2 de abril de 2017, 11:39

EXCLUSIVA Coronel firma independência da AL e determina instalação da CPI do Centro de Convenções

Foto: Arquivo/Divulgação

Coronel se elegeu dizendo que agiria com imparcialidade em relação a pleitos do governo e da oposição

O Diário Oficial do Poder Legislativo publicou em edição deste final de semana decisão do presidente da Assembleia, deputado Angelo Coronel (PSD), determinando a instalação da CPI do Centro de Convenções. A constituição do colegiado de investigação foi solicitada pela oposição, que conseguiu reunir os 21 votos necessários para que seja instalada. Para tomar a decisão, Coronel baseou-se em parecer da Procuradoria Jurídica da Assembleia, para a qual o pedido tem “fato determinado” e está regimentalmente correto. “Analisando devidamente o requerimento formulado, vislumbro terem sido preenchidas as exigências para a instalação da CPI pretendida não só de acordo com a doutrina mas principalmente com a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que muito tem flexibilizado na conceituação da expressão fato determinado”, diz o parecer da Procuradoria. Polêmica, a iniciativa confirma o discurso com que Coronel se elegeu presidente da Casa de que se comportaria de forma imparcial em relação a pleitos da oposição e do governo. O teor da campanha revelou que o deputado do PSD não pretendia se comportar como líder do governo, acusação que era dirigida a seu antecessor, Marcelo Nilo (PSL).

30 de março de 2017, 11:26

EXCLUSIVA O claro desconforto de Rui, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/GOVBA

Governador Rui Costa (PT)

O governador Rui Costa (PT) admitiu todo o seu desconforto com os deputados federais de sua base que apóiam também o presidente Michel Temer (PMDB) numa coletiva esta semana em Salvador. Disse Rui em reportagem publicada por esta Tribuna que as vaias de que dois deles foram alvos no interior, em palanques nos quais era a principal e mais destacada autoridade, indicariam a indignação da população com o apoio a propostas como a da regulamentação da terceirização, aprovada esta semana pela Câmara dos Deputados com o aval da bancada governista. Ressalve-se que, se não estava ali exatamente a população, com certeza fazia-se presente a militância petista.

E ainda que a terceirização – está registrado em vídeo – fora defendida em várias oportunidades por Dilma Rousseff. Para completar, o governador ainda fez questão de se referir nominalmente aos aliados que passaram pelo constrangimento como se fossem exemplos a serem evitados pelos demais. Não deve ter sido por falta de aviso que o descontentamento bateu, ainda que tardiamente, em Rui. Desde que Michel Temer assumiu o comando da Nação e deputados aliados a ele na Bahia aproveitaram o fluxo migratório nacional de seus partidos em direção ao novo presidente para exercer todo o seu governismo já se sabia que em algum momento o paradoxo emergiria.

Então confrontada com a nova contingência, a articulação política do governador preferiu na época fazer pouco caso do movimento, acreditando que todos poderiam viver em doce harmonia, e desconsiderando, inclusive, que a aproximação entre os aliados de Rui e o time de Temer, no qual se incluem partidos como o DEM do prefeito e virtual candidato à sucessão estadual ACM Neto, favorecia abertamente conspirações contra ele. Agora, parece ter se apercebido de que não é absolutamente o caso. No momento em que a realidade e a economia vão deixando para trás o rótulo de golpista com que os petistas quiseram rotular Temer, a situação muda de figura.

Ganha contornos ainda mais fortes à medida que o petismo se agarra como a uma tábua de salvação à figura do ex-presidente Lula e sua inquestionável popularidade como opção presidencial para 2018. Nesse contexto, buscar desgastar a qualquer preço o adversário do lulismo é, além de estratégia, uma arma a qual as lideranças petistas sempre souberam empunhar com extrema destreza. É claro que o persistente oposicionismo de Rui a Temer não poderia resultar em outra situação que não o fechamento de todas as torneiras da administração federal na direção do Estado da Bahia, como manda a tradição política tupiniquim.

