21 de fevereiro de 2019, 07:54

EXCLUSIVA Por que exigem tanto de Jair Bolsonaro?, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Ex-presidente Jair Bolsonaro

Supreende a cobrança que a sociedade, provavelmente grande parte ou a maioria daqueles que votaram nele, a classe política e o mercado passaram a fazer ao presidente Jair Bolsonaro por conta do desgastante episódio envolvendo um de seus filhos políticos, Carlos, aparentemente o mais ciumento da prole de cinco, que resultou na demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência e na deflagração de uma crise de proporções inesperadas contados apenas 45 dias de governo, cerca de 20 dos quais passados pelo chefe do Executivo internado num hospital.

Afinal, equilíbrio, preparo e competência, suficientes para que o desentendimento não transbordasse como acabou acontecendo, jogando um país inteiro no plano da expectativa, como à espera de um novo capítulo de uma boa novela da Globo, nunca foram as características mais fortes do candidato Bolsonaro. Pelo contrário, quem votou no capitão reformado, fugindo do PT ou se auto-enganando com a idéia de que ele era o novo e iria quebrar o sistema, apesar de seus 30 anos de vida pública como parlamentar, não tem agora porque exigir o que simplesmente ele não pode dá.

Como é possível recordar, a agressividade e o destempero, bem como conceitos atrasados e estapafúrdios, expressos em discursos, entrevistas ou mesmo no confronto direto com desafetos, alguns chocantes, nunca foram escondidos por Bolsonaro de ninguém, condição desde sempre reveladora de que nunca se esteve diante de um grande líder e, ainda mais, de um estadista, capaz de levar as mais elevadas aspirações nacionais ao plano da concretude, para ficar numa leitura rasa da conceituação de Joaquim Nabuco, um dos primeiros pensadores políticos brasileiros.

Não dá agora, portanto, para que se chore o leite derramado, ainda mais se sabendo que no campo da oposição ao petismo, em que Bolsonaro jogou praticamente sozinho e firmou sua competitividade e vitória, havia um amplo leque de opções, todas desprezadas pela imensa maioria sob os mais disparatados argumentos. Como o país não pode mais continuar se arrastando, o que do ponto de vista econômico já acontece há pelo menos cinco anos, o governo dignou-se a apresentar ontem a proposta de reforma da Previdência ao Congresso, desfocando naturalmente as atenções para assunto verdadeiramente importante e capital.

A perspectiva de votar a reforma do sistema previdenciário é talvez hoje o maior sentido da presença de Bolsonaro na Presidência. Ele já foi catequizado no sentido de que sua votação, ainda que depois de modificações que deverá sofrer no Congresso e da imensa pressão das corporações do alto funcionalismo que não querem perder seus privilégios, é fundamental para resolver o imenso problema fiscal que os governos petistas legaram ao país, por sua vez, condição essencial para que a economia possa ser reativada e ele, quem sabe, consiga superar a fragilidade que só tem, a olhos vistos, ampliado a tutela de seu governo pelos militares.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje na Tribuna.

Raul Monteiro*

19 de fevereiro de 2019, 19:47

EXCLUSIVA Pesquisa vai definir se Lázaro concorrerá à Prefeitura de Salvador ou à de Feira em 2020

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Irmão Lázaro filiou-se ao PR na semana passada sem estardalhaço, mas com objetivos claros

Filiado ao PR na semana passada, sem estardalhaço, o ex-deputado federal Irmão Lázaro pode ser a opção do partido para candidato a prefeito em Feira de Santana ou mesmo Salvador. Duas pesquisas que serão encomendadas pelo PR para aferir a popularidade do ex-parlamentar em ambos os municípios até setembro, quando encerra o prazo para a escolha de seu domicílio eleitoral, deverão ajudar a escolher a cidade onde ele disputará as eleições. Negro, evangélico e cantor de música gospel, com passagem pelo banda Olodum, Lázaro tem revelado a amigos a preferência por concorrer à Prefeitura de Salvador, embora em seu partido se discuta a possibilidade de ele disputar o governo municipal, uma vaga na Câmara, onde atuaria como grande puxador de votos, ou a vice em uma das chapas que se formem para disputar a sucessão do prefeito ACM Neto (DEM) – tanto no campo do governo quanto no da oposição. Na disputa a uma das vagas ao Senado, nas eleições passadas, Lázaro cravou 85 mil votos em Feira e 360 mil em Salvador. A descoberta do ‘talento eleitoral’ pode ser atribuída ao presidente do PR, o também ex-deputado José Carlos Araújo, que percebeu o ‘grande potencial’ do colega ainda na Câmara, onde os dois se aproximaram na Comissão de Defesa do Consumidor.

