11 de agosto de 2018, 09:54

EXCLUSIVA Ataque de Rui a corporativismo ao falar de Previdência apavora funcionalismo

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui Costa tocou em tema sobre o qual as corporações estaduais do funcionalismo não querem nem ouvir falar

As declarações do governador Rui Costa (PT) criticando o corporativismo do funcionalismo num debate com empresários na Fieb, esta semana, deixou as entidades representativas dos servidores estaduais em alerta. Rui falou, pela primeira vez em público, do que já vem se queixando há muito tempo com a equipe, deputados e outros setores com os quais discute a situação fiscal do Estado: o déficit da Previdência estadual, que chega a R$ 3 bi e é considerado impagável pelo governo. As entidades sindicais do funcionalismo temem que o governador dê partida a um projeto de reforma da Previdência em seu segundo mandato, levando em conta que, se eleito agora em outubro, não poderá mais disputar as eleições em 2022. Aliás, para especialistas em contas públicas, é verdadeiramente um milagre que Rui tenha conseguido governar com relativo equilíbrio fiscal nestes mais de três anos sem mexer com as distorções previdenciárias do Estado. Ou seja, muitos acham que ele não poderá mais retardar as mudanças a partir do ano que vem.

10 de agosto de 2018, 09:42

EXCLUSIVA Colegas estimulam disputa insana entre Alex e Rosemberg por presidência da Assembleia

Foto: Divulgação

Alex Lima e Rosemberg Pinto

Atentos à movimentação dos deputados Alex Lima (PSB) e Rosemberg Pinto (PT) com vistas à sucessão de Angelo Coronel (PSD) na presidência da Assembleia Legislativa, que ocorrerá ainda em fevereiro do ano que vem, colegas passaram a estimular uma disputa verdadeiramente insana entre os dois, recomendando que ambos se aproximem da oposição antes mesmo de a eleição estadual, que definirá quem fica ou sai da Casa, acontecer. Por enquanto, dada a linha direta e exclusiva que abriu com Rui Costa (PT), de quem transformou-se num prestigiado conselheiro sobre temas legislativos, Alex parece levar vantagem sobre Rosemberg. Contra o petista, ainda pesa a acusação, feita por alguns colegas de bancada, de que foi ele o responsável pela formalização do chapão para a disputa das vagas na Assembleia a partir de um acordo com Otto Alencar que teria facilitado a eleição dos deputados do PSD do senador em detrimento da dos petistas.

10 de agosto de 2018, 09:07

EXCLUSIVA Empresário tem encontro da “Idade Média” com secretário Bruno Dauster

Foto: Divulgação/Arquivo

Secretário Bruno Dauster e a pose medieval

Um empresário que recebeu a recomendação de tratar de um assunto institucional com o governo na semana passada ficou impressionado com o personalismo do secretário Bruno Dauster, chefe da Casa Civil do governador Rui Costa (PT). Apesar do paletó meio amarfanhado, Dauster chegou para a reunião com pose de governador, portando uma cadernetinha preta, na qual, com letra de caligrafia, e muito lentamente, fez questão de anotar todos os pontos discutidos. Detalhe: o caderninho continha seu nome, Bruno Dauster, impresso em destaque sobre a capa em… ouro. “Tive a impressão de que participava de um encontro na Idade Média”, contou o empreendedor, de forma irônica, a este Política Livre.

9 de agosto de 2018, 20:01

EXCLUSIVA Rui exige contribuição para fazer programas de TV e deixa deputados furiosos

Foto: Mateus Pereira/Gov-Ba/Arquivo

Governador pode até ter ficado sorridente com a arrecadação dos recursos, mas os deputados....

Apesar da aparente tranquilidade dos candidatos a deputado do grupo do governador Rui Costa (PT), uma exigência feita pela coordenação de sua campanha causou um alvoroço sem tamanho entre eles. Foi a decisão de cobrar recursos do fundo partidário de cada um dos candidatos para financiar a produção do programa eleitoral do petista.

Pelo combinado, cada deputado federal vai disponibilizar R$ 100 mil, os deputados estaduais que são candidatos a federal, R$ 50 mil, os candidatos a federal, R$ 20 mil, os estaduais candidatos à reeleição, R$ 20 mil, e os candidatos a deputado estadual sem mandato, R$ 10 mil.

