7 de fevereiro de 2017, 19:45

EXCLUSIVA Wagner defende que governo dê secretaria a Marcelo Nilo

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Parte do sucesso das gestões petistas na Bahia é atribuída por deputados ao empenho de Marcelo Nilo

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, tem defendido junto a amigos a tese de que o governo deve entregar uma nova secretaria para o ex-presidente da Assembleia Legislativa Marcelo Nilo (PSL). Seria uma espécie de retribuição pela longa folha de serviços prestados aos governos do PT na Bahia por Nilo. Mas a decisão ainda depende do governador Rui Costa (PT) e de entendimento semelhante por parte da articulação política do governo.

Na Assembleia Legislativa, se comenta que o governo deve demonstrar a sua verdadeira face a partir da forma como passar a se relacionar com o ex-presidente da Casa, agora que ele deixou o seu importante cargo. Se o mantiver empoderado ou, desde que ele queira, lhe entregar alguma função importante no Parlamento, a mensagem para a base será a de que os aliados fiéis são respeitados e considerados mesmo quando perdem o poder.

Caso abandone ou deixe Nilo isolado, no entanto, o governo estará dirigindo um péssimo sinal para os deputados da base. Afinal, se tem alguém a quem as gestões petistas tanto de Jaques Wagner quanto de Rui Costa devem parte de seu sucesso é ao ex-presidente da Assembleia, que soube como ninguém construir a tranquilidade necessária a que os oito anos do primeiro governador petista passassem sem qualquer sobressalto ou dificuldades extras.

Nilo também repetiu o mesma performance nestes dois anos do governo Rui Costa, contribuindo imensamente para o clima de segurança em que havia transcorrido até agora o relacionamento entre o governador e os deputados. Curiosamente, a tranquilidade só foi abalada este mês, por ocasião da sucessão na presidência da Casa, na qual foi um dos atores principais. A disputa entre candidatos de partidos aliados quase promove um racha feio na base.

7 de fevereiro de 2017, 14:50

EXCLUSIVA Com aval de Rui, PT vai anular expulsão de vereadores

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O vereadores Suíca e Moisés já recorreram da decisão

A executiva estadual do PT vai reformar a decisão da seção do partido em Salvador que expulsou os vereadores Moisés Rocha e Suíca da legenda. O aval para revisão da postura foi dado pelo governador Rui Costa, que não aprovou a medida. A alegação técnica para a suspensão da expulsão é de que o diretório municipal petista executou a medida por rito sumário, sem ter dado ampla defesa aos dois vereadores. No PT estadual, a decisão radical é a atribuída ao deputado federal Nelson Pelegrino, cuja aliada interna Marta Rodrigues não obteve os votos dos dois colegas na sucessão à presidência da Câmara Municipal, para a qual foi eleito o vereador democrata Leonardo Prates.

7 de fevereiro de 2017, 08:37

EXCLUSIVA Genro de Jaques Wagner é demitido da Assembleia Legislativa

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Ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner

Um genro do ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, foi demitido pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), na leva de 57 servidores que estavam à disposição do Poder e tiveram que retornar a seus órgãos de origem. Paulo Valente pertence aos quadros da secretaria estadual de Educação e estava lotado no cargo de diretor parlamentar no Legislativo. A relação dos desligados saiu na edição de hoje do Diário Oficial da Assembleia (veja aqui). A idéia de Coronel é primeiro afastar os quadros para analisar, caso a caso, a necessidade daqueles que são efetivamente úteis à Casa, a qual, pela lei, arca com o ônus de pagamento dos funcionários colocados à sua disposição. Aqueles cujos serviços não forem mais necessários não serão chamados de volta. Outro plano é fazer com que os que retornarem assumam posições diferentes daquelas que ocupavam como forma de promover uma oxigenação nos diversos setores da Assembleia. Desde a sexta-feira, dia posterior à reabertura oficial do ano na Assembleia, sob o novo comando de Coronel, ocorrem demissões na Assembleia, algumas de sobrenomes famosos ou de figuras vinculadas a ilustres, como o ex-governador.

