6 de março de 2017, 09:10

EXCLUSIVA A alternativa Dória, por Raul Monteiro

Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Prefeito João Dória, de São Paulo, sabe ser popular

Há pelo menos dois meses deputados baianos, alguns, inclusive, ligados umbilicalmente ao prefeito ACM Neto (DEM), fazem referência a uma eventual candidatura presidencial do atual prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB).

Ele é pensado como alternativa principalmente ao governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), seu maior apoiador, para a hipótese de o tucano ser eventualmente colhido por uma das operações em curso no país a partir da Lava Jato.

Seria, inclusive, apoiado por Alckmin no caso de o governador se inviabilizar. A maior vantagem de Dória é ter ingressado só agora na política. A condição o livrou, por exemplo, da vala comum de quem recebeu recursos de caixa 2 de campanha.

É a situação de praticamente todos os políticos hoje, mesmo que dinheiro não contabilizado não signifique propina, a qual pode ser facilmente provada desde que os investigadores não queiram se limitar a análises superficiais do dinheiro que circula em campanhas.

Claro que, para Dória se viabilizar, Alckmin teria que ser tirado do páreo. Mas ele precisa também entregar o que prometeu na prefeitura paulista. A medida do que torna um político popular, essencial a quem quer disputar cargos eletivos, o prefeito tem.

Na campanha, soube se posicionar como um outsider, um gestor e não um político tradicional. A novidade é o aparecimento do nome de ACM Neto como seu eventual vice para 2018. Não confere com nada do que se trata hoje na política na Bahia.

6 de março de 2017, 08:43

EXCLUSIVA Daniela mostra que Salvador perdeu exclusividade no carnaval

Foto: Facebook

Daniela Mercury comandou o trio Pipoca da Rainha que levou 500 mil pessoas às ruas de São Paulo

A cantora baiana Daniela Mercury estava em êxtase com o show que realizou ontem em São Paulo, marcando o fim do carnaval de rua da capital paulista. Cerca de 500 mil pessoas acompanharam Mercury em toda a extensão da rua da Consolação, inclusive no cruzamento com a avenida Paulista. A despedida dos paulistas do carnaval relembrou de assédio às mulheres à causa gay. A baiana, que comandou o trio Pipoca da Rainha, perguntou ao público quem era gay ou lésbica – e levantou a mão, segundo a Folha de S. Paulo. De acordo com a publicação, perto do fim do bloco, um público muito molhado gritou “Fora Temer”, enquanto Daniela manteve silêncio ao microfone. Pouco depois ela cantou “Brasil”, de Cazuza, disse que o capitalismo endurece as pessoas e exaltou a importância das artes. A Globo News acompanhou a cantora desde o início da festa, por volta das 16h, de cima do trio, transmitindo vários flashs da folia. O final de semana teve ainda outros 78 blocos na despedida do carnaval em São Paulo. A prefeitura local estima que a festa, desde 17 de fevereiro, tenha levado 3 milhões de foliões às ruas. Mais uma confirmação de que Salvador perdeu, definitivamente, a exclusividade enquanto espaço popular para a folia e que o modelo atual precisa ser urgentemente revisto.

3 de março de 2017, 12:49

EXCLUSIVA Marcado por provocações, Carnaval 2017 deixa Rui e Neto ainda mais distantes

Foto: Arquivo

Neto e Rui ainda conseguiam se entender no carnaval do ano passado

A declaração do prefeito ACM Neto (DEM) afirmando ter sido vítima de provocações “sucessivas e contínuas” por parte do governo do Estado no carnaval ampliou ainda mais o fosso no relacionamento entre ele e o governador Rui Costa (PT), relataram hoje ao Política Livre fontes do governo.

Para as mesmas fontes, podem ser entendidas como provocações as ações da Prefeitura de retirar a plotagem dos chamados portais de abordagem, uma iniciativa pioneira do governo para controlar melhor a segurança na folia, e de – “cúmulo dos cúmulos” – determinar a apreensão de cervejas no camarote do governador.

Doado, o produto era de uma marca diferente daquela do patrocinador da festa, motivo alegado pela Prefeitura para tentar apreender as bebidas. O episódio acabou produzindo um forte desentendimento entre o presidente da Bahiatursa, Diogo Medrado, e o secretário municipal de Turismo, Isaac Edington.

