24 de setembro de 2018, 10:42

EXCLUSIVA Vídeo de Ronaldo é usado por bolsonaristas como prova de que Alckmin foi “pro saco”

Foto: Reprodução

José Ronaldo

Pode até ser que o candidato do DEM ao governo, José Ronaldo, consiga alguns votinhos com a circulação do vídeo em que ele aparece fazendo uma enquete na qual os participantes de um comício manifestam preferência absoluta pela candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, mas o que ele de fato ganhou foi moral com a equipe do presidenciável do PSL. A iniciativa de Ronaldo, que começa a “pesquisa” perguntando quem no local vai votar em Ciro Gomes (PDT) e depois no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, constatando poucas demonstrações de interesse nos dois nomes, para então questionar sobre a preferência por Bolsonaro, momento em que há uma explosão de apoio ao candidato, está sendo impulsionada nas redes sociais na Bahia por apoiadores do capitão reformado. Eles alegam que é mais uma prova de que até o candidato a governador apoiado pelo prefeito ACM Neto (DEM), coordenador da campanha de Alckmin, está enamorado com o presidenciável do PSL e que a candidatura do tucano “foi pro saco”. “Eu tou fazendo pesquisa, certo? Eu acho que esta pesquisa é a que vale”, diz Ronaldo no vídeo, encerrando o comício, depois da gritaria em torno de Bolsonaro.

24 de setembro de 2018, 09:06

EXCLUSIVA A mobilização contra o extremismo, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Caetano Veloso está entre signatários do manifesto

Apelos cada vez mais frequentes em defesa de uma saída eleitoral que supere os dois pólos hoje em disputa pelo comando político e administrativo do país parecem estar surtindo efeito. Ontem, um grupo que inclui artistas, advogados, ativistas e empresários anunciou que articula um manifesto contra a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. O melhor é que o documento, intitulado “Pela democracia, pelo Brasil”, não indica, no entanto, apoio ao candidato do PT nem de qualquer um dos adversários do capitão reformado, mas afirma ser necessário um movimento contra o projeto que considera antidemocrático do candidato do PSL.

“É preciso dizer que, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”, diz trecho do texto, onde os articulistas lembram que o país já teve figuras como Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello na Presidência, os quais chama de “pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política que acabaram, no entanto, levando o país ao desastre”.

“Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários”, diz outro trecho do manifesto, que, segundo o Estadão, conta já com cerca de 150 apoiadores, entre os quais Maria Alice Setúbal, educadora e acionista do Itaú Unibanco; o economista Bernard Appy; o empresário Guilherme Leal, sócio da Natura; Caetano Veloso e Paula Lavigne; o advogado e professor da FGV Oscar Vilhena e o médico Drauzio Varella.

A idéia dos signatários era o que manifesto fosse lançado ainda ontem, com uma relação inicial de apoiadores e ficasse hospedado num site próprio do movimento. A lista ficará aberta para quem quiser subscrevê-la. O documento foi fechado na quinta-feira pelas mãos de um grupo de amigos, entre eles o advogado José Marcelo Zacchi, e passou a ser distribuído em grupos de Whatsapp desde a sexta-feira, ganhando adesões ao longo do fim de semana. Segundo o advogado disse ao Estadão, o objetivo é reunir vozes que representem diversos segmentos da sociedade e possam mobilizar esses setores.

“É sobre repudiar um projeto que nos parece contrário aos princípios democráticos”, afirma Zacchi, observando que o movimento “é um chamado para quem vota em quem quer que seja, mas está dentro do campo democrático”. Para quem achava que a sociedade estava impassível com relação às alternativas que estão se apresentando para a sucessão presidencial, situadas em pólos que tendem a se radicalizar à medida que a data da eleição se aproxime, mas sobretudo se a contenda tiver que ser resolvida no segundo turno, envolvendo candidaturas como a de Bolsonaro e a de Fernando Haddad, (PT), a iniciativa é surpreendente um alento.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na Tribuna.

