12 de julho de 2019, 12:23

EXCLUSIVA Abaixo o desperdício de dois Centros de Convenções na capital baiana

Foto: Divulgação/Arquivo

Novo Centro de Convenções, da Prefeitura, será entregue já em dezembro

O bate-cabeça do governo do Estado e da Prefeitura quanto à construção de dois Centros de Convenções em Salvador é um tapa na cara dos que dizem que o eleitor acha que ganham todos quando o prefeito e o governador são de campos políticos opostos porque, cada um, ao seu modo, busca fazer mais para agradar-lhe.

A justificativa está enviesada porque o princípio que deve nortear a defesa da divergência política entre os dois, quando ocorrer, é o da necessária independência entre as duas instâncias de poder e não o da competição desenfreada para contentar os eleitores.

No caso específico do Centro de Convenções, não há como tirar a razão da Prefeitura na decisão de assumir o protagonismo e iniciar a construção de um equipamento, seu, com recursos do contribuinte, na Orla de Salvador, próximo ao antigo, de propriedade do Estado, hoje desativado.

Depois de esperar anos por uma decisão do governo com relação a conservar, recuperar e, finalmente, construir um novo espaço, o prefeito ACM Neto passou à frente e lançou o equipamento da Prefeitura, cuja previsão de entrega, segundo o secretário municipal de Obras, Bruno Reis, é dezembro deste ano.

O argumento do prefeito, inquestionável, versava sobre o péssimo impacto sobre a economia de Salvador que a desativação do equipamento do Estado causava. Agora, com as obras do Centro da Prefeitura prestes a encerrar em seis meses, não faz o menor sentido o governo dizer que também construirá o dele.

Como afirmou ontem Bruno Reis, numa entrevista ao programa “Política na Mesa”, da TV Câmara, conviria ao governo, diante do estado avançado da obra da Prefeitura, direcionar sua energia e recursos para uma outra atividade, porque a questão será resolvida pela municipalidade.

Mas a este Política Livre, à noite, quando chegava para a entrega das obras de requalificação do Museu de Arte Moderna, na Contorno, o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, disse que o projeto conceitual do Centro de Convenções do Estado já está pronto, faltando apenas o executivo para suas obras começarem.

É uma evidência de que governo e Prefeitura não conversam pelo bem da cidade, que pode assistir a um desperdício de recursos em torno de um mesmo projeto, embora não se possa atribuir ao prefeito ACM Neto (DEM) a responsabilidade por este erro que está para ser perpetrado.

Aliás, esta conversa de construção de dois Centros de Convenções numa cidade com o porte de Salvador já foi longe demais. Não há estudo apresentado até agora que justifique a edificação de dois equipamentos com o mesmo objetivo na capital baiana.

Faria muito melhor o governador Rui Costa se, usando da humildade, reconhecesse que o prefeito passou-lhe à frente nesta corrida específica e revisasse a sua iniciativa enquanto há tempo, se não quiser que o bem-bolado slogan de que dirige o governo que mais fez por Salvador desabe ante tamanha barrigada.

12 de julho de 2019, 10:01

EXCLUSIVA Deputado sugere a Rodrigo gravar vídeo agradecendo a Rui aprovação da reforma

Foto: Ag. Brasil/Arquivo

Rodrigo Maia descartou, no entanto, a provocação, lembrando que precisará do governador no segundo turno

Responsável pela aprovação da reforma da Previdência, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, não cansa de dizer a colegas que ficou extremamente satisfeito com o fato de a chamada bancada do prefeito ACM Neto (DEM) na Casa ter votado em peso pela aprovação do texto-base. Ligado a Neto, um deputado do DEM, só de provocação, chegou a sugerir ao presidente da Câmara que ele gravasse um vídeo em agradecimento ao presidente do DEM e ao governador Rui Costa (PT), que deu 15 votos pela aprovação da matéria, dos 29 que controla na Casa. Mas Rodrigo descartou, lembrando que ainda tem o segundo turno pela frente.