Os dois eram os canais de interlocução principais entre governo e Prefeitura e chegaram a romper em plena folia, apesar de terem reatado quando os ânimos esfriaram. Diogo protestou contra o que considerou uma ação truculenta da Prefeitura, o que Edington não gostou de ouvir. O carnaval foi iniciado em tom tenso entre as duas esferas de poder.

Além do clima de concorrência que tem como pano de fundo a sucesssão de 2018, Rui acha um despautério a festa durar 10 dias, como Neto insiste em fazer. Logo no início da folia, representantes de ambos chegaram a entabular um entendimento. O motivo fora o slogan “Bem Vindo ao Carnaval da Bahia”, usado pela comunicação do governo.

Um preposto de Neto ponderou que a marca excluía Salvador. O representante de Rui concordou em mudá-la, mas foi surpreendido pela notícia de que a Sucom, órgão da Prefeitura, iniciara a retirada da plotagem do governo dos portais de abordagem. A consequência foi a interrupção das conversas, secundada pela iniciativa da Prefeitura de apreender as cervejas no camarote do governo.

A desforra veio no desfile do Ylê Ayê, no qual o prefeito recebeu uma sonora vaia que seus assessores identificaram como orquestrada. Um dos símbolos da resistência negra no carnaval de Salvador, o bloco teria formação marcadamente esquerdista e aproveitou a ocasião também para protestar contra o governo Michel Temer (PMDB), de quem Neto é aliado.

Reservadamente, aliados do governador dizem ter adorado “a manifestação” do Ylê, embora aleguem que não tenham tido nada a ver com ela.

2 de março de 2017, 17:03

EXCLUSIVA Jornal A Tarde promove novas demissões

Foto: Divulgação

O centenário matutino da Avenida Tancredo Neves revela mais uma face de sua crise

Depois de viverem menos de um ano de estabilidade, os jornalistas de A Tarde voltam a entrar em período de turbulência. Hoje, o departamento de Recursos Humanos da empresa está chamando vários profissionais de anos a comparecer ao setor para informar que eles estão sendo desligados. Com muitos anos de casa, alguns estão sendo aconselhados a cobrar seus direitos na Justiça. A notícia já se espalha pelas redes sociais impulsionada pelos relatos dos demitidos. Ainda não há um balanço das demissões, mas, pelo que se estima, o número será alto.

1 de março de 2017, 11:00

EXCLUSIVA SP pensa em profissionalizar carnaval de rua e SSA vai sentir impacto

Foto: Marco Estrella/Prefeitura de São Paulo

Aumentou em 200% o número de turistas que foram para SP neste carnaval

Impressionado com a magnitude assumida pelo carnaval de rua de São Paulo, cujo número de turistas dobrou este ano, o prefeito João Dória (PSDB) pensa em profissionalizar a folia em 2018, utilizando a Marginal Tietê para organizar a festa, na qual seriam montados camarotes e desfilariam blocos e trios, como acontece há anos em Salvador.

A idéia é estudada por um grupo de assessores próximos de Dória, interessado em reverter a atração em dinheiro para os cofres municipais, por meio principalmente de patrocinadores e da fixação dos paulistas na cidade no período. Exatamente por este motivo, caso a idéia prospere, o carnaval de Salvador deverá sofrer um grande impacto.

Primeiro, porque a concorrência com carnavais de rua – antes uma quase exclusividade baiana – de outras capitais só tem aumentado. Segundo, porque o turista paulista que comparece à festa em Salvador é considerado o de maior poder aquisitivo da festa e poderia, por uma questão de custo e comodidade, decidir ficar em sua própria terra para curtir a folia no próximo ano.

Com menos gente com poder de compra no carnaval baiano, os patrocinadores poderiam rever sua política de investimento para a festa em Salvador, onde blocos, trios e camarotes já vêm enfrentando dificuldades, razão porque o modelo de financiamento da folia começa a ser questionado como um todo.

“Não tenho dúvida de que o modelo do carnaval de Salvador, que jogou sozinho neste mercado por anos, terá que ser integralmente repensado. Os problemas estão para além da crise que afeta a todos e, na verdade, a antecedem”, diz um produtor que atua há anos na festa, preocupado com o impacto de uma eventual investida profissionalizada de São Paulo no setor.

