4 de janeiro de 2018, 10:15

EXCLUSIVA Debate medíocre de um pobre país, por Raul Monteiro*

Foto: Facebook

Lula posta foto se exercitando, acompanhada de legenda em que diz que sua saúda nunca esteve tão boa

É curioso, para não dizer lamentável, que 2018 comece no Brasil sob o falso dilema sobre se Lula poderá ou não ser candidato à Presidência em outubro. Trata-se da confirmação de que o país está efetivamente fora do mundo ou muito mal inserido nele. Afinal, é essa a grande questão que, infelizmente, se coloca para os brasileiros em todos os espaços por onde se circula. O país encerrou o ano que passou sem iniciar nenhum grande debate sobre como melhorar o seu presente e se preparar para o futuro, a não ser aqueles produzidos pela polarização política e ideológica e a luta contra a corrupção, na qual o petista figura como alvo da Justiça.

É muito pouco. Na verdade, é uma discussão infinitamente pequena para quem queira se constituir como uma Nação. No fundo, revela, de maneira aterradora, o quanto a sociedade brasileira depende do Estado e da política para sobreviver. Em qualquer lugar civilizado do mundo, a página já estaria virada com relação a um agente público que perdeu as melhores oportunidades com que a sorte o agraciou para efetivamente transformar a vida das pessoas, projetar o país para as décadas seguintes, e deixar um legado pelo qual mesmo a parte mais preconceituosa e mesquinha da sociedade se sentisse obrigada a congratulá-lo.

No Brasil, no entanto, permanece como um fantasma, gerando insegurança e embalando sonhos desvairados e pesadelos. De fato, imaginar que um político tem o direito de voltar a governar o país, apesar do envolvimento em malfeitos denunciadas pela Polícia e o Ministério Público e confirmados pela Justiça, só porque teve a iniciativa, durante os seus mandatos, de contemplar os mais pobres com esmolas travestidas de programas sociais é o cúmulo do subdesenvolvimento, cujas marcas estão por toda a parte, da profunda desigualdade social até a indigência moral e intelectual, passando pelo privilégios absurdos de que muitos desfrutam às custas da maioria.

Ainda mais porque Lula, com seu projeto hoje escancaradamente populista, tirou de uma vez por todas a máscara e acena com a possibilidade de aprofundar ainda mais o déficit fiscal que é a principal herança do governo da criatura Dilma Rousseff e seguramente o grande responsável pela grave crise econômica da qual o país dá os primeiros sinais de que pode se recuperar, embalado, diga-se de passagem, por um governo inconfiável, que se guia, como o noticiário mostrou por agora, por raposas como José Sarney, entre outras, e por mais sacrifício da população sofrida e espoliada pelo desemprego e a falta de oportunidades.

Em 2018, ao invés de se preocupar com quem deve se candidatar ou eleger à Presidência, quando mais se o favorito nas pesquisas é um condenado pela Justiça, o país deveria estar debruçado sobre outra agenda, destinada a avaliar os motivos que o levaram a descer a ladeira tão brutalmente quando se propagava que o desenvolvimento era o seu destino, avançar na diminuição do Estado perdulário e, ao mesmo tempo, fortalecer a sociedade por meio da educação, incentivando a construção de uma cultura cidadã e ética, sem a qual eleições periódicas terão muito pouco a contribuir com sua transformação numa Nação.

* Artigo de autoria do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

3 de janeiro de 2018, 18:55

EXCLUSIVA Nem Deus salva Robinson Almeida de nova derrota, dizem petistas

Foto: Divulgação/Arquivo

Robinson Almeida foi secretário de Comunicação do Estado

Entre petistas, o comentário é que nem Deus salva o ex-secretário Robinson Almeida (Comunicação) de uma segunda derrota eleitoral agora em 2018, depois que decidiu concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Afinal, Robinson perdeu a principal dobradinha que pretendia fazer, com a deputada estadual Neuza Cadore. A decisão do petista de dar um cavalo de pau, desistir de concorrer à Câmara dos Deputados, pleito em que dobraria com Cadore, e passar a concorrer à Assembleia foi, ela própria, um ajuste às suas dificuldades eleitorais para o projeto mais ousado de tentar a eleição de deputado federal. Parece que a iniciativa, no entanto, longe de lhe criar facilidades, aprofundou seus problemas.

