12 de agosto de 2017, 08:58

EXCLUSIVA Nepotismo continuado em Esplanada chama a atenção do MP baiano

Foto: Reprodução InfoNews

Prefeito Franco de Aldemir entrou na mira do MP depois de ter

Depois de, logo ao ser empossado, ter nomeado o irmão, José Aldemir Bastos da Cruz, como assessor especial, o prefeito de Esplanada, Franco de Aldemir (PRB), resolveu agora nomeá-lo como seu secretário de Governo, pasta recentemente criada por ele. A iniciativa ocorre logo depois de o Ministério Público Estadual ter recomendado ao gestor a demissão dos seus parentes e os do vice, à qual se seguiram alguns desligamentos, menos o do ex-assessor especial. Ex-prefeito de Esplanada, José Aldemir foi impedido de concorrer nas últimas eleições por força da Lei da Ficha Lima. Por este motivo, lançou o irmão candidato em seu lugar, garantindo a vitória da família na última sucessão municipal na cidade. A escolha de parentes para atuar na administração pública é uma prática chamada de nepotismo, condenada pelo MP, o qual deve acionar o prefeito por causa da escolha.

11 de agosto de 2017, 12:31

EXCLUSIVA Josias decide deixar Relações Institucionais, mas depende de Rui Costa

Foto: Reprodução

Josias quer deixar Relações Institucionais, mas depende de uma decisão do governador Rui Costa

O secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes, convenceu-se de que é melhor deixar a pasta, mas não o governo. Ele conversa com o governador Rui Costa (PT) sobre a possibilidade de ser mudado para uma posição em que possa, pelo menos até dezembro, mês da segunda mudança que o Palácio de Ondina deve fazer no secretariado preparando-se para a disputa de 2018, depois da prevista para agora, dedicar-se melhor à campanha de sua reeleição. Josias cansou das críticas que recebe de aliados do governo à sua atuação, apesar de, nestes anos em que está à frente da pasta, contabilizar um número significativo de apoios de prefeitos para a base de Rui, entre outros ganhos políticos para o governador. O último deles, de Poções, foi disputado pessoalmente pelo ministro Antonio Imbassahy (secretaria de Governo), mas decidiu ficar com o governo. O problema, para o governador, é só um: encontrar um substituto para as Relações Institucionais. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, que inicialmente se pensara para a RI, resiste à idéia.

11 de agosto de 2017, 09:35

EXCLUSIVA Não há hipótese de ACM Neto ser candidato a vice-presidente da República

Foto: Facebook

ACM Neto discursa em evento em aniversário da Fecomércio, esta semana

Procede a informação de que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), tem sido sondado para candidato a vice-presidente numa chapa a ser liderada por seu próprio partido, o PSDB ou mesmo o PMDB, em 2018. Mas, apesar de os convites o lisonjearem, não há hipótese de Neto aceitar qualquer um deles. Por um motivo simples: uma decisão neste sentido tiraria das oposições a candidatura mais forte com que contam para tentar derrotar o PT, partido do governador Rui Costa, na próxima sucessão estadual. “Ser candidato a vice sem um candidato ao governo forte na Bahia, não tem o menor cabimento”, diz um aliado do prefeito que afirma já ter tratado do tema com ele pelo menos umas três vezes. “Neto é candidato ao governo”, afirma.

10 de agosto de 2017, 09:49

EXCLUSIVA O risco do “Volta, Wagner! puxado por Angelo Coronel

Foto: Facebook

Angelo Coronel não pára de agitar a cena política com idéias

Um estilo muito despachado de atuar, que reúne independência e habilidade, transformou o presidente da Assembleia Legislativa, Angelo Coronel (PSD), numa espécie de novidade na cena política baiana, ou num tipo muito particular de Enfant Terrible. A ponto de ter despontado naturalmente em seu partido como nome mais evidente para compor a chapa com que o governo deve disputar a reeleição, em 2018.

Por este motivo, não se deve desconsiderar quando Coronel sai a campo e propõe um movimento como o “Volta, Wagner”, pelo qual o atual secretário de Desenvolvimento Econômico e ex-governador é convocado a disputar o governo em lugar do titular e candidato natural à reeleição Rui Costa (PT). É claro que Coronel se baseia na insatisfação que o estilo de Rui tem produzido em alguns setores políticos e no próprio PT.