23 de fevereiro de 2017, 20:27

EXCLUSIVA Prefeitura devolve plotagem dos portais de Segurança da SSP

Foto: André Reis/Política Livre

Secretário Maurício Barbosa

Em conversa há pouco com este Política Livre, nesta quinta-feira (23) de Carnaval, no camarote do Governo do Estado, o secretário de Segurança Pública. Maurício Barbosa, comentou sobre a retirada da plotagem com a comunicação oficial do governo dos portais de segurança instalados no circuito carnavalesco pela SSP e reiterou que o governo adotará todas as medidas cabíveis contra a medida. “A Prefeitura foi acionada, acabaram de devolver todo o material, nós vamos reinstalar e adotar as medidas legais pertinentes”, afirmou o secretário.

22 de fevereiro de 2017, 08:58

EXCLUSIVA Otto é citado para vice em chapa presidencial de Alckmin em 2018

Foto: Divulgação/Arquivo

Senador Otto Alencar

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), revelou a deputados esta semana que um quadro do Nordeste seria o ideal para compor sua eventual chapa à presidência da República em 2018. Numa de suas conversas sobre o assunto, ele teria, inclusive, citado nominalmente o senador Otto Alencar, do PSD, alegando que o baiano possuiria perfil adequado para ser indicado à sua vice.

A idéia de composição de tucanos paulistas com nordestinos para a sucessão presidencial é antiga e tem sido estimulada sob o entendimento de que quebra o estereótipo elitista do PSDB, partido oriundo e fincado na região sudeste. Na avaliação de um deputado federal baiano que conversou com o Política Livre, o problema seria convencer o próprio Otto a aceitar o desafio.

O senador tem feito juras de amor ao PT baiano, do governador Rui Costa e do ex Jaques Wagner, apesar de o PSD, por meio do seu senador e presidente Gilberto Kassab, estar com os dois pés no governo Michel Temer (PMDB) e vir sendo apontado como partido que poderia compor uma chapa encabeçada pelo PSDB ou o PMDB para disputar a presidência da República no ano que vem.

Uma das alegações para que Otto aceite discutir a idéia de integrar uma chapa liderada por Alckmin é o fato de que não correria qualquer risco político, uma vez que em 2018 estará completando apenas metade do mandato, podendo permanecer no Senado pelos próximos quatro anos, mesmo que o governador de São Paulo não consiga se eleger presidente da República.

Já há algum tempo o senador vem sendo “paquerado” por partidos adversários do PT mesmo na Bahia, onde o grupo do prefeito ACM Neto (DEM), eventual candidato ao governo do Estado em 2018, tem dado declarações insinuando que poderia apoiá-lo à sucessão estadual num quadro em que se tornasse adversário do governador Rui Costa, o que ottistas dizem ser impossível.

A passagem na semana passada do novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), quadro ligadíssimo ao senador, por São Paulo, onde esteve e posou para fotos com o governador de São Paulo, produziu as mais variadas especulações sobre o verdadeiro teor da conversa que tiveram, embora Coronel evite falar sobre eleição e tenha feito questão de destacar que sua agenda com Alckmin foi meramente institucional.

20 de fevereiro de 2017, 20:04

EXCLUSIVA Imbassahy insinua que Câmara pode ir para secretaria de Assuntos Federativos

Foto: Divulgação

Prefeito ACM Neto fala em encontro com Imbassahy tendo à sua frente, entre outros, Paulo Câmara

Durante a visita que fez hoje ao prefeito ACM Neto (DEM), na qual encontrou com as bancadas federal e estadual de partidos aliados, o secretário de Governo do presidente Michel Temer (PMDB), Antonio Imbassahy (PSDB), insinuou que o ex-presidente da Câmara Municipal, Paulo Câmara (PSDB), seu aliado e sobrinho, pode assumir a secretaria Nacional de Assuntos Federativos.

Até agora, todas as especulações eram na direção de que Câmara assumiria a superintendência do Sebrae no Estado. Para isso, a Câmara concluiu, na semana passada, a votação de um projeto que permite a vereadores assumirem cargos no segundo escalão do governo federal sem a necessidade de renúncia, medida que promete ser questionada na Justiça pelo PT da Bahia.

Dados os desentendimentos protagonizados por Câmara com os colegas antes de deixar a presidência, a alteração à Lei Orgânica do Município ganhou o nome sarcástico de “Emenda Tchau, querido”, colocado por adversários do vereador na Casa, no dia da votação. A ida para a secretaria seria uma mão na roda para o vereador, cujo plano é concorrer à Assembleia em 2018.

