputados votaram nele na eleição passado, exceto os do PT. “Ele (Nilo) tem demonstrado capacidade de fazer a gestão política e administrativa da Casa há 10 anos. Não sou eu que está dizendo que ele é bom – são os próprios deputados e a imprensa”, declarou, observando que o PT decidiu apoiar o presidente depois de ter decidido que não teria candidato nesta eleição e quando nem PSD nem PP tinham decidido lançar nomes à presidência da Assembleia. “Inclusive, deputados do PSD contactados por nós na época disseram que votariam em Nilo”, acrescentou.

25 de janeiro de 2017, 07:49

EXCLUSIVA Reforma e discurso frustram planos do grupo de Neto de atrair Otto

Foto: Mateus Pereira/GovBA

Otto aplaude em ato em que Rui deu posse a sete novos secretários, inclusive a indicado do seu PSD

A indicação pelo PSD do senador Otto Alencar de mais um secretário na reforma administrativa do governo Rui Costa (PT) e o discurso dele, no dia da posse, na última segunda-feira, reafirmando seu compromisso com a reeleição do governador em 2018, frustou aliados de ACM Neto (DEM) que viam nele uma alternativa para enfrentar o PT na hipótese de o prefeito não se candidatar à sucessão estadual do ano que vem.

Desde a sucessão municipal, interlocutores dos dois lados trocam mensagens políticas, aproveitando-se da origem comum de Otto no carlismo e dos vários laços de amizade entre muitos correligionários em ambos os grupos. Inicialmente, o senador era visto como uma figura que podia ser atraída para o lado do prefeito, indicando inclusive, se fosse do seu interesse, o candidato a vice.

Este Política Livre chegou a relatar que, no grupo de Neto, circulava a idéia de composição de uma chapa que tinha o democrata como cabeça e o filho do senador, Otto Filho, hoje presidente da Desenbahia, como candidato a vice.  A atração de Otto era interpretada como a verdadeira abertura de um buraco “no casco” que faria o barco do governo afundar aos poucos.

No limite, alguns achavam, no entanto, que o senador poderia também receber o apoio do time do prefeito na hipótese de o democrata desistir de se candidatar em 2018. Avaliavam que era melhor ter alguém com o perfil mais liberal do senador no governo do que verem a perpetuação de adversários no comando do Estado. Ao fortalecer a posição de Otto na administração, o governo parece, entretanto, ter eliminado esta possibilidade.

Até um “pequeno” desentendimento envolvendo a indicação da presidência da Conder, um desejo do senador que o governo não atendeu e fez com que ele mandasse um recado ao grupo do governador dizendo que não assumiria tão cedo compromisso com a sua reeleição, foi sanado à custa de muita conversa antes do anúncio da reforma administrativa, levando Otto a fazer juras de amor ao petista no ato de posse.

24 de janeiro de 2017, 20:48

EXCLUSIVA Neto ironiza estratégia do governo de lhe atribuir derrota na UPB

Foto: Divulgação/Arquivo

Prefeito ACM Neto

Aliados do prefeito ACM Neto (DEM) ironizaram hoje a estratégia da articulação política do governo de buscar atribuir-lhe a derrota na hipótese muito provável de o candidato governista à presidência da UPB (União dos Municípios da Bahia), Eures Ribeiro (PSD), prefeito de Bom Jesus da Lapa, ganhar a eleição para o candidato do PDT, Luciano Pinheiro, prefeito de Euclides da Cunha, apoiado pelo democrata. Eles lembram que o conjunto dos partidos de oposição elegeu cerca de 120 prefeitos, portanto, a minoria no colégio eleitoral da UPB. E argumentam que o fato de, como eleitor, o prefeito ter o dever de manifestar preferência por um candidato não significa que possa ser debitada em sua conta o resultado eleitoral. Eles também acreditam que é um erro de estratégia do governo estadual buscar reforçar a posição de Neto como oponente em mais esta disputa. “Até o dia em que ele (Rui) estiver sentado na cadeira de governador, tem obrigação de ganhar todas as eleições – UPB, Assembleia e até para síndico”, ironiza um assessor do prefeito.