19 de fevereiro de 2019, 18:58

EXCLUSIVA Revoltado com rejeição para secretaria por parte de Rui, Bebeto resiste a cargo em Brasília

Foto: Divulgação/Arquivo

Ex-deputado federal Bebeto

As principais lideranças do PSB têm feito um esforço de convencimento para que o ex-deputado federal socialista Bebeto aceite a representação da Bahia em Brasília, única posição em que o governador Rui Costa (PT) aceitou colocá-lo na reforma administrativa que acaba de concluir.

Indignado com o espaço que lhe foi destinado, Bebeto resiste e reclama do tratamento recebido da parte do governador a interlocutores. Por motivos que os representantes do PSB não sabem explicar, Rui vetou a indicação do ex-deputado para todos os cargos a que tentaram indicá-lo.

Embora a informação não tenha vazado na época à imprensa, ela acabou chegando ao conhecimento de Bebeto, que não soube explicar aos aliados o motivo porque o governador não quis contemplá-lo com uma posição de secretário em seu governo.

“O nome de Bebeto foi apresentado a Rui diversas vezes. Nem se exigia uma secretaria específica para ele, porque se estava empenhado em emplacá-lo numa posição de destaque ao lado do governo, na qual ele pudesse ajudar o governador.  Mas não houve jeito”, lamenta um dirigente do PSB.

“Onde Davidson Magalhães, onde Josias Gomes, onde a secretária de Ciência e Tecnologia tem mais preparo que Bebeto?”, questiona uma outra fonte do PSB ao Política Livre, acrescentando que os correligionários têm usado como argumento para convencer Bebeto a aceitar o cargo em Brasília a necessidade de ele não cair no ostracismo.

Hoje, o cargo de representante do governo baiano em Brasília é ocupado por Jonas Paulo, uma das antigas lideranças do PT no Estado.

19 de fevereiro de 2019, 11:32

EXCLUSIVA Queda de Bebianno enfraquece imensamente Dayane Pimentel no PSL

Foto: Reprodução/Arquivo

Dayane Pimentel é, além de deputada federal, presidente do partido de Jair Bolsonaro na Bahia

Isolada no PSL na Bahia depois dos desentendimentos com a deputada estadual Talita Prado, que a censurou por vê-la se atribuindo a responsabilidade por sua eleição à mesa diretora da Assembleia Legislativa, a deputada federal Dayane Pimentel, presidente da agremiação no Estado, se enfraquece imensamente com a queda de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência da República. Era ele seu principal interlocutor com o clã Bolsonaro em Brasília. A correligionários, o ex-ministro já havia revelado, inclusive, planos de fortalecer Dayane politicamente na Bahia com vistas a projetos eleitorais futuros. Sua situação pode ficar ainda mais delicada, caso o presidente e os filhos deixem a agremiação para refundar a UDN.

19 de fevereiro de 2019, 08:52

EXCLUSIVA Insatisfação na base e revolta dos “sem-gabinete” teriam levado a convocação de Pimentel

Foto: Reprodução/Facebook

Alberto PImentel é alvo de uma convocação no Legislativo Municipal

Como toda derrota de governos em votações no Legislativo tem alguma explicação, as que se apresentam para o fato de a base governista ter “cochilado” e permitido a convocação do secretário municipal de Esportes, Alberto Pimentel, ontem, na Câmara Municipal, são duas: há forte e generalizada insatisfação entre aliados do prefeito ACM Neto na Casa e os suplentes que se tornaram vereadores recentemente, a maior parte ausente da votação de ontem, estariam desmotivados porque ganharam os mandatos, mas não os gabinetes, que permaneceriam sob o controle daqueles que se afastaram para lhes dar assento na Câmara Municipal.