6 de fevereiro de 2017, 17:36

EXCLUSIVA Deputados esperam poucas mudanças na comissões

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Marcelo Nilo deve assumir controle da Comissão de Finanças, uma das mais importantes da Assembleia

Deputados acreditam em poucas mudanças tanto no comando quanto na correlação de forças existente hoje nas comissões técnicas da Assembleia com o início da nova da Legislatura. De concreto – e já negociado com o governo – está a entrega da comissão de Finanças, uma das mais importantes da Casa, ao deputado estadual Marcelo Nilo, ex-presidente do Legislativo. Ele entraria no lugar do deputado Alex Lima (PTN), que se elegeu segundo secretário da mesa com o seu apoio. Nos próximos dias, os deputados devem concluir o fechamento das indicações com alteração ou manutenção do atual quadro.

6 de fevereiro de 2017, 07:50

EXCLUSIVA O plano de unidade entre PP e PSD, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Coronel acena para a galeria na Assembleia no dia em que foi eleito

Um jantar promovido pelo novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), em sua casa, na última sexta-feira, para as bancadas do seu partido e do PP, serviu para reforçar o plano das duas legendas de manterem a aliança na Casa e no Estado, depois da bem sucedida unidade que experimentaram para a sucessão no Poder Legislativo baiano que resultou em sua vitória. É o que se pode depreender dos discursos ouvidos no evento, ao qual estiveram presentes, além dos deputados estaduais e federais das duas legendas, o vice-governador João Leão e o senador Roberto Muniz, pelo PP, e o senador Otto Alencar, do PSD.

Ao jantar, compareceu também o deputado Alan Castro, que representou ainda seu colega do PSL Manassés, o qual se encontrava viajando. Integrantes do partido do ex-presidente Marcelo Nilo, os dois deputados protagonizaram uma espécie de turning point na campanha à presidência da Casa, criando as condições para que Coronel se tornasse efetivamente competitivo no pleito a partir do momento em que anunciaram apoio à sua candidatura. Em complemento, já negociaram um acordo informal para votar conjuntamente com o PSD no Legislativo, ao qual só não se filiarão por impedimento da legislação.

Embora os representantes do PP e do PSD não tenham tratado diretamente da sucessão de 2018, é natural que suas atenções estejam focadas no pleito futuro e que a idéia de atuarem a partir de agora sob um interesse comum faça parte, naturalmente, de seus planos, por mais que as posições de ambos os partidos na chapa com que o governador Rui Costa (PT) disputará a reeleição, no ano que vem, tenham sido imensamente reforçadas com a perda do comando da Assembleia Legislativa por parte do deputado Marcelo Nilo (PSL), cujo interesse maior era integrá-la na condição de candidato numa de suas duas vagas ao Senado.

Apesar de a vitória de Coronel ter sido assegurada no momento em que a oposição decidiu bancar sua candidatura, não resta dúvida de que foi a postura de lealdade emprestado pelo PP ao PSD que deu as condições para que, efetivamente, ela se expressasse na eleição do novo presidente do Legislativo baiano. Afinal, no momento em que pressentiram o naufrágio da candidatura de Nilo, operadores do governo Rui Costa ainda lançaram uma ofensiva sobre o então candidato do PP, o deputado Luiz Augusto, como forma de construir uma terceira via para a sucessão na Casa.

Diante da proposta, o parlamentar disse que só aceitava retirar sua postulação desde que o nome alternativo fosse o do companheiro do PSD, confirmando uma aliança tática que os dois haviam formalizado para a disputa pela qual aquele que reunisse as melhores condições para ganhar a eleição contra Nilo seria apoiado pelo outro. Diante da resistência de Luiz Augusto, uma investida mais ousada tentou convencê-lo a abandonar Coronel e assumir, ele próprio, a candidatura contra o ex-presidente com o apoio do governo. Uma nova negativa garantiu o resultado que foi comemorado pelos dois partidos na última sexta-feira.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

3 de fevereiro de 2017, 13:45

EXCLUSIVA A predição certeira do ex-governador Jaques Wagner

Foto: Divulgação/Arquivo

Jaques Wagner sempre teve fama de craque no PT nacional

Desde muito antes de se tornar governador da Bahia, o sindicalista Jaques Wagner já tinha fama, principalmente no PT nacional, de craque.

