8 de outubro de 2018, 10:14

EXCLUSIVA Derrota de Imbassahy é colocada na conta de relação com Temer; Eleito, Artur pagou preço

Foto: Ag. Brasil/Arquivo

Deputado federal Antonio Imbassahy, que

A vinculação de parlamentares com o governo Michel Temer (MDB) cobrou seu preço – e ele foi caro – nestas eleições na Bahia. A derrota do deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB), que foi ministro do presidente, é colocada praticamente de forma integral na conta de suas relações com Temer, que em algum momento estrategicamente ele tentou, inclusive, esconder. Outro que teve dificuldade de se eleger, mas acabou se reelegendo, foi o deputado federal Arthur Maia (DEM), por acaso relator, na Câmara, da reforma da Previdência, campeã de impopularidade entre as propostas apresentadas pelo governo emedebista.

8 de outubro de 2018, 09:17

EXCLUSIVA Sequência de equívocos e derrota, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

José Ronaldo foi o candidato do DEM ao governo do Estado

Da escolha de seu nome por ACM Neto (DEM) para concorrer ao governo à estratégia utilizada na campanha, a candidatura de José Ronaldo (DEM) ao governo foi uma sequência de equívocos, cujo resultado eleitoral, de menos de 23% dos votos válidos, portanto abaixo da média da oposição nos últimos anos, não deixa mentir. Pinçado de afogadilho para suprir a lacuna do líder oposicionista que optara, por decisão mais pessoal que política, por não disputar o governo, Ronaldo nunca inspirou a devida confiança em sua eventual vitória, necessária a manter mobilizadas as forças que já se organizavam na expectativa da candidatura do prefeito de Salvador.

Sob tal clima, não seria de estranhar que sua primeira grande dificuldade, a de montar a chapa com que finalmente disputaria a sucessão, não fosse superada a contento. O medo de não conseguir fazer a escolha dos companheiros de jornada deve ter levado à sua dócil submissão à pressão do nanico PSC para fazer o deputado federal Irmão Lázaro candidato a senador e não à sua vice, onde era notório que o parlamentar poderia ajudá-lo muito mais do que, ao final, o auxiliou. O fato de Lázaro ter tido mais votos para senador – quase 1.820.000 – do que ele, que cravou menos de 1.500.000 para o governo, só confirma as predições mais sensatas feitas à época, que o candidato solenemente ignorou.

A segunda escorregada ocorreria mais adiante, na reta final da campanha e, coincidentemente, no auge do provável desespero do candidato ante o risco de uma derrota humilhante. Nas considerações finais de um debate na TV Bahia, tradicionalmente o de maior audiência no Estado, o candidato a governador resolveu, sem combinar o jogo com o padrinho ACM Neto, pedir votos para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), quando seu compromisso e o do prefeito, mais ainda, já que era também coordenador nacional da campanha do tucano Geraldo Alckmin, fora o de apoiar a candidatura do PSDB à sucessão presidencial.

A irritação com que Neto reagiu ao fato, desautorizando-o imediatamente, acabou levando parte do eleitorado a concluir que Ronaldo traíra os dois, o padrinho político e o presidenciável. Antes, o democrata já ensaiara uma ponte com Bolsonaro, ao perguntar, num palanque, se a platéia gostaria de votar no capitão reformado e ouvir como resposta uma explosão de apoio, o que levou à sua primeira repreensão por parte do prefeito. O engano de Ronaldo, no entanto, foi o de achar que as sinalizações de simpatia por Bolsonaro seriam suficientes para catapultá-lo, aos olhos do eleitorado, aos píncaros da glória bolsonarista.

Antes, o que pareceu fora que agia exclusivamente por oportunismo, o que não pode ser considerado uma verdade plena, já que foram prepostos seus que organizaram o único evento de que Bolsonaro participou em Salvador, em Stella Maris, muito antes de levar a facada que o tiraria temporariamente de combate, de olho na perspectiva de os dois virem a se entender no caso de Alckmin sucumbir, como acabou acontecendo. Justificar ou suavizar sua adesão a Bolsonaro, de forma a permitir que pongasse em sua popularidade, como fez, por exemplo, o hoje líder da disputa no Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), deveria ter sido um papel que sua comunicação política não conseguiu cumprir.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna.