24 de janeiro de 2017, 17:00

EXCLUSIVA Posse de novos secretários delineia chapa de Rui para 2018

Foto: Mateus Pereira/GovBA

Salão da Fundação Luis Eduardo Magalhães no dia da posse dos novos secretários

A solenidade de posse dos novos sete secretários do governo estadual, ontem, serviu para delinear também a chapa com que o governador Rui Costa (PT) pode marchar para a reeleição em 2018, a qual, pelo menos pelo que se viu no evento, deve envolver a partilha de seus espaços basicamente entre o PT, o PSD, do senador Otto Alencar, e o PP, do vice-governador e secretário de Planejamento, João Leão, na avaliação de políticos do governo e da oposição.

Um dos indicadores de que, ao menos a dia de hoje, PT, PSD e PP estão como que amalgamados no projeto de reeleição de Rui foi o discurso de Otto firmando seu compromisso de lealdade com o governador e com o projeto petista de reelegê-lo. Na semana passada, quando a reforma administrativa estava no forno, o clima não era exatamente esse. Ante a resistência de Rui em ceder a Conder ao senador, ele teria reagido e lhe mandado um recado.

Era mais ou menos o seguinte: só falaria sobre 2018 em março do ano que vem. Já atuando como coordenador político do governo, Jaques Wagner, à época chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, entrou em campo e pediu uma reunião com o presidente estadual do PSD. Espertamente, fez-se acompanhar do vice-governador. Descontraído e direto, Leão já entrou no encontro de sola, pedindo uma reconsideração a Otto dos seus planos.

O secretário de Planejamento teria feito o senador ver que não fazia o menor sentido ele ter mantido a pasta da Infraestrutura e a Desenbahia, além de ter indicado a secretaria de Desenvolvimento Urbano, uma das mais poderosas do governo, na reforma administrativa, e ficar agastado porque não conseguira também a Conder. Era hora de darem-se as mãos e marchar unidos, inclusive fechando o quanto antes todos os espaços da futura chapa de Rui.

Na mesa, pela primeira vez, colocaram em pratos limpos como seria a composição ideal da aliança: Rui na cabeça, Otto na vice, indicando se quiser o filho, Otto Filho, hoje presidente da Desenbahia, e Wagner e Leão ocupando, cada um, as duas vagas disponíveis ao Senado. Simples assim. Provavelmente por gratidão ao bom resultado da interferência de Leão, Rui se desdobrou em mesuras públicas ao vice-governador na solenidade de posse dos novos auxiliares.

24 de janeiro de 2017, 10:31

EXCLUSIVA Governo quer eleger Eures e imputar derrota de Luciano a ACM Neto

O governador Rui Costa (PT) tergiversa estrategicamente quando afirma que não apóia, mas apenas torce, pela candidatura do prefeito de Bom Jesus da Lapa, Eures Ribeiro (PSD), à presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB) nas eleições que ocorrem amanhã. A articulação política de Rui tem ligado diretamente para os prefeitos pedindo votos para Eures, o que significa que o governo sim, trabalha, para elegê-lo nesta quarta-feira. O candidato governista se beneficiou da entrada em cena do prefeito ACM Neto (DEM) com um dos apoiadores da candidatura de Luciano Pinheiro (PDT), classificado como um nome da oposição. A determinação no governo é impor a derrota ao prefeito de Euclides da Cunha e imputá-la ao prefeito de Salvador, provável adversário de Rui Costa na sucessão estadual de 2018.