12 de julho de 2019, 08:32

EXCLUSIVA Rompimento de barragem pegou governo de surpresa e irritou Rui

Foto: Reprodução TV Bahia

Vista de estrada coberta pelas águas depois de transbordamento de barragem, segundo governo estadual

O rompimento (ou transbordamento) da barragem do Quati, na região do município de Pedro Alexandre (BA), que atingiu as cidades de Coronel João Sá e Sítio do Quinto, produziu ontem uma verdadeira correria no Inema e na secretaria estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento Básico (Sihs).

O motivo teria sido a não aprovação do Plano de Contenção de Barragens, apresentado desde a primeira gestão do governador Rui Costa (PT), pela própria Sihs. A proposta teria sido engavetada por falta de recursos e a justificativa de ausência de prioridade.

“Com isso, a realidade é uma gestão sem plano de contenção de barragens, de segurança hídrica e de bacias, totalmente vulnerável às condições climáticas, que podem colocar em risco os diversos barramentos, a exemplo de barragens de menor porte”, confidenciou ontem à noite uma fonte de um órgão afeito ao tema no governo estadual.

Ele revelou que o problema com a barragem de Pedro Alexandre, cujo acompanhamento é feito pela CAR, segundo confidenciou, sem a mínima orientação e segurança dos órgãos responsáveis, leiam-se Inema, Cerb e as secretarias de Meio Ambiente e Infraestrutura Hídrica, poderia ter sido evitado.

Sua avaliação difere da do governo de que as inundações foram causadas pelo transbordamento da barragem. A informação que diz ter recebido é de que houve um “rompimento do sangradouro”, o que levou ao quadro de alagamento, felizmente, sem vítimas fatais, apenas desabrigados.

Há relatos de que o governador Rui Costa teria ficado bastante irritado com o fato de ter sido pego de surpresa com a ocorrência, principalmente depois que a Rede Globo começou a repisar que a fiscalização da barragem do Quati era da responsabilidade do governo estadual.

Ele mergulhou em reuniões para entender o quadro e agendou uma visita às duas cidades mais atingidas para hoje. Também cancelou a participação, na tarde de ontem, num evento festivo de inauguração das obras de requalificação do Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador.
Rui

Fernanda Chagas

11 de julho de 2019, 12:33

EXCLUSIVA O imbatível figurino de Rui Costa de parecer não ser, sendo, a favor da reforma

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui, aquele que parece que não é, mas é, a favor da reforma da Previdência

O governador Rui Costa (PT) pode ser considerado o maior artista desta primeira etapa da reforma da Previdência aprovada ontem na Câmara dos Deputados.

Rui reconhece a importância da reforma. Tanto que não só se antecipou e implementou medidas que atendem parcialmente a suas exigências no Estado como liberou, esta semana, sua base para votá-la.

Um dado: dos 29 deputados que a integram, 15 cravaram o sim no painel de votação da Câmara.

Além disso, o governador delegou ao dirigente de um dos partidos de sua base, o senador Otto Alencar, do PSD, a tarefa de negociar apoio ao texto em troca de uma pauta de “ganhos abstratos” para o Estado.

Não obstante, o governador conseguiu aparecer na Bahia como opositor da medida, ao declarar, esta semana, que preferia estar ao lado do povo do que se vender por emendas de “20, de 30, de 40 milhões de reais”.

Uma prova de que seu posicionamento dúbio levou à interpretação, favorável a ele, de que não concorda com as medidas são os ataques que os deputados de seu grupo que votaram a favor da reforma têm sofrido.

Pego para Cristo, Sargento Isidório, do Avante, tem apanhado de lavada nas redes sociais por causa do posicionamento. Já foi chamado de “Judas” e “traidor”, além de outros adjetivos menos nobres.

O mais curioso é que os críticos do voto dos deputados da base de Rui a favor da reforma chegam a considerar incompatível o fato de “os traidores do povo” serem seus aliados fiéis no Estado.