A contribuição, com seus respectivos valores, foi acertada durante uma reunião do Conselho Político do governador, há cerca de 15 dias, e ao ser relatada pelos presidentes de partidos que compõem a base a seus respectivos parlamentares, causou um furdunço e tanto.

A grita maior foi entre os candidatos à Assembleia Legislativa, deputados ou não, que se queixam de não estarem recebendo absolutamente nada do fundo eleitoral para suas campanhas pelos partidos, que priorizaram a eleição de bancadas na Câmara,  fonte principal de sua força política.

Eles argumentam que, por este motivo, não têm tido acesso a recursos do fundo partidário e não fazia sentido desembolsar dinheiro para ajudar na campanha do governador. Muitos chegaram a alegar que o adversário José Ronaldo, candidato do DEM ao governo, não tem agido da mesma forma com os candidatos a deputado de sua coligação.

Apesar dos protestos, no entanto, não houve jeito e o governador vai receber o dinheiro. “Estamos mesmo no fim do mundo. Onde já se viu deputado sustentar campanha de governador, meu Deus?”, questiona um deputado, com cara de horror, ao Política Livre.

9 de agosto de 2018, 16:39

EXCLUSIVA Coordenação de Ronaldo teme que revolta contra Lázaro também o contamine

Foto: Divulgação/Arquivo

Candidato do DEM ao governo, José Ronaldo

Há temor na coordenação de campanha de José Ronaldo, candidato do DEM ao governo, de que a indignação que tomou conta dos deputados contra o candidato a senador Irmão Lázaro por causa do golpe do PSC acabe também contaminando ele. Os deputados e candidatos à Assembleia e à Câmara se descomprometeram de apoiar Lázaro depois que, descumprindo um acordo, o PSC deixou de integrar o chapão proporcional, do qual participariam todos os partidos, para fazer uma chapinha com o PTB, o Solidariedade e o PPL. Como a implosão do chapão acabou impondo a necessidade de conquistar mais votos para poder assegurar sua eleição, os deputados passaram a atribuir a responsabilidade pela dificuldade adicional a Lázaro, em quem dizem que não irão votar. Mas como vêem uma espécie de co-responsabilidade de José Ronaldo em todo o processo, já que o democrata pouco se envolveu no episódio e ainda manteve Lázaro na chapa depois de descumprido o acordo pelo PSC, muitos passaram a dizer também que agora preferem cuidar de suas próprias vidas, deixando a candidatura majoritária em segundo plano.

9 de agosto de 2018, 16:06

EXCLUSIVA Partidos deixam deputados estaduais à míngua; Na Bahia, só PP vai liberar grana

Foto: Mateus Pereira/Gov-Ba/Arquivo

João Leão, o "Bonitão", foi o único dirigente de partido na Bahia a dar uma força aos deputados estaduais de seu partido

Preocupadas basicamente em eleger bancadas à Câmara dos Deputados, as cúpulas partidárias simplesmente esqueceram de destinar recursos do fundo partidário para os candidatos a deputado estadual. Na Bahia, só se tem conhecimento de um partido, entre todos que disputarão estas eleições no Estado, que resolveu destinar algum dinheiro do fundo partidário para os deputados estaduais e, ainda assim, depois de muita briga. Trata-se do PP, do vice-governador João Leão, o “Bonitão”, que deu um forcinha para que os parlamentares não ficassem à míngua.

9 de agosto de 2018, 11:50

EXCLUSIVA Vereador de Jequié é “terror” de coligação montada para eleger Jr. Muniz deputado

Foto: Política Livre/Arquivo

Júnior Muniz saiu do chapão e montou a coligação com os partidos menores com o objetivo de se eleger deputado

Uma das responsáveis pela implosão do chapão, a coligação que o PHS estrategicamente fez com o PPS, o PSL e o PRTB para disputar as eleições proporcionais com o objetivo claro de garantir a eleição a deputado estadual de Júnior Muniz, presidente do partido, não foi capaz de diminuir a preocupação com seu sucesso eleitoral em outubro. A fonte constante de tensão atende pelo nome de Soldado Gilvan, vereador em Jequié, que deve sair da região com cerca de 17 mil votos.