2 de janeiro de 2018, 09:53

EXCLUSIVA PT nacional prefere Jaques Wagner no Senado e Lula na Presidência

Foto: João Ramos

Pela foto que publicou em seu Facebook, Wagner já está em plena campanha para senador

O PT nacional inscreveu entre suas metas para este ano a eleição do ex-governador da Bahia Jaques Wagner ao Senado. Walter Pinheiro, licenciado do mandato de senador desde que se tornou secretário de Educação no Estado, estaria nos planos do partido, caso não tivesse, não sem polêmica, se desligado dele em 2016. O desejo da direção petista afasta Wagner do centro das especulações sobre uma eventual candidatura sua à Presidência da República, substituindo o ex-presidente Lula.

Em consequência, cria constrangimentos para a eventual remoção do ex-governador da chapa do governador Rui Costa à própria sucessão, inviabilizando a aproximação de partidos que hoje estão praticamente fora dela, a exemplo do PR. Um petista com acesso à cúpula do governo estadual e ao centro das decisões nacionais do PT confirma ao Política Livre que a exclusão de Wagner de um eventual plano B do partido à Presidência é uma prova de que a agremiação não conta com o ex-presidente Lula fora da disputa, mesmo que sua condenação seja confirmada.

A fonte declara que no caso de Lula perder a ação que interpôs junto ao Tribunal Regional Federal da 4a. Região,  no julgamento do dia 24, o PT não considera que ele está automaticamente excluído do jogo, porque o ex-presidente terá como apelar a outros recursos judiciais. Ele diz acreditar que o nome de Wagner ascendeu ao centro das discussões no PT para substituir Lula por causa da força política que ele exibe no partido no plano nacional, depois de ter ganho, na Bahia, três eleições no primeiro turno, a última das quais com o atual governador Rui Costa.

31 de dezembro de 2017, 09:15

EXCLUSIVA Campanha: Petistas vão usar repúdio de Neto a A Tarde como marca de ‘intolerância’

Deputados da base do governador Rui Costa (PT) estão se divertindo com o desentendimento entre o prefeito ACM Neto (DEM) e o jornal A Tarde, que recebeu no sábado uma moção pública de repúdio da assessoria do gestor depois de ter publicado um editorial no mesmo dia criticando o Festival da Virada e, na edição seguinte, em resposta, redigiu nova manifestação contra o democrata, também em editorial, ironizando seu comportamento diante da crítica. Para aliados do governador, que dizem estar assistindo à troca de farpas de um camarote distante do montado pela Prefeitura na Boca do Rio para os cinco dias de festa até a virada do Reveillon, hoje, além de ter se desentendido com um veículo de comunicação antes da “campanha de sua vida” (ao governo do Estado, no ano que vem), o prefeito revela “um desapreço” ao trabalho da imprensa que seguramente vai ser percebido como “intolerância” pelo eleitorado, o que não será nada bom para ele. “Não será difícil à sociedade baiana lembrar, na campanha, que antes do primeiro governo do PT no Estado a Bahia era um estado pré-democrático em que o avô ACM não permitia qualquer tipo de crítica a ele. É a isto que se quer retornar?”, questiona de forma irônica o deputado estadual Zé Neto (PT), líder do governo na Assembleia, antecipando um dos vieses da campanha do petista Rui Costa à reeleição, em 2018.

28 de dezembro de 2017, 09:20

EXCLUSIVA Fake news com dendê na campanha, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

O uso eleitoral das fake news, pelo visto, já começou na Bahia

Se numa guerra a primeira vítima é a verdade, numa campanha eleitoral acirrada, que em muitos momentos se assemelha a uma guerra por votos e apoios, em que adversários não medem esforços para derrotar uns aos outros, não há motivo para que a verdade também não seja a primeira a cair. O uso eleitoral das fake news, ou notícias falsas, destinadas a difundir mentiras sobre os concorrentes, está aí para mostrar que o expediente é um meio extremamente eficiente para derrubar a verdade. É claro que seu prazo de validade é curto, como as pernas de toda mentira, mas seu impacto e a rapidez com que viraliza, muitas vezes suficientes para provocar grandes estragos.

Principalmente, se o alvo do boato com formato de notícia apurada por jornalistas não reagir rápido para neutralizar seus efeitos, desmascarando seu propósito. Um sinal de que a campanha ao governo da Bahia, que começa oficialmente daqui a nove meses, pode se tornar um terreno fértil para a produção e disseminação das fake news via redes sociais apareceu na madrugada de ontem, envolvendo o principal candidato das oposições à sucessão estadual, o prefeito ACM Neto (DEM). Usando como base uma informação correta, a mentira que tinha por objetivo atingi-lo espalhou-se rápido, viralizando entre adversários e mesmo eventuais apoiadores dele.