Raul Monteiro*

24 de setembro de 2018, 07:00

EXCLUSIVA Coligação liderada pelo DEM pode fazer menos deputados do que o esperado

Foto: Divulgação/Arquivo

Um dos motivos para a revisão da projeção seria a estagnação do candidato José Ronaldo nas pesquisas

A previsão inicial de que a coligação liderada pelo DEM poderia fazer até oito deputados federais nestas eleições vai aos poucos cedendo à avaliação de que o desempenho das agremiações pode ser inferior, principalmente devido à estagnação do candidato do partido a governador, José Ronaldo. Os prognósticos mais otimistas falam agora em cinco parlamentares a serem eleitos em outubro. Quem se beneficia diretamente da queda na expectativa com relação à performance da oposição são os deputados do governo, que vêm a situação como uma chance de elevar sua participação nas duas Casas – na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado.

21 de setembro de 2018, 10:52

EXCLUSIVA Estagnação de Alckmin leva aliados de Neto a pensarem em migrar para Ciro

Foto: Reprodução/Arquivo

Prefeito ACM Neto tem batalhado por Geraldo Alckmin desde o princípio

A despeito do esforço do prefeito ACM Neto (DEM) em manter seu grupo unido na Bahia pela eleição de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência, em favor de quem promove um comício hoje à tarde, no Centro Histórico, muitos de seus correligionários admitem que esperarão para avaliar o comportamento do eleitorado em relação a ele até a semana da eleição, quando poderão marchar unidos com a candidatura de Ciro Gomes, principalmente se o presidenciável pedetista se mostrar capaz de polarizar com o concorrente do PSL, Jair Bolsonaro.

A idéia foi reforçada depois da última pesquisa Datafolha, divulgada ontem, em que o ex-ministro e ex-governador do Ceará mostrou, segundo os números, também capacidade de derrotar o capitão reformado no segundo turno. Alguns dos correligionários do prefeito acreditam que, embora todos os prognósticos sejam no sentido de que Haddad ainda pode crescer mais, impulsionado pela associação de seu nome ao de Lula, nada impede que Ciro, ajudado pelo voto útil, o ultrapasse, transformando-se no principal oponente de Bolsonaro no dia 7 de outubro.

Eles dizem que o próprio prefeito já sinalizou avaliar que um embate entre o candidato do PSL e o PT seria o pior dos mundos para o país e para políticos como ele. “O prefeito está de fato comprometido até os fios do cabelo com Geraldo Alckmin, mas isso não impede que a gente aqui na planície pense num plano B para o tucano e ele responde pelo nome de Ciro”, afirma um deputado do grupo de Neto, lembrando que, no passado, o prefeito chegou a avaliar o apoio ao candidato do PDT, mas ponderou que Alckmin era o melhor para o país.

“Me lembro que numa reunião o prefeito chegou a dizer que preferia Alckmin porque tem filhos e pensa no futuro deles”, acrescenta um outro parlamentar da base do prefeito que, em campanha pelo interior, no entanto, tem evitado pedir votos para candidatos à Presidência. “Normalmente, o que tem acontecido é que as lideranças manifestam o interesse de votar nos presidenciáveis e a gente apóia sem questionar, sob pena de perder voto”, acrescenta. Alckmin, no entanto, segundo ele, continua sendo o plano A do grupo.

Segundo ele, a expectativa de todos, principalmente do prefeito, é que o tucano demonstre capacidade de sair da posição em que está, de quarto colocado nas pesquisas, e ultrapasse Haddad, o que tem se mostrado, entretanto, cada vez mais difícil. “Tem sido admirável o esforço de Neto para ajudar Alckmin, mas acredito que em algum momento o prefeito não poderá mais controlar sua base, cuja indicação tem sido a de que é melhor votar em Ciro e ajudá-lo a ir ao segundo turno do que ver a disputa se resolver entre Bolsonaro e o PT”, analisa.