24 de janeiro de 2017, 08:05

EXCLUSIVA Abordagem de cabo eleitoral de Nilo irrita deputados governistas

Foto: Divulgação/Arquivo

Alex Lima faz campanha pela reeleição de Marcelo Nilo à presidência da Assembleia

Deputados governistas se declaram assustados com o estilo de abordagem adotado pelo deputado estadual Alex Lima (PTN) para convencer os colegas a comparecerem ao evento em que o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PSL), pretende reunir 30 parlamentares da base nesta quinta-feira afim de demonstrar ao governo que sua candidatura à reeleição é plenamente viável. “Parece o de um  pitbull”, reclama um deles ao Política Livre. “Me senti coagido”, afirma outro. “Dá vontade de não ir”, protesta um terceiro, completando: “O que será que Nilo prometeu a este cidadão?”

23 de janeiro de 2017, 19:08

EXCLUSIVA Demissão de aliada de Solla em Barreiras é abortada por Wagner

Foto: TV WEB Barreiras

Vereadora Graça Mello foi readmitida no Hospital do Oeste por intervenção de Jaques Wagner

A demissão da médica e vereadora Graça Mello, do PTB,  ligada ao deputado federal Jorge Solla (PT), do Hospital do Oeste, anunciada hoje por este Política Livre, foi revertida por intervenção do secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner. A demissão teria sido autorizada pelo secretário de Saúde, Fábio Villas Boas, sucessor de Solla na pasta. Como o deputado se encontra viajando de férias, Graça comunicou o fato a Wagner, que abortou seu afastamento. A reversão teria deixado chupando dedo o grupo do vice-governador e secretário de Planejamento, João Leão, do PP, que se articulava para indicar o sucessor da vereadora no Hospital.

23 de janeiro de 2017, 11:00

EXCLUSIVA O dilema de ACM Neto em relação à Assembleia

Foto: Reprodução/Política Livre

O prefeito ACM Neto é candidato à sucessão estadual de 2018

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa entre dois pesos pesados da política baiana tem produzido um dilema na oposição e, em especial, em seu líder ACM Neto (DEM). O prefeito de Salvador sabe que está diante de um quadro em que, a depender da opção, poderá fortalecer o atual presidente, Marcelo Nilo (PSL), candidato à reeleição, ou o senador Otto Alencar (PSD), mentor da candidatura do deputado estadual Angelo Coronel (PSD).

A oposição considera que o apoio ao atual presidente elevaria em 99% as chances de ele se eleger. E ainda tem dúvidas sobre se o voto fechado em Coronel pode dar efetivamente a vitória ao grupo de Otto, principalmente por causa do sufrágio secreto, o que facilita imensamente as chances de traição. Mas os questionamentos não passam exclusivamente pela questão numérica que garantirá a vitória a um ou a outro grupo, sendo apenas a parte mais visível deles.

Na verdade, se trata de decidir empoderar Otto ou Nilo no quadro político atual, a um ano da sucessão estadual. A oposição acha difícil, por exemplo, que, mesmo dando a vitória a Coronel, possa atrair Otto para seu projeto em 2018, quando Neto sairá candidato ao governo contra Rui Costa (PT). Isso porque o senador do PSD não costuma trair e, além disso, tem sido contemplado com grande espaço no governo estadual, como a mais recente reforma administrativa mostrou.

Além disso, a situação atual é favorável a que o senador indique o vice na chapa com que Rui disputará a reeleição, na qual já tem cadeira cativa como candidato ao Senado o novo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), e é avaliada com carinho, para a outra vaga à senatória, a candidatura do atual vice-governador, João Leão (PP). É para ficar em condições de igualdade com Otto e Leão e poder disputar vaga na chapa que Nilo quer a reeleição.

É claro que, sem a presidência na mão, não conseguirá pleitear vaga na chapa de Rui. O quadro mudaria caso se mantenha no poder, o que significa que Neto e a oposição podem não ver vantagem em ajudá-lo a se reeleger. Mas e se Nilo em 2018 vier a ser novamente excluído da chapa do governador, como aconteceu em 2014, quando foi preterido em favor de João Leão e quase rompeu com o grupo do governo? Não surgiria aí espaço para Neto afastá-lo definitivamente de Rui?