Devido à acuidade de suas avaliações, lastreadas em equilibradas análises de cenário, a maioria de suas predições políticas quase nunca são desconsideradas pelos mais próximos.

No ano passado, quando já estava de volta à Bahia depois do impeachment da aliada Dilma Rousseff (PT) e se preparava para assumir papel de destaque no governo Rui Costa (PT), Wagner compareceu ao evento de lançamento de um livro do desembargador Lidivaldo Brito, em Salvador.

Numa roda de magistrados próximos, descontraído, fez críticas ao instituto da reeleição, observando, principalmente, que a sociedade já não mais o tolerava e que, a partir daquele momento, seria muito difícil de ser exercido.

O papo fora estimulado porque era véspera de uma eleição importante no Tribunal de Justiça da Bahia. No dia seguinte, o desembargador Mário Alberto Hirs perderia a recondução para o TRE para o colega Jatahy Fonseca no colégio eleitoral do TJ.

Estavam em novembro, mas já se discutia a campanha pela reeleição de Marcelo Nilo (PSL) na Assembleia Legislativa.

Um dos desembargadores presentes ao encontro teve, naquele dia, a nítida certeza de que, apesar de não ter aludido ao amigo durante a agradável conversa, era a Nilo que Wagner se referia.

3 de fevereiro de 2017, 08:45

EXCLUSIVA Sob Imbassahy, bancada se anima para repartir legado de Geddel

Foto: Metropress

Antonio Imbassahy é o novo articulador político do governo

A ascensão do deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB) ao posto de articulador político do governo Michel Temer (PMDB) provoca em setores da bancada federal baiana governista a esperança de rearrumação em cargos e posições federais na Bahia, os quais teriam sido ocupados, segundo dizem, sob critérios estritamente “geddelistas”, uma referência crítica ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, que o antecedeu até cair no episódio conhecido como La Vue. Nesse aspecto, a derrota sofrida pelo deputado federal Lúcio Vieira Lima na disputa por um cargo da mesa diretora da Câmara, ontem, interpretada também mais como um sinal de rejeição ao irmão do que ao parlamentar peemedebista, é utilizada pela bancada como um apelo fortíssimo para que, agora empoderado na nova condição de secretário de Governo, Imbassahy mude em muito a estrutura que começou a ser montada pelo PMDB na Bahia desde o impeachment.

3 de fevereiro de 2017, 07:56

EXCLUSIVA Propostas de Coronel mostram que Era de “líder do governo” acabou

Foto: Mateus Pereira/GovBA

Coronel e representantes da mesa posam com depois de almoço na Governadoria

Algumas iniciativas que serão tomadas pelo novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), que mostram que ele não incorporará a figura de “líder do governo” na Casa, papel que o anterior, Marcelo Nilo (PSL), desempenhou como ninguém, facilitando imensamente a vida das gestões petistas de Jaques Wagner e Rui Costa no Legislativo: reativação do Colégio de Líderes, no qual todos os partidos terão assento, relativizando o papel das lideranças do governo e da minoria – que na gestão anterior resolviam a maior parte das demandas que chegavam ao Poder oriundas das mais diversas fontes -, e exigência para que matérias só sejam votadas em plenário depois de esgotadas todas as etapas de discussão e votação nas comissões e secretários visitem o Parlamento com regularidade para levantar os pleitos dos deputados, como acontece em alguns Estados. “Esse negócio de deputado ficar sentadinho em ante-sala de secretário esperando horas para ser atendido vai acabar”, promete Coronel.

2 de fevereiro de 2017, 09:12

EXCLUSIVA Citado indiretamente como traidor, Roberto Carlos chega sem moral mas salva cargos

Foto: Divulgação/Arquivo

Foto que Roberto Carlos fez divulgar de apoio a Coronel antes mesmo de Nilo sair da disputa

Citado indiretamente no discurso de despedida de Marcelo Nilo (PSL) da presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, ontem à noite, como um traidor que às 20h01 do dia anterior afirmara que só Deus o impediria de ficar com ele e 35 minutos depois já anunciava apoio à eleição do adversário Angelo Coronel (PSD), o deputado Roberto Carlos (PDT) chegou sem moral no grupo de apoiadores do novo presidente, mas ainda a tempo de manter intacta a estrutura de que dispõe hoje no Poder.