9 de agosto de 2018, 11:20

EXCLUSIVA Partido de Bolsonaro pode ajudar a eleger crítico feroz de militares na Bahia

Obrigada a retirar a candidatura do marido a vice do candidato a governador João Henrique (PRTB), devido à forte reação da militância ao ex-prefeito de Salvador, a presidente do PSL, Daiane Pimentel, está agora com outra batata quente nas mãos: justificar a aliança que, com o seu aval, o partido do presidenciável Jair Bolsonaro fez na Bahia com o PHS para a disputa das eleições proporcionais e pode garantir a eleição a deputado federal do vereador Igor Kannário, que se auto-intitula cantor do gueto e é um dos maiores críticos da atuação de policiais na periferia. No Carnaval deste ano em Salvador, Kannário chegou a se indispor com o comandante da Polícia Militar da Bahia, coronel Anselmo Brandão, depois de atacar a corporação durante uma apresentação no Campo Grande e ser acusado de incitar os foliões contra os militares. Revoltado com seu comportamento, o coronel o chamou de “marginal”.

7 de agosto de 2018, 17:45

EXCLUSIVA Lázaro sabia que PSC romperia acordo; apoio a ele no grupo de Ronaldo foi à lona

Foto: Divulgação/Arquivo

Irmão Lázaro permaneceu na chapa, mas completamente esvaziado

Apesar de ter dito aos colegas que o procuraram pedindo explicações de que fora tão surpreendido quanto eles com a decisão do PSC, seu partido, de romper o acordo pelo qual integraria o chapão em troca de sua indicação ao Senado na chapa do candidato a governador do DEM, José Ronaldo, o deputado federal Irmão Lázaro soube da operação desde o seu início e não fez objeção a que acontecesse.

Quem revela são os representantes do PTB e do Solidariedade que negociaram com o PSC a formação da chapinha, abandonando a proposta do chapão. Segundo contou um deles ao Política Livre, Irmão Lázaro não só tomou conhecimento de que o partido romperia o acordo para formar o chapão, como em nenhum momento se opôs à articulação dos dirigentes da agremiação, Eliel e Heber Santana, pai e filho.

Segundo se comenta, a formalização da chapinha viabiliza a eleição do deputado estadual Heber Santa à Câmara Federal, projeto que estaria comprometido se o PSC permanecesse no chapão. A deputados que o procuram pedindo explicações sobre o que acontecera, Irmão Lázaro disse, no entanto, que não sabia de nada e chegou a admitir que perdera as condições de permanecer como candidato ao Senado na chapa de José Ronaldo.

Apesar de muitos políticos considerarem o PSC um partido inconfiável, motivo porque o candidato a governador do DEM foi aconselhado a não fechar o acordo com a legenda, alguns parlamentares se surpreenderam com a atitude de Eliel Santana. Um deles chegou a contar ao Politica Livre que o considerava um homem de palavra. “O desespero pela eleição do filho deve ter falado mais forte”, disse.

Apesar de ter descumprido o acordo, o PSC saiu no lucro porque, além de não ter se submetido ao chapão, ainda manteve Lázaro na chapa. O prefeito ACM Neto (DEM), um dos articuladores da candidatura de José Ronaldo, defendeu a permanência do deputado-cantor como candidato a uma das vagas ao Senado por achar que sua saída poderia provocar uma grande desorganização política no grupo.

Agiu rápido para evitar a pressão dos deputados, que passaram a exigir a indicação do seu ex-chefe da Casa Civil, João Roma, para o lugar de Lázaro como forma de diminuir a concorrência pelas vagas na Câmara Federal. A eleição de Roma é prioritária para o prefeito. A situação toda provocou uma revolta nos deputados da base contra o PSC e Lázaro, que viu o apoio que teria para concorrer ao Senado no grupo escorrer pelo ralo.

6 de agosto de 2018, 18:23

EXCLUSIVA Manutenção de Lázaro em chapa é o cúmulo da desmoralização para Ronaldo

Foto: Divulgação/Arquivo

José Ronaldo se abraça à vice, Mônica Bahia, na convenção que homologou sua candidatura, na última sexta-feira

Na falta de uma imagem melhor, a de um cego em pleno tiroteio, completamente perdido, sem saber para que lado correr, se aplica integralmente ao candidato do DEM ao governo, José Ronaldo, depois da traição praticada pelo PSC, que inviabilizou a formação de um chapão entre os deputados que o apóiam.

Foi o democrata, contra todas as advertências, que bancou a indicação do deputado federal Irmão Lázaro, do partido, para candidato ao Senado em sua chapa. Na época, os mais preocupados com a “inocência” de Ronaldo, buscaram alertá-lo de que ele lidava com uma legenda inconfiável.