De fato, levando em conta que foi convidado uma vez e não topou, naquela época, a integrar a chapa liderada pelo DEM, nada impede que Nilo receba o convite de novo em 2018 e, desta vez aceite. Reside aí o dilema de Neto. É o que dizem na oposição.

23 de janeiro de 2017, 08:23

EXCLUSIVA O prazo dado à candidatura de Nilo, por Raul Monteiro

Foto: Reprodução/Ag. A Tarde

Depois de ter finalizado a reforma administrativa, que muitos acreditam não ter ficado pronta e acabada, há sinais de que o governo deve se voltar agora para a sucessão na presidência da Assembleia Legislativa, onde parecia não querer meter a mão em cumbuca. As sinalizações começaram há duas semanas, quando também se desenrolavam as tratativas para a montagem final da reforma. Primeiro, houve sugestão para que os três concorrentes à presidência da Casa, incluindo aí o presidente e candidato à reeleição, Marcelo Nilo, do PSL, se submetessem a uma prévia para definir um nome entre os três.

Por razões óbvias, Angelo Coronel, nome do PSD, e Luiz Augusto, candidato do PP, pularam fora da proposta, por avaliarem que, de largada, com os apoios que já conseguiu arregimentar, Nilo sairia vencedor da consulta. Uma nova tentativa em torno de um acordo que não produza sequelas na base foi proposto na semana passada, quando o governo convidou os deputados para uma reunião no Palácio de Ondina. O encontro se desenrolaria às 16 da última quinta-feira, com os preparativos para a reforma ainda no forno, mas também por falta de adesão do PP e PSD à sugestão acabou sendo igualmente abortado.

A iniciativa mais recente também não deixa dúvidas de que o movimento na Casa Legislativa é mantido sob o foco do governo. Preocupado em não ser metido numa enrascada na disputa que se torna cada vez mais acirrada na Assembleia, na qual já se envolveram até o pescoço nomes como o senador Otto Alencar, do PSD, o vice-governador João Leão, do PP, defendendo o interesse dos candidatos de seus partidos, e o próprio presidente da Assembleia e a senadora Lídice da Mata (PSB), uma de suas aliadas neste processo, o governo decidiu sugerir que Marcelo Nilo apresente suas credenciais para a disputa no próximo dia 26.

A idéia é que o presidente reúna publicamente, com o compromisso de voto nele no dia 2 de fevereiro, 30 dos 42 deputados da base governista. É o número total de deputados governistas sem os membros do PSD e PP, que, apesar de integrarem a base do governo, estão fechados com seus respectivos candidatos. Com os dois votos, dos 21 da oposição, que já estão comprometidos com ele, Nilo completaria o score de 32 votos, necessários para que vença a disputa contra os dois colegas da base. O desafio do presidente parece pequeno, mas não é.

Só muito poder de convencimento para tirar a grande maioria dos deputados da base de suas férias, muitas vezes com a família, neste período de recesso, para assegurar sua presença em Salvador no dia 26. Ainda mais tendo adversários tão articulados como Coronel-Otto e Luiz Augusto-Leão. E no caso de o presidente da Assembleia não conseguir reunir no mesmo espaço no dia 26 o número considerado mínimo para demonstrar a viabilidade de sua candidatura? O governo estaria disposto a pagar o preço de expor a fragilidade de um aliado tão importante, bancando alguma nova alternativa? Só esperando até esta quinta-feira.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

22 de janeiro de 2017, 11:33

EXCLUSIVA Reforma de Rui pode não ter sido concluída

Foto: Gov/Ba

Receptividade em Formosa do Rio Preto mostra que Rui continua muito bem na fita com a população

A pouca abrangência da reforma administrativa do governo estadual, insuficiente na avaliação de políticos governistas para alcançar seu principal objetivo de prepará-lo para garantir sua continuidade na sucessão estadual de 2018, sugere que ela não tenha satisfeito plenamente o governador Rui Costa (PT), principal implicado nas mudanças tanto do ponto de vista administrativo quanto político. A consequência mais provável é que resulte em novos ajustes mais à frente.