18 de fevereiro de 2019, 11:38

EXCLUSIVA Prestígio com juízes federais seria trunfo para Paulo Magalhães voltar à Câmara

Foto: Divulgação/Arquivo

Ex-deputado federal Paulo Magalhães

Na avaliação de petistas, só há uma explicação para o extremo cuidado com que o governo estadual trata o suplente de deputado federal Paulo Magalhães (PSD), cercado de toda a sorte de mesuras para conseguir assumir uma vaga na Câmara dos Deputados. Seria a extensa rede de relacionamentos que o parlamentar possui no Judiciário federal, em Brasília, nas mãos dos quais passam importantes processos envolvendo figurões baianos.

18 de fevereiro de 2019, 08:13

EXCLUSIVA Seria Jerônimo Rodrigues a aposta de Rui para 2022?, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Jerônimo Rodrigues é o novo titular da secretaria de Educação

Se não apontou qualquer pista com relação ao que pensa sobre a sucessão municipal de 2020 em Salvador, a reforma administrativa do governador Rui Costa (PT), em vias de ser concluída nos próximos dias depois de exaustiva demora, caso não enfrente nenhuma intercorrência, pode ter espalhado sinais do que ele já pensa, no entanto, a respeito da própria sucessão, em 2022. No PT, hoje, as projeções se concentram na figura do seu novo secretário de Educação, Jerônimo Rodrigues, considerado no partido, depois dos ajustes realizados até agora na equipe, o personagem mais importante do governo, ao lado do próprio Rui.

Sob relativa polêmica, dada sua pouca intimidade com a área, Jerônimo foi escolhido para a secretaria de Educação, no que os políticos, tanto do partido de ambos quanto nos dos aliados, avaliam como um espaço em que o governador reforçou a chamada cota pessoal. A chave se fecharia com a indicação da reitora da UESC, Adélia Pinheiro, para a secretaria de Ciência e Tecnologia, posição que chegou a ser desejada pelo PT como forma de contemplar suas várias correntes, em disputa permanente, mas esbarrou no mesmo critério adotado pelo governador de transformar a secretaria numa peça sob o seu controle direto.

Rui deve a Jerônimo a condução de sua campanha à reeleição de forma segura e sem sobressaltos. A reconhecida habilidade do petista, que já fora seu secretário de Desenvolvimento Rural, e cujo desempenho na pasta, aos seus olhos, o credenciou para tocar o desafio de articular os procedimentos para a disputa passada, teria aprofundado a intimidade política entre ambos, aliás, um verdadeiro trunfo para o novo titular da Educação, porque partilhado por pouquíssimos que desfrutam do convívio com o governador tanto no campo partidário e, principalmente político, quanto no âmbito administrativo.

O petista é dos poucos com quem Rui conversa ao pé do ouvido, se diz no PT, o que lhe dá, além de imensa força no governo, um status raro na sigla, menos por ele do que pelo perfil extremamente fechado do gestor, o que, na visão do círculo mais próximo do novo titular da Educação, pode ter ampla e extensiva significância, principalmente se ele souber usar com competência política a excepcionalidade de tamanho prestígio, de resto um crédito, também se comenta no petismo, de que nem o responsável pelo começo da história de Rui como governador, o senador Jaques Wagner, conseguiu ser portador.

De fato, numa rápida olhada sobre as posições que o PT vai ocupar neste iniciante segundo governo de Rui Costa, é possível notar que, à exceção da corrente do deputado federal Nelson Pelegrino, a Esquerda Democrática Popular (EDP), que não conseguiu emplacar nada no primeiro escalão, uma evidência da desidratação de sua antes festejada liderança, todas as demais lograram manter ou renovar suas posições, embora seus indicados não possam se atribuir o mesmo vínculo com o governador de que goza Jerônimo. Portanto, é para ele que os holofotes deverão se voltar a partir de agora, em toda a base governista.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje na Tribuna.