Mas algum gênio da lâmpada na equipe do candidato o convenceu de que, por ter mais de 15 milhões de seguidores numa rede social e cantar como um pássaro gospel, Lázaro era a salvação de todos os seus problemas eleitorais, como se uma campanha ao governo e outra coisa fossem a mesma coisa.

Ou como se, em condições normais, pudesse se resumir a um mero cálculo de transferência de votos uma luta que se trava com boas idéias num contexto favorável ou pelo menos um forte sentimento de mudança que um candidato a uma disputa majoritária precisa estimular e encarnar.

Para bancar sua tese de salvação com Lázaro à mão, o candidato do DEM chegou a romper um acordo com o PSDB, seu principal aliado. Passou a ser visto muito sorumbático como se, sem o Irmão na chapa, não tivesse mais o que fazer, senão aguardar a derrota.

Antes, no entanto, pelo que se comenta nos corredores do Palácio Thomé de Souza, berço do nascimento de sua candidatura, Ronaldo teria ameaçado renunciar à disputa. Lázaro virara uma obsessão. Feita a vontade de Ronaldo, o que ocorre? Ele dorme na sexta-feira com o cantor em sua chapa e acorda com o rompimento do acordo pelo PSC.

Agora, no cúmulo da desmoralização, todos aceitam que Lázaro permaneça na chapa, sob o argumento de que ele é gente boa, apesar da traição praticada pelo seu partido. Não poderia ser outro, senão de melancolia profunda, o clima, que já não era de muita animação, na campanha do candidato do DEM.

Ninguém confia em ninguém, muito menos em Irmão Lázaro, em relação a quem não se sabe até agora que nível de envolvimento teve na atitude do PSC, que saiu de canalha esperto na história, provando que esse negócio de cumprir acordo é coisa de otário. Que exemplo!

Tanto que já se fala que os deputados, maiores prejudicados com a implosão do chapão pelo PSC, não votarão em Lázaro para o Senado. É exatamente assim que Sinhá Lili toca na campanha de quem deveria ser o principal adversário do PT na Bahia.

Depois não queiram que o governador Rui Costa (PT), candidato à reeleição, parafraseando o ex-senador ACM, abra uma cerveja no varandão do Palácio de Ondina, sente, bata no peito e diga, no íntimo: – O problema não é que eu sou um gênio, mas os outros é que são muito ruins!

6 de agosto de 2018, 15:10

EXCLUSIVA Sem chapão, deputados federais se desesperam e passam a defender Roma ao Senado

Foto: Divulgação/Arquivo

João Roma é o nome mais lembrado por deputados para substituir Irmão Lázaro na chapa

Com a provável retirada da candidatura de Irmão Lázaro ao Senado, devido ao rompimento do acordo pelo qual seu partido, o PSC, integraria o chapão proporcional com as legendas que apóiam o candidato do DEM ao governo, José Ronaldo, deputados do DEM passaram a defender internamente o lançamento do nome do ex-chefe da Casa Civil do prefeito ACM Neto (DEM), João Roma (PRB), para candidato a senador em seu lugar. Eles temem que suas condições de competitividade sejam prejudicadas sem o chapão e o PSDB, que já anunciou que vai disputar sozinho as eleições proporcionais, e acham que o prefeito precisa priorizar a reeleição de seus deputados, concentrando esforços para reelegê-los, ao invés de apostar em nomes novos. Outro fator “facilitador” para Roma seria o fato de pertencer ao evangélico PRB, que foi excluído da primeira chapa de Ronaldo em favor do PSC de Irmão Lázaro.

6 de agosto de 2018, 14:15

EXCLUSIVA Em mensagem a deputados, Lázaro admite que perdeu condições de disputar Senado

Foto: Ag. Câmara/Arquivo

Deputado federal Irmão Lázaro

Cobrado por deputados sobre o rompimento do acordo pelo qual seu partido, o PSC, integraria o chapão proporcional em troca de sua candidatura ao Senado na chapa do candidato a governador José Ronaldo (DEM), o deputado federal Irmão Lázaro afirmou que não concordava com a posição da agremiação e que perdeu as condições de continuar disputando a vaga de senador no grupo. Ele deve agora disputar a eleição a deputado estadual ou concorrer à reeleição à Câmara dos Deputados. “Sinto informar que não sabia (do rompimento do acordo), amigo. Concordo em que perdi as condições de concorrer a senador na chapa”, disse numa rede de WhatsApp integrada por deputados da base do prefeito ACM Neto (DEM), principal apoiador de José Ronaldo. Lázaro se posicionou depois que deputados começaram a cobrar uma posição sua. Em seguida, muitos deles passaram a dizer, no grupo, que ele não poderia mais ser candidato a senador.