Pelas tratativas que implementou com partidos da base quando preparava as mudanças, Rui foi forçado a recuar em alguns pontos que considerava importantes, premido pelas circunstâncias e a pressão de seu próprio partido e de algumas de suas lideranças. A manutenção do secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, apesar da relação de confiança de que desfrutam, é um dos exemplos das dificuldades que o governador teve para executar o plano que traçou inicialmente.

Sua idéia era substituir Gomes para evitar desgastes com deputados estaduais e federais, que rejeitam a atuação do articulador político do governo. Mas uma operação montada pelo novo secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, para garantir o acesso do suplente Robinson Almeida ao cargo de deputado federal acabou favorecendo a manutenção de Gomes. Quando Rui negociou a indicação de um segunda secretaria com o PSD, por exemplo, a mudança na articulação política parecia certa.

O governo estadual buscava compensar o partido do senador Otto Alencar pelo voto coeso dos seus deputados federais contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no ano passado. Sugerindo que o articulador político sairia do governo retomando seu mandato na Câmara dos Deputados, o governador concordou em ceder ao PSD a secretaria de Desenvolvimento Urbano, mas estabeleceu como condição que o nome emergisse da bancada federal.

O propósito era preservar o mandato do deputado federal Davidson Magalhães, do PCdoB, um suplente que seria obrigado a deixar a Câmara com o retorno previsto de Gomes. O apelo de Rui obrigou o PSD a fazer-lhe uma concessão: abrir mão de indicar José Rebouças, ex-presidente da Codeba ligadíssimo a Otto, para negociar a nomeação de um membro da bancada. O escolhido foi Fernando Torres, que não se adaptou à convivência em Brasília e tem planos de se eleger deputado estadual em 2018.

Foi assim que Rebouças transformou-se de secretariável em futuro chefe de Gabinete da nova secretaria a ser ocupada pelo PSD. Davidson foi favorecido pela excelente relação que estabeleceu com Otto na época em que o senador era secretário de Infraestrutura e ele dirigia a Bahiagás, órgão subordinado à pasta, no governo Jaques Wagner. A convivência daquela época teria sido o embrião de um relacionamento profícuo existente hoje entre PSD e PCdoB, expresso na sucessão municipal passada em Salvador.

Foi o apoio do partido do senador ao nome da deputada federal Alice Portugal que acabou viabilizando a candidatura da comunista à Prefeitura, mesmo contra a vontade do governador, que nunca escondeu preferir o nome de sua colega Olívia Santana, escolhida agora para secretária do Trabalho em lugar de Álvaro Gomes. Ao perceber que a saída de Torres, aliada à manutenção de Davidson na Câmara, transformava Robinson Almeida em primeiro suplente, Wagner decidiu operar pesado em favor do seu ex-secretário de Comunicação.

Apesar da conhecida antipatia que nutre por Gomes, o ex-governador passou a atuar abertamente junto a Rui e a outros partidos por sua manutenção na articulação política, única forma de permitir a ascensão de Robinson à condição de deputado federal. Garantia, em contrapartida, que Gomes ficaria esvaziado enquanto ele se responsabilizaria cada vez mais pela articulação política do governo. Neste ponto, o governador acabou sendo atropelado na determinação íntima de não mover uma palha para favorecer o pupilo de Wagner.

