19 de julho de 2017, 07:00

EXCLUSIVA Reforma de Rui deve compensar legendas que não integrarão chapa da reeleição; Muniz deve ir para lugar de Wagner

Foto: Divulgação/Arquivo

Roberto Muniz pode ocupar lugar de Wagner na secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico

Além de azeitar a máquina para enfrentar a sucessão estadual de 2018, deixando na administração apenas secretários que não estão preocupados com sua própria eleição, a reforma administrativa planejada pelo governador Rui Costa (PT) para o final do ano tem um propósito: reforçar a posição de partidos que não vão poder participar da chapa majoritária, a exemplo do PSB da senadora Lídice da Mata, do PR do deputado federal José Carlos Araújo e do PCdoB.

Apesar das fortes chances de permanecer na chapa da reeleição, o PP é outro partido que deve aproveitar a oportunidade para ampliar sua participação no governo. Um dos nomes da legenda cotados para a secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, no lugar do ex-governador Jaques Wagner, é o do hoje senador Roberto Muniz, um suplente que deve deixar a vaga com o retorno ao Senado do atual secretário de Educação, Walter Pinheiro.

Outro partido que deve ser fortalecido na reforma é o PCdoB, sigla que, assim como o PSB e o PR, não tem a menor possibilidade de indicar hoje algum nome à chapa, apesar de já ter anunciado publicamente o desejo de lançar ao Senado o deputado federal Daniel Almeida. As chances do PR, por sua vez, se ampliariam no caso de o partido receber os deputados do PP Ronaldo Carletto, Roberto Brito (federais), Robinho e Luiz Augusto (estaduais).

Embora alegue que um dos critérios para fazer a mudança é tirar da administração nomes que disputarão as eleições de 2018, situação em que se encontram os cinco que deixarão o governo conforme antecipado ontem por este Política Livre, Rui Costa está, na verdade, preocupado em melhorar a performance política da administração, chamando para mais perto gente que entende bem do assunto, como o ex-governador e amigo Jaques Wagner.

18 de julho de 2017, 18:29

EXCLUSIVA Pinheiro, Martins, Jerônimo e Josias devem deixar governo; Wagner muda de posição

Foto: Montagem Política Livre

Wagner, Martins, Pinheiro, Josias e Jerônimo: as mudanças que o governador quer fazer

Pelo menos cinco secretários devem deixar seus cargos na reforma administrativa anunciada pelo governador Rui Costa (PT) na última segunda-feira, durante entrevista a Mário Kertész, da Rádio Metrópole, segundo apurou o Política Livre. São eles Jaques Wagner, único que permaneceria no governo até o próximo ano, trocando a secretaria de Desenvolvimento Econômico pela pasta de Relações Institucionais, hoje ocupada por Josias Gomes, que retorna à Câmara dos Deputados; Jerônimo Rodrigues, que será substituído na secretaria de Desenvolvimento Rural; Carlos Martins, hoje titular da Justiça e Direitos Humanos, e Walter Pinheiro, que comanda a pasta da Educação.

Todos são candidatos nas eleições do ano que vem, inclusive Wagner, que, no entanto, permanecerá nas Relações Institucionais até o fim do prazo de desincompatibilização para candidatos, em março do ano que vem. O governo planeja as mudanças para o fim do ano, mas ainda não tem nomes para promover as substituições, sendo certo que as mudanças provocarão uma rearrumação na base, com legendas que dão apoio ao governador buscando aproveitar a oportunidade para aumentar suas posições na administração. Embora Wagner já tenha aceito o convite de Rui para assumir a articulação política, ele tem, no entanto, enfrentado um problema: encontrar nomes para formar uma equipe que possa efetivamente mostrar resultados.

O ex-governador já revelou a amigos o plano de trocar todo o time mantido hoje por Josias Gomes nas Relações Institucionais, admitindo que sua maior dificuldade, entretanto, seria encontrar as pessoas certas para as tarefas. Nomes como o de Elisa Pelegrini, hoje assessora particular de Rui Costa, e de Cícero Monteiro, chefe de Gabinete do governador, teriam dificuldades de se incorporar à equipe de Wagner porque parecem bem colocados nas posições atuais. A última vez que o governador mudou o secretariado foi em janeiro deste ano, quando, no entanto, se limitou a trocar nomes entre as pastas, sem incorporar nenhuma novidade ao secretariado. Agora, seu plano é reforçar o time para a disputa eleitoral de 2018.