Leia também: Com queda de chapão, deputados do DEM podem renunciar em bloco à reeleição, implodindo candidatura de José Ronaldo

6 de agosto de 2018, 11:03

EXCLUSIVA Com queda de chapão, deputados do DEM podem renunciar em bloco à reeleição, implodindo candidatura de José Ronaldo

Foto: Reprodução/Arquivo

Situação de José Ronaldo ficou difícil com ameaça de deputados do DEM depois de traição do PSC

O “golpe” que o PSC deu no grupo do candidato a governador José Ronaldo (DEM), formando uma coligação com o PTB, o Solidariedade, dois partidos também da base do prefeito ACM Neto, e mais o PPL, para disputar as vagas da Assembleia Legislativa, quando o combinado era integrar uma chapão com todas as siglas oposicionistas que dão apoio ao democrata, pode levar todos os deputados estaduais do DEM e mais os candidatos mais fortes da sigla a desistirem de participar das eleições.

A renúncia coletiva, considerada uma medida extrema pelos próprios parlamentares, levaria a uma espécie de implosão da candidatura do próprio José Ronaldo, acusado pelos deputados democratas de não se movimentar, apesar dos sinais de que sua base estava se esvaindo terem ficado claros desde o final de semana. Ronaldo foi um dos maiores defensores da aliança com o PSC e da candidatura ao Senado do deputado federal Irmão Lázaro, do partido, que era inicialmente rejeitada pelo PSDB, alegando que era eleitoralmente fundamental.

Depois de muita negociação, o DEM e os tucanos chegaram a uma acordo com o deputado-cantor pelo qual a legenda integraria o chapão e declararia apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Dois dias depois da convenção em que todos anunciaram a unidade, no entanto, o acordo foi rompido pelo PSC, que ainda puxou dois partidos da base para o seu lado – o PTB e o Solidariedade. Para completar, Irmão Lázaro declarou apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Antes, o PHS e o PPS também já haviam se desgarrado do grupo, unindo-se ao PSL, partido do candidato a governador João Henrique. Isso ocorreu apesar de um pedido expresso do prefeito a todos os aliados e aos candidatos a deputado do grupo para ajudar financeiramente e com votos o assessor Júnior Muniz, presidente do PHS e candidato a deputado estadual. O que precipitou o surgimento da proposta de renúncia no DEM foi também o anúncio feito hoje ao partido pelo PSDB de que, diante da crise instalada, vai sair sozinho para deputado.

“A consequência de todos estes fatos é que o DEM ficou isolado só com o PRB e gente no nosso grupo com 60 mil, 70 mil votos não conseguirá mais se eleger nestas eleições sem o chapão”, disse um deputado do DEM agora há pouco ao Política Livre, profundamente irritado. Ele criticou principalmente o silêncio e o que chamou de “inação” do candidato a governador do DEM que, segundo ele, parece não querer tomar conhecimento de nada, “mesmo do que está sob o seu nariz”.

“Sem recursos do fundo partidário quem vai querer gastar dinheiro do próprio bolso para poder concorrer? É melhor a renúncia em bloco à reeleição de todos os deputados”, completou a mesma fonte. Sobre o fato de a quase totalidade dos partidos que traíram a proposta do chapão serem da base do prefeito ACM Neto e, por este motivo, ocuparem cargos na máquina municipal, o mesmo deputado afirmou que o prefeito pode fazer pouco nesta hora. “A 60 dias da eleição, a caneta perde a força”, acrescentou.

6 de agosto de 2018, 08:02

EXCLUSIVA Dilemas de chapão e chapinhas no governo e na oposição, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

PSD, do senador Otto Alencar, é apontado como principal beneficiário do chapão no governo por petistas

Deixaram sequelas e causaram muita revolta os acordos celebrados pelos principais partidos baianos envolvidos na disputa estadual para as eleições proporcionais – para deputados estaduais e federais. O curioso é que a insatisfação é grande entre os candidatos às vagas na Assembleia e na Câmara dos Deputados não só na base do governador Rui Costa (PT), como também entre aliados do prefeito ACM Neto (DEM). No caso do time do governo, a indignação maior, ao que parece, foi provocada no seio do partido do governador, o PT.