O governador pode trilhar o caminho das pedras, no entanto, se, com mais de um ano de antecedência das eleições e sob tantas incertezas, acreditar que a militância que o acompanha nos eventos do interior pode ser utilizada para impor aos deputados alinhados a Temer uma revisão de suas posições a ponto de ficarem só com ele na Bahia. Trata-se de um erro porque, essencialmente, o fascínio do governo federal sobre os parlamentares nem se compara com o da máquina que comanda, por mais permeável em que ele a transforme agora. Depois, porque, influenciados por tempos temeristas, é bom que se diga, muitos discutem, às suas costas, a viabilidade mesma de sua reeleição.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

29 de março de 2017, 10:29

EXCLUSIVA Governistas que apóiam Temer ameaçam boicote a eventos com Rui

Foto: Arquivo/Divulgação

Mário Jr. foi dos deputados vaiados recentemente em evento com Rui Costa porque votou com Temer

Irritados com o que consideraram apoio do governador Rui Costa (PT) às vaias recebidas por deputados federais de sua base que também são aliados do presidente Michel Temer (PMDB), parlamentares do PR, PSD e PP, que estão nesta situação, já ameaçam boicotar eventos com o chefe do executivo no interior.

Pedindo reservas, dois deles procuraram o Política Livre para dizer que, ao invés de afirmar que os apupos decorreriam da indignação da população, Rui deveria buscar censurá-los. “Indignação da população coisa nenhuma. Aquilo (as vaias) são manifestações da militância subordinada ao governador”, disse um deles mais indignado.

Ele prometeu não comparecer mais a festas de inauguração com Rui Costa enquanto perdurar o clima. Recentemente dois deputados – Jonga Bacelar (PR) e Mário Negromonte Jr. (PP) – foram vaiados em eventos no interior, na presença do governador, por terem votado a favor do projeto que regulamenta a terceirização.

Ao falar das vaias, o governador os citou nominalmente e completou: “Eu acho que é importante que todos estejam sintonizados com a indignação da população. O povo está perdendo a paciência e quer que as coisas se resolvam”. E ainda acrescentou que vem chamando a atenção dos deputados para que estejam “sintonizados com as vozes das ruas”.

27 de março de 2017, 21:12

EXCLUSIVA Advogado de Lídice pede vistas de inquérito e delações da Odebrecht

Foto: Divulgação

Senadora Lídice da Mata

O advogado baiano Maurício Vasconcelos solicitou vistas do inquérito e das delações da Odebrecht em que aparecem citações à senadora Lídice da Mata (PSB). Ele foi constituído representante oficial da senadora para o processo na semana passada. Segundo fonte de Brasília que conversou com este Política Livre, ciente de que não tem o que temer, Lídice resolveu partir para a ofensiva e descobrir o verdadeiro motivo para que seu nome venha aparecendo em vazamentos aqui e ali.

 

 

27 de março de 2017, 10:32

EXCLUSIVA Vaia em Jonga mostra que apoio a Rui e Temer estão incompatíveis

Foto: Divulgação/Arquivo

Bacelar discursou sob vaias sonoras de petistas e agregados em evento com governador Rui Costa

A sonora vaia recebida pelo deputado federal João Carlos Bacelar, do PR, o Jonga, na presença do governador Rui Costa (PT), durante evento coalhado de petistas e representantes de movimentos sociais em Serrinha, neste final de semana, é um sinal inequívoco de que está estreitando o espaço para que deputados federais mantenham o jogo de conveniência pelo qual mantêm um pé no governo do petista na Bahia e outro no do presidente Michel Temer (PMDB), em Brasília.

O deputado do PR não é o primeiro a passar pelo constrangimento num evento com Rui Costa. Há pouco tempo, o deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP) foi alvo também de protestos em Cícero Dantas, num ambiente que lhe fora absolutamente amigável até o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Assim como o PP e o PR, o PSD é outro partido que vota firme com a agenda de Temer no Congresso, mas na Bahia está sob o abrigo do governo estadual.

Com a queda de Dilma, todos se realinharam em Brasília, mantendo ou re-indicando aliados para postos federais. “Os deputados não querem perceber que as agendas hoje dos governos estadual e federal são incompatíveis. Estar aliado aqui e em Brasília só seria possível num ambiente sem tensão e de compatibilidade de projetos, o que absolutamente não é o caso”, avalia um deputado federal para o Política Livre, prevendo novos ataques a parlamentares nesta condição.

Para a mesma fonte, o fosso tem aumentado porque o PT e os movimentos sociais alinhados ao partido passaram a demonizar quem vota a favor da agenda econômica de Temer, que inclui a aprovação, recentemente, da regulamentação da terceirização e da abertura do pré-sal, e vem propondo reformas como a da Previdência e a Trabalhista. O petismo coloca os deputados favoráveis às mudanças consideradas pelo governo como fundamentais à recuperação econômica do país no rol de traidores do povo.