20 de setembro de 2018, 09:17

EXCLUSIVA Gualberto promete voto em Jutahy e em segundo candidato a senador com 0%

Foto: Divulgação/Arquivo

Deputado federal João Gualberto, presidente do PSDB da Bahia

Ontem, num grande comício em Mata de São João, com a presença do prefeito ACM Neto e do seu vice, Bruno Reis, o presidente do PSDB, João Gualberto, ex-prefeito do município, de forma pública, externou que votará no tucano Geraldo Alckmin para presidente da República, e nos candidatos ao governo José Ronaldo (DEM) e ao Senado Jutahy Magalhães Jr. (PSDB), mas antecipou que o escolhido para seu segundo voto para senador foi indicado pelo presidente da Câmara de Vereadores local, mesmo sabendo que o postulante aparece com zero por cento nas pequisas. Gualberto está no time dos que não perdoam o candidato Irmão Lázado e seu partido, o PSC, por causa da traição que impediu a formação de um chapão para disputar as vagas na Câmara dos Deputados, dificultando a eleição de vários parlamentares do grupo.

20 de setembro de 2018, 07:21

EXCLUSIVA Neto se esforça em trabalho por Alckmin, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

ACM Neto recebe Alckmin em Salvador nesta sexta-feira para uma atividade de campanha

ACM Neto tem trabalhado com um touro pela campanha de Geraldo Alckmin à sucessão presidencial. Em parte por convicção de que ele é o melhor nome para assumir a Presidência da República, mas também por absoluta certeza de que seria a melhor alternativa com quem se relacionar a partir da Prefeitura de Salvador, na qual terá ainda dois anos de um até agora bem sucedido segundo mandato a cumprir quando o novo presidente tomar posse. O comício de Alckmin programado para esta sexta-feira, no Centro Histórico, faz parte do grande esforço do prefeito de Salvador para ajudar o candidato, que está estagnado nas pesquisas.

Quando o segundo Ibope presidencial saiu e mostrou que a perspectiva de Alckmin decolar estava se revelando cada vez mais difícil, abalando a confiança do pragmático e interesseiro Centrão nas chances eleitorais do tucano, ACM Neto deslocou-se para São Paulo a fim de reforçar o trabalho de convencimento do candidato sobre os líderes do grupo de que nem tudo estava perdido. Pelo visto, os dois ganharam algum tempo, pelo menos até a divulgação da próxima sondagem, período em que Alckmin vai reposicionar sua estratégia, o que inclui alvejar pessoalmente tanto Jair Bolsonaro (PSL) quanto a Fernando Haddad (PT) no horário eleitoral.

Assim como o presidenciável, Neto considera uma temeridade para o país o confronto entre dois projetos que expressam em essência, embora em pólos opostos, um nível de radicalismo em tudo prejudicial à política e à Nação, mas não só isso: visões de política econômica que dificilmente poderão ajudar a reerguer economicamente o país, embora não pareça ao PT e ao nanico PSL e seus respectivos apoiadores, pela maneira com que ambos se portaram até aqui, missão premente de quem assumir o comando do Palácio do Planalto a partir de 2019. As declarações que o prefeito deu ontem durante uma entrega da Prefeitura não escondem sua preocupação.

“Não podemos decidir o futuro do país entre uma facada e uma prisão, precisamos pensar com muita racionalidade. A decisão tomada no dia 7 (de outubro, data da eleição) vai impactar os próximos quatro anos do país. Eu tenho muito receio de ver um segundo turno marcado pelo extremismo. De um lado, a extrema direita, do outro a extrema esquerda. A gente já viu no Brasil em um tempo recente, quando se pretendeu eleger um poste à Presidência, no que deu. Não dá, nesse momento, para a gente aceitar um poste que foi testado e reprovado. Seria a volta à escuridão com o PT”, disse Neto, referindo-se, nada elogiosamente, a Haddad.