A secretaria Nacional de Assuntos Federativos cuida, entre outros assuntos, da operacionalização dos recursos destinados em emendas por parlamentares aos municípios, o que permite que o secretário estabeleça fortes relações, principalmente no interior do Estado.

20 de fevereiro de 2017, 08:46

EXCLUSIVA A insatisfação do PT baiano, por Raul Monteiro

Foto: Estadão/Arquivo

Jorge Solla seria nome para confrontar a atual direção estadual do PT

O movimento “Mudar pra valer” iniciado por correntes petistas na Bahia que resultou na apresentação do nome do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner para a sucessão na presidência do partido é um sinal de que a agremiação deseja maior presença e participação no governo petista de Rui Costa. Não por acaso a sugestão do nome de Wagner é para a hipótese de haver uma composição com a CNB – corrente majoritária que hoje comanda a agremiação com o sindicalista Everaldo Anunciação -, da qual ele possa emergir como candidato de consenso, evitando o desgaste de uma disputa.

Caso contrário, o movimento “Mudar pra valer” vai partir para o bate-chapa no Processo Eleitoral Direto (PED), o sistema de eleições internas do PT, marcado para maio, com os atuais controladores da máquina partidária apresentando o nome do deputado federal Jorge Solla. No encontro promovido pelo movimento que reúne as revoltosas correntes petistas, Solla chegou a ser apontado, inicialmente, como candidato do grupo para enfrentar Anunciação. Então, a idéia era finalizar o evento apresentando sua candidatura para a disputa, no curso da qual os petistas promoveriam um debate que entendem ser necessário hoje para o partido no Estado.

Com o aprofundamento das discussões, entretanto, a proposta que acabou prevalecendo foi a de um entendimento que poderia ser mediado com a construção conjunta da candidatura de Wagner. O surgimento do “Mudar pra valer” é, por si só, uma evidência de que, depois de 12 anos de convivência íntima com o poder no governo baiano, uma parte significativa do partido exige mudanças no relacionamento com o executivo e elas podem estar relacionadas exatamente à mudança no comando da administração, a qual passou das mãos de Wagner para Rui. Como se sabe, Solla não é exatamente um petista disposto a baixar a cabeça para o governo.

No partido, ninguém esquece – muito menos ele – do desmonte que a atual administração fez da forte estrutura que organizou na área de saúde do Estado na gestão de Wagner, na qual foi secretário da pasta. Os petistas que integram o grupo se ressentem de uma postura “mais altiva” do partido em relação ao governo, com o qual, afirmam, acham que podem contribuir melhor com sua influência política. Atribuem a atual postura do partido ao fato de Anunciação ser ligado ao secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes. Um dos exemplos que citam com mais contundência relaciona-se, curiosamente, à sucessão municipal de 2016 em Salvador.

Acham que o PT cometeu um erro estrondoso ao não apresentar um candidato para concorrer com o prefeito ACM Neto (DEM), que acabou se reelegendo com mais de 70% dos votos. E atribuem o que chamam de “equívoco” da estratégia à submissão partidária ao governo, para o qual o lançamento de um candidato petista, naquele momento de aprofundamento de desgaste do partido após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, resultaria numa derrota que seria colocada exclusivamente no colo do governador. O resultado é que o governo não conseguiu impor o candidato que queria no aliado PCdoB, foi derrotado e acabou se desgastando mesmo assim.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

17 de fevereiro de 2017, 08:20

EXCLUSIVA Coesão de oposição na Câmara chama atenção do Thomé de Souza

Foto: Divulgação/Arquivo

Vereador José Trindade é novo líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador

Chamou a atenção dos articuladores do Palácio Thomé de Souza o comportamento da oposição na Câmara Municipal esta semana durante a votação da proposta de regulamentação do Reda pela Prefeitura, quando pela primeira vez, em cinco anos, todos os vereadores oposicionistas votaram em conjunto contra uma medida do executivo. Sob a nova liderança do vereador José Trindade (PSL), até “os rebeldes” Suíca e Moisés Rocha, recentemente expulsos do PT por terem adotado, na visão do partido, comportamento pró-administração municipal, fecharam questão contra a proposta do prefeito ACM Neto (DEM). A posição foi precedida de um extenso processo de articulação que culminou com um almoço de todo o grupo na própria Câmara momentos antes da votação para definir a estratégia em plenário. O resultado foi uma suadeira enorme no time do governo para aprovar a medida, algo com que os governistas estavam praticamente desacostumados. Com apenas 10 membros dos 43 vereadores, os oposicionistas sabem que não têm número para derrotar o governo, mas parecem ter iniciado um pacto pelo qual pretendem dar muito trabalho à Prefeitura na Câmara a partir de agora.