18 de julho de 2017, 12:02

EXCLUSIVA Processo de Almiro Sena aguarda parecer no MP há seis dias

Foto: Divulgação

Por motivos até agora inexplicáveis, o processo a que o promotor de justiça Almiro Sena responde por abuso sexual aguarda há seis dias um parecer do Ministério Publico Estadual (MP-BA). Enquanto isso, ele permanece preso. Com a palavra, a procuradora-geral de Justiça, Ediene Santos Lousado!

18 de julho de 2017, 11:36

EXCLUSIVA Uma proposta mais que vergonhosa, por Raul Monteiro

Foto: Dida Sampaio/AE

Lamentavelmente, o país se acostumou a assistir a sucessivas reações da classe política brasileira, algumas veladas, outras escancaradas, a medidas que atentam contra seus hábitos moralmente deploráveis ou privilégios arraigados. Num lance recente, congressistas se articularam, não sem o apoio da grande maioria dos partidos, para aprovar uma lei contra o abuso de autoridade, proposta que, embora baseada em princípio importante, fora concebida de forma nitidamente casuística para enfrentar a Lava Jato, operação que, apesar dos exageros e arbitrariedades, começa a mudar a cultura da impunidade no Brasil.

Agora, um dia depois da condenação do ex-presidente Lula, um ilustre representante de seu partido, o parlamentar petista Vicente Cândido (SP), relator da reforma política na Comissão Especial na Câmara, decidiu apresentar um artigo à proposta, já apropriadamente chamado de “Emenda Lula”, cujo objetivo é impedir que políticos sejam presos até oito meses antes do pleito. A proposta do deputado altera o artigo 236 do Código Eleitoral, que proíbe a prisão 15 dias antes da eleição, outra regalia injustificável. O “Cândido” deputado quer criar uma espécie de habilitação prévia para as candidaturas.

Assim, o político teria que pedir um certificado à Justiça Eleitoral entre os dias 1º e 28 de fevereiro do ano da eleição e, com o documento, ganharia uma espécie de “salvo-conduto” que o impediria de ser preso daquela data até dois dias depois do pleito. Pior do que a “Emenda Lula” é o soneto, dado em forma de explicação pelo deputado. Pressionado a justificar a vergonhosa proposta, o parlamentar disse que a iniciativa pode, de fato, beneficiar Lula, mas seu propósito é muito mais amplo e generoso: o que ele quer, na verdade, é blindar políticos investigados.

A tese foi brandida com a mesma sem cerimônia pelo líder do PT na Câmara, Carlos Zaratini (SP), que vira e mexe aparece no noticiário atacando os métodos imorais de adversários como o presidente Michel Temer (PMDB). “Essa proposta não é para Lula e sim para todos os candidatos. Para dar uma maior segurança ao processo eleitoral”, justificou-se o defensor da moral e dos bons costumes no Congresso. A que ponto chegou o PT! Para proteger sua liderança máxima, condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos cinco processos a que responde, quer permitir que outros condenados ou corruptos possam participar livremente do processo eleitoral.

Dessa forma, o partido que se proclama popular se lança no maior ataque a um anseio popular que se tornou regra em 2010. Trata-se da Lei da Ficha Lima, legislação resultante de um projeto de lei de iniciativa popular que proíbe políticos condenados em decisões colegiadas de segunda instância de se candidatarem e começa a produzir seus primeiros efeitos na direção da melhoria da representação política do país, uma medida que precisa ser incentivada e aperfeiçoada e não combatida. Depois o PT se indigna ante acusações de que, na prática, se tornou uma organização criminosa.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

13 de julho de 2017, 07:19

EXCLUSIVA Aberto caminho para Lula ficar inelegível, por Raul Monteiro

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Arquivo

A sentença de Moro precisa ser confirmada em segunda instância para Lula ser impedido de disputar Presidência em 2018

Esperada há meses por petistas e anti-petistas, a condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, deflagra, na prática, o início do processo que pode culminar na inegibilidade do ex-presidente, impedindo-o de concorrer já na sucessão presidencial do próximo ano, plano de seu grupo para resgatar o PT do fundo do poço, ajudar nas campanhas estaduais e, naturalmente, impedir que as investigações avancem, pelo menos com os métodos de que o Ministério Público Federal se utiliza hoje, que têm a prisão preventiva para obter delações como seu principal instrumento.