Mas sobre Bolsonaro, sua avaliação, do ponto de vista qualitativo, também não é distinta. “(Não dá para aceitar) Muito menos um cara que com 30 anos de parlamentar nada construiu de sólido que a gente possa apontar e que, na minha opinião, não tem experiência, não tem equipe, não tem como governar”, declarou. Em suma, Neto não tem dúvida de que o dilema que uma disputa entre os dois representa é praticamente insolúvel, ameaçando jogar o país ainda mais fundo no precipício em que ele foi deixado pelos governos do PT e de Michel Temer (MDB). Seu objetivo é trabalhar pela saída que considera mais razoável enquanto tiver força.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna.

Raul Monteiro*

18 de setembro de 2018, 21:02

EXCLUSIVA Ibope golpeia duramente campanha de José Ronaldo a 20 dias das eleições

Foto: Divulgação/Arquivo

José Ronaldo

A estagnação da candidatura de José Ronaldo demonstrada pelo Ibope divulgado pela TV Bahia esta noite, se for verdadeira, é um soco na boca do estômago de sua campanha, a qual começou cometendo o erro crasso de desconsiderar sua condição de indicado biônico do prefeito ACM Neto (DEM), nome preferido pelo eleitorado e, por isso, pela classe política, para fazer o confronto ao projeto de reeleição do governador Rui Costa (PT).

Obviamente que José Ronaldo tem qualidades como político e gestor. Mas, da mesma forma que não conseguiu apresentar um bom argumento para justificar sua escolha como candidato-substituto, sua comunicação não logrou até agora demonstrar seu verdadeiro valor, como prova o curioso aumento de sua rejeição, segundo a mesma pesquisa. Ou seja, expô-lo de tal forma parece estar sendo pior do que escondê-lo.

Some-se a isso inúmeros erros estratégicos desde o princípio que o impediram, até aqui, de firmar-se como um forte opositor, entre os quais ressalta a formação de sua chapa. Na prática, o que a sondagem de hoje revela é uma rejeição ao projeto do candidato como um todo, enquanto o do governador se robustece, com a confirmação da aprovação popular ao seu trabalho e, consequentemente, do seu direito de continuar governando os baianos.

Num quadro como o atual, fica difícil que haja alguma saída para a candidatura de José Ronaldo. E se não há algo de errado com ele, com certeza não se pode dizer o mesmo de sua propaganda. O impacto sobre o insucesso de sua campanha se fará sentir negativamente sobre todos os demais candidatos de sua coligação, para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, passando pelo Senado.

Tampouco aliados esperarão a divulgação de um próximo levantamento para decidir se permanecem com o democrata ou o abandonam de vez, repetindo o conhecido efeito manada que precede as grandes derrotas. Resta agora ao grupo de ACM Neto lançar mão de uma estratégia de contenção de danos. Tanto quanto possível, é fundamental impedir a contaminação do prefeito e de seus projetos futuros.

Buscar fortalecer a candidatura em Salvador para evitar uma derrota acachapante para Rui Costa na capital baiana, com a mensagem que passará a transmitir, é medida que já começou a ser adotada. Sob tamanho quadro de desalento, se terá efeito, é outra história.

17 de setembro de 2018, 20:28

EXCLUSIVA Curiosidade maior sobre Ibope de amanhã é com relação à disputa ao Senado

Foto: Montagem Política Livre

Com uma vaga praticamente garantida para Wagner, Coronel, Jutahy e Lázaro travam luta por espaço no Senado

Não é pequena a expectativa em relação à pesquisa Ibope sobre a sucessão estadual na Bahia que deve ser divulgada amanhã. A maior curiosidade, no entanto, não é sobre a disputa ao governo, mas a respeito da corrida ao Senado, que envolve os nomes dos candidatos Angelo Coronel (PSD), Jutahy Magalhães Jr. (PSDB) e Irmão Lázaro (PSC), todos em luta para garantir a segunda vaga na Câmara Alta, já que a primeira parece reservada, pelos últimos levantamentos, ao ex-governador Jaques Wagner (PT).