Raul Monteiro*

6 de outubro de 2018, 09:39

EXCLUSIVA Enquanto Rui espera ganhar no 1o. turno, Ronaldo acha que vai ao 2o. pelas mãos de Bolsonaro

Foto: Montagem Política Livre

Zé Ronaldo (DEM) e Rui Costa (PT)

A um dia da eleição, o governador Rui Costa, candidato à reeleição por uma coligação liderada pelo PT, e o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo, nome do DEM ao governo baiano, têm expectativas absolutamente contrárias em relação ao pleito.

A equipe de Rui Costa acredita que ele ganha no primeiro turno com entre 70% e 80% dos votos válidos (excluindo-se brancos, nulos e indecisos). Já a de José Ronaldo espera uma virada, baseada na sua adesão de última hora ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Fenômeno eleitoral que torna imprevisível o resultado da eleição à Presidência da República amanhã, a qual pode ser definida tanto no primeiro quanto passar ao segundo turno, que ocorreria em 28 de outubro, o capitão reformado virou uma febre no interior do Estado.

Por este motivo, Ronaldo tenta a todo custo pongar em sua popularidade, tendo promovido, inclusive, um ato ontem em Feira, seu reduto político e eleitoral, para o “novo correligionário”.

Mas o time de Rui Costa acha que a mudança de apoio do candidato do DEM do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) para o do PSL terá efeito mínimo sobre ele. Aliás, diz ter captado, por pesquisas, uma onda verdadeiramente contrária a Ronaldo depois da sua decisão de apoiar Bolsonaro.

Pela forma como virou a casaca, o candidato do DEM estaria sendo considerado “oportunista” e “traidor” pelo eleitor. É esperar até amanhã para ver se os dados da equipe do governador se confirmam em relação ao adversário do DEM.

Em todo caso, Rui estará nesta manhã com o presidenciável do PT, Fernando Haddad, em Feira de Santana. Numa resposta ao ato que Bolsonaro ganhou ontem no município, naturalmente. O petista pretende levar uma multidão às ruas.

5 de outubro de 2018, 20:10

EXCLUSIVA Militar acusado de coagir lideranças veste camiseta de campanha de João Roma

Foto: Reprodução/Instagram

Capitão Prado com camiseta de campanha de João Roma

Depois que a Rádio Metrópole informou ter recebido informações de que o capitão da Polícia Militar de sobrenome Prado, que trabalhou na Casa Militar da Prefeitura, estaria coagindo lideranças que não querem votar no candidato a deputado federal João Roma (PRB), tendo, inclusive, prendido duas delas, e que os fatos estariam sendo apurados pela secretaria estadual de Segurança Pública e pelo Comando da PM, já que a iniciativa pode configurar crime eleitoral, este Política Livre recebeu imagens do policial em que ele aparece vestindo uma camiseta de campanha do político. A SSP e a Polícia Militar não confirmaram se estão investigando o capitão nem se ele efetivamente teria coagido as lideranças.

4 de outubro de 2018, 07:04

EXCLUSIVA O polêmico pedido de voto de Ronaldo em Bolsonaro, por Raul Monteiro*

Foto: Política Livre/Arquivo

Candidato do DEM ao governo, Jose Ronaldo surpreende em fala final em debate da TV Bahia

É improvável que o candidato do DEM ao governo do Estado, José Ronaldo, venha a tirar algum proveito do seu inesperado pedido de voto útil no primeiro turno para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), feito ao final do debate de que participou na TV Bahia na terça-feira à noite. Pelo contrário, ao que se apurava ontem, a iniciativa causou mais problemas ao comando de sua campanha e ao seu padrinho político, ACM Neto, por acaso um dos braços-direitos do candidato tucano à Presidência Geraldo Alckmin, do que ele deve ter provavelmente imaginado.