O protesto contra Jonga ocorreu logo depois de, na semana passada, o deputado ter votado a favor da regulamentação da terceirização. Tanto no caso dele quanto no de Negromonte Jr., não se viu um gesto de Rui Costa no sentido de tentar aplacar a indignação dos militantes petistas. Alguns vêm na postura do governador um possível interesse de Rui em constranger os aliados para que entendam a importância de se colocar contra Temer em Brasília, postura de coerência impensável para a maioria dos políticos.

Se o clima está ruim agora, deve ficar ainda pior quando se aproximar a campanha à sucessão de 2018, principalmente se os partidos que fazem o chamado jogo duplo tiverem candidatos presidenciais concorrentes do petismo e buscarem permanecer com eles e o governo estadual. “A sucessão vai ser acirradíssima. O PT está preparado para descascar em cima dessa turma”, diz um militante petista, prometendo ficar de olho em quem se utilizar do expediente de estar com um pé aqui e outro na canoa de Temer.

27 de março de 2017, 08:11

EXCLUSIVA Temer respira aliviado neste domingo, por Raul Monteiro

Foto: Reprodução

Presidente Michel Temer

O governo Michel Temer (PMDB) respirou aliviado com o resultado das manifestações pelo país neste domingo. Com uma pauta ampla, que incluiu da defesa da Operação Lava Jato e do trabalho do juiz Sérgio Moro, seu líder maior, até críticas ao foro privilegiado, os protestos foram os menores realizados até agora com agenda política e, fora algumas manifestações pontuais, acabaram poupando o peemedebista de ataques mais contundentes, para frustração de petistas e dos demais adversários do sucessor de Dilma Rousseff (PT).

Nada mal para um presidente que convive com uma agenda impopular desde o momento em que assumiu o comando político do país – num processo meramente transitório que seus adversários insistem em chamar de golpe -, a qual tem sido reforçada por iniciativas como a que regulamenta e amplia o processo de terceirização, recentemente aprovada no Congresso, e reformas há muito proteladas, como a da Previdência, que o governo tem feito um esforço enorme para convencer de que não suprimirá direitos, o contrário do que a maioria acredita e os partidos de oposição garantem.

Foram poucos os políticos que também compareceram aos atos, a exemplo do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que repetiu a mesma ladainha contra o governo, apesar de ser de um partido da base. As novidades foram os ataques dirigidos a figuras como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de quem ninguém pode deixar de reconhecer a coragem em dizer muito do que hoje qualquer um tem medo em verbalizar no país. Outros que foram alvejados foram os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), respectivamente, além do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Em São Paulo, onde as manifestações tomaram parte da Avenida Paulista, pelo menos, os três foram acusados por parte dos manifestantes de tentarem promover um acordo para salvar a classe política diante das relações da Odebrecht, cujo teor tem sido seletivamente vazado, confundindo dinheiro oriundo de propina daquele de caixa dois, ou não contabilizado, a fim de criar a idéia de que ninguém presta neste país, afora o povo honesto e historicamente espoliado. Em alguns protestos, o ex-presidente Lula apareceu vestido de presidiário, o que não é exatamente uma novidade neste atos.

Portanto, de maneira geral, as manifestações de ontem não assustaram a quem deveriam, exatamente a classe política, embora não falte assunto contra o que se protestar num dos países mais desiguais do planeta. Um boa lição para aqueles que os organizam, os quais precisam melhorar seu senso de monitoramento do pulso da população, se quiserem manter a influência sobre a pauta política e sob pressão os homens encarregados de fazer as leis no país, cuja insensibilidade histórica aos problemas da sociedade brasileira deve também ser das maiores do mundo.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

26 de março de 2017, 19:20

EXCLUSIVA Entrosamento entre Leão e Coronel chama a atenção em aniversário

Foto: Divulgação

Coronel e Leão se apontam mutuamente: por acaso estariam tratando de 2018?

Chamaram a atenção as mesuras trocadas pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), e o vice-governador e secretário estadual de Planejamento, João Leão (PP), durante a comemoração do aniversário do secretário estadual de Saúde, Fábio Villas Boas, no sábado. Os dois fizeram ainda questão de posar para uma foto em que aparecem se apontando mutuamente, como se estivessem a tratar da chapa à sucessão estadual de 2018. Para completar, Coronel ainda estava vestido com uma camisa que lembrava a bandeira dos Estados Unidos, o que levou alguns a recordarem do presidente americano Donald Trump, que muitos consideravam carta fora do baralho quando a campanha nos EUA começou.