Apontado no PT como um quadro bastante ambicioso desde que deixou-se cooptar pelo ex-governador afastando-se de seu então líder Walter Pinheiro, Robinson vinha sendo mantido na geladeira pelo governo até agora. Sua figura antipatizada por 10 entre 10 colegas petistas é em tudo diferente da de Rui, cuja simplicidade é exaltada no partido e por sua própria comunicação. Os perfis opostos de ambos teriam ficado ainda mais evidentes por ocasião da definição do candidato ao governo internamente no PT, em 2014.

Na época, aproveitando-se da condição de secretário de Wagner, Robinson resolveu confrontar abertamente a candidatura do correligionário, trabalhando pelo nome de Walter Pinheiro, com quem romperia depois – curiosamente, Pinheiro foi abrigado por Rui na secretaria de Educação desde o ano passado. Outro que acabou ficando na administração por conta da pressão da militância e dos movimentos sociais foi o secretário de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues, que estava balançando até ontem.

A resistência de Rui a Robinson e a necessidade de rever os planos que traçara para a articulação política sem Gomes teriam influído na demora com que a reforma foi anunciada na última sexta-feira à noite, a qual foi divulgada sem o nome do novo titular do Meio Ambiente e com uma equivocada indicação para a Conder que teve que ser revista no dia seguinte. Ontem à noite, os cargos foram finalmente preenchidos.

22 de janeiro de 2017, 09:01

EXCLUSIVA Nilo favorece Rui ao empurrar com barriga pressão do PSL por secretaria

Foto: Arquivo

Deputado Marcelo Nilo diminuiu o stress sobre governo com tática de empurrar com a barriga

Pressionado pela bancada de oito deputados de seu partido para abrir mais espaço para a legenda na reforma administrativa do governo Rui Costa (PT), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, adotou a tática de empurrar com a barriga, deixando o governador livre. A amigos, Nilo diz que só trata de qualquer assunto relativo à participação do PSL na administração depois de 2 de fevereiro, data da eleição para a presidência da Assembleia, que disputa com os colegas Angelo Coronel, do PSD, e Luiz Augusto, do PP. O PSL quer mais espaço no governo alegando que tem mais deputados do que o PSD de Otto Alencar, que conta com sete parlamentares.

21 de janeiro de 2017, 13:57

EXCLUSIVA Responsável por indicação de Abal, Cícero leva esporro de Rui Costa

Foto: Divulgação/Arquivo

Cícero Monteiro não levou em conta a feroz militância anti-petista do auxiliar que indicou para Rui Costa

Chefe de Gabinete do governador e um dos homens de sua confiança e do ex-governador Jaques Wagner, novo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Cícero Monteiro foi o responsável pela confusão decorrente da nomeação ontem à noite de Abal Magalhães para a Conder, desfeita hoje pela manhã por Rui Costa (PT) depois de tomar conhecimento de que se tratava de um verdadeiro militante anti-petista. Nas primeiras horas da manhã, ao tomar conhecimento de que nomeara um adversário declarado para um dos órgãos de segundo escalão mais importantes do governo estadual, Costa passou pessoalmente a mão no telefone e deu um tremendo pito em Monteiro. Depois, bateu o telefone, prevendo a grande confusão em que o excesso de confiança no auxiliar estava para lhe causar. O estrago só não foi maior porque, buscando não perder tempo, em seguida Rui ligou para o seu secretário de Comunicação, André Curvello, um técnico da sua mais plena confiança, e o orientou a divulgar assim que acordasse que a nomeação de Magalhães estava cancelada. O perfil excessivamente técnico de Monteiro pode ter levado o chefe de Gabinete de Rui a considerar que a indicação de um ostensivo militante anti-petista para a Conder não causaria a trapalhada que provocou. Ele já teria agido assim antes, sem enfrentar nenhum grande transtorno, ao ter mantido no órgão seu atual dirigente, José Lúcio, que pediu para deixar o cargo agora. José Lúcio é ligado ao ex-governador e ex-senador César Borges, outro adversário dos petistas na Bahia, o que chegou provocar reações contidas entre os petistas na época. A confusão obrigou Rui a anunciar que nomearia ainda hoje o substituto de José Lúcio e o novo secretário de Meio Ambiente, medida que guardava apenas para esta segunda-feira.