A começar pelo fato de que muita gente achou que, dada a ousadia da fala de Ronaldo, ainda mais tendo sido proferida num território absolutamente íntimo ao prefeito, cuja família é proprietária da emissora, ele teria combinado o jogo com o democrata, o que definitivamente não é verdade. Tanto que ainda nas primeiras horas da manhã, em seguida ao pronunciamento de seu candidato, Neto fez questão de encomendar à sua assessoria um comunicado se dizendo surpreso com a fala de Ronaldo e reafirmando seu compromisso com a candidatura tucana.

E nem há quem negue, no grupo político do prefeito, que Neto determinou o esclarecimento absolutamente contrariado com a postura do candidato democrata. Se Ronaldo queria realmente “causar” e buscar uma vinculação com Bolsonaro que lhe permitisse pongar no fenômeno de popularidade em que o capitão da reserva se transformou, ainda que admitindo seu expresso oportunismo eleitoral, agiu mal desde o princípio. Mesmo porque aqueles curtos dois minutos em que expôs sua posição, já em entrada madrugada, não poderiam jamais ser suficientes para o sucesso da empreitada.

Pelo contrário, a mensagem que acabou passando foi a de que está num mato sem cachorro e em desespero por algum socorro que o impeça de afogar-se, o que não pode ser feito por Alckmin, em posição tão desconfortável nas pesquisas nacionais quanto ele nas estaduais. Para começo de conversa, para tentar estabelecer alguma conexão com o público de Bolsonaro, o candidato tinha que ter aproveitado a grande oportunidade de seu principal oponente, o governador Rui Costa, ser do PT para buscar travar com ele um debate político e ideológico, de forma a se colocar como um representante local do antipetismo, à semelhança do que tem impulsionado o ex-militar nacionalmente.

Como optou por posicionar-se o tempo todo contra a administração de Rui, que só precisou defender-se como gestor, nada articulou minimamente que pudesse justificar a sua fala final em defesa de Bolsonaro nem de uma eventual identificação do eleitor entre eles, erro, de resto, cometido pelo candidato João Henrique (PRTB), outro que tenta há mais tempo e sem sucesso se tornar o representante do presidenciável do PSL no Estado. Fosse melhor orientado por sua equipe, Ronaldo não teria cometido equívoco tão primário, péssimo para uma biografia que até agora não comportava nenhum constrangimento.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna.

Raul Monteiro*

3 de outubro de 2018, 10:45

EXCLUSIVA Neto se irrita e cancela viagem com Ronaldo depois de seu pedido de voto em Bolsonaro

Foto: Reprodução/Arquivo

Prefeito ACM Neto só revelará opção por Jair Bolsonaro depois do primeiro turno das eleições

As declarações do candidato a governador José Ronaldo (DEM) pedindo voto útil no presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno das eleições, neste domingo, ao final do debate de ontem da TV Bahia, abriu uma crise no seio de sua campanha, principalmente no núcleo mais próximo do prefeito ACM Neto (DEM), um dos braços direitos do candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) que foi surpreendido com a fala do correligionário no programa.

Profundamente irritado, Neto chegou a cancelar a agenda que tinha hoje pela manhã com Ronaldo no município de Irecê. Jornalistas perceberam a contrariedade do prefeito ainda ontem na TV Bahia. Depois de ter chegado sorridente à emissora, que é de propriedade de sua família, o prefeito deixou o local em seguida ao pronunciamento de Ronaldo, sem falar com ninguém, diferentemente do que aconteceu no debate da TV Bandeirantes.

No outro evento, Neto tinha acompanhado o candidato na entrada e na saída para o confronto. Imediatamente após o debate de ontem, a assessoria do prefeito soltou uma nota informando que ele não concordava com as declarações de Ronaldo e continuava firme no apoio à candidatura do PSDB. Esta não é a primeira vez que Ronaldo “apronta” com o prefeito em plena campanha.

Há cerca de duas semanas, o candidato fez uma enquete de cima de um palanque em que comemorou a preferência da platéia por Bolsonaro. Ao encerrar o “levantamento”, onde primeiro perguntou sobre Alckmin e depois o concorrente Ciro Gomes (PDT), Ronaldo disse que aquela pesquisa, demonstrando o favoritismo do capitão reformado, era a que importava.