Assim como no desgaste natural de um partido que comanda o Estado há mais de 10 anos. Estas seriam, pelo menos, as justificativas, digamos, técnicas. O ponto mais importante da idéia, no entanto, é menos visível. Estaria em, aproveitando as dificuldades inerentes ao governador e ao seu partido, abrir espaço para mais uma legenda na chapa a ser liderada pelo PT na próxima sucessão estadual.

Exatamente assim. Porque não gira em torno de uma equação diferente a proposta de Coronel. Com Wagner eventualmente retomando a cabeça da chapa, Rui seria obrigado a tocar o governo até o final para não dar o lugar ao vice, João Leão, do PP, ou, no caso da desincompatibilização desse, ao próprio presidente da Assembleia. Assim, abriria espaço para mais três e não dois partidos na chapa, além do PT:

O PP e o PSD, que já estão seguros, além de um terceiro. Há entre os candidatos o PSB, o PR ou qualquer outro, todos na batida comum, devidamente captada por Coronel, de que o PT teria perdido as condições políticas de levar a chapa com dois integrantes: Rui, ao governo, e Wagner, ao Senado. Não se trata de operação fácil, uma vez que não há sinais de que Rui esteja disposto a abrir mão da condição natural de líder do processo.

Mesmo porque, para o quadro em que pegou a máquina administrativa estadual e a crise em que o país mergulhou, pode-se dizer que Rui faz mesmo um governo excelente. A preferência, portanto, é sua. Mas no clima de salve-se quem puder em que a política se encontra, onde vaca desconhece bezerro em pasto aberto, é melhor não brincar com a sugestão, aparentemente inocente, de Coronel.

O potencial que tem de animar os partidos da base em torno de mais espaço na chapa ou mesmo no governo pode até não ter sido ainda dimensionado, mas com certeza poderá produzir muita agitação, principalmente se Rui – e o próprio Wagner – não agir rápido para conter a pressão para que o PT abra mão de indicar dois nomes na chapa de 2018.

8 de agosto de 2017, 14:50

EXCLUSIVA Câmara já identificou atiradores de ovos; providências duras serão tomadas

Foto: Divulgação/Arquivo

Fachada da Câmara Municipal atingida por ovos e outros objetos

A direção da Câmara Municipal já conseguiu identificar todos os manifestantes que se utilizaram de ovos para atacar o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), e o prefeito ACM Neto (DEM), que o acompanhou ontem à noite, na solenidade em que o paulista foi agraciado com o título de Cidadão de Salvador, na Casa, e que praticaram atos de vandalismo. Para não atrapalhar as identificações, seus nomes, entretanto, serão mantidos em sigilo. O sistema de segurança do Legislativo municipal gravou imagens, inclusive, daqueles que iniciaram os ataques. Providências serão tomadas. E, em alguns casos, serão drásticas, dado o histórico pregresso de alguns dos envolvidos.

8 de agosto de 2017, 12:23

EXCLUSIVA Otto diz que o PSD não tem cargos federais na Bahia

Foto: Divulgação

Senador Otto Alencar (PSD)

O senador Otto Alencar (PSD) considerou estranha a informação de que o governo federal iria retaliar a bancada do partido na Bahia, realocando os cargos federais para outros partidos da base que votaram favoravelmente ao presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara, na semana passada. Otto disse que a bancada baiana do PSD não possui um cargo no governo federal. “Não tem nem o que retaliar. Não temos um cargo nesse governo, do qual, aliás, eu quero me manter cada vez mais distante”, disse o senador, em telefonema a esse Política Livre, recordando que o governo tentou comprometer a bancada com a entrega do Postalis, fundo de previdência dos Correios, sem que nenhum dos deputados se interessasse. Otto aproveitou a oportunidade para criticar o festival de ovos com que o prefeito João Doria (PSDB), de São paulo, foi brindado por manifestante do PT, PCdoB e PSOL, ontem, momentos antes de ter recebido uma homenagem na Câmara Municipal de Salvador. Segundo Otto, a iniciativa fere a tradição de manifestação política na Bahia, que sempre foi ordeira e pacífica.