17 de fevereiro de 2019, 11:05

EXCLUSIVA Com Martins na Justiça, Josias na SDR, Cibele na Serin e Adélia na SCTI, Rui conclui reforma

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Josias Gomes, que já foi secretário de Relações Institucionais, comandará a pasta do Desenvolvimento Rural

Depois de uma reunião este final de semana com o PT, o governador Rui Costa (PT) bateu o martelo para a indicação de Carlos Martins à secretaria de Justiça e do deputado federal Josias Gomes para a secretaria de Desenvolvimento Rural. Com a confirmação da ex-prefeita de Rafael Jambeiro, Cibele Carvalho, que assumiu a secretaria de Relações Institucionais desde a saída de Josias, no posto, e a nomeação de Adélia Pinheiro, reitora da Universidade de Santa Cruz (UESC), para a pasta de Ciência e Tecnologia, ele fecha as posições que faltavam na reforma administrativa, podendo anunciar a conclusão do processo iniciado desde o ano passado que envolveu mudanças na maioria das 25 pastas do governo.

15 de fevereiro de 2019, 10:26

EXCLUSIVA Sérgio Britto foi convencido a ir para SDU com promessa de indicação ao TCM

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Sérgio Britto teve que ser convencido a aceitar a secretaria de Desenvolvimento Urbano

Para convencer o deputado federal Sérgio Britto, do PSD, a aceitar o convite para a secretaria de Desenvolvimento Urbano, o governador Rui Costa (PT) teria acenado com, entre outras vantagens, sua indicação para a primeira vaga de conselheiro que aparecer no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), o que é esperado para os próximos dois anos. Tudo com o propósito de garantir a posse do segundo suplente Paulo Magalhães (PSD) na Câmara dos Deputados, o que depende agora da indicação de um deputado federal petista a uma das quatro secretarias que faltam preencher.

15 de fevereiro de 2019, 09:46

EXCLUSIVA Briga entre Pelegrino, Florence e Josias estaria atrasando reforma de Rui Costa

Foto: Divulgação/Arquivo

Nelson Pelegrino seria um dos indicados no PT para as secretarias que não foram preenchidas

Deputados apontam uma brigalhada no PT para ver quem vai ser secretário de Rui Costa como motivo para a demora na conclusão da reforma administrativa. Segundo as más línguas na Assembleia Legislativa, a disputa se daria entre as correntes dos deputados federais petistas Josias Gomes, Afonso Florence e Nelson Pelegrino. Um das secretarias desejadas é a de Desenvolvimento Rural.

14 de fevereiro de 2019, 08:50

EXCLUSIVA Até quando vai a reforma do governador Rui Costa?, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Governador Rui Costa

Se o parâmetro for a reforma administrativa de Rui Costa (PT), o ditado segundo o qual o ano na Bahia só começa depois do Carnaval ganha mais uma reforço. Afinal, o governador até agora não finalizou o processo de montagem do segundo governo, deflagrado não só com a expectativa natural que sua reeleição provocou, desde outubro de 2018, mas com a confirmação feita por ele mesmo de que promoveria mudanças. E tudo indica que, com a maior festa popular do planeta se aproximando, o gestor só conseguirá anunciar o nome dos restantes quatro titulares das 25 pastas que comanda depois do grande evento, em março.

Neste caso, a demora é que é a maior inimiga da perfeição. Os secretários que aguardam uma definição sobre se ficam ou deixam seus postos relatam um desconforto enorme. A bem da verdade, teriam poupado o governador e a si próprios do desgaste se, assim que a eleição terminou, no ano passado, tivessem entregue coletivamente seus cargos a fim de dar mais liberdade ao gestor para montar a nova equipe. Como o seu apego e o dos partidos que os indicaram é maior do que o princípio de que precisavam facilitar a vida do governador, não teve um que se dignasse a tomar a atitude.