Não contente com a iniciativa, o candidato do DEM passou ele mesmo a impulsionar a divulgação do vídeo com a “pesquisa de palanque” nas redes sociais até que seu marketing percebeu o constrangimento que a medida poderia causar. A situação acabou levando Neto a enquadrá-lo, sobretudo por causa do compromisso político e pessoal do prefeito com Alckmin.

A tentativa de Ronaldo de pongar na popularidade de Bolsonaro é percebida por aliados desde o princípio da campanha, onde vem sendo estimulado neste sentido por dois dos seus companheiros de chapa defensores do nome do capitão reformado, a médica Mônica Bahia, sua vice, oriunda do Movimento Brasil Livre, e o candidato a senador Irmão Lázaro (PSC).

Mas, segundo correligionários, o ex-prefeito de Feira de Santana teria desenvolvido uma verdadeira obsessão para se ligar ao candidato do PSL depois de ter constatado que a estagnação de Alckmin nas pesquisas não colaborava eleitoralmente com ele na Bahia, que também padece do mesmo mal, segundo os levantamentos feitos sobre as intenções de voto ao governo do Estado.

“Percebemos um desejo quase ingênuo de Zé Ronaldo de se ligar a Bolsonaro, desconsiderando que esse processo não acontece por osmose”, conta um importante assessor da campanha do democrata que já desaconselhou ele algumas vezes de caminhar nesta direção. Na semana passada, o candidato andava por uma rua de uma cidade do interior com alguns apoiadores quando avistou uma estrondosa carreata de Jair Bolsonaro.

Ao levantar a vista e ver a barulheira que o grupo fazia, Ronaldo se ergueu e animou todo, revelando a intenção imediata de se incorporar à manifestação do adversário de Alckmin. Apesar da excitação, no entanto, o candidato acabou sendo contido pelos apoiadores, que julgaram que um registro de sua participação no evento não ia pegar bem para ele nem para o prefeito de Salvador.

2 de outubro de 2018, 09:43

EXCLUSIVA ACM Neto deve declarar voto em Bolsonaro no segundo turno, prevêem aliados

Foto: Politica Livre/Arquivo

Prefeito ACM Neto é também presidente nacional do DEM e hoje coordenador da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB)

Apesar da intensa campanha pelo presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) na Bahia e de evitar falar sobre que posição tomará num provável segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e o petista Fernando Haddad, ACM Neto deve declarar voto no capitão reformado depois de domingo próximo, em seguida a um contundente discurso contra o PT. É o que prevêem nove em cada 10 correligionários baianos do presidente nacional do DEM.

2 de outubro de 2018, 08:40

EXCLUSIVA Aliados apostam que Araújo deve ser defenestrado do governo depois da eleição

Foto: Divulgação/Arquivo

O deputado federal José Carlos Araújo é também presidente do PR na Bahia

Além de torcerem contra a reeleição do deputado federal José Carlos Araújo (PR), aliados de Rui Costa (PT) fazem apostas pesadas de que ele não conseguirá se manter na base do governador depois do dia 7 de outubro. Garrafas de whisky e perfumes foram itens apostados numa roda na Governadoria na semana passada, na qual saiu até o nome do sucessor do filho do parlamentar na Prodeb, órgão mais importante ocupado por Araújo no governo, embora estejam igualmente na mira outras posições menores suas na máquina administrativa.

1 de outubro de 2018, 08:50

EXCLUSIVA Um país radicalmente dividido, por Raul Monteiro*

Foto: Reprodução Política Livre

Haddad e Bolsonaro são cotados para o enfrentamento do segundo turno

Se há dúvida em cidadãos democratas genuínos em relação a que decisão tomar num eventual e provável segundo turno entre os candidatos Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT, o mesmo questionamento permeia a cabeça de políticos que defendem acima de tudo a democracia e não se identificam com o que pode significar um ou outro presidenciável. Afinal, embora seja um intelectual de excelente reputação, um político que se possa respeitar, Haddad não fez até agora nenhum aceno no sentido de que, a despeito do que seu partido e Lula pensam e dizem, não compactua do mesmo atraso e, elegendo-se, poderá exercer sua autonomia.