2 de fevereiro de 2017, 07:30

EXCLUSIVA Assessor “ostentação” pode ser investigado por vereadores de Salvador

Foto: WhatsApp

Assessor da vice-prefeitura de Salvador posa ao lado de Ferrari tendo ao fundo a Torre Eiffel

Vereadores de oposição estudam como proceder no caso do assessor da vice-prefeitura Júnior Muniz, que apareceu nas redes sociais passeando em Paris e dirigindo uma Ferrari, no melhor estilo ostentação, uma semana e meia depois de ter sido nomeado para o cargo de assessoria especial IV. Presidente do PHS na Bahia, Júnior Muniz teria sido indicado pelo deputado federal Jonga Bacelar (PR), mas já foi filiado ao PT e assessor também de Luiz Caetano na época em que o deputado federal petista era prefeito de Camaçari. “Se amostrar” sempre foi seu hábito, diz a militância petista que conviveu com ele na época de Caetano.

1 de fevereiro de 2017, 19:47

EXCLUSIVA Pedido de foto em apoio a Marcelo motivou briga no gabinete

Foto: Divulgação

Deputado Fabrício Falcão se envolveu na briga

Um pedido de foto com o objetivo de dar uma demonstração de que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSL), ainda era competitivo foi o verdadeiro motivo que levou ao desentendimento entre os deputados Alex Lima (PTN) e Fabrício Falcão (PCdoB), no gabinete da presidência, ontem à tarde.

O episódio aconteceu momentos antes de Nilo desistir de concorrer à presidência. Ao encontrar os aliados no gabinete da presidência, depois de ter recebido informações de que os deputados Nelson Leal e Reinaldo Braga, do PSL, já haviam fechado apoio ao então candidato Angelo Coronel, do PSD, Alex Lima espertamente pediu que eles se reunissem para tirar uma foto.

Defendeu que sua idéia era que o presidente pudesse dar uma demonstração de força. Argumentou que, diferentemente de Angelo Coronel, que passara o dia computando apoios e os divulgando à mídia, Nilo ainda não tinha informado nenhuma adesão à sua candidatura e que a medida seria importantíssima para demonstrar que ele ainda estava no jogo.

Pressentido o mico, Braga reagiu. Além de ter cobrado respeito, o decano questionou Alex se ele estava desconfiando de sua posição. Leal também se levantou para bater em retirada e escapar do registro fotográfico. A confusão então se armou e resultou num bate-boca sem precedentes entre todo o grupo, levando Lima e Falcão a brigarem. Em seguida, o PCdoB anunciaria apoio a Coronel.

1 de fevereiro de 2017, 16:58

EXCLUSIVA Trapalhada fragiliza imensamente secretário de Administração

Foto: Mateus Pereira/Arquivo

Secretário Edelvino Góes

Quem quase assina sua carta de demissão no governo é o secretário estadual de Administração, Edelvino Góes, que autorizou promoção a servidores que ocupam o cargo de gestor público no Estado e teve que voltar atrás por determinação do governador Rui Costa (PT) devido ao custo da iniciativa em pleno tempo de severa crise econômica. Na Saeb, dizem que Góes só não foi guilhotinado de imediato porque recebeu uma mãozinha do colega da Fazenda, Manoel Vitório, que o indicou e é figura da confiança do governador. Mas Rui, justificadamente, ficou uma arara com o auxiliar.

1 de fevereiro de 2017, 11:23

EXCLUSIVA Vitória de Coronel embola disputa para 2018 entre Rui, Neto e Otto

Foto: Valtério

Coronel em pose para o fotógrafo das estrelas, Valtério

Apesar de o governo ter buscado rapidamente abraçar a candidatura de Angelo Coronel (PSD) assim que sua vitória se tornou iminente e provocou a desistência de concorrer do presidente Marcelo Nilo (PSL), reforçando sua condição de político da base, o PT e lideranças ligadas ao governador Rui Costa estão profundamente preocupados com a mudança no comando do Legislativo, para a qual o grupo de ACM Neto (DEM) foi desde as primeiras horas simplesmente decisivo.