17 de setembro de 2018, 10:22

EXCLUSIVA Em vídeo, Magno Malta diz que Zé Ronaldo é candidato a governador de Bolsonaro

Foto: Divulgação

Senador Magno Malta (PSL-ES)

Em vídeo distribuído pelo WhatsApp, o senador Magno Malta (PSL-ES) está defendendo o voto em José Ronaldo como candidato do presidenciável Jair Bolsonaro (PSC) ao governo da Bahia. “Eu estou aqui com uma missão muito especial. Qualquer lugar desse país que tenha um homem, numa eleição majoritária, disposto a enfrentar aqueles que destruíram e assaltaram o país – alguns tão presos, outros estão soltos, precisando ir presos, porque roubaram o Brasil, assaltaram a Petrobras, destruíram a escola, na tentativa de erotizar nossos filhos – qualquer um que esteja disposto a enfrentar o PT, estes pústulas que roubaram a Nação, este cidadão é o candidato de Bolsonaro e é o candidato de Magno Malta. Por isso aí na Bahia o nosso candidato é José Ronaldo. José Ronaldo é o candidato de Magno Malta, é o candidato de Bolsonaro, para enfrentar na minha região de Macarani, Itapetinga – lembra onde tinha a Azaléia? sumiu tudo, destruiu os empregos, na verdade o foco era roubar a Petrobras – por isso estou aqui para pedir o voto para José Ronaldo”, disse Malta, observando que “se nós fecharmos, nos unirmos, ele tem condição de ir para o segundo turno”. O senador também faz um apelo a cristãos e evangélicos que se preocupam com os valores da família para que votem no democrata. “Voces que são cristãos, que vão à Igreja, que tem uma Bíblia debaixo do braço, que é evangélico, que ama a família, não pode dar voto para quem é de um partido que erotiza criança, que é de um partido que luta para legalizar a maconha, aborto, ideologia de gênero. Vote contra isso. Votar contra ele é votar contra isso, em defesa dos nossos filhos”, acrescentou. Ao final do vídeo, Malta pede votos para os candidatos ao Senado Irmão Lázaro (PSC) e Jutahy Magalhães Jr. (PSDB), que estão na chapa de José Ronaldo. “Ele (Lázaro) está sendo atacado de todo o jeito, mas é normal. Onde já se viu um cantor de musica goslpel, eles gostam é de atacar a nossa fé. Um negro ir para o Senado? É demais. É o nosso candidato a senador e na chapa tem Jutahy. Têm o apoio de Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

17 de setembro de 2018, 06:59

EXCLUSIVA Uma eleição entre tese e antítese?, por Raul Monteiro*

Foto: Reprodução

Eleição caminha para polarização entre Haddad e Bolsonaro

Em artigo publicado na semana passada na Folha, o professor norte-americano Steven Levitsky, autor de “Como as democracias morrem”, praticamente conclamou as lideranças brasileiras, da esquerda à direita, a colocaram divergências políticas e ideológicas de lado, pensarem conjuntamente no país e se aliarem contra a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), considerado por ele, entre todos os postulantes presidenciais, inclusive o destemperado Ciro Gomes, do PDT, a maior ameaça à democracia brasileira destas eleições.

Até agora, Levitsky, um estrangeiro, parece ter sido a voz mais altissonante a tocar no risco para a democracia do país de uma eventual eleição de Bolsonaro. Com efeito, o que é de impressionar, as frases bizarras do presidenciável com relação a homossexuais, negros e mulheres, absolutamente deploráveis, parecem mobilizar mais alguns segmentos do eleitorado contra ele do que seu abissal conceito de política, expresso, entre inúmeras atitudes ao longo de sua trajetória, pela exaltação de um torturador do regime militar, no momento em que votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT).

É como se as expressões mais grotescas do bolsonarismo fossem distintas do pulsar totalitário do candidato e do seu ideário, corroborado pelo seu entorno, onde circulam, sem esconder todo o seu reacionarismo, desde personagens que apóiam abertamente uma intervenção militar a outras que, invocando o espiritismo, dizem ver pairando sobre o Brasil uma caudalosa nuvem negra provocada pela grande quantidade de abortos que se fazem no país. Pois é exatamente este o time de primeira hora do candidato, aquele que, naturalmente, dará as cartas num eventual governo seu, pelo menos no primeiro momento.