Não é possível, por exemplo, que compartilhe intimamente do mesmo diagnóstico da crise que PT e Lula fazem, desconsidere a importância de critérios como o da responsabilidade fiscal e queira promover a volta do crescimento no país por meio do incentivo ao crédito e ao consumo, fórmula aplicada à exaustão pelo ex-presidente que pode ser apontada, entre outros graves equívocos governamentais, pela horrorosa crise em que o país se encontra, a qual o lulo-petismo insiste em debitar não nos próprios erros e na gestão incompetente de sua afilhada Dilma Rousseff, mas exclusivamente na do atual presidente Michel Temer, o ex-aliado emedebista.

Quanto a Bolsonaro, um fenômeno em boa medida produzido pelo radicalismo do próprio PT em seus flertes com posturas autocráticas, nada assegura que tem condições políticas e emocionais para efetivamente governar o país dentro das regras democráticas e que, na hipótese de não consegui-lo, não optará por levar o país a uma ruptura institucional, especulação que se fortalece não por causa de qualquer paranóia esquerdóide, mas por sua trajetória, história e despreparo, bem como pelos vários posicionamentos que vira e mexe adota, a exemplo do permanente questionamento a um virtual resultado eleitoral que não o favoreça.

Como não faz sentido liberalismo sem liberdade, sendo a supressão da segunda um arremedo do primeiro, há ainda o risco concreto de que os sinais que oferece por meio do seu guro econômico, Paulo Guedes, não passem de um engodo, destinado a atrair os que se aterrorizam com a eventual volta do PT, principalmente com o risco da repetição de um receituário que já provou sua inadequação e consequências desastrosas para o país. Exatamente disso, de uma empulhação cujo objetivo é convencer a todos de que é o oposto do petismo, quando muitos dos seus votos como deputado na Câmara apontam mais na direção do que pensa o partido de Haddad do que o contrário.

Deve ter sido por isso que o prefeito ACM Neto (DEM) divulgou ontem nas redes sociais um vídeo mais enigmático do que esclarecedor quanto ao que pode fazer na eventualidade de se defrontar com o embate entre o PT e Bolsonaro no segundo turno. Sem citar o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, do qual é coordenador de campanha, preferiu chamar o eleitorado à razão e apelar por um voto refletido e ponderado, lembrando que, qualquer que seja o resultado da eleição do próximo domingo, será necessário evitar um país dividido e desunido, única forma, na sua opinião e da de muitos preocupados com o futuro, de superar a gravíssima crise atual.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

27 de setembro de 2018, 10:41

EXCLUSIVA Praticamente reeleito, Rui tem duas metas eleitorais para depois do dia 7

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui Costa e, ao fundo, seu articulador político, Jaques Wagner

No grupo do governador Rui Costa (PT), há consenso de que, passado o dia 7 de outubro, quando o petista deve se reeleger no primeiro turno, como indicam as pesquisas, ele vai se concentrar em dois projetos.

O primeiro é o de ajudar na eleição de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República, se o candidato for, também como indicado nas pesquisas, para o segundo turno.

A outra meta é colaborar na montagem de uma estratégia para que seu grupo conquiste a Prefeitura de Salvador, sob controle do adversário do DEM, ACM Neto, há seis anos.

Amigos dizem que o governador não está exatamente obsessivo com a idéia de destronar o democrata do espaço de poder mais valioso que a oposição domina hoje no Estado.

Mas não nega a correligionários que terá imenso prazer em ajudar a impedir ACM Neto de fazer o sucessor, colocando em sua conta uma nova derrota, na qual acha que naturalmente cairá a da atual sucessão estadual.

Para isso, junto com o ex-governador Jaques Wagner (PT), candidato a senador, Rui já teria dado sinais de que pretende reconstruir pontes com partidos que se tornaram adversários do PT nos últimos anos.

O MDB seria o principal deles. Buxixos sobre um almoço entre Wagner e o deputado federal Lúcio Vieira Lima, na semana passada, chegaram ao conhecimento deste Política Livre, mas o parlamentar nega, de pés juntos, o encontro.

Uma eventual aproximação com os emedebistas parte do pressuposto de que não há chance de o partido, que hoje tem quadros na Prefeitura, se entender eleitoralmente com o prefeito para a próxima sucessão municipal.