Da mesma forma que a sentença condenatória era aguardada e desde sempre o PT se preparou para ela, buscando habilmente caracterizá-la mesmo antes de ser prolatada como um ato de perseguição política, outras decisões judiciais contra o ex-presidente são esperadas da parte da Justiça em instâncias nas quais se encontram outros processos contra o petista. Para efetivamente ser impedido de concorrer, no entanto, Lula terá que ter uma dessas sentenças de condenação eventualmente confirmadas em segunda instância, o que o tornará um ficha suja, sem o direito de se candidatar.

Por não mandar o ex-presidente direto para a cadeia por “prudência”, permitindo que ele recorra da sentença em liberdade, Moro foi acusado de covardia por adversários políticos do petismo. Mas se objetivava impedir que o país convulsionasse em torno de uma medida por si só bombástica, que rapidamente espalhou-se pelo mundo, obtendo a atenção dos principais veículos de comunicação do globo, foi vencido pela realidade. Rapidamente, manifestantes a favor e contra o ex-presidente iniciaram protestos em vários Estados do país, comemorando ou condenando a decisão do juiz de Curitiba.

A reação do mercado foi, como sempre, imediata. As bolsas subiram e o dólar caiu, demonstrando toda a sua ojeriza à agenda petista, representada como nunca pelo ex-presidente, que mandou para o espaço a “Carta ao Povo Brasileiro” desde o segundo mandato e pela escolha destrambelhada da ex-auxiliar Dilma Rousseff para comandar o país. Quanto aos manifestantes, de lado a lado, era possível que saciassem sua fome de protestos até a noite, guardando energia para futuros protestos no momento em que outras sentenças a favor ou contra o ex-presidente venham a ser emitidas.

Na Bahia, principal Estado dirigido hoje no país pelo PT, a reação em defesa de Lula foi forte, liderada pelo governador Rui Costa e o antecessor, Jaques Wagner, figuras que, além de correligionários, são amigos pessoais do ex-presidente. Além de ter organizado com sindicatos uma vigília em defesa de Lula, o PT baiano resolveu convocar uma reunião para discutir a condenação, que considerou “arbitrária e ilegal”. Enfim, a inédita decisão envolvendo um ex-presidente da República, colocou Lula em campanha, não se sabe ainda se simplesmente para evitar ficar inelegível ou ser preso mais adiante.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

12 de julho de 2017, 06:40

EXCLUSIVA Lídice da Mata participou de criticada ocupação da mesa do Senado

Foto: Estadão

Senado teve energia suspensa como forma de dissipar ocupação

A Bahia deu ontem sua contribuição para a cena de ocupação da mesa do Senado: Lídice da Mata, do PSB, estava lá, firme e forte, cerrando fileiras com Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) e tentando impedir que a reforma trabalhista fosse aprovada, em atitude que parece não ter recebido apoio sequer da Rede Globo.

10 de julho de 2017, 18:47

EXCLUSIVA Com crítica velada a reitor da Uneb, vice diz que está fora da chapa da reeleição

Foto: Divulgação

A vice-reitora da Uneb, Carla Liane Nascimento dos Santos

A vice-reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Carla Liane Nascimento dos Santos, divulgou uma nota nesta segunda-feira (10), onde afirma que não será candidata na chapa do atual reitor, José Bites de Carvalho, que disputará a reeleição em 2018. Ao que tudo indica, a falta de diálogo com o reitor foi um dos motivos apontados pela vice-reitora para tomar essa decisão, como mostra o trecho da nota. “O diálogo é veículo fundamental para a tomada de decisão envolvendo as representações que compõem a dinâmica da vida universitária. Confesso que senti falta particularmente desse elemento nesse percurso de gestão”, sinaliza. No documento, a vice-reitora Carla Liane Nascimento dos Santos afirma que seguirá “defendendo modelos de gestão que sejam, de fato, colaborativos, participativos, impessoais e transparentes, onde todos os sujeitos que compõem a vida universitária sintam-se reconhecidos e possam verdadeiramente opinar acerca das decisões, com espírito crítico, fazendo uso da liberdade e exercitando a autonomia”.