O primeiro item da preocupação é técnico e diz respeito à clara diferença de perfil entre o presidente que sai, profundo conhecedor do regimento e dos trâmites legislativos capazes de fazer a Casa andar ou parar sob as mais razoáveis e legais justificativas, e o que entra, para o qual o conhecimento de todos esses detalhes nunca foi importante, o que, no limite, pode prejudicar as demandas do governo no Poder, principalmente aquelas mais urgentes.

Mas o mais importante deles é político e está relacionado ao grau de compromisso que Coronel terá com o governador. Dadas as ligações próximas que estabeleceu principalmente com a gestão anterior, de Jaques Wagner (PT), com quem chegou pela primeira vez à presidência da Assembleia, há 10 anos, Nilo habituou-se a atuar, sob o PT, mais como um líder e defensor intransigente do governo do que propriamente como um presidente do qual se esperaria comportamento de magistrado.

Fez isso com maestria. Foi nele, neste período, que os governos petistas encontraram, como recompensa, socorro e amparo. A origem política, as relações pessoais mais próximas ao grupo do prefeito de Salvador e a própria campanha, na qual sentiu-se tratado em determinados momentos como um candidato da “oposição” por alguns secretários de Estado, entretanto, tornam o futuro relacionamento de Coronel com o governo e a bancada liderada pelo PT uma verdadeira incógnita.

O próprio nascimento da candidatura do PSD pode ser considerado heterodoxo. Ele é atribuído a “um estalo” de dois políticos ligadíssimos a ACM Neto. Percebendo “a fadiga de material” representada pelo tempo excessivamente longo que Nilo passou como presidente da Assembleia, o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (PMDB), e o deputado federal Elmar Nascimento (DEM), sob o consentimento de ACM Neto, pediram um encontro com Coronel no final do ano passado.

Ali, convenceriam-no a disputar a eleição contra o presidente apresentando-lhe as razões para as grandes chances de vitória que vislumbravam para sua candidatura e uma bem bolada estratégia de campanha. Não contavam apenas com a oxigenação que representaria a emergência de um novo nome, no ambiente de exaustão a que a atual gestão chegara, potencializado, por sua vez, por suas características de deputado extremamente hábil, divertido e de fácil e agradável convivência.

Tampouco consideravam só o prosaico sonho atribuído a Coronel de ser indicado candidato a vice na chapa com que ACM Neto pretende concorrer ao governo, em 2018, embora isso não tenha deixado de contar como elemento de convencimento. O deputado do PSD foi o escolhido por um motivo imensamente mais forte: sua profunda amizade com o senador Otto Alencar era a garantia de que o presidente estadual do PSD não o abandonaria sob qualquer hipótese, como a campanha comprovou.

Em hora decisiva, ao perceber que o governo pendia para o lado de Nilo, Otto chegou a avançar o sinal e questionar se o governador estava por trás do movimento de dois de seus secretários, que nominou, forçando um recuo da parte deles. Por esta razão, a eleição hoje que consolidará a vitória de Coronel como candidato único à presidência da Assembleia, é muito devida ao cacique do PSD, e, consequentemente, o consolida efetivamente como uma terceira força política no Estado.

Ao conquistar o comando do Legislativo com um aliado direto, Otto ascende ao mesmo patamar do governador e de ACM Neto no cenário da sucessão de 2018, tanto como grande influência quanto como protagonista, principalmente depois de ter assistido, na semana passada, à vitória de seu candidato na disputa pela presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB), Eures Ribeiro (PSD), prefeito de Bom Jesus da Lapa, a qual apenas sequenciou a força com que emergiu no ano passado do interior pelo grande número de prefeitos que seu grupo conseguiu eleger.

Este é o motivo porque depende em muito dele, devido à sua sabida influência sobre Coronel, o comportamento que o novo presidente adotará na condução da Assembleia a partir de agora, embora qualquer forte empoderamento, como o que o aliado está prestes a experimentar, provoque repercussões que nunca se pode antecipar. Principalmente num cenário em que não se questiona a importância fundamental que a oposição teve desde a gestação da candidatura do novo presidente.