Para ampliar ainda mais o risco para o país de uma candidatura como a de Bolsonaro, é possível dividir seu eleitorado entre dois segmentos claramente distinguíveis. Aqueles que efetivamente se identificam com seu perfil autoritário e dão muito pouca bola para a democracia, onde podem-se facilmente colocar os herdeiros do velho espírito nacional totalitário, e os que vêem nele a única alternativa possível ao petismo, representado pela candidatura em franco crescimento do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que tem se apresentado como o novo Lula.

E é este time que Bolsonaro busca reforçar ao seu lado quando grava, como fez neste final de semana, ainda que bastante debilitado, um vídeo, da cama do hospital, chamando a atenção para o risco da eleição de um petista para o país e ainda colocando dúvidas sobre o eventual resultado eleitoral, em atitude típica de quem já busca deslegitimar o que ainda nem aconteceu. Uma pena que o PT, com seu constante desrespeito às instituições, tenha produzido tamanho dilema para o povo brasileiro, o de optar entre a tese e a sua antítese, sem ter tido tempo de construir uma síntese efetivamente positiva para o país.

* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às segundas e quintas-feiras.

Raul Monteiro*

15 de setembro de 2018, 08:11

EXCLUSIVA Haddad ainda não assimilou código petista de falar só para desinformados e fiéis

Foto: Reprodução

Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, ontem, na bancada do Jornal Nacional

A entrevista de ontem de Willian Bonner e Renata Vasconcelos, no Jornal Nacional, com Fernando Haddad confirmou que só os cínicos não demonstram embaraço com perguntas constrangedoras. E o candidato do PT à Presidência da República não pode, definitivamente, ser colocado neste rol, em que o líder absoluto, pelo menos no mesmo programa, foi até agora Jair Bolsonaro (PSL), o presidenciável convalescente.

Haddad saiu-se mal no confronto. Sobretudo quando tentou colocar para debaixo do tapete uma pergunta que não quer calar e que transformou-se no eixo dos questionamentos dos dois apresentadores: por que o PT e seu candidato não admitem que o partido errou, cometeu inúmeros desvios, e fazem uma auto-crítica? O petista foi para um lado, voltou por outro e não conseguiu convencer. Nem a Renata e a Bonner nem a ninguém.

A resposta de Haddad sobre o fracasso retumbante do governo da correligionária Dilma Rousseff (PT), que resultou no impeachment, foi um vexame. Colocar na conta do PSDB, um partido de oposição que não tinha o poder lhe atribuído pelo presidenciável quando a petista começou a se embaraçar com as próprias pernas, mostrou que o candidato, considerado até aqui um político honrado, sofre da mesma deficiência de seu partido em lidar com os fatos.

Não é segredo para ninguém – mesmo para os petistas cegos de conveniência – que Dilma arrebentou o país, o endividou absurdamente e implodiu sua base fiscal, levando às ruas, entre outros desastres, uma onda de desemprego e desamparo como há muito não se via, provavelmente a maior dificuldade com que o presidenciável terá que lidar, caso logre ganhar o governo nestas eleições.

Com sua postura, no entanto, Haddad mostrou que está profundamente adestrado pelo lulo-petismo e tem evidentes dificuldades de avançar para além do seu conhecido receituário político e econômico. Uma pena, porque ele é maior do que se apresentou. Se pretendia fazer algum tipo de aceno aos mercados, dizer que veio para somar e ajudar a tirar o país do caos econômico, o petista revelou que tem profundas dificuldades para fazê-lo.

Não há dúvida de que ele ainda vai crescer mais nas pesquisas, impulsionado pela vinculação com a imagem de Lula, figura sobre a qual, aliás, não se questionou na entrevista do JN, o que evitou maiores constrangimentos. Exatamente por não ser tosco nem pilantra, Haddad evidenciou profunda dificuldade de encarnar o figurino do líder petista que fala apenas para desinformados ou cegos pela idolatria, os fiéis, esquecendo-se de todo um país.