No processo de definição da candidatura das oposições ao governo, Lúcio teria se irritado profundamente com a pressão para que deixasse o MDB com o objetivo de que Neto se lançasse ao governo com o apoio da legenda.

O resultado é que, embora não dê palavra sobre o assunto, buscando se autopreservar até se reeleger, o emedebista estaria revoltado com o prefeito, seu vice, Bruno Reis, que migrou no período do MDB para o DEM, e o deputado federal João Gualberto, presidente do PSDB, aliado de primeira hora do democrata.

O tucano entrou no samba porque deu declarações, na época, dizendo que não aceitava de jeito nenhum o MDB numa aliança em apoio a Neto, no que foi interpretado por Lúcio como parte da mesma estratégia de pressão para sua saída do partido.

Era o momento da descoberta do bunker com os R$ 51 milhões atribuídos ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, irmão de Lúcio preso até hoje por causa da fortuna encontrada pela Polícia Federal.

Outro partido que estaria na mira de Rui é o PRB, que tem duas cabeças na Bahia, a da deputada federal Tia Eron e a de seu colega Márcio Marinho.

Os dois têm forte influência no partido e praticamente dividem o seu comando, mas possuem relações distintas com a oposição e o governo.

Enquanto ela simpatiza com ACM Neto, de quem foi secretária na Prefeitura, ele prefere o governador, motivo porque poderia ser a ponte para um entendimento com os petistas com vistas às eleições para o Thomé de Souza, em 2020.

27 de setembro de 2018, 09:03

EXCLUSIVA A falta dos marqueteiros baianos, por Raul Monteiro*

Foto: Política Livre/Arquivo

Marqueteiro baiano Sidônio Palmeira, com Rui Costa, que caminha para reeleição no primeiro turno, segundo as pesquisas

Ah, que falta fazem os bons marqueteiros da Bahia nas campanhas nacionais. Chamuscados por envolvimento promíscuo com os políticos, numa era em que o dinheiro jorrava e abastecia cofres particulares em todos os cantos, proveniente principalmente de escusos negócios empresariais com o poder público, depois da fama estrondosa, eles acabaram sendo forçados a um retiro obrigatório pela Justiça. O resultado são programas no horario eleitoral insossos, às vezes primários, quando não confusos, que dizem pouco ou quase nada a quem por acaso os assiste.

Sua ausência é sentida, principalmente, pela frieza da abordagem e a falta de elementos populares que, por mais que se esforcem, os comunicadores paulistas não conseguem imprimir em seus clientes ilustres, numa prova de que propaganda política é também um produto cultural, de maior complexidade do que a comercial. Felizmente, é possível conviver com o talento daqueles que, rejeitando apelos, fizeram questão de ficar no Nordeste. Responsável por três campanhas vitoriosas consecutivas do PT no Estado – as duas primeiras com Jaques Wagner e a terceira com Rui Costa -, Sidônio Palmeira caminha para mais um sucesso agora, em outubro.

Afinal, não há quem não trabalhe com a esperada reeleição do governador no dia 7, como as pesquisas indicam, mais uma vez em primeiro turno. Precisa, muitas vezes cirúrgica, a comunicação de Rui e de seus aliados está muito bem assentada num conceito, pertencendo a um conjunto harmônico que, dourando o produto para o eleitor, expressa exatamente o necessário, sendo, no que tem de melhor, fácil e muito agradável ao receptor. Próxima da dele em termos de qualidade na formulação, apesar do tempo menor disponível no horário eleitoral, vem a do candidato do MDB, João Santana.

Dos presidenciáveis, Alckmin é provavelmente a maior vítima de sua equivocada comunicação política. Pelo visto, seu marqueteiro não entendeu ou não logrou fazê-lo compreender as evidências espalhadas pelas pesquisas de que está se inviabilizando porque não conseguiu expressar o sentimento antilulista com o qual Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, passou a se identificar de forma cada vez mais crescente numa eleição onde as emoções jogaram a reflexão, o voto ponderado, definitivamente, para um canto qualquer, impedindo apelos à razão.