8 de agosto de 2017, 11:17

EXCLUSIVA Benito condena campanha de Rui contra aprovação da reforma da Previdência

Foto: Divulgação/Arquivo

Deputado federal Benito Gama também condenou ataques a Neto e João Dória, ontem, em Salvador

Um dos mais fortes aliados do presidente Michel Temer (PMDB) na bancada baiana, o deputado federal Benito Gama (PTB) criticou as declarações do governador Rui Costa (PT) de que vai fazer um apelo aos deputados de sua base no Congresso para que votem contra a reforma da Previdência. “É um tiro no pé essa declaração do governador. Ele é uma das vítimas do descontrole da Previdência na Bahia. Quando pede isso, dá direito à Assembleia de lhe negar um pedido em relação ao ajuste das contas no Estado”, disse Benito, observando ainda que o governador “faz oposição desde o primeiro momento ao governo federal e tem que se conscientizar disso”, mas, ainda assim, em sua opinião, o presidente não retaliará a Bahia. Benito disse ainda que Rui posa de democrata, mas persegue no que pode a oposição no Estado. “Ele retalia, não autoriza nada para a Prefeitura”, disse o parlamentar do PTB, referindo-se ao caso de uma delegada que até hoje não conseguiu ter seu pedido de autorização para trabalhar com o prefeito ACM Neto (DEM) liberado. O deputado também condenou as agressões contra o prefeito de Salvador e o de São Paulo, João Dória (PSDB), ontem, em Salvador, supostamente lideradas pelo PT e o PCdoB. “Na política, isso não é bom. Isso volta”, declarou.

8 de agosto de 2017, 10:11

EXCLUSIVA Em mensagem, vereadora defendeu ovada em Doria

Foto: Emerson Nunes/Política Livre

Vereadora Aladilce (PCdoB)

O prefeito de São Paulo, João Doria, recebeu nesta segunda-feira, 07, o título de cidadão soteropolitano. Em sua chegada à Câmara Municipal de Salvador, o tucano e o prefeito ACM Neto (DEM) foram alvos de uma manifestação na qual Dória chegou a ser atingido por um ovo. De acordo com vereadores, o ato foi incitado pelos próprios colegas ligados a partidos como PT, PSOL e PCdoB. Hoje, circulou a cópia de uma mensagem no WhatsApp atribuída supostamente à vereadora Aladilce (PCdoB) em que ela incita o ato. “Para que ninguém jogue ovos podres no Doria, não vou contar que ele estará em Salvador dia 07/08. REPETINDO: 07 DE AGOSTO!”, diz o texto.

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8 de agosto de 2017, 08:18

EXCLUSIVA Governo Temer deve retaliar bancada baiana do PSD depois de votação

Foto: Ag. Brasil/Arquivo

Ministro Gilberto Kassab não estaria conseguido segurar a vingança do governo contra bancada baiana

Comandado na Bahia por Otto Alencar, o PSD deve se preparar para forte retaliação da parte do governo federal depois que, orientada pelo senador, toda a bancada baiana do partido votou pelo recebimento da denúncia por corrupção passiva contra o presidente da República, na semana passada. Os comentários em Brasília são de que o ministro Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia e presidente nacional do PSD, estaria tendo imensa dificuldade para acalmar a articulação política de Temer em relação à bancada baiana, que tem vários cargos federais no Estado, principalmente devido à pressão de partidos como o PP, que ajudaram o presidente e cobram agora a fatura. A situação se complicou porque Otto foi o fiador de um acordo, que não deu certo, pelo qual o governo baiano daria votos favoráveis a Temer em troca da liberação de um empréstimo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil para o Estado.

4 de agosto de 2017, 12:29

EXCLUSIVA Mais forte junto a Temer, Imbassahy fica no governo mesmo que PSDB saia

Foto: Emerson Nunes/Arquivo

Imbassahy está "podendo" agora ainda mais no Palácio do Planalto

A bancada baiana – da oposição ao governo – curvou-se à competência com que o ministro Antonio Imbassahy (secretaria de Governo) conduziu as articulações que resultaram na vitória do presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara, na última quarta-feira. Antes da votação, ele era alvo de várias críticas, especialmente dos baianos que integram a base do presidente. Para a maioria, é sinal de que, mesmo com o PSDB dividido e sob a maior crise de comando de sua história, Imbassahy fica ao lado de Temer, ainda que o partido desembarque do governo, hipótese considerada agora mais remota, depois da rejeição da denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o presidente da República. Neste caso, o baiano ficaria no governo na cota pessoal do presidente, comenta-se em Brasília.