14 de setembro de 2018, 10:49

EXCLUSIVA Gravidade do quadro de Bolsonaro coloca seu eleitor ante grande impasse

Foto: Reprodução

Flávio, filho mais velho de Bolsonaro, um dos articuladores políticos do candidato

O eleitor convicto de Jair Bolsonaro, quer por motivos de identidade ou político, campo em que se encontram aqueles que votam nele porque equivocadamente acham que é o único que pode impedir o retorno do PT ao poder, está aos poucos se confrontando com a dura realidade de sua situação de saúde.

Os prognósticos mais otimistas dão conta de que, se tudo correr dentro dos conformes, o presidenciável do PSL precisará de quatro a seis meses para estar plenamente recuperado. Em miúdos, isso significa que ele não só não poderá participar das campanhas, de primeiro e segundo turno.

Se a recuperação se estender aos seis meses, por exemplo, até sua posse no ano que vem, no caso de eleito, estará comprometida. Mais do que isso, até que se recobre de forma completa, o país não contará com seu presidente de forma integral. O dividirá com as necessidades típicas de um convalescente.

Ninguém duvida de que o Brasil não precisa apenas de um presidente saudável. Em meio a tamanha crise, que só terá se aprofundado até o ano que vem, é necessário alguém com força, disposição e muita energia para tomar as rédeas do país e buscar domar uma situação econômica grave.

Bolsonaro, por mais que saia do Hospital e esteja restabelecido até lá, não será, definitivamente, esta figura. Estará, se for dono de uma saúde e constituições físicas de ferro, extremas, invejáveis, ainda em processo de recuperação, dada a idade e a gravidade da agressão.

E o eleitor de Bolsonaro, sobretudo aquele que vê nele a antítese do petismo, estará disposto a correr tamanho risco? Estará aberto a simplesmente fechar os olhos, escolher um candidato e entregar o país a um político cujo futuro se tornou insondável?

Se ele conta em que o entorno de Bolsonaro poderá ajudá-lo, está querendo mais uma vez enganar-se. O clima de barata-voa no primeiro-time do presidenciável, no qual se incluem seus filhos, demonstra que o candidato é um centralizador. Tudo e todos dependem dele.

Além disso, está ficando cada vez mais claro que não há, entre os demais que o acompanham, um líder que, na primeira grande crise com que estão se defrontando, consiga conduzir a todos, inclusive o próprio candidato, a um porto seguro.

Definitivamente, não deve ser isso com que o anti-petista espera contar.

13 de setembro de 2018, 16:42

EXCLUSIVA Irmão Lázaro rompe novo acordo e convoca ato por recuperação de Bolsonaro

Irmão Lázaro rompe mais um acordo firmado com a campanha de José Ronaldo

O deputado federal Irmão Lázaro, candidato do PSC a senador, deixou cair a máscara e assumiu de vez a defesa da candidatura de Jair Bolsonaro, do PSL, à Presidência da República.

Em vídeo que gravou e está distribuindo em suas redes sociais, ele convida as pessoas para o que chama de “grande confratenização em prol da recuperação do nosso amigo-irmão Jair Bolsonaro”, neste domingo, às 9h, no Farol da Barra.

Também pede que “levem a família e os amigos para nós pedirmos a Deus a restauração deste grande homem que com certeza irá trazer grandes melhorias para nossa Nação”.

A iniciativa de Lázaro é mais um golpe no acordo que ele e seu partido formalizaram com o DEM, partido do candidato a governador José Ronaldo.

Na presença de ACM Neto (DEM), o PSC e Lázaro se comprometeram a não promover atos públicos em defesa de outra candidatura que não a de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República, da qual o prefeito de Salvador é um dos coordenadores informais.

Antes, Lázaro e o PSC já haviam também se comprometido em que a agremiação integraria um chapão de candidatos a deputados à Assembleia e à Câmara dos Deputados em troca de sua indicação para candidato a senador.