16 de fevereiro de 2017, 11:17

EXCLUSIVA Declínio de Geddel tira PMDB da chapa de Neto em 2018

Foto: Estadão/Arquivo

Geddel Vieira Lima: de ministro mais poderoso de Michel Temer ao completo ostracismo

O declínio do PMDB baiano, representado primeiro pela queda de Geddel Vieira Lima da secretaria de Governo do presidente Michel Temer e, em seguida, pelo fato de o ex-ministro ter se tornado alvo de uma Operação da Polícia Federal derivada da Lava Jato acabou sepultando as chances de o partido integrar a provável chapa com que o prefeito ACM Neto (DEM) deverá disputar as eleições estaduais de 2018 contra o governador Rui Costa (PT).

Desde o início das conversações relativas às composições para a próxima sucessão estadual no campo oposicionista, o PMDB era visto como um parceiro fundamental para não só participar da chapa de Neto como ampliar suas chances de vitória, dada a força que possui tanto no Estado quanto no país, que passou a comandar com o presidente da República depois do impeachment da petista Dilma Rousseff, no ano passado.

O lugar do partido na chapa do prefeito estava reservado ao próprio Geddel, que deveria disputar uma das duas vagas ao Senado a que a Bahia tem direito no próximo pleito. O revés sofrido pelo ex-ministro, no entanto, não anima mais qualquer expectativa entre aliados do prefeito de que ele terá forças para protagonizar algum papel ao lado de Neto nas próximas disputadíssimas eleições.

Não se encontra, entre deputados ligados ao prefeito, um sequer que considere plausível a hipótese de o peemedebista reverter quadro tão desfavorável à sua atual situação política. É consenso que Geddel migrou rapidamente da condição de alguém que tinha enorme poder e influência, como ministro responsável pela articulação política do governo federal, para o do mais completo abandono e ostracismo.

Desde o episódio em que deixou o ministério depois de ter sido acusado de tráfico de influência pelo ex-colega da Cultura Marcelo Calero, Geddel recolheu-se completamente, deixando de participar de qualquer agenda política da Prefeitura, onde, como aliado de Neto, o PMDB fez o vice-prefeito, Bruno Reis, e indicou a secretaria de Mobilidade Urbana, além de alguns outros cargos de segundo escalão.

A hipótese de Geddel ficar fora da chapa em troca da indicação do nome do irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima, também é descartada pelo conjunto dos partidos que apóiam o prefeito, pretendem marchar com ele em 2018 e passaram a ficar, naturalmente, de olho no espaço aberto com a desgraça do PMDB. Por ser extremamente identificado com o irmão, Lúcio seria visto como um representante nato seu na chapa, podendo afastar o eleitorado do prefeito, é o que alegam hoje.

Na avaliação de membros do grupo do prefeito, a situação do parlamentar peemedebisa piorou depois que ele foi derrotado na disputa recente a uma vaga na mesa diretora da Câmara dos Deputados, fracasso que atribuem mais ao declínio do ex-ministro e ao seu temperamento forte, do tipo que produz muitos desafetos, do que ao próprio Lúcio, figura espirituosa, divertida e de fácil convivência com os colegas de Parlamento.

Uma alternativa, mesmo assim considerada remota, para o PMDB não ser excluído da chapa do prefeito, neste caso, conforme as mesmas análises, seria Geddel indicar um nome neutro para representar o partido, o que, além de não se saber se ele terá forças para fazer até o momento da montagem do grupo, no ano que vem, não é facilmente identificável no panorama atual do PMDB, sem contar que pode não agradar ao próprio Neto.