4 de agosto de 2017, 09:06

EXCLUSIVA Prefeito de Irecê anuncia demissões e cortes e provoca pânico e revolta

Foto: Divulgação/Arquivo

Servidores não aceitam argumento do prefeito de que foi pego desprevenido

O anúncio do prefeito Elmo Vaz (PSB), de Irecê, numa emissora de rádio local, de que a crise econômica o pegou desprevenido e o obrigará a tomar medidas amargas para que o orçamento chegue até dezembro, demitindo nomeados, terceirizados e contratados da Prefeitura, está deixando a população do município em pânico e revoltada. Dois funcionários da Prefeitura escreveram a este Política Livre dizendo que se, como o prefeito afirmou, suas expectativas de repasse e arrecadação para a cidade foram frustradas, ele não tinha o direito de ter gasto tanto dinheiro na festa de São João.

Um deles calcula em 300 o número de servidores a serem demitidos pela Prefeitura, o que deve causar um impacto social estrondoso. Ele também enviou o trecho do áudio em que Elmo Vaz afirma que esperava ter recebido cerca de até 80% dos recursos destinados à cidade no ano passado, mas “infelizmente, está expectativa não existe mais”. E lamenta que o prefeito tente tirar o foco da crise na cidade, ao tentar falar da situação em todos os municípios do chamado “platô” de Irecê. “Não temos nada a ver com a situação de outras cidades. Será que ele não previa o que podia acontecer?”, questiona.

Além de demitir – o prefeito diz que só estarão a salvos os efetivos -, a Prefeitura vai reduzir gastos com combustíveis e investimentos que estavam previstos, segundo Elmo Vaz. “Os municípios do platô de Irecê vão ter que tomar medidas amargas, mas necessárias. O objetivo é honrar com os nossos compromissos. As medidas podem ser impopulares, elas podem trazer dificuldades, até de ordem política, mas são necessárias para continuar honrando esses compromissos assumidos e os correntes, ordinários”, disse o prefeito, prevendo o corte de gastos em 50%.

Elmo Vaz atribuiu as medidas ao arrocho, à redução de repasses e ao aumento de despesas. Os servidores dizem que Irecê vive um dos momentos mais críticos dos últimos tempos, com PSFs sem médicos, falta de exames e medicação nas Unidades de Saúde, além de atrasos no pagamento de salários, sem contar das dívidas acumuladas com fornecedores e prestadores de serviços. “Se o prefeito não sabia que o país está em crise, não deveria nem ter concorrido. Estamos todos desesperados com o fato de termos sido pegos numa crise com alguém que parece não ter consciência dos desafios”, protestam os servidores no texto.

3 de agosto de 2017, 09:29

EXCLUSIVA Como o DEM derrubou o acordo de Rui Costa com Temer por R$ 600 mi

Foto: Divulgação/Arquivo

Até o ministro Mendonça Filho (Educação) entrou em campo para evitar o entendimento de Temer com o governo baiano

Negado por seus articuladores depois que malogrou, o acordo entre o governo baiano e Michel Temer (PMDB), pelo qual deputados baianos votariam contra o prosseguimento da denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o peemedebista em troca da liberação de um empréstimo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil ao Estado, só foi desfeito por causa do bombardeio que sofreu diretamente do DEM e de deputados baianos da base de apoio ao presidente da República, indignados com a perspectiva de um petista como Rui Costa (PT), que desde o princípio chama o primeiro mandatário de “golpista”, ser beneficiado com verbas federais.

“Agora, quero ver eles voltarem a chamar o presidente Temer de golpista”, comemorava ontem em Brasília um deputado democrata, depois que o acerto fora suspenso, observando ironicamente que o peemedebista não foi eleito na chapa do partido, mas do PT e por isso os hoje oposicionistas eram bem vindos à base, desde que cumpridos alguns requisitos de “constrangimento” e sabendo que seus pleitos ficariam em último lugar na fila. De acordo com ele, logo que o acordo vazou, na manhã de terça-feira, o partido sinalizou ao presidente da República que já havia votos suficientes para derrubar a denúncia do Procurador Geral da República na Câmara.