31 de janeiro de 2017, 22:46

EXCLUSIVA PT corre risco de ficar sem cargo na mesa da Assembleia mais 2 anos

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Ex-candidato a presidente que apoiou Coronel, Augusto (foto) deve ter seu apoio para derrotar PT agora

O apoio à reeleição do presidente Marcelo Nilo (PSL) vai custar ao PT mais uma vez espaço na mesa diretora da Casa. Isso porque, segundo cálculos feitos hoje por deputados, o líder petista na Assembleia, deputado Rosemberg Pinto, terá que suar a camisa para derrotar o colega Luiz Augusto (PP) na disputa pela primeira vice-presidência do Poder na eleição de amanhã, depois de ter atuado como um dos mais leais cabos eleitorais de Nilo.

Aliás, muitos acreditam que Rosemberg poderá até desistir de concorrer, da mesma forma que fez Nilo esta noite ante a iminente vitória do adversário Angelo Coronel (PSD). Isso porque o deputado do PP se tornou uma das prioridades na eleição de amanhã para o futuro presidente. Os dois selaram um acordo mútuo de apoio que se materializou à tarde, quando a bancada do PP anunciou que votaria em peso em Coronel.

A chapa do futuro presidente inclui ainda o deputado Carlos Geilson, para segundo vice-presidente, Jânio Natal (PTN), para a terceira vice, e Manassés (PSL), para a quarta. O deputado estadual Sandro Régis (DEM) é o nome lançado para a primeira-secretaria, Aderbal Caldas, para a segunda, Fabrício Falcão (PCdoB), para a terceira, e Luciano Simões Filho (PMDB), para a quarta. Apesar de integraram a chapa de Coronel, os nomes concorrem individualmente aos cargos.

Isso significa que eles podem ter concorrentes que se inscrevam no plenário momentos antes da votação. Caso Rosemberg perca, o PT ficará mais dois anos sem participação na mesa, jejum iniciado desde a última reeleição de Nilo, há dois anos, quando o petista concorreu com ele e, momentos antes da votação, renunciou à disputa, levando a bancada petista a sair do plenário em protesto contra a reeleição do até ontem aliado.

31 de janeiro de 2017, 21:01

EXCLUSIVA Rui e Wagner parabenizam Coronel por vitória e unidade da base

Foto: Divulgação/Arquivo

Angelo Coronel recebeu parabéns do governador e do ex por vitória amanhã

Antes mesmo de o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSL), anunciar oficialmente que renunciaria à candidatura à reeleição, o governador Rui Costa (PT) e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, ligaram agora à noite para o deputado Angelo Coronel, do PSD, parabenizando-o por sua vitória e pela manutenção da unidade da base.

A desistência de Nilo evitou um bate-chapa na eleição de amanhã, em que a vitória de Coronel seria atribuída exclusivamente ao prefeito ACM Neto (DEM), cujo apoio que articulou da bancada oposicionista para o candidato do PSD foi decisivo para a inviabilização da candidatura à reeleição do presidente da Assembleia Legislativa.

Durante a campanha, a preferência do governo pela candidatura de Nilo fez com que Coronel se articulasse com o seu partido e o PP, buscando em seguida o apoio da oposição, que, no momento em que lhe foi assegurado, tornou sua candidatura imbatível, despertando o chamado efeito manada, em que políticos migram para o lado em que a vitória é mais provável.

Pressentido o cheiro da derrota, a articulação política do governo tentou no dia de hoje várias alternativas, desde apresentar um nome alternativo ao de Marcelo até, quando o favoritismo de Coronel se tornou evidente, levá-lo a renúncia, o que, inclusive, ensejou uma briga entre apoiadores do presidente em seu gabinete, na Assembleia.

Um terceiro nome para enfrentar Coronel também foi pensado, mas a idéia foi abortada diante da dificuldade de encontrá-lo e do fortalecimento crescente do candidato do PSD, o que tornou sua vitória iminente. O presidente da Assembleia deve emitir uma nota pública justificando sua decisão ainda esta noite.