Vários deputados petistas teriam ficado insatisfeitos com a proposta de chapão, pelo qual as principais siglas da base decidiram fazer uma única coligação para a disputa das vagas na Assembleia e na Câmara dos Deputados. Alegam que o arranjo favoreceu principalmente o PSD, do senador Otto Alencar, em detrimento da reeleição de muitos petistas, que poderão, pelos seus cálculos, ver sua bancada estadual reduzida dos atuais 10 parlamentares para até 4. Até um bode expiatório encontraram no processo: seria o deputado estadual petista Rosemberg Pinto.

Segundo o que dizem alguns petistas, Pinto teria fechado um acordo com Otto pelo qual receberia o apoio do senador para disputar a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, em 2019, em troca de influenciar para que seu partido concordasse com o chapão. Rosemberg, naturalmente, negou qualquer papel no acordo, observando que não teria condição de influir neste nível sobre seus colegas e que, neste período, não conversou pessoalmente com o senador nem sobre este assunto nem qualquer outro.

Para os colegas de Rosemberg, no entanto, pouco importa sua justificativa. A conclusão deles é de que, ao invés de ter fechado o chapão, o partido deveria ter seguido uma das recomendações do governador para que liderasse um grupo de partidos na disputa pelas vagas legislativas, da mesma forma que o PSD deveria ter liderado um outro time. A restrição ao acordo com o PSD ocorre devido ao fato de o partido ter apresentado só 14 candidatos, todos com grande chance de vitória, diferentemente do PT, onde alguns candidatos já pensam até em desistir de concorrer depois de fechado o chapão.

Como miséria pouca é bobagem, as críticas não se restringem ao grupo de Rui. No time do prefeito ACM Neto, a principal queixa diz respeito exatamente ao contrário: o fato de o chapão não ter saído. No grupo, o culpado é o PHS, considerado por muitos como uma invenção do próprio Neto, que cresceu, se desenvolveu e ganhou tamanha autonomia que acabou se aliando ao PPS e ao PV para evitar participar de uma coligação só, liderada pelo PSDB e o DEM. O que todo mundo quer saber é se o prefeito vai concordar com a estratégia do PPS, sem o qual o PHS não poderia ter assumido tanta independência.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna.

4 de agosto de 2018, 18:50

EXCLUSIVA Suposto acordo de Otto com Rosemberg por presidência da Assembleia viabiliza chapão e revolta petistas

Foto: Divulgação/Arquivo

Com expectativa de ter apoio de Otto para presidente da Assembleia, Rosemberg teria influído para PT fechar chapão

Vendida como uma solução política unânime no campo do governo, a formação de um chapão às vagas proporcionais no grupo do governador Rui Costa (PT) deixou principalmente seu partido revoltado. Deputados petistas estimam que, devido ao chapão, no qual todos os partidos da base se uniram para disputar as 63 vagas disponíveis na Assembleia Legislativa, o PT pode reduzir sua presença na Casa de 10 para até quatro parlamentares, o que dizimaria quase completamente sua atual bancada.

Em contrapartida, o modelo teria ajudado imensamente o PSD, do senador Otto Alencar, que pode eleger até 13 deputados dos 40 que a base estima poder colocar na Assembleia. Desde o princípio, eram poucos os partidos que gostariam de ter o PSD como aliado porque a sigla decidiu apresentar apenas 14 candidatos à Assembleia, todos com grandes chances de eleição, dificultando o sucesso das agremiações que se coligassem com ele.

Diante da iminência do conflito, o próprio governador Rui Costa (PT) chegou a admitir que a base poderia sair com duas coligações principais, uma liderada pelo PSD e outra pelo PT. Indignados com o desfecho da negociação, alguns deputados do PT dizem, no entanto, que um acordo celebrado entre Otto e o deputado estadual petista Rosemberg Pinto colocou por terra o projeto do partido de manter suas atuais vagas na Assembleia ou mesmo ampliá-las.

Para garantir a coligação com o PSD, o senador, considerado hábil negociador político, teria oferecido a Rosemberg a garantia de apoio do PSD à sua candidatura à sucessão de Angelo Coronel na presidência da Assembleia Legislativa, em 2019. Em troca, o petista teria influído na formação do chapão, contando para isso com o apoio da direção estadual do PT. “O acordo pode ter sido até bom para Rosemberg, mas liquidou as chances de eleição dos deputados do PT na Assembleia”, disse um parlamentar petista a este Política Livre.