A partir da informação de que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) iniciara tratativas para uma delação premiada, publicada no início de novembro por uma coluna da revista Veja, o faker, ou fraudador, produziu uma outra, inteiramente mentirosa, de que o peemedebista teria supostamente falado sobre esquemas existentes na Prefeitura e provocado pânico na articulação política do prefeito. Para ampliar a veracidade da fraude, usou o formato online da revista e ainda um link onde supostamente a notícia poderia ser lida, o que naturalmente pouca gente faz, preferindo passar o que lhe chega às mãos adiante pelos mais diversos motivos.

A equipe do prefeito agiu rápido, produzindo um carimbo de fake news sobre o texto que objetivava atingí-lo, o qual foi lançado em sua rede de apoiadores como forma de fazer frente ao boato. Do mesmo jeito que Neto foi agredido, nada impede que o governador Rui Costa (PT), candidato à reeleição e, portanto, seu principal adversário na corrida ao Palácio de Ondina, além de correligionários de ambos, sejam vítimas de falsários determinados a atacar uns e outros e, o que é pior, em alguns casos, ou mesmo na maioria deles, amparados por esquemas verdadeiramente profissionais.

O que o recente episódio antecipa é o que políticos de todas as correntes e ideologias vêm prevendo há muito tempo: com o auxílio de mecanismos permitidos pela estrondosa expansão das redes sociais, lamentavelmente convertidas em fontes primárias de informação para a grande maioria dos cidadãos, a campanha do próximo ano, tanto a presidencial quanto as estaduais, caminha para ser das mais sujas e sangrentas da história do país desde a redemocratização. Num cenário conflagrado, mais do que nunca, caberá ao eleitor separar o joio do trigo, a verdade da mentira, reconhecendo no jornalismo verdadeiro o melhor instrumento para melhorar a qualidade da representação política nacional.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

27 de dezembro de 2017, 09:43

EXCLUSIVA Se não coligar, ACM Neto pode implodir PMDB na Bahia

Foto: Divulgação/Arquivo

Prefeito ACM Neto avalia companhias para 2018

O risco de ACM Neto (DEM) não coligar com o PMDB para não arcar na campanha de 2018 com o fator Geddel Vieira Lima, líder peemedebista preso depois da descoberta de R$ 51 milhões num bunker no bairro da Graça, deixa o partido muito intranquilo no Estado. É o medo do prejuízo eleitoral que a medida pode acarretar para seus deputados.

26 de dezembro de 2017, 10:30

EXCLUSIVA PMDB tira Lúcio Vieira Lima de propaganda para ajudar em discurso de Neto

Foto: Reprodução

Presidente do PMDB da Bahia, Pedro Tavares, em propaganda do partido, exibida na semana passada

A propaganda do PMDB baiano levada ao ar na semana passada, sem a participação do deputado federal Lúcio Vieira Lima, teve por estratégia também oferecer ao prefeito ACM Neto (DEM) discurso para justificar uma aliança com o partido na sucessão estadual, ao mostrar que a legenda não se resume ao ex-ministro Geddel Vieira Lima e seu irmão, motivo de grande desconforto hoje entre estrategistas do democrata.

“Além de mostrar que o PMDB está num grande processo de transformação, o programa informou que o partido tem grandes lideranças”, disse um político peemedebista ao Política Livre, avaliando como prematuras as análises segundo as quais o prefeito estaria ponderando se deve ou não firmar uma coligação com o PMDB por causa do eventual impacto eleitoral dos problemas envolvendo a família Vieira Lima (ver aqui).

“O partido vive um novo direcionamento”, acrescentou. O mesmo político acredita que o maior problema do PMDB hoje é a junção da impopularidade do presidente Michel Temer com a situação das duas lideranças baianas, o que estaria provocando desconfianças na equipe do prefeito. Nos Estados em que o partido tem uma liderança forte e bem posicionada, o desgaste do governo federal é neutralizado, pondera.

“Aqui na Bahia, no entanto, é furo para todo lado”, admite o mesmo político. Outra liderança peemedebista avalia, no entanto, que, sem o PMDB na coligação para a disputa do governo, o prefeito perde até 3 minutos do tempo de televisão, além de recursos do fundo eleitoral. “Se ele (Neto) perder o PMDB, o governador Rui Costa (PT) fica com o dobro do tempo de TV dele”, avisa, admitindo que um dilema foi colocado no colo do prefeito.