Um dia depois de ele ser anunciado na chapa de José Ronaldo com um dos nomes ao Senado, no entanto, a agremiação formalizou uma chapinha com o PTB para disputar as eleições proporcionais.

Como reduziu o quociente eleitoral da coligação, a decisão criou vários problemas para os deputados da base do prefeito. No início do horário eleitoral, o deputado também criou constrangimentos.

Irmão Lázaro veiculou propaganda dizendo que era contra as reformas do governo Michel Temer, principalmente a Trabalhista, aprovada pelos deputados ligados a Neto.

Veja o vídeo abaixo:

13 de setembro de 2018, 09:13

EXCLUSIVA Situação de Alckmin e agora de Bolsonaro deixa Ronaldo sem muleta nacional

Foto: Divulgação/Arquivo

José Ronaldo, com a vice, Mônica Bahia, no dia do lançamento oficial de sua candidatura

A dificuldade de crescimento do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), hoje embolado com Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) no segundo lugar das intenções de votos, segundo as pesquisas, tem levado apreensão à campanha ao governo de José Ronaldo (DEM).

Desde o princípio, o candidato democrata apostava na ascensão do presidenciávell tucano, o qual seu partido apóia nacionalmente, como forma de crescer também em meio ao eleitorado baiano. Ocorre que este momento tem demorado a chegar.

Antecipando as dificuldades do tucano e até contrariando a opinião de alguns assessores, Ronaldo sempre evitou assumir conexão exclusiva com Alckmin, deixando aberta a porta para relacionar-se com outros candidatos que avançassem eventualmente em seu lugar.

Estariam neste campo o presidenciável Henrique Meirelles (MDB) e o próprio Ciro, que trafegam na faixa da centro-direita e centro-esquerda, respectivamente, mas especialmente  o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com cujo núcleo de apoio na Bahia o democrata tem relações muito próximas.

Não é segredo de ninguém que ainda na fase da pré-campanha Ronaldo despachou figuras próximas ao seu núcleo político para organizar um dos primeiros eventos de Bolsonaro na Bahia, realizado num hotel no litoral norte.

No entanto, a situação do ultradireitista, internado desde a quinta-feira passada, em estado grave, depois de uma facada, se tornou uma verdadeira incógnita nestas eleições, apesar de ele continuar como o líder das intenções de voto até agora.

Um aliado de José Ronaldo admite a este Política Livre que, depois da segunda cirurgia a que Bolsonaro foi submetido, ontem, não há espaço sequer para conversas sobre campanha com seus filhos, que funcionam como articuladores políticos do presidenciável.

“A situação de Bolsonaro está se complicando, o tempo está passando e do lado dos seus representantes percebemos, até pela gravidade do seu estado de saúde, que há pouca disponibilidade para qualquer tido de entendimento”, diz a mesma fonte.

Para ela, o quadro como um todo é um indicativo forte de que, com a muleta do candidato presidencial puxador de votos, tão importante em eleições estaduais na Bahia, Ronaldo não poderá pelo visto contar.

12 de setembro de 2018, 10:37

EXCLUSIVA Ex-ACM Neto, Cláudio Cajado passa poucas e boas em campanha do lado de Rui

Foto: Divulgação/Arquivo

Cláudio Cajado foi o único deputado ligado a ACM Neto a romper com ele e aderir a Rui Costa nesta campanha

A adesão à campanha do governador Rui Costa (PT) no momento seguinte à decisão do prefeito ACM Neto (DEM) de não concorrer ao governo do Estado tem levado o deputado federal Cláudio Cajado (DEM) a passar por poucas e boas nesta campanha. A começar pelo programa dos candidatos a deputados da base de Rui, que classifica políticos como ele, que votaram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e de projetos propostos pelo presidente Michel Temer (MDB), como golpistas, o que também acontece em palanques do petista no interior. Revoltado com o prefeito depois de sua decisão de não concorrer, Cajado rompeu com ele e formalizou sua adesão ao governador nos dias seguintes. Foi o único deputado do grupo a tomar a decisão.