Por este motivo, os deputados baianos comunicaram ao ministro Antonio Imbassahy (secretaria de Governo), que já preparava seu retorno à Câmara para ajudar no placar favorável ao presidente, que Temer não precisava negociar nada com o PT baiano. O acordo fora costurado do lado de Rui por Otto Alencar, que o defendera publicamente na segunda-feira à noite, numa reunião que o governador fez com toda a bancada dos partidos que o apóiam na Bahia – alguns dos quais também na base de Temer -, na qual o senador prometeu, inclusive, que faria uma denúncia por semana contra o governo federal, caso o entendimento não fosse honrado.

Antes de terminar o encontro e para evitar que os partidos mais à esquerda, como o PT, o PCdoB e o PSB, ganhassem força na tese contra o acordo e o inviabilizassem no evento, Rui decidiu exonerar os secretários Josias Gomes (Relações Institucionais) e Fernando Torres (Desenvolvimento Urbano), encerrando o assunto. Na articulação que fez para derrubar o acordo, o DEM chegou a envolver diretamente o ministro da Educação, Mendonça Filho, indicado pelo partido, que, no momento mais crítico da pressão exercida sobre o governo, ameaçou com a saída da sigla e a sua própria do governo, caso prosperasse o entendimento com o PT baiano.

Um parlamentar de um outro partido da base de Temer contou a este Política Livre que os aliados baianos do presidente decidiram partir para cima do governo para inviabilizar o entendimento depois que, ainda na terça-feira à noite, o governador baiano e alguns dos seus correligionários, como o secretário Jaques Wagner (Desenvolvimento Econômico), foram às redes socias praticamente negar que estivesse em curso qualquer ajuda a Temer. “Mendoncinha aproveitou a oportunidade para dizer ao presidente que, se eles (os petistas) não tinham coragem de admitir o acordo, eles não podiam ser jamais tratados como aliados do governo”, relatou.

Até então, a idéia era realmente formalizar o empréstimo ao Estado da Bahia, cujas formalidades já haviam sido todas cumpridas, mas exigir que o governador fosse assiná-lo no gabinete do presidente da República, de forma a demonstrar que se tratavam de recursos do governo federal. Com medo de provocar uma cisão na base por causa de uma adversário que se aproximava e perder um aliado que comanda a Câmara dos Deputados, na pessoa do deputado democrata Rodrigo Maia (RJ), Temer decidiu ligar pessoalmente para o prefeito ACM Neto. Amigo-irmão do presidente da Câmara, Neto ouviu diretamente da boca do presidente da República que não fizera qualquer acordo com o PT baiano.

Agora, só Deus sabe quando os recursos que seriam destinados ao Metrô e a obras infraestruturais, como estradas pelo interior da Bahia, serão liberados.

3 de agosto de 2017, 07:55

EXCLUSIVA José Carlos Araújo votou constrangido a favor de Temer, conclui Rede Globo

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Presidente do PR disse, na hora do voto, que "nem sempre se faz o que tem vontade"

O discurso feito ontem pelo deputado federal José Carlos Araújo, presidente do PR na Bahia, na hora de votar contra o recebimento da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), chamou a atenção da Rede Globo, que concluiu que o parlamentar votou “constrangido”. “Nem sempre a gente faz o que tem vontade. Eu voto com o meu partido, meu partido fechou questão e eu voto sim (pelo arquivamento da denúncia contra o presidente da República)”, disse Araújo, ao justificar o voto.

3 de agosto de 2017, 07:29

EXCLUSIVA História de Neto se repete com Rui, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Assim como Neto, em 2015, Rui viu ontem uma proposta de acordo para ajudar a Bahia ser desfeita

A história do suposto acordo entre o governador Rui Costa (PT) e Michel Temer (PMDB), desmentido ontem por aqueles acusados de celebrá-lo pela Bahia, inclusive o petista, remete a outro, de dois anos atrás, que havia sido costurado entre o prefeito ACM Neto (DEM) e a então presidente Dilma Rousseff (PT). Assim como o de anteontem, o de 2015 também não foi cumprido. Por trás de ambos, a tentativa dos gestores baianos, Rui, agora, Neto, naquele ano, de viabilizar recursos para as suas respectivas gestões, numa evidência da dependência da Bahia do dinheiro da União e da propensão de governantes políticos a separarem, no sentido maquiaveliano, política de ética.