16 de fevereiro de 2017, 10:15

EXCLUSIVA Câmara quer exercer “Poder do Cidadão”, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Vereador Léo Prates, presidente da Câmara que instituiu as Super Terças para debater e produzir

Um acalorado debate no qual não faltaram gritos e vaias sobre o Uber, sistema de transporte cada vez mais usado no país que permanece proibido por lei em Salvador, apesar de continuar sendo abertamente utilizado na capital baiana, marcou anteontem o início da “Super Terça” na Câmara Municipal, um projeto da nova gestão da Casa destinado a debater, às terças-feiras, temas polêmicos, que produzam mesmo muita gritaria, possam aproximar mais a população do Legislativo municipal e gerar iniciativas legislativas. A proposta vem ao encontro do lema “O Poder do Cidadão”, que passou a ser adotado pelo novo presidente, o vereador Leo Prates (DEM), sob o emblema original do Poder.

E deve ser também uma das marcas da gestão de Prates, um vereador jovem, do time de lideranças forjado ao lado do prefeito ACM Neto (DEM), de quem teve apoio praticamente expresso para se eleger presidente da Câmara, inviabilizando a tentativa de reeleição do antecessor, Paulo Câmara (PSDB). Ainda que de forma comedida, Prates, figura bastante educada, faz uma análise positiva da gestão anterior à sua na condução do Legislativo, do ponto de vista administrativo. Acha que Paulo Câmara focou sua estratégia de comunicação em duas faces, a do compromisso com a gestão e a da transparência, na qual foi bem sucedido.

Pretende dar seguimento às conquistas obtidas pelo Legislativo municipal neste período, mas entende, no entanto, que é hora de avançar, levando em conta a necessidade de a Câmara se envolver mais na vida do cidadão comum, especialmente neste momento de descrédito da classe política decorrente da crise de representação simbolizada pelo fato de os eleitos terem passado a esquecer que são mandatários com poderes delegados pela população para se encastelar sob as benesses típicas do cargo legislativo e da aura de indiferença que infelizmente muitas vezes os mandatos conferem.

Neste sentido, acha que a promoção de debates como os que a Super Terça começou a protagonizar ajudam tanto o Legislativo a despertar da letargia e da tendência de se afastar da comunidade que o elegeu quanto a própria sociedade a aproveitar espaços para se manifestar e discutir os rumos da cidade, cuja administração cabe à Câmara, constitucionalmente, fiscalizar. Um outro aspecto que as discussões intensas produzidas na Câmara nas pautas da Super Terça poderão gerar são idéias que sirvam à própria produção legislativa, como a elaboração de projetos destinados a melhorar a vida no município.

Aparentemente simples, a iniciativa resgata um período em que os vereadores, logo depois da redemocratização, protagonizavam debates acalorados sobre os mais variados temas que envolviam os destinos de Salvador, os quais eram acompanhados efusivamente das galerias por populares que frequentavam o antigo centro da cidade, o que, de alguma forma, reforçava o conceito do Poder como “Casa do Povo’. É também produto das discussões do grupo de cinco vereadores que se juntou inicialmente para apostar na eleição do novo presidente e derrubar o anterior sob a bandeira da democratização da Câmara. O perfil trabalhador de Prates aponta na direção de muitas outras.

* Artigo de autoria do jornalista Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

15 de fevereiro de 2017, 11:42

EXCLUSIVA PT pode recorrer à Justiça contra nomeação de Câmara ao Sebrae

Foto: Reprodução/Política Livre

Everaldo Anunciação estuda com jurídico do PT possibilidade de recurso à Justiça

O PT baiano analisa a possibilidade de recorrer à Justiça contra a decisão da Câmara Municipal de Salvador de ter aprovado, no ano passado, uma alteração à Lei Orgânica do Município permitindo que vereadores assumam cargos comissionados em outras esferas da administração sem necessidade de renúncia. Conhecida como emenda Paulo Câmara (PSDB), ex-presidente do Legislativo municipal que deve ser nomeado para a superintendência do Sebrae na Bahia, a medida foi aprovada em primeiro turno, devendo ser ainda ratificada em nova votação pelos vereadores. Marta Rodrigues, única vereadora petista na Casa depois da expulsão dos colegas Suíca e Moisés Rocha, tem subsidiado a direção do PT com informações sobre o processo no Legislativo. O partido invoca o artigo 29, da Constituição Federal, que, em consonância com o de número 54, proíbe expressamente vereador de assumir cargo comissionado nas três esferas da administração pública. “Estamos ainda analisando esta questão, mas, caso nosso jurídico confirme a inadequação desta alteração na Lei Orgânica do Município, a Justiça será o caminho”, admitiu ao Política Livre o presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, acrescentando que o PT é criticado mas “se vê no país o patrocínio de nomeações de parentes para todos os lados”. A iniciativa petista é também uma medida contra o novo secretário de Governo do presidente Michel Temer (PMDB), Antonio Imbassahy (PSDB), patrono da nomeação ao Sebrae e tio do vereador Câmara. Dada a oposição que o PT faz ao governo federal, o tucano foi eleito um dos inimigos número um do petismo na Bahia.