No figurino de parecer ser, não sendo, Rui está mesmo irreconhecível.

11 de julho de 2019, 10:36

EXCLUSIVA Mais da metade da bancada de Rui e totalidade da de Neto votaram a favor da reforma

Foto: Reprodução/Arquivo

Rui Costa não conseguiu conter os deputados de sua base que apóiam o governo de Jair Bolsonaro

Quinze parlamentares, dos 29 que integram a base do governador Rui Costa (PT), ajudaram a aprovar a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro, em votação de primeiro turno, ontem, na Câmara dos Deputados, todos de partidos que apóiam tanto o petista, na Bahia, quanto o presidente da República, em Brasília. A ala da bancada federal baiana ligada ao prefeito ACM Neto (DEM), formada por 10 deputados, entregou, por sua vez, todos os votos necessários à aprovação da reforma. O voto favorável da turma de Rui ao governo foi facilitado pelo fato de o governador, percebendo que não poderia impedir os deputados que estão com o pé nas duas canoas – no governo estadual e no federal – de fazerem sua “média” com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente da República, acabou liberando a bancada para votar como quisesse. A decisão foi anunciada numa reunião na semana passada para discutir o posicionamento com relação à reforma. O único líder do grupo de Rui que buscou uma justificativa para puxar o voto da bancada de seu partido pela reforma foi o senador Otto Alencar (PSD), que alegou ter negociado uma pauta de interesse do governo baiano, a pedido do governador, em troca dos cinco votos do partido em favor da matéria. Petistas, comunistas e socialistas, ferrenhos críticos da reforma e do governo, estão entre os principais aliados de Rui que votaram contra, grupo em que se inclui ainda Félix Mendonça Jr., do PDT.

Reveja quem votou a favor e contra a reforma entre os deputados baianos:

A favor

Abílio Santana (PR)
Adolfo Viana (PSDB)
Alex Santana (PDT)
Antonio Brito (PSD)
Arthur Maia (DEM)
Cacá Leão (PP)
Charles Fernandes (PSD)
Carlos Cajado (PP)
Elmar Nascimento (DEM)
Igor Kannário (PHS)
João Carlos Bacelar (PR)
João Roma (PRB)
José Nunes (PSD)
José Rocha (PR)
Leur Lomanto Jr. (DEM)
Márcio Marinho (PRB)
Otto Alencar Filho (PSD)
Pastor Sargento Isidório (Avante)
Paulo Azi (DEM)
Paulo Magalhães (PSD)
Professora Dayane Pimentel (PSL)
Raimundo Costa (PR)
Ronaldo Carletto (PP)
Tito (Avante)
Uldurico Júnior (PROS)

Contra

Afonso Florence (PT)
Alice Portugal (PCdoB)
Daniel Almeida (PCdoB)
Félix Mendonça Jr. (PDT)
Jorge Solla (PT)
Joseildo Ramos (PT)
Lídice da Mata (PSB)
Marcelo Nilo (PSB)
Mário Negromonte Jr. (PP)
Nelson Pelegrino (PT)
Valmir Assunção (PT)
Waldenor Pereira (PT)
Zé Neto (PT)

11 de julho de 2019, 10:01

EXCLUSIVA Com apenas cinco projetos aprovados, Prefeitura pode estar enfrentando “operação tartaruga” da base

Foto: Divulgação/Arquivo

Insatisfação na base pode estar por trás do que alguns vereadores chamam de "operação tartaruga"

Em meio aos últimos embates entre os principais Poderes soteropolitanos, não tem passado despercebido dos vereadores, sobretudo da base do governo, o fato de a Câmara Municipal de Salvador (CMS) ter aprovado apenas cinco projetos propostos pelo Executivo este semestre.

O curioso é que a dificuldade ocorre, apesar de o prefeito ACM Neto (DEM) possuir ampla maioria na Casa – 30 vereadores -, o que significa que não precisa dos 13 integrantes dos blocos de oposição e independente para votar seus projetos.