Enquanto o tucano tem apenas 10% nesta faixa do eleitorado, entre os brasileiros que não votariam no PT de jeito nenhum – grupo formado por três em cada 10 eleitores -, Bolsonaro cresceu 18 pontos porcentuais desde o começo do mês. O candidato do PSL tem agora 59% das intenções de voto entre os antipetistas – a taxa era de 41% no dia 5 e de 53% no dia 11. Sem ter conseguido encarnar o anti-lula, Alckmin perdeu as condições para tentar convencer quem quer que seja do que as pesquisas antecipam: o antipetista que votar em Bolsonaro vai acabar elegendo Fernando Haddad, um dos que, assim como ele, batem facilmente o candidato do PSL no segundo turno.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje de Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

26 de setembro de 2018, 17:15

EXCLUSIVA Apesar de firme apoio a Meirelles, MDB da Bahia discute voto em Haddad no 2o. turno

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

Lucio Vieira Lima

Embora firme na defesa da candidatura de Henrique Meirelles à Presidência da República – o emedebista ganhou um evento forte em Salvador na semana passada, coordenado, entre outros, pelo deputado federal Lúcio Vieira Lima -, o MDB da Bahia discute a possibilidade de apoio ao presidenciável Fernando Haddad no segundo turno das eleições. Por enquanto, há ordem unida na legenda para que o único discurso que se faça seja o da defesa de Meirelles, mas, internamente, o partido já promoveu algumas discussões, com a presença de Lúcio, inclusive, nas quais o candidato do PT foi considerado como o mais palatável para eventual apoio no segundo turno. As relações de Lúcio e de seu irmão, Geddel Vieira Lima, com o PT nacional são antigas. O deputado permaneceu na base até momentos antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que apoiou.

26 de setembro de 2018, 09:22

EXCLUSIVA Dificuldades e mau humor atrapalham campanha de José Ronaldo ao governo

Foto: Divulgação/Arquivo

José Ronaldo com a candidata a vice, Mônica Bahia, no dia do lançamento oficial de sua candidatura ao governo

Correligionários e amigos próximos de José Ronaldo (DEM) temem por ele. Dizem que o candidato a governador precisa urgentemente começar a dizer obrigado e a melhorar seu humor se quiser chegar ao dia 7 de outubro, data da eleição, com algum apoio genuíno em seu próprio grupo político.

Na verdade, acreditam, uma coisa está relacionada à outra, que está relacionada a outra. O candidato tem se posicionado como se ingrato fosse porque seu humor parece só piorar. E seu astral não melhora porque ele enfrenta cada vez mais problemas para tocar a campanha.

A queixa, feita por importante membro do DEM, mostra o clima em que está imerso o projeto de eleger José Ronaldo governador do Estado. Na prática, problemas abundam, a maioria dos quais relacionados a falta de dinheiro. Por isso, falta também estrutura para impulsionar seu nome no interior.

A maior parte dos recursos é consumido principalmente pelo programa de televisão, o qual não tem conseguido fortalecer a imagem de Ronaldo na medida do necessário para torná-lo competitivo, apesar de o candidato pertencer ao partido que lidera a oposição na Bahia.

Até governistas dizem que falta uma “pegada” de oposição ao candidato, considerado muito “educado e pacato”, insinuando que o grupo tinha opções mais aguerridas em que apostar para a disputa contra o governador Rui Costa (PT), candidato à reeleição. Muitos lembram de Bruno Reis (DEM), o atual vice de ACM Neto (DEM).

Outros tantos se referem a João Gualberto, deputado federal e presidente estadual do PSDB, que chegou a ser lançado candidato em seguida à decisão do prefeito de Salvador de não concorrer ao governo, e é figura conhecida pelo destemor e a disposição para enfrentar um embate.

“Passamos, digo passamos, porque não só eu, mas vários aliados, a ter a sensação de que José Ronaldo acha que está nos fazendo um favor em ser candidato. É como se ele não tivesse desejado nunca esta posição, o que não podemos achar que seja verdade”, conta a mesma fonte.