13 de fevereiro de 2017, 10:38

EXCLUSIVA O simbolismo da eleição na Assembleia, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

Oficialmente, governo e oposição elogiaram na semana passada as iniciativas adotadas pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), destinadas a empoderar o Legislativo, a exemplo de instalar o Colégio de Líderes e devolver às comissões técnicas o papel de definir a agenda política da Casa. Tanto o líder da maioria, o petista Zé Neto, quanto o da minoria, o peemedebista Leur Jr., fizeram questão de destacar que as medidas resultarão em mais poder ao Legislativo, o que, na avaliação de ambos, só fortalece a democracia em benefício dos dois grupos, da própria Casa e da sociedade. Mas, indisfarçavelmente, quem mais tem comemorado as decisões do novo presidente da Assembleia é a bancada de oposição. Só o fato de as novas posições representarem uma trava à tática do rolo compressor, expediente largamente utilizado por governos para dar celeridade à votação de matérias de seu interesse no Legislativo, é suficiente para que os deputados oposicionistas saudem o início da gestão de Angelo Coronel como o prenúncio de tempos muito mais amenos para a minoria e, em contrapartida, de mais trabalho e mesmo dificuldades extras para o governo na Casa. Na verdade, em que pese o presidente pertencer à base do governo, a bancada oposicionista vê sua ascensão ao poder como o primeiro de uma série de eventos que está prestes a lhe mudar a sorte em linha direta com a sucessão estadual de 2018, onde tudo indica que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), deve assumir a posição de candidato contra o atual governador, Rui Costa (PT). A animação começa com a ostensiva simpatia que Coronel nutre pelos colegas da oposição, turbinada pelos amplos e antigos laços de amizade que possui com políticos oposicionistas, o que, segundo a análise que fazem, pode lhes permitir um status de relativo mais protagonismo no Poder. Mas passa essencialmente pelo caráter simbólico da mudança de comando do Legislativo baiano, já que migrou das mãos de um até então aliado fiel ao governo para as de um parlamentar que já deixou claro, com todas as medidas que vem adotando, inclusive aquelas relativas ao quadro de pessoal da Casa, que não está disposto a simplesmente submeter-se ao Executivo, mas pretende deixar sua marca na história da Assembleia, quem sabe, utilizando sua passagem pelo Poder para alçar vôos mais altos, sonho compartilhado por todos que já ocuparam aquele posto. Com efeito, levando-se em conta que política é poder e poder, controle das variáveis que podem assegurá-lo e mantê-lo, o processo que resultou na mudança de comando da Assembleia está longe de oferecer a tranquilidade com que os petistas, primeiro o ex-governador Jaques Wagner e, na atualidade, Rui Costa, se acostumaram a ter na sua relação com o Legislativo, instância fundamental ao bom desempenho político de qualquer chefe do Executivo. O quanto de energia terá que ser despendido na manutenção de um pacto de convivência de alto nível na nova Assembleia o futuro dirá.

* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às segundas e quintas-feiras

10 de fevereiro de 2017, 10:27

EXCLUSIVA Petista Zé Neto elogia Coronel e líder da Minoria na Assembleia

Foto: Divulgação/Arquivo

Deputado Zé Neto é o líder da Maioria na Assembleia

O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Zé Neto (PT), elogiou o que chamou de clima “colaborativo” com que a Casa tem se comportado nos primeiros dias da gestão do novo presidente, Angelo Coronel (PSD). Segundo Zé Neto, tanto a definição das comissões quanto das lideranças ocorreu em tempo recorde, se levada em consideração a última vez em que o assunto foi tratado, em que se demorou quase um mês para definí-las. Ele também elogiou a iniciativa de Coronel de instalar o Colégio de Líderes, avaliando que, de fato, a medida permitirá um nível mais profundo de participação das lideranças partidárias nos destinos políticos da Assembleia e também o comportamento do líder da minoria, Leur Jr. (PMDB), que, segundo o petista, apesar de ser duro nas críticas, tem colaborado para o entendimento de todos no Parlamento.