O atual cenário, onde a apreciação de outras matérias de autoria da Prefeitura segue emperrada, a exemplo do prioritário projeto de Lei que prevê a isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para empresas de ônibus, revela não apenas a fragilidade da liderança do governo na Casa.

Na visão de alguns vereadores, a situação retrataria um quadro de insatisfação de membros destacados da base, que estariam por trás do que muitos já começaram a chamar de “Operação Tartaruga”. “São vários sinais de que a coisa não tem andado aqui no ritmo que poderia”, diz um vereador governista.

Ele se refere, por exemplo, ao projeto do Built Suit, que regula o aluguel de imóveis por parte do Executivo, que, apesar de aprovado há tempo razoável na Casa, ainda não subiu para a sanção do prefeito. O caso do projeto do ISS dos ônibus seria ligeiramente diferente.

A demora teria sido a responsável por um bate-boca entre o presidente da Câmara, Geraldo Jr. (SD), e o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Fábio Mota, que acabou envolvendo até o prefeito e quase leva a um esgarçamento nas relações entre o executivo e legislativo municipal.

Desde então, houve tentativas de incluir a matéria em votação, sem sucesso, situação que faz os vereadores lembrarem do polêmico projeto que regulamenta os aplicativos de transporte que circulam na capital baiana, a exemplo do Uber e 99Pop.

Nem mesmo o Projeto de Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de Salvador, que, se não aprovado, retarda o recesso parlamentar, passou ainda pelo crivo dos vereadores. A votação que estava marcada para esta quarta-feira (10), só deve ocorrer na próxima semana.

A existência de 26 emendas sugeridas à Comissão de Finanças e Orçamento é apenas um sinal de que sua apreciação pode também não ser tão tranquila quanto a articulação política do prefeito gostaria. Levantamento do Política Livre mostra que a Câmara aprovou apenas três projetos da Prefeitura.

Seriam eles a reforma administrativa da prefeitura, o Projeto de Lei nº 10/2019, que versa sobre a destinação de recursos orçamentários do município, do exercício de 2019 às entidades de direito privado sem fins lucrativos, e o  do Built do Suit.

Também foram apreciados o 190/2019, que concede abono mensal de R$ 1.500 para médicos e R$ 100 para agentes de saúde, e a renovação da doação de terreno em Tubarão, no Subúrbio Ferroviário, para a construção de 236 unidades habitacionais do Empreendimento Vila Solidária Mar Azul, com recursos da Caixa Econômica.

No caso dos três primeiros, houve protestos até mesmo de aliados. Na ocasião da votação da reforma administrativa, o vereador César Leite (PSDB) votou contra, sob a justificativa de que seria criada uma despesa anual de pelo menos R$ 5 milhões para os cofres municipais, e acabou iniciando seu distanciamento da base.

Na votação do “Built to Suit”, o tucano também foi contrário a dois artigos do texto – o 9 e o 10 -, o que acabou afastando-o, de forma decisiva, do prefeito. A avaliação do presidente da Câmara, Geraldo Júnior (SD), em relação ao seu primeiro semestre como chefe do Legislativo soteropolitano, contudo, é positiva.

“Tivemos projetos de vereadores aprovados na Câmara, projetos de lei, de indicações, de resoluções. Fizemos duas entregas para a sociedade, o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa e o Built to Suit, também do Executivo, com a manutenção do meu discurso sobre a preservação do Comércio. O futuro da cidade continua passando pela Câmara de Vereadores”, afirma.

O líder da oposição, vereador Sidninho (Podemos), não perde a oportunidade de frisar que a Câmara agora está, de fato, fazendo o seu papel de legislar sem o “famoso rolo compressor”. Segundo ele, a oposição vem fazendo o seu papel de fiscalizar, apontar os erros, contestar, ainda que em minoria”.