A ausência de Lúcio na propaganda da legenda foi avalizada pelo próprio parlamentar. Investigadores suspeitam que ele teria ajudado o irmão a encobrir os R$ 51 milhões encontrados num bunker no bairro da Graça, descoberta da Polícia Federal que justificou a segunda detenção do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que já cumpria pena de prisão domiciliar em Salvador depois de ter sido encarcerado a primeira vez.

26 de dezembro de 2017, 09:47

EXCLUSIVA Por fundo eleitoral, deputados preferem Rodrigo Maia fora da disputa presidencial

Foto: Dida Sampaio/Agência Estado/Arquivo

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia

Políticos baianos dizem que não passa de “fogo de palha” o movimento em prol da candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), à Presidência da República, em 2018. Dizem que, depois da aprovação do fundo eleitoral para financiamento de campanha, ficou mais difícil candidato a deputado que deseje candidatura majoritária própria de sua legenda só para figuração. É o medo de que o dinheiro para a campanha deixe de ir para a bancada. As estimativas são de que candidatos majoritários draguem de um terço a 50% do fundo eleitoral.

22 de dezembro de 2017, 08:24

EXCLUSIVA Neto e Rui em clima natalino, por Raul Monteiro*

Foto: Montagem Política Livre

O prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa: disputa por 2018 já colocada

Prováveis adversários na sucessão estadual de 2018, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) aproveitaram o clima natalino da semana que se encerra para convocar coletivas, fazer um balanço de suas respectivas gestões e, naturalmente, falar de política com jornalistas. Mais cauteloso do que Neto com relação ao tema das eleições, Rui preferiu focar na administração, evitando se estender sobre a pauta eleitoral, assunto que o prefeito abordou com mais tranquilidade, não sem frustrar os aliados que gostariam de vê-lo assumindo desde já sua candidatura ao governo.

Neto, pelo contrário, preferiu dizer que ainda não tomou decisão alguma com relação a se será ou não candidato, deixando o anúncio de qualquer que seja sua posição para depois do Carnaval. Com efeito, o prefeito ainda tem muitas questões a resolver antes de se definir e, pelo visto, trata o assunto sob a ótica da responsabilidade máxima, mesmo que sua prudência encoraje adversários a dizerem que não disputará o governo, preferindo concluir o mandato ou mesmo se lançando à aventura de concorrer à Presidência da República, no que aproveitam-se do incentivo de alguns de seus aliados nacionais.

Muito à vontade com o apelido “Correria”, aplicado a ele muito competentemente pelo seu marketing, Rui preferiu se estender sobre as obras que realiza no Estado, em especial as que se destacam no campo da Saúde, como os hospitais e policlínicas regionais, ou na área de transportes, a exemplo do metrô, que sua assessoria considera que terá impacto significativo sobre o eleitorado de Salvador, em que Neto tem reinado praticamente sozinho até agora. No campo político, no máximo, atacou o governo Michel Temer (PMDB), ao qual reforçou as costumeiras críticas, deixando clara sua posição de oposicionista.

Sobre as eleições e o adversário maior, o governador não deu palavra. O prefeito, por sua vez, repetiu que o elemento mais importante para tomar sua decisão será a cidade. Ele pretende ouvir exatamente do eleitorado da capital se deve ou não renunciar à Prefeitura para concorrer ao governo. Neto não quer deixar Salvador sob a sensação de desamparo, sentimento em que pode ser jogada, principalmente, na eventualidade de perder a eleição, já que, embora seu vice, Bruno Reis (PMDB), seja considerado um aliado fiel, é uma incógnita do ponto de vista administrativo.

Além disso, o prefeito ainda não tem clareza sobre como se desenhará o cenário nacional e em que medida poderá contar com a ajuda do presidenciável que vier a apoiar nem com que aliados disporá na chapa, à exceção do PSDB, que pretende indicar como seu companheiro para concorrer a uma das vagas ao Senado o deputado federal Jutahy Magalhães Jr. O prefeito aprendeu com o avô, ACM, e com a já larga experiência, que a cautela, em panoramas como o atual, é uma grande conselheira, posição muito diferente da de Rui, que não precisa se antecipar porque não tem alternativa, senão agarrar-se ao projeto legítimo de tentar se reeleger.