10 de julho de 2017, 10:29

EXCLUSIVA Os planos de governo de Rodrigo Maia, por Raul Monteiro

Foto: Fábio Mota/Estadão/Arquivo

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e sucessor natural de Michel Temer

O que faz o rio correr para a praia de Rodrigo Maia (DEM) neste momento em que o presidente Michel Temer (PMDB) se trumbica, ao que parece, de maneira irreversível, é o fato de ambos estarem no mesmo campo político e ideológico. Fosse o sucessor natural de Temer um político mais à esquerda, sem compromisso algum com a agenda econômica iniciada pelo presidente, responsável, inclusive, pelos primeiros e tênues sinais de recuperação econômica do país, o mercado e a classe política não se mexeriam para tirar Temer de onde está, ainda que fazendo água por todos os lados.

Com efeito, Rodrigo não tem conspirado contra o atual presidente da mesma forma que o peemedebista fez em relação à sua antecessora, Dilma Rousseff (PT). Isso não significa, entretanto, que não tenha dado a saber a seus correligionários mais próximos, alguns baianos entre eles, quais seus planos, neste momento difícil, para a economia, setor que passou efetivamente a predominar sobre todos os demais, depois do lastimável legado deixado pelo PT, que levou o país, como qualquer um sabe, senão ao fundo do poço, pelo menos a bem perto dele.

É desta forma que se toma conhecimento, por exemplo, de que estão nos planos de Maia, na hipótese de Temer não se segurar no posto de presidente, como suas eventuais primeiras medidas, uma redução drástica no número de ministérios para algo em torno de 10, a montagem de um núcleo duro de governo que incluiria em postos como a Casa Civil gente da qualidade de Pedro Parente, hoje resolvendo o pepino em que o PT transformou a Petrobras, e alguém do porte de Armínio Fraga na Fazenda, para dar perspectivas mais animadoras ao país, além das que o atual titular, Henrique Meirelles, hoje proporciona.

Do grosso de ministérios que o país sustenta hoje, outro lastimável legado petista, pelo menos cinco estão em poder do PMDB, com a turma de Temer que, aos poucos, vem sendo encarcerada pela Polícia e o Ministério Público Federal, um tamanho que simplesmente não se justificaria numa eventual gestão Maia. O jovem político democrata também avançaria sobre os postos ocupados atualmente pelos tucanos, motivo da cisão profunda provocada na agremiação em torno do dilema entre ficar ou não ficar num governo que parece efetivamente com os dias contados.

Se você acredita que, desconsiderando a lógica do presidencialismo de coalizão, Maia ascenderia já com um problema de monta para se relacionar com o Congresso, pode ficar tranquilo. O presidente da Câmara avalia poder implementar uma parte das medidas de que o país necessita, emperradas pela complicada dinâmica congressual brasileira, por meio de medidas provisórias. São iniciativas que poderiam credenciar Maia, uma vez na Presidência, a se tornar um player fortíssimo para 2018. Não é por outro motivo que o PT, que quer eleger Lula, prefere Temer, da mesmíssima forma que a ala do PSDB ligada ao presidenciável Geraldo Alckmin, que, aliás, já sinaliza que está mudando de opinião.

* Texto publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

8 de julho de 2017, 08:35

EXCLUSIVA Bancada governista baiana culpa Imbassahy por parte da desgraça de Temer

Foto: Alexssandro Loiola

O baiano Antonio Imbassahy é ministro da Articulação Política do presidente Michel Temer

A bancada baiana aliada de Michel Temer (PMDB) no Congresso achou um bode expiatório na política para a expiação que o presidente tem passado na Comissão de Constituição e Justiça, instância onde a denúncia por corrupção passiva contra ele proposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) será primeiro analisada. Todas as críticas são dirigidas a Antonio Imbassahy, secretário de Governo do presidente.