O líder do governo na Câmara, veredor Paulo Magalhães (DEM), por sua vez, mantém o discurso de que prevalece a união no grupo. “Não existe insatisfação. O diálogo está prevalecendo dentro da base e a prova disso é que a base permanece votando quando é solicitada”, pontua.

Sobre a falta de acordo para a votação da isenção do ISS na semana passada, no entanto, admitiu que não tinha havido acordo, o que o levou na votação. Já o prefeito, tem dito que possui “total confiança na Câmara de Salvador,que sempre foi pautada pelo que é melhor para a cidade”.

Fernanda Chagas

11 de julho de 2019, 09:06

EXCLUSIVA Quando Bolsonaro vai, afinal, ajudar Rodrigo Maia a tocar a reforma com firmeza?

Foto: Ag. Brasil/Arquivo

Presidente Jair Bolsonaro precisa assumir, de uma vez por todas, a defesa das reformas de que o país precisa

A aprovação do texto-base da reforma da Previdência ontem à noite, apesar de muitos apontarem para os 379 votos a favor como uma maioria artificial, mostrou quem está no comando da mudança e o tamanho político a que pode chegar.

A repentina suspensão da votação dos destaques, no entanto, evidencia que, se pode fazer muito, como provou ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não pode, entretanto, continuar fazendo sozinho.

Depois da vitória acachapante, Rodrigo foi obrigado a recuar e transferir para hoje a votação da parte que falta da reforma depois de perceber uma rebelião no Centrão, conjunto de partidos cuja marca é o fisiologismo escancarado.

O mesmo Centrão cuja defesa o presidente da Câmara havia assumido no discurso que fez após a votação, antes do anúncio da vitória de frente ampla, numa tentativa quase protocolar de manter o bloco ao seu lado.

O sistema presidencialista vigente no Brasil permite que PP, PL, PRB, PSD, Solidariedade e outros mais não pensem no país, mas no que alguém que pensa possa lhes dar para continuar sobrevivendo em troca de seu voto.

Por mais que se deplorem seus métodos e interesses, atuam sob a legitimidade da democracia eleitoral que tem lhes garantido sobrevida até aqui. Fazê-los recuar, reduzindo sua força por meio da inteligência, é maior desafio.

E embora seja uma tarefa que Rodrigo provou saber manejar, não deve continuar exclusivamente em suas mãos. Pelo bem do país, é hora de o presidente Jair Bolsonaro descer do salto, entrar em campo e mostrar que é mais do que um capitão decorativo.

 

11 de julho de 2019, 08:12

EXCLUSIVA Não é a Previdência, mas a agenda autocorporativa que desgasta os políticos

Foto: Metro1/Arquivo

Cacá Leão não quer que falte dinheiro para candidatos a prefeitos e a vereador. E o povo?

Infelizmente os políticos, principalmente os parlamentares, são incapazes de perceber que não é o voto em propostas como a da reforma da Previdência que produzem desgaste e impopularidade, mas nas pautas auto-corporativas, em que fica evidente que eles pensam em legislar exclusivamente em causa própria. O caso mais recente refere-se ao plano de aumento do valor destinado ao fundo eleitoral, criado com o objetivo de substituir as doações empresariais de campanha, que pode simplesmente dobrar para financiar candidatos a prefeito e a vereador em todo o país no ano que vem.

O autor da façanha, ou da desfaçatez, é um baiano, o deputado federal Cacá Leão (PP), figura jovem e afável que, pelo visto, infelizmente, não se encontra sozinho no Congresso na arte de buscar satisfazer a corporação de políticos a que pertence. Caso contrário, na condição de relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, não estaria destinando mais R$ 2 bi, em 2020, para o Fundo Eleitoral, que deverá receber, no total, portanto, R$ 3,7 bi para bancar a campanha dos indigentes candidatos brasileiros nas próximas eleições municipais num país onde falta tudo para muitos milhões de desvalidos.