Mas a instabilidade não afeta apenas os secretários que hoje se encontram nesta situação, da mesma forma que em passado recente incomodou aos outros que tiveram a sorte de terem sido confirmados antes, seguindo os passos de soluço das mudanças. A agonia maior é vivenciada principalmente por seus subordinados, muitos em posições de destaque, que relatam uma situação desagradável de letargia na máquina, porque ninguém sabe se as políticas que hoje executam terão continuidade, o que protela decisões e afeta projetos que precisam de definições claras quanto aos rumos a seguir.

Se o clima no primeiro escalão é de desagrado, ele não é de mais alívio no segundo, onde estão órgãos e empresas muitas vezes tão importantes quanto as secretarias. Mesmo porque o que circula entre gente que atua no governo e parlamentares da base de apoio de Rui Costa é que as definições neste campo só depois de concluída a reforma do secretariado, o que, portanto, os indícios projetam para março, depois do Carnaval, a menos que o governador surpreenda a todos e acelere o passo, mostrando que anda de fato na “correria”, como diz sua propaganda, o que pelo menos este processo evidencia não ser assim o retrato da verdade.

Enquanto o tempo passa e o vácuo se amplia, é natural que a base, sempre ávida por ampliar seus espaços na máquina, comece a se movimentar. Por enquanto, as maiores pressões partem do vice-governador João Leão, cujo PP já abocanhou duas secretarias – a de Desenvolvimento Econômico, para ele próprio, e a de Recursos Hídricos -, além de várias outras posições menores, mas lidera um grupo conhecido pelo apetite verdadeiramente de Rei das Selvas. Nada impede, entretanto, que os maiores afetados pela movimentação do PP, como o PSD e o PT, passem também a exigir mais e mais enquanto o governador não se decide.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

12 de fevereiro de 2019, 09:10

EXCLUSIVA Festa de Donata opõe deputada Olívia Santana a governador Rui Costa

Foto: Reprodução/Twitter

Governador Rui Costa dança e canta na festa de Donata Meirelles

Notícia nova: não convidem para a mesma mesa Rui Costa (PT) e a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), autora, entre os políticos baianos, das mais ferozes críticas à festa da diretora da Vogue Donata Meirelles, no último final de semana, no Palácio da Aclamação, em Salvador, na qual o governador simplesmente se… es-bal-dou!

11 de fevereiro de 2019, 08:55

EXCLUSIVA Afinal, onde está a Corregedoria de Justiça da Bahia que não vê?

Foto: Reprodução

Marca da Corregedoria de Justiça da Bahia

A Corregedoria de Justiça da Bahia precisa fiscalizar um determinado Cartório de Registro de Imóveis de Salvador onde, segundo servidores, teria adquirido há algum tempo assento informal um antigo oficial do Cartório do 1o. Ofício, demitido tempos atrás pelo governo do Estado a bem do serviço público. Nos meios jurídicos, o que se comenta é que suas ligações com um médico da capital estariam parindo cobras e lagartos, inclusive “muitos imóveis novos”.

11 de fevereiro de 2019, 07:46

EXCLUSIVA A sanha contra Donata Meirelles e Nizan Guanaes, por Raul Monteiro*

Foto: Isto é

Nizan Guanaes e Donata Meirelles

A surpreendente polêmica gerada pela festa de aniversário da diretora da Vogue Donata Meirelles, na última sexta-feira, no Palácio da Aclamação, dá uma bela dimensão da pobreza da Bahia. Tanto econômica, um problema que os últimos governos locais não souberam ou sequer se propuseram a enfrentar, quanto de espírito, o que, a bem da verdade, não é propriamente uma novidade. A explosão de comentários sobre o evento registrada nas redes sociais, predominantemente críticos aos anfitriões e a seus convidados, passou a impressão de que o mundo acabava ou começava ali, na comemoração dos 50 anos da socialite.

Nenhuma nova tragédia, nada havia de mais importante acontecendo no Brasil, em outros Estados ou mesmo neste fim de mundo, condição a que, infelizmente, a Bahia foi relegada e episódios como este, lamentavelmente, só reforçam. Uma dezena ou mesmo uma meia-dúzia de eventos, a depender do período, com o mesmo porte deste promovido em Salvador, acontecem todos os finais de semana em São Paulo, onde os anfitriões moram boa parte do ano, Paris, Londres ou Nova Iorque sem que o deliberado ou forçado vouyerismo cibernético exploda em acusações e manifestações tão grandes de rancor ou despeito.