“A queixa contra Imbassahy é geral. Ele é rejeitado, sem risco de erro, por 99% da bancada”, diz um congressista ao Política Livre, observando que o descontrole da bancada do partido do ministro, o PSDB, completamente dividido entre desembarcar e apoiar o atual governo, é um sinal de que ele perdeu as condições de continuar no cargo. Segundo a mesma fonte, o quadro não é menos diferente em relação à bancada baiana governista como um todo.

“Devem ter confirmados hoje de 28 a 30 votos contra Temer na Bahia. Isso é muito para um ministro da Articulação política que é do Estado”, completa o parlamentar. Um outro político com acesso ao ministro diz que ele cometeu um erro gravíssimo ao aceitar um cargo, para o qual, desde que o mundo é mundo, só vai quem tem intimidade e goza de absoluto grau de confiança do governante.

Ele afirma que até o chefe de Gabinete de Imbassahy é ligado ao seu antecessor, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), preso por ordem da Justiça Federal sob a acusação de obstrução de Justiça, uma prova, em sua avaliação, de que o ministro não conseguiu assumir por completo a função. “Imbassahy é competente, mas está no lugar errado”, acrescenta. Ele culpa também o ministro por ter construído “um biombo” em torno do presidente.

“Ao que parece, Imbassahy filtra as informações que o presidente precisa para as tomadas de decisão. O resultado é esse aí: Temer cada dia mais frágil”, declara, observando que o governo fez uma forte ofensiva sobre os parlamentares nos últimos dias para tentar segurar a votação da CCJ favorável ao presidente. “O presidente realmente ficou numa situação muito difícil”, admite, afirmando que a prova de fogo de Imbassahy será o resultado na Comissão de Constituição e Justiça.

7 de julho de 2017, 18:40

EXCLUSIVA Em meio à crise e batida da PF, TJ da Bahia faz encontro em Resort a custo zero para desembargadores

Foto: Divulgação/Arquivo

Dois dias numa suíte VIP no Grand Palladium saem por R$ 3 mil, em média

Parece que não há crise no Judiciário baiano. Nem preocupação com o fato de o órgão estar na mira da Polícia Federal. O Tribunal de Justiça da Bahia resolveu comemorar o Dia do Magistrado no Resort e Spa Grand Palladium Imbassaí, na Linha Verde, no final de semana de 10 a 12 de agosto, a custo zero para os 59 desembargadores. O convite oficial, já distribuído para os magistrados, diz que na oportunidade serão “discutidos assuntos de interesse da Magistratura”, promovida a confraternização pela passagem do Dia do Magistrado e, melhor que tudo, “as despesas com hospedagem e alimentação serão custeadas por este Tribunal de Justiça”. Para tanto, os participantes precisam confirmar presença até o dia 10 de Julho, nesta segunda-feira, por meio do email cerimonial@tjba.jus.br. Como o check out do Resort é até as 12h do dia 12, o TJ informa ainda que o valor da diária negociada para o evento será mantido para o domingo com o objetivo de atender os magistrados que quiserem estender sua permanência no Grand Palladium. Este Política Livre apurou que uma Suíte VIP no Resort sai por U$ 910, o equivalente R$ 3 mil, por duas noites.

7 de julho de 2017, 09:03

EXCLUSIVA Articulação de Temer já dá como perdido voto de Jutahy Magalhães na CCJ

Foto: Divulgação

Ao que parece, ninguém conseguiu convencer o baiano a dar mais uma chance ao presidente da República

Depois de mandar desde a semana passada diversos emissários procurarem o deputado federal Jutahy Magalhães Jr. (PSDB), o governo já dá como perdido seu voto na Comissão de Constituição e Justiça, que vai analisar a denúncia de corrupção passiva do STF contra o presidente Michel Temer (PMDB), apesar de o tucano ainda não ter declarado publicamente como votará no colegiado.