24 de março de 2017, 09:47

EXCLUSIVA O “leviano” e a mais completa cara de pau

Tem tempo para dar e vender quem se ocupa de um espectro como Dilma Rousseff, grande responsável pela desgraça econômica da qual o Brasil parece dar os primeiros passos para sair. Não fosse por seu legado, em todos os sentidos, lamentável, não seria motivo de lembrança nem para a militância mais cega do petismo. Mas a resposta que ofereceu para o fato de o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo, ter dito que ela sabia absolutamente de tudo, impõe que se lhe devotem algumas linhas.

Dilma disse que, no que lhe compete, a delação do empreiteiro sobre o conhecimento que possuía a respeito das transações nada republicanas entre governo e a empresa que aconteciam sob o seu queixo é leviana. Mais: que não possuía relações com o ex-presidente da Odebrecht. Ora, ora! Todo mundo sabe que os dois eram próximos, trocavam figurinhas a toda hora, motivo porque o empresário foi considerado um dos seus mais constantes conselheiros. É o que a imprensa econômica relatou várias vezes.

Tudo decorrente do interesse mútuo que governo e empresa se devotavam. Além disso, não soa consistente que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, de quem Marcelo disse ter recebido vários pedidos de recursos vultosos para fins variados, agisse sem o mais pleno conhecimento da “presidenta”, de quem o mundo já sabe que a competência nunca foi o forte. Agora, a cara de pau….

22 de março de 2017, 08:30

EXCLUSIVA Wagner acha que Neto é carta fora do baralho para 2018

Foto: Política Livre/Arquivo

Ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner

Interlocutores do ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), têm ficado intrigados com um termo que ele passou a usar para se referir ao prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Para o petista, definitivamente o prefeito deixou de ser uma ameaça, em 2018, à reeleição do governador Rui Costa (PT), de quem o secretário se transformou em articulador político informal. Wagner garante que sua tese ficará mais clara à medida que a sucessão estadual se aproxime.

21 de março de 2017, 10:48

EXCLUSIVA Articulação de Rui Costa faz questão de Otto em chapa de 2018

Foto: Emerson Nunes/Política Livre/Arquivo

Senador Otto Alencar é visto como fundamental na chapa com que Rui Costa pretende disputar reeleição

A articulação política do governo Rui Costa (PT) trabalha com a idéia de manter o atual senador Otto Alencar (PSD) na chapa com que o governador disputará a reeleição, no ano que vem. Otto poderia se recandidatar ao Senado, onde completará quatro de seus oito anos de mandato em 2018, ou concorrer à vice, cargo ocupado hoje pelo PP com João Leão, que é secretário estadual de Planejamento.

Nesta hipótese, Leão seria deslocado para o Senado, uma vez que sua presença na chapa é considerada também fundamental. Entre os maiores entusiastas da presença de Otto na chapa de Rui em 2018 está o ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner, cuja candidatura à outra vaga ao Senado é tida como certa. Amigo pessoal de Otto, Wagner acha que sua presença na chapa a tornaria eleitoralmente imbatível.

O arranjo descartaria, evidentemente, a recandidatura da atual senadora Lídice da Mata, do PSB. Como estará encerrando seu mandato no próximo ano, ela acalentava o desejo de mais uma vez integrar a chapa de Rui, ocupando a vice ou mesmo a vaga de senadora, mas, se quiser continuar no mesmo grupo político, terá que concorrer para deputada federal ou à Assembleia Legislativa.

A concepção da nova chapa é favorecida também pelo enfraquecimento do deputado estadual Marcelo Nilo, do PSL, que pretendia tensionar pela disputa ao Senado ou à vice, mas perdeu espaço e força ao não conseguir se reeleger presidente da Assembleia Legislativa. A avaliação que se faz no governo entre os defensores do nome de Otto é o de que, no PSD, ele ainda é o melhor nome para estar na chapa.