Mas, na Bahia, para onde os donos da festa trouxeram em torno de 300 convidados de fora, que tiveram que se hospedar na hoje diminuta rede hoteleira soteropolitana, precarizada pela queda do fluxo turístico no balneário em decorrência dos mais variados fatores, inclusive da mais deslavada incompetência governamental, e contrataram gente, provavelmente muitos desempregados, para recebê-los e transformar a celebração num momento especial, os olhos que espreitavam por trás do buraco da fechadura das redes sociais, muitos indignados, vamos combinar, porque privados de participação no convescote, eram de ódio e pura reprovação.

Um repúdio que condena a participação de Rui Costa (PT) numa comemoração de elite, a qual, queira ou não queira, ele integra desde que ascendeu à condição de político com mandato, mas não se manifesta, por exemplo, contra a inércia que permitiu a Salvador chegar ao seu terceiro ano sem um Centro de Convenções e as terríveis consequências desta e de outras falhas ou equívocos administrativos e políticos para o estímulo ao turismo e a geração de empregos numa cidade profundamente carente e desigual que, por falta de vocação melhor, sempre se escudou na atividade para sustentar inúmeros de seus moradores.

Donata e seu marido, o publicitário baiano Nizan Guanaes, podiam ter alugado um castelo nos arredores de Paris ou uma mansão numa colina de Los Angeles para comemorar o aniversário dela. Por razões que alegaram serem afetivas, preferiram, no entanto, o destino em que tudo aconteceu, inclusive, a onda reversa com que foram brindados. Erraram na temática folclórica, anacrônica, imprópria, que permitiu a muitos acusarem-nos, maldosamente, de trajarem mulheres negras como escravas em flagrante de racismo, por cuja escolha a aniversariante chegou a pedir perdão. A sanha tamanha de que têm sido alvo soa, no entanto, além de exagerada, excessivamente destrutiva e provinciana.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna.

8 de fevereiro de 2019, 08:41

EXCLUSIVA Espaço crescente de João Leão no governo leva aliados a advertirem governador

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Petistas, principalmente, temem que Leão se transforme

Indignados com a pressão que o grupo do vice-governador João Leão (PP) faz sobre o governo para assumir novas posições na administração estadual, agora no segundo escalão, aliados passaram a advertir o governador Rui Costa (PT) para o risco de o novo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico assumir o papel que o ex-ministro Geddel Vieira Lima desempenhou no governo Jaques Wagner (PT).

Na época, apesar de fortalecido por Wagner na gestão, Geddel não respeitava limites, exigindo cada vez mais espaço no governo, o que resultou no rompimento entre eles. Além de ser vice, Leão assumiu a secretaria de Desenvolvimento Econômico, desalojando a petista Luíza Maia, indicada por Wagner, e manteve a pasta de Recursos Hídricos, bem como fatias de órgãos estaduais. O grupo, no entanto, estaria fazendo pressão forte por mais espaço no segundo escalão.

Leão foi para o Desenvolvimento Econômico, alegando que precisava de uma posição administrativa para tocar a ponte Salvador-Itaparica, projeto lançado no início do primeiro governo Jaques Wagner, sob descrédito principalmente quanto à sua viabilidade financeira. A proposta foi, no entanto, abraçada pelo vice como a verdadeira meta de sua vida na administração estadual. Ele vive dizendo que os chineses compraram a idéia de executar o projeto.

Os petistas são hoje os mais incomodados com o poder crescente de Leão no governo Rui. Antes da definição de boa parte do secretariado – falta o governador anunciar ainda quatro nomes -, o vice chegou a se atritar com o senador Otto Alencar (PSD) supostamente por ter tentado avançar sobre espaços do aliado no governo. Otto chegou a dar declarações defendendo a manutenção da pasta de Infraestrutura com seu partido, no que foi bem sucedido.