7 de julho de 2017, 08:42

EXCLUSIVA Histórico de Geddel socializa ataques entre ex-companheiros e atuais aliados

Foto: Política Livre

Ex-ministro Geddel Vieira Lima permanece preso por determinação da Justiça Federal, em Brasília

A capacidade que Geddel Vieira Lima desenvolveu de servir a vários governos, característica dos melhores peemedebistas, criou um problema para ex-companheiros que pretendiam usar a prisão do ex-ministro para atacar seus atuais aliados. Depois que o PCdoB reuniu uma série de frases de Geddel nos protestos contra a então presidente Dilma Rousseff (PT), como a afirmação de que os atos seriam o “grito de quem está saturado dos problemas envolvendo corrupção”, para defender a tese de que ele esteve sempre ao lado do DEM, um vídeo, atribuído à militância do Democratas, começou a circular em grupos de WhatsApp, mostrando elogios do ex-governador Jaques Wagner e do ex-presidente Lula ao peemedebista.  Nele, Geddel aparece num palanque em que Wagner discursa: “Quero cumprimentar meu irmão, meu companheiro de caminhada, aquele que vem ajudando o presidente Lula a governar o Brasil, meu querido companheiro Geddel Vieira Lima”. No mesmo vídeo o ex-presidente Lula também surge tecendo elogios a Geddel, responsável por um dos projetos mais importantes do petista para o nordeste, a até hoje polêmica obra da Transposição do Rio São Francisco, que destravou quando era ministro da Integração Nacional, entre 2007 e 2010. Antes de desempenhar papel de destaque no governo do amigo Michel Temer (PMDB), na gestão Dilma Rousseff Geddel assumiu a vice-presidência da Caixa, onde teria praticado as ilegalidades de que o Ministério Público Federal o acusa agora.

7 de julho de 2017, 08:00

EXCLUSIVA O dilema oposto do PT e do DEM com relação à saída de Michel Temer

Foto: Dida Sampaio/Estadão/Arquivo

Presidente Michel Temer

Observador atento da cena política, um deputado baiano emitiu a seguinte frase ao conversar com o Política Livre sobre o clima entre os partidos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será apreciada a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB):  ”O PT vai todo votar contra Temer louco para ele ficar. E o democratas vai todo votar a favor louco para ele cair”. Referia-se ao fato de que, sem Temer na Presidência, além de voltar ao foco, o oposicionista PT deixa de se beneficiar do desgaste do governo para os planos da candidatura presidencial de Lula. Quanto ao democratas, hoje aliado do presidente, se Temer cair, consegue emplacar seu jovem deputado e presidente da Câmara Rodrigo Maia no lugar do presidente, com a perspectiva, inclusive, de se reeleger.

6 de julho de 2017, 08:47

EXCLUSIVA Preocupação com 2018 começa a afastar PSDB, DEM, PSB e PSD de Temer

Foto: Ag. Brasil/Arquivo

Presidente Michel Temer está se transformando num fardo para quem tem planos presidenciais ou estaduais em 2018

A preocupação com a sucessão do ano que vem, inclusive nos Estados, é o que pode estar levando os partidos da base a repensarem seu apoio ao governo, abrindo caminho para que a denúncia do Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) seja aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, iniciando seu afastamento do cargo.

A despeito da facilidade com que se relacionam com Temer, um doce comparado à antecessora, Dilma Rousseff (PT), os partidos acreditam há um limite até onde podem carregar um presidente que está se transformando num verdadeiro fardo devido às acusações, ao cerco do Ministério Público Federal e à campanha que a Rede Globo tem feito ostensivamente contra ele em todo o seu noticiário.

Estariam envolvidos na avaliação de que não podem ser enterrados com o presidente, sepultando seus planos estaduais e presidencial para 2018, partidos como o PSDB, que já anunciou o plano de desembarcar do governo, o Democratas, e as alas governistas do PSB e do PSD, que excluem, respectivamente, nomes como os dos senadores pela Bahia Lídice da Mata e Otto Alencar, aliados do governador Rui Costa (PT).

“Ninguém quer ser golpista, ninguém tem problema com Temer, mas existe uma compreensão geral de que vai chegar-se a um limite que não dá para carregar (o presidente) por conta de 2018, inclusive dos projetos estaduais”, diz ao Política Livre um importante deputado do DEM com acesso direto ao Planalto. Ele garante que, para o partido do sucessor natural de Temer, Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara, a questão não é ter mais poder agora com sua eventual ascensão.