* Artigo de autoria do editor Raul Monteiro publicado originalmente pela Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

20 de dezembro de 2017, 10:28

EXCLUSIVA Wagner está em São Paulo tratando de candidatura do PT à Presidência

Foto: Divulgação/Arquivo

Ex-governador Jaques Wagner se encontra em SP tratando da sucessão presidencial

Secretário de Desenvolvimento Urbano do governo Rui Costa, o ex-governador Jaques Wagner (PT) se encontra em São Paulo desde ontem reunido com caciques petistas, entre os quais o ex-presidente Lula. Trata da construção de um Plano B para a disputa presidencial no caso de Lula ser condenado em segunda instância pelo TRF 4 em janeiro próximo, que, conforme já antecipou este Política Livre, pode ser ele mesmo.

19 de dezembro de 2017, 20:17

EXCLUSIVA Elmar ironiza fala de Rui sobre aliado preso: “Só falta dar secretaria para garantir foro”

Foto: Divulgação/Arquivo

Deputado federal Elmar Nascimento

O deputado federal Elmar Nascimento (DEM) ironizou há pouco as declarações do governador Rui Costa (PT) criticando o que chamou de “espetacularização” do processo contra o ex-prefeito de Santo Amaro, Ricardo Machado (PT), preso hoje um dia depois de deflagrada a sexta etapa da Operação Adsumus. “Só falta ele nomear o aliado ex-prefeito secretário em seu governo para lhe dar foro especial”, atacou Elmar, dizendo que o mesmo expediente foi usado por Rui no caso da nomeação do ex-governador Jaques Wagner para a secretaria de Desenvolvimento Econômico, cujo foro passou para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao falar sobre a prisão de Machado, Rui disse que ‘a Justiça vai cumprindo seu papel’, mas que não sou é a favor ‘desses espetáculos’. “Infelizmente estamos tratando com penas leves os bandidos de alta periculosidade e tratando com espetáculo com pessoas que podem ter errado, e eventualmente, têm que pagar com os erros, mas não sou a favor desse espetáculo. Não concordo com isso. Não se faz justiça com espetáculo”.

19 de dezembro de 2017, 18:23

EXCLUSIVA Neto é aconselhado a não fazer coligação com PMDB para evitar desgastes

Foto: Divulgação/Arquivo

Prefeito ACM Neto e o dilema de uma parceria indesejada

O prefeito ACM Neto (DEM) pode não formalizar uma coligação com o PMDB, caso saia candidato ao governo do Estado no ano que vem, como seus correligionários esperam. Em conversas com aliados, ele tem se referido a admoestações de sua equipe de comunicação quanto aos riscos de aproximar-se formalmente do partido do ex-ministro Geddel Vieira Lima, hoje preso, especialmente no caso de o deputado federal Lúcio Vieira Lima, seu irmão, permanecer na linha de frente da legenda. Pesquisas realizadas pela equipe do prefeito mostrariam um efeito nada favorável no eleitorado da eventual associação de seu nome aos dos Vieira Lima. Por este motivo, Neto estaria avaliando o custo-benefício de se coligar com os peemedebistas, cujo maior trunfo é o tempo de televisão de que o PMDB dispõe. Na eleição em que conquistou seu primeiro mandato de prefeito, em 2012, o democrata concorreu no primeiro turno sem o apoio da legenda, que juntou-se a ele apenas no segundo turno das eleições. Depois de quatro anos de uma relação tranquila e de colaboração, o partido integrou sua chapa à reeleição, em 2016, indicando, inclusive, seu vice, Bruno Reis. Hoje, os peemedebistas possuem vários cargos na administração municipal. Caso não se coligue na chapa majoritária de Neto ao governo, em 2018, o PMDB ficará impedindo de concorrer às eleições proporcionais aliançado formalmente com o DEM, já que a legislação eleitoral exige a coligação nos dois níveis.

15 de dezembro de 2017, 19:40

EXCLUSIVA Neto e Prates rasgam elogios a Cacá Leão em evento da Câmara

Foto: Reginaldo Ipê/CMS

Prefeito ACM Neto participou da abertura do Encontro Interlegis no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador

Durante a abertura do Encontro Interlegis, realizado nesta sexta-feira (15), no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador (CMS), chamou atenção dos participantes a proximidade entre o deputado federal Cacá Leão (PP) e o presidente da Casa, vereador Leo Prates (DEM), que durante pronunciamento fez diversos elogios à atuação do parlamentar pepista na Câmara dos Deputados, enfatizando, inclusive, que a verba destinada à reforma da Câmara só foi assegurada graças ao trabalho de Cacá Leão em Brasília. Outro que também “rasgou” elogios ao deputado federal foi o prefeito ACM Neto (DEM), que também esteve presente ao evento. Aos presentes, não restou nenhuma dúvida que existe, sim, uma negociação por parte do grupo do prefeito ACM Neto para levar o deputado Cacá Leão para sua base de apoio para as eleições de 2018.