Falta operacionalizar a forma como ele disputaria o Senado, já que, no ano que vem, estará cumprindo exatamente a metade do atual mandato, o que pode obrigá-lo a renunciar antes de concorrer de novo.  A maior vantagem para ele seria colocar o filho, Otto Filho, atual presidente da Desenbahia, na sua suplência. Isso lhe permitiria, inclusive, renunciar depois de eleito para permitir a posse do herdeiro político.

Este Política Livre apurou que Otto, no entanto, resiste à proposta. A idéia de manter PSD e PP na chapa de 2018 leva em conta um cenário em que o ex-presidente Lula seria candidato à Presidência da República no ano que vem, mas é defendida com mais vigor para a hipótese de o petista não poder puxar os candidatos do PT nos Estados. A avaliação é de que, neste caso, a dependência do governador em relação a Otto e Leão só aumentaria.

20 de março de 2017, 16:19

EXCLUSIVA Depois da operação “Carne Fraca”, PEC de autonomia da PF está em risco

Foto: Divulgação/Arquivo

O bicho pode ter pegado para a Polícia Federal no Congresso depois da "Carne Fraca"

Com a “lambança” que políticos acreditam que a Polícia Federal fez com a operação “Carne Fraca”, há grande chance de ter subido no telhado a PEC 412, por meio da qual delegados acreditavam que conseguiriam a autonomia da instituição. Esta é a opinião, inclusive, de deputados federais baianos ouvidos hoje pelo Política Livre. A maioria, como o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, não condena a operação que apura adulteração de carne produzida no Brasil, mas a “pirotecnia” que envolveu um setor tão importante para a economia nacional, que inclusive a segurou neste momento de crise, levando em conta, principalmente, seu impacto no mercado internacional. “Se queriam uma justificativa (contra a autonomia da PF), ela está dada”, disse um conhecido parlamentar baiano, observando que a operação poderia ter sido conduzida “sem o estardalhaço que a envolveu”.

20 de março de 2017, 07:34

EXCLUSIVA A carne é mais fraca no Brasil, por Raul Monteiro

Foto: André Dusek/AE

Por mais que o presidente Michel Temer (PMDB) e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tenham se esforçado ontem para minimizar o impacto da Operação “A Carne é Fraca”, da Polícia Federal, que descobriu um esquema – mais um! – criminoso, desta vez de adulteração da carne produzida no Brasil pelas principais indústrias do setor, é inegável que a repercussão da notícia tenha sido catastrófica, tanto no país quanto no exterior, cujo acesso pelo produto brasileiro é fruto de investimentos vultosos, ao longo das últimas décadas.

Aliás, este foi um dos argumentos utilizados pelo ministro da Agricultura para revelar a sua desconfiança em relação a alguns dos “achados” da investigação policial, a exemplo do uso de papelão na produção de enlatados, embora, como frisou, não se trate absolutamente de questionar o trabalho que a Polícia Federal realizou e culminou na deflagração da sugestiva operação. Mas o que mais chamou a atenção neste processo foi, conforme as apurações, o envolvimento de partidos em mais um escândalo de proporções internacionais.

Como na Operação que investiga desvios de recursos na maior estatal brasileira, dois dos partidos pegos na Lava Jato são candidatos a responsáveis ou partícipes pelo esquemão que abalou a reputação de um setor que foi, nesta crise, responsável por segurar a economia do país: PP e PMDB. “Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era revertido para partido político. Já foi falado ao longo da investigação sobre dois partidos: PP e PMDB”, disse o delegado Maurício Moscardi Grillo, que até mês passado coordenava a força-tarefa da Lava Jato.

Na avaliação dos investigadores, algumas vezes a propina servia para que eles (os agentes públicos indicados partidariamente) ignorassem violações sanitárias, como a venda de carne com data de validade vencida e uso de produtos químicos para adulterá-la e a presença de materiais estranhos no alimento. “Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva”, completou a Polícia Federal.

A bem da verdade, tanto o PP quanto o PMDB, por meio de suas assessorias, trataram de informar que desconheciam o teor das denúncias e apoiavam publicamente as investigações, desautorizando que se falassem em nome deles. Fato é que o que a investigação trouxe mais uma vez à tona a idéia de que, onde partidos e políticos se metem, por meio de suas indicações a cargos públicos, a população corre risco, a exemplo do que revelou “A carne é fraca”. Mais do que nunca, o modelo baseado no presidencialismo de coalização precisa ser urgentemente revisto.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

16 de março de 2017, 11:41

EXCLUSIVA Um caso didático sobre corrupção, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

De todos as prisões já efetuadas pela Operação Lava Jato ou suas congêneres ou filhotes, talvez a que tenha sido até agora a mais didática sobre os nefastos efeitos da corrupção seja a do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Ela ocorreu não apenas no momento em que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal acreditam ter descoberto um dos maiores esquemas de corrupção já chefiados por um dos políticos que chegou a ser mais dos promissores do país como exatamente no período em que o Estado que seu grupo político continua comandando se encontra provavelmente na pior crise de sua história.