“A nossa preocupação não é a de ter mais poder, não é a de estar numa posição mais próxima no governo, mas a de como ajudar a manter Temer pode nos desgastar a todos por ocasião da campanha do ano que vem, favorecendo imensamente o PT”, completa o parlamentar, acrescentando que o Democratas não vai assumir “uma postura de golpismo, mas também não será uma tábua de salvação do governo”.

Ele  acredita ainda que, apesar de anunciarem seu repúdio ao presidente e defenderem o “Fora, Temer”, no fundo, petistas como Jaques Wagner desejam a manutenção do peemedebista, já que avaliam que, além de tirar o foco do PT, a ampliação do seu desgaste favorece imensamente os planos de retorno do ex-presidente Lula e os projetos do partido nos Estados onde deseja o governo ou já possui governador apto à reeleição, como na Bahia.

6 de julho de 2017, 07:54

EXCLUSIVA Plano de Lúcio na chapa (de ACM Neto) fracassa, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Deputado federal Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-ministro Geddel

Aproveitando a prisão de Geddel Vieira Lima, controlador do PMDB baiano, o PT acaba de lançar uma ofensiva para tentar colar a imagem do ex-ministro a ACM Neto (DEM) e buscar desgastar o prefeito, estratégia semelhante à que seus principais líderes no Estado, a exemplo do ex-governador Jaques Wagner, já vinham adotando em relação a Michel Temer (PMDB) e o democrata. O movimento, que tem como pano de fundo a sucessão estadual de 2018, não deve ser bem sucedido. Da mesmíssima maneira que as pesquisas mostram que não houve até agora associação entre Neto e o presidente da República, a história de colaboração do prefeito com Geddel nunca o prejudicou.

A primeira constatação ocorreu já na última campanha municipal, quando Neto deixou explícito o apoio do PMDB ao seu nome e se reelegeu com mais de 70% dos votos válidos. Naquele momento, embora a imagem de Geddel não estivesse tão deteriorada, é fato que ela já não era muito boa em Salvador, especialmente nos segmentos médios da população, onde o ex-ministro sempre enfrentou forte rejeição. No entanto, se o relacionamento com Geddel não representa um problema para o prefeito, não se pode dizer o mesmo para o peemedebista e seu partido, depois dos últimos e bombásticos acontecimentos.

Assim como o ex-ministro já estava praticamente convencido de que perdera as condições políticas para pleitear espaço na chapa que Neto deve encabeçar em 2018 ao governo, depois de sua rumorosa saída do ministério de Michel Temer e da batida que a Polícia Federal dera em sua casa de praia, no início deste ano, os quais devem ter ampliado o seu desgaste na opinião pública, não é menos verdadeira a tese de que, exatamente por este motivo, Geddel passara a acalentar a idéia de lançar em seu lugar, para uma das vagas ao Senado, o nome do irmão, o simpático deputado federal Lúcio Vieira Lima.

Entretanto, dado o vínculo umbilical e a identidade entre os dois, o projeto, se em algum momento verdadeiramente existiu, naufragou desde a última segunda-feira, data em que o ex-ministro foi preso. Isso não significa que o PMDB esteja, no entanto, excluído da chapa com que o prefeito de Salvador pretende enfrentar o governador Rui Costa (PT), candidato à reeleição. Afinal, como disse uma importante fonte do partido a este colunista, sob a condição de anonimato, o “PMDB não é só Geddel”, agrupando hoje na Bahia cinquenta prefeitos e seis deputados estaduais, além de um portentoso tempo de televisão para nenhum candidato botar defeito.

Há um outro detalhe, na concepção da turma que, embora aliada e solidária ao ex-ministro neste momento, assiste ao desdobramento dos eventos sem perder de vista o que chama de necessidade de “sobrevivência do partido”. Sem a marca Vieira Lima à frente, o PMDB torna-se naturalmente uma legenda muito atrativa, por exemplo, para o PT de Rui Costa, com o qual Geddel brigou de morte na Bahia. Em outras palavras, mesmo sem Geddel ou Lúcio na chapa, Neto não vai poder abrir mão do PMDB ao seu lado na tentativa de derrotar o governador. Mas antes o partido terá que construir sua alternativa.