15 de dezembro de 2017, 11:00

EXCLUSIVA A Justiça que o PT prefere, por Raul Monteiro

Foto: André Dusek/AE

Ex-presidente Lula

Não é possível que o PT seja contra a agilidade da Justiça, um dos direitos que qualquer partido decente deveria propugnar para todo brasileiro! Mas é exatamente isso que se depreende do discurso feroz das lideranças da agremiação contra o fato de o Tribunal Regional Federal da 4a. Região ter marcado já para janeiro o julgamento do recurso da defesa do ex-presidente Lula contra a sentença em que o juiz Sérgio Moro o condenou por corrupção a, entre outras penas, nove anos de prisão. Quando levanta suspeitas sobre o calendário para o novo julgamento do ex-presidente, o PT mostra o quanto se adequou ao critério dos dois pesos e duas medidas.

Se pode prejudicar o ex-presidente Lula, então a Justiça deve tardar. Mas se é para beneficiá-lo, os juízes devem correr para julgá-lo. Na verdade, a agilidade da Justiça é um pleito de toda a sociedade e não apenas da brasileira. A rapidez na prestação jurisdicional é um dos elementos que torna seu papel efetivamente justo. Vejam o caso da revolta causada pela absolvição da médica baiana Kátia Vargas. Quando o MP e a acusação da família do casal de irmãos mortos, optou pelo júri popular como forma de julgá-la pelo crime de que era acusada, contou com a idéia de que a comoção popular produzida na época das mortes poderia levar à sua condenação.

Quatro anos depois da trágica ocorrência, quando o julgamento foi finalmente iniciado, a comoção popular já havia ido inteiramente pelos ares. O caso do julgamento do ex-presidente Lula é exemplar para o país. É a primeira vez que um ex-presidente é condenado em primeira instância por corrupção e pode ir para a cadeia pelo crime. Levar a que uma instância superior, formada por um colegiado, aprecie com rapidez o recurso contra o entendimento que a investigação do juiz Sérgio Moro produziu é uma forma de assegurar a Justiça tanto a ele quanto ao Brasil. Primeiro, porque julgar mais rápido não significa uma sentença condenatória.

Segundo, porque Lula saberá o quanto antes que condição o aguarda e como poderá enfrentá-la. Em terceiro lugar, porque o Brasil e, em especial, os eleitores de Lula, precisam saber se vão poder contar ou não com ele na corrida sucessória, uma vez que a eventual condenação em segunda instância equivale à declaração de inelegibilidade do petista. Aliás, em qualquer lugar decente do mundo, um candidato condenado por corrupção não deveria sequer colocar a cara na rua para fazer campanha. No mínimo, seu pleito seria rechaçado rechaçado pelo eleitorado.

Mas como o Brasil é infelizmente um país diferente, o cara que se encalacrou com a Justiça não só concorre como entra na disputa para garantir a prerrogativa de foro, um privilégio que, no passado, quando era conveniente, o PT dizia combater. Na verdade, ao invés de criticar a agilidade com que a Justiça está se comportando no caso do ex-presidente, seu partido deveria cobrar que o procedimento fosse adotado para todos, principalmente para os mais pobres, que não têm a quem apelar numa Nação em que os representantes parecem ter rompido de vez com os representados.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

15 de dezembro de 2017, 09:45

EXCLUSIVA Luislinda tenta salvar a pele deixando PSDB, mas saída do governo é inevitável

Foto: AFP/Arquivo

Luislinda Valois deve deixar Ministério dos Direitos Humanos ainda este ano

A ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, decidiu deixar o PSDB a fim de tentar permanecer no governo. Mas a decisão, além de ter provocado um rompimento duro com o partido, só deve gerar ainda mais desgaste com o próprio presidente Michel Temer (PMDB), que já confessou a amigos seu interesse em demiti-la até o final deste ano “inadiavelmente”. Reservadamente, o presidente teria comentado com parlamentares da Bahia que a baiana foi uma “fonte” de polêmicas que o PSDB lhe deu.