Daí, fazer o link entre a roubalheira supostamente liderada por Cabral, o assalto que teria liderado, por meio de relações espúrias com empreiteiras, ao Estado carioca, hoje incapaz de fazer frente às despesas mais básicas, como o pagamento de salários de servidores e de pensões e de aposentadorias, é um pulo. Na realidade, o caso do Rio, cujo ex-governador e a ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo, se encontram presos em Bangu acusados de chefiar o esquemão, é o que empresta maior materialidade à tese de que a corrupção estatal é imensamente prejudicial à população, subtraindo seus direitos.

Até a prisão de Cabral, mesmo no auge da Lava Jato, nunca se fez ligação tão direta entre o roubo ao erário e o prejuízo à população, cujos direitos os governantes deveriam preservar. A gravidade da crise financeira do Rio, infinitamente maior do que a da grande maioria dos demais estados brasileiros, todos subjugados à mesma catástrofe nacional provocada, entre outros fatores, pelo governo Dilma Rousseff (PT), tem contribuído para isso, mas medidas saneadoras adotadas pela própria Justiça também vêm colaborando para não haver dúvida de que a corrupção sempre representa um ganho para alguém em prejuízo de outrem, no caso de um massa de outrens.

Já se informa, por exemplo, que R$ 270 milhões resgatados do esquema que seria chefiado pelo ex-governador do Rio de Janeiro serão utilizados para pagar o 13o. salário atrasado dos servidores aposentados e de pensionistas, conforme apurou o jornal o Estado de S. Paulo. Por causa do resgate, cerca de 150 mil pessoas receberão o abono integralmente, com prioridade para aqueles que recebem benefícios mais baixos. Outros cerca de 100 mil inativos com maiores rendimentos terão direito ao pagamento do 13o. parcialmente, segundo a mesma publicação.

A maior das curiosidades é que os recursos surrupiados por Cabral estão sendo pleiteados para pagar as contas do Rio por seu aliado e sucessor, Luiz Fernando Pezão (PMDB). O fato de eles estarem caindo de volta na conta do Estado para bancar despesas que, por má gestão e corrupção escancarada, deixaram de ser pagas, causando imenso prejuízo a milhares de pessoas, não deixa de ensinar a todos o quanto a corrupção destrói, lição ainda mais importante neste momento em que muitos chegam a dizer sem a menor sem cerimônia de que atacá-la é um discurso destinado a destruir as conquistas sociais das gestões petistas.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia

Raul Monteiro

15 de março de 2017, 19:47

EXCLUSIVA Nomeação de Paulo Câmara ao Sebrae sai até final deste mês

Foto: Política Livre/Arquivo

Vereador Paulo Câmara

A nomeação do ex-presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Câmara (PSDB), à superintendência do Sebrae na Bahia deve sair até o final de março, junto com outras designações de cargos federais no Estado, informou hoje uma fonte da secretaria de Governo do presidente de Michel Temer (PMDB) ao Política Livre. Câmara chegou a avaliar sua indicação a dois cargos federais de caráter mais burocrático, mas desistiu diante do plano de concorrer a deputado estadual, para o qual a posição no Sebrae, no Estado, é muito mais vantajosa.

14 de março de 2017, 17:22

EXCLUSIVA Samuel Jr., do PSC, está com um pé no governo, dizem colegas

Foto: Reprodução

Samuel aparece em foto com secretário de Saúde turbinando especulações sobre sua adesão ao governo

A bancada oposicionista já não tem mais dúvida de que o deputado Samuel Jr., do PSC, está com um pé no governo Rui Costa (PT), depois que ele apareceu numa foto nas redes sociais entregando uma Bíblia ao secretário estadual de Saúde, Fábio Villas Boas. Durante a campanha à presidência da Assembleia, ele negou-se a fechar com a oposição apoio à candidatura de Angelo Coronel (PSD), que acabou eleito.