21 de janeiro de 2017, 10:51

EXCLUSIVA Rui deve anunciar Conder e Meio Ambiente hoje; Jerônimo pode cair

Foto: Divulgação

Jerônimo Rodrigues

Em decorrência da confusão que envolveu a nomeação de Abal Magalhães para a presidência da Conder, suspensa hoje pelo governador Rui Costa (PT) depois de constatar que se tratava de um adversário anti-petista, o governo deve acelerar o anúncio do nome do novo titular do órgão e do secretário de Meio Ambiente, iniciativa que o petista tinha programado apenas para a próxima segunda-feira. Este Política Livre apurou que também a situação do secretário Jerônimo Rodrigues, mantido na pasta de Desenvolvimento Rural por causa da forte pressão da militância petista e de movimentos sociais e rurais, é incerta, o que significa que ele ainda pode ser substituído.

21 de janeiro de 2017, 08:21

EXCLUSIVA Martins sucumbe e Robinson ascende com reforma soft de Rui

Foto: Divulgação

Robinson Almeida e Carlos Martins

Com poucas e insignificantes mudanças, pelo menos para quem esperava que os ajustes já modelassem sua estratégia para o projeto de reeleição em 2018, a reforma administrativa anunciada ontem à noite pelo governador Rui Costa (PT) foi extremamente útil a um petista e prejudicial a outro.

Coordenador da campanha de Rui, Carlos Martins acabou perdendo o posto de secretário de Desenvolvimento Urbano para o deputado federal do PSD Fernando Torres – uma indicação atribuída ao senador Otto Alencar – e ficando, ao menos por enquanto, desempregado.

Já o ex-secretário de Comunicação de Jaques Wagner, Robinson Almeida, um suplente de deputado federal que ficou na geladeira da administração Rui Costa desde o princípio, conseguirá finalmente ascender à condição de parlamentar com a nomeação de Torres para secretário.

Robinson deve sua ascensão mais uma vez a Wagner, que será nomeado secretário de Desenvolvimento Econômico, depois de ter voltado à administração estadual no ano passado, na condição de chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, dentro de uma sábia estratégia para obter foro privilegiado.

Ao confirmar que Torres seria indicado pelo PSD para secretário e que sua nomeação seguraria o mandato de deputado federal do também suplente Davidson Magalhães, do PCdoB, o ex-governador baiano passou a articular intensamente pela subida de Robinson para a Câmara dos Deputados.

Para isso, foi obrigado a trabalhar, mesmo contra a vontade, pela manutenção no governo do secretário Josias Gomes, titular da pasta de Relações Institucionais, que Rui Costa pretendia substituir por outro colaborador em decorrência da grande rejeição existente contra ele por parte de sua base parlamentar.

Caso Josias deixasse o governo, voltaria para a Câmara dos Deputados, inviabilizando o sonho de Robinson de virar deputado. Quanto a Martins, teve seu prestígio profundamente abalado em todo o episódio, sendo obrigado a se contentar com a promessa de que ainda será aproveitado em algum lugar no governo.

20 de janeiro de 2017, 09:15

EXCLUSIVA Wagner deve ser nomeado secretário de Rui

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jaques Wagner

O ex-governador do Estado, Jaques Wagner (PT), atual chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Bahia, deve ser nomeado secretário de Estado pelo governador Rui Costa (PT). No governo, os palpites são que ele deve assumir a pasta de da Indústria e Comércio. Os rumores de que Wagner deveria se tornar secretário de Rui surgiram desde que ele deixou o ministério com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na época, seus adversários diziam que a posição de secretário era essencial para que o ex-governador ficasse protegido das investigações da Lava Jato por meio do foro privilegiado. A conferir!