Em ambos, o governador e o prefeito contaram com intermediários no Legislativo. O acordo apresentado a Rui fora intermediado pelo senador Otto Alencar (PSD), que acreditou na promessa da articulação política do presidente Michel Temer (PMDB) de liberar um empréstimo que ajudara a negociar com o Banco do Brasil, no valor de R$ 600 milhões, para investimentos nas obras do metrô de Salvador e de estradas pelo interior da Bahia. A tentativa de entendimento de Neto com Dilma envolvera recursos da ordem de R$ 400 milhões e passara diretamente por Temer, que na época era vice-presidente e tentara, sem sucesso, funcionar como articulador político dela no Congresso.

Nos dois, a contrapartida era alta, mas parecia simples a ambos. Rui teria que entregar alguns votinhos da bancada de 25 deputados que lidera na Câmara para colaborar ontem com a derrubada do pedido para que Temer fosse processado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os deputados nem precisavam votar abertamente a favor de Temer. Dando quorum para o início da sessão e abstendo-se, em seguida, já seria suficiente. Neto se comprometera a dar os votos da bancada do DEM da Bahia à aprovação da proposta de ajuste fiscal que Dilma tentara fazer no início do desespero para salvar seu mandato, que acabou finalizado por um impeachment.

Nenhum dos dois logrou êxito. Tudo pronto para que dois secretários estaduais exonerados por Rui voltassem à Câmara, com o objetivo estrito de ajudar Temer participassem da votação, abstendo-se de votar no relatório que pedia o arquivamento da denúncia contra o presidente, Otto Alencar foi informado de não havia mais garantia de que o empréstimo seria liberado. Não lhe restou alternativa senão comunicar que o acordo com o presidente da República havia sido desfeito e protestar. O resultado foi um verdadeiro cavalo de pau na promessa de votos do governo estadual no presidente, que já confiava em sua absolvição, como a votação que entrou pela noite mostrou.

No caso de Neto, não foi menor o desgaste, na época. Depois de assegurar apoio político no Congresso a um governo ao qual deveria por princípio se opor, inclusive porque a proposta de ajuste fiscal de Dilma não inspirava a menor confiança, o prefeito sentou e aguardou os R$ 400 milhões que pretendia empregar em obras de proteção contra as chuvas, que acabavam de devastar a cidade como não se via há duas décadas, além da liberação de recursos para o BRT que nunca chegaram. Como fez Otto Alencar, não lhe restou alternativa, senão protestar contra a falta de palavra da então presidente e de sua turma.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro

2 de agosto de 2017, 23:51

EXCLUSIVA Citação de Rui em voto leva colegas a acharem que Jonga provocou governador

Foto: Divulgação/Arquivo

Jonga Bacelar disse que votava com "ciência" do governador Rui Costa

Aliado de Rui Costa (PT) na Bahia, o deputado federal Jonga Bacelar (PR) fez um pequeno discurso na hora de anunciar seu voto pelo arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), hoje à noite, na Câmara dos Deputados, que foi interpretado por colegas, especialmente os adversários do governador no DEM, como uma provocação ao petista. “Sr. Presidente, Em respeito às instituições brasileiras, com a orientação do meu partido, com ciência do governador da Bahia, Rui Costa, eu voto sim, presidente”, disse Bacelar, que havia participado da reunião da última segunda-feira na qual Rui anunciou a exoneração dos secretários Josias Gomes (Relações Institucionais) e Fernando Torres (Desenvolvimento Urbano) para votar a favor de Temer, hoje, no plenário da Câmara, em troca da liberação de um empréstimo de R$ 600 milhões para o governo da Bahia. Como o acordo foi rompido pelo presidente da República de última hora, Rui e aliados apressaram-se em desmentir que tivesse sido celebrado. Os três deputados do PR da Bahia, incluindo Jonga, votaram a favor do presidente.