Para minimizar a crise financeira, articuladores do candidato decidiram promover um jantar de adesão à sua candidatura, em relação ao qual os aliados receberam um apelo para venderem convites. Hoje, há uma aposta velada entre correligionários para saber quantos amigos o próprio Ronaldo conseguirá levar para o evento.

A questão é levantada diante do isolamento que muitos vêm nele. A maioria diz não acreditar que alguém que foi prefeito quatro vezes de uma cidade como Feira de Santana tenha construído tão poucas relações no meio empresarial, o que se comprova agora na dificuldade de ele arrecadar recursos.

25 de setembro de 2018, 19:41

EXCLUSIVA Aliados apontam capilaridade como diferencial da campanha de Rui no Estado

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui Costa em atividade de campanha, ao lado do vice, João Leão

Correligionários de Rui Costa (PT) depositam na grande capilaridade de sua campanha, garantida principalmente pelo time de deputados da base do governo e de aliados de um modo geral, um dos motivos para seu excelente índice nas pesquisas de intenção de voto, que indicam sua vitória no primeiro turno das eleições estaduais. Eles alegam que o modelo adotado pelo petista, considerado mais moderno em comparação com o dos concorrentes, é o que tem facilitado a divulgação de seu nome no interior e nos bairros periféricos de Salvador.

Em geral, enquanto Rui vai para uma região, os deputados se dividem em visitas às localidades onde têm maior penetração, permitindo levar a mensagem do governador a mais lugares do que sua chapa sozinha conseguiria. Neste processo, um dos pilares da estratégia tem sido o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, que tem trabalhado pesado, principalmente no interior, não só pela reeleição do governador, como dos candidatos ao Senado na chapa do petista, Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD).

Pelos cálculos de parlamentares aliados, embora o governador tenha intensificado sua agenda no interior nos últimos dias e prometa ampliá-la até quando a legislação eleitoral permitir, é possível considerar que ele já cobriu praticamente todas as regiões do Estado, que possui 417 municípios, se for levado em consideração o trabalho dos deputados da base. Entre os mais animados com a mobilização e os resultados, estão deputados como Alex da Piatã e Adolfo Menezes (PSD), que têm trabalhado com afinco em suas respectivas regiões.

“Qualquer um sabe que é o deputado que leva o nome do candidato majoritário para as bases. É um processo natural”, diz Alex da Piatã, que atribui a Rui uma das melhores gestões já realizadas no Estado. Com forte reduto em Salvador, o deputado federal Bacelar (Podemos) é outro que atua em campo pelo nome do governador, usando, para isso, a inserção dos vereadores do partido, do qual é presidente no Estado, os quais alegam que só descansarão quando a eleição acabar. “O melhor é não percebermos resistência ao nome de Rui”, afirma Bacelar.

25 de setembro de 2018, 17:14

EXCLUSIVA Pesquisa indica que Irmão Lázaro é outro que está indo “pro saco”

Foto: Reprodução/Arquivo

Irmão Lázaro começa a se enfraquecer, segundo pesquisa divulgada pela Record

O resultado da pesquisa Big Data Real Time para senador, divulgada hoje pela TV Record, deve marcar o início do declínio do candidato Irmão Lázaro na corrida pelo Senado, na avaliação de seus próprios correligionários e também do PT. Para a maioria, Lázaro chegou ao teto, termo utilizado quando o candidato não tem mais para onde subir e pode, pelo contrário, começar a cair. O candidato do PSC paga o preço de vir apresentando uma mensagem fraca e vazia na televisão e de ter sido alvejado pelo PT, mas, principalmente, da traição que praticou contra os candidatos a deputado da coligação liderada pelo postulante a governador José Ronaldo (DEM). Depois de fechar um acordo para indicá-lo como candidato ao Senado na chapa de Ronaldo, o PSC decidiu, na madrugada, romper o acerto de integrar o chapão para montar uma chapinha com o PTB. O resultado é que, revoltados com a diminuição no quociente para a eleição, os candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia do grupo simplesmente abandonaram Lázaro à própria sorte e o prefeito ACM Neto (DEM), igualmente indignado com a atitude, nunca aceitou pedir votos para ele. Pelo visto, Irmão Lázaro, que chama os eleitores de “amados”, está indo “pro saco”.