Político hábil, Cacá incluiu no texto do projeto a autorização para a destinação de até 0,44% da receita corrente líquida prevista para este ano para o fundo, este poço sem fundo com que os candidatos poderão, conforme a intenção do deputado baiano, se refestelar Brasil afora no próximo ano em meio a eleitores famélicos. Os montantes, a exemplo do que ocorreu no ano passado, seriam das emendas de bancada estaduais, que passaram a ter execução obrigatória após a aprovação, no início de junho, da proposta de emenda constitucional (PEC) do Orçamento impositivo.

Trocando em miúdos, o relatório do baiano destina 1% da receita corrente líquida para as emendas de bancada – mais do que o 0,8% aprovado na PEC – e destina 44% deste valor para o fundo, o que chegaria ao montante de R$ 3,7 bilhões. No ano passado, a regra previu que 30% do valor destinado às emendas iriam para o fundo, o que chegou a R$ 1,7 bilhão. Mas o relator da LDO nega que seu parecer signifique obrigatoriamente um aumento e disse que apenas fez constar a previsão no Orçamento. Segundo ele, se trata de uma autorização, já que o valor final será definido apenas quando for discutida a Lei de Orçamento Anual (LOA) de 2020, até o fim do ano.

“Temos eleições municipais no ano que vem e o governo não tinha colocado nenhuma previsão. Colocamos um teto a pedido dos partidos políticos, mas o valor será decidido mesmo é na LOA”, garante o deputado baiano, esquecendo-se de que tudo passa pelo mesmo caminho, o da aprovação parlamentar. Portanto… Aliás, não deve ter sido por acaso que a decisão de Cacá foi revelada no mesmo dia em que o Parlamento presenteou o país, num rasgo de responsabilidade, com a aprovação da reforma da Previdência, que poderia ter banido mais privilégios não fosse a capacidade de setores poderosos de, com o auxílio das oposições, travestir de coletivos interesses puramente corporativos.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

10 de julho de 2019, 15:45

EXCLUSIVA 14 baianos são escolhidos para curso de formação política do RenovaBR

Foto: Divulgação

Com 31 mil inscritos no Brasil, o RenovaBR, iniciativa suprapartidária de formação de lideranças e de engajamento cívico, selecionou 1 mil ativistas políticos para seu curso de formação, entre eles 14 baianos. Com o lema “Seja o Político que você deseja eleger”, a iniciativa criada em 2017 pelo empresário paulista Eduardo Mufarej tem como objetivo preparar, sem viés ideológico, novas lideranças para entrar na política, promovendo renovação no vácuo deixado pelos atuais partidos desgastados no país. Apoiado pelo apresentador Luciano Huck, elegeu 16 dos 120 candidatos lançados na eleição do ano passado para Assembleias Legislativas e Congresso Nacional.

Entre os baianos selecionados está o atual secretário municipal Sustentabilidade, Inovação e Resiliência de Salvador, André Fraga. O curso de formação do RenovaBR contará com aulas online e presenciais em São Paulo, a serem ministradas por diversos professores. Os melhores alunos serão selecionados para receber uma bolsa em dinheiro no próximo ano.

Segundo o advogado Rodrigo Rara, vice-presidente da Juventude do DEM e um dos selecionados, os resultados da seleção priorizaram possíveis candidatos aos cargos de vereadores e prefeitos nas próximas eleições, em 2020. “O RenovaBR é uma iniciativa fantástica da sociedade civil que busca formar os líderes políticos do futuro. Trata-se do mais bem sucedido projeto de renovação política dos últimos anos”, avalia Rara, recém empossado presidente do Livres, em substituição à jornalista Priscilla Chammas, que saiu candidata derrotada à deputada federal.

Para Luma Menezes, presidente municipal do partido Avante em Alagoinhas e também uma das selecionadas, um dos desafios da edição deste ano é a capilarização exigida pelas disputas municipais. “Ano passado, as bases da organização eram os 27 estados mais o Distrito Federal, agora o objetivo é representar o maior número possível dos nossos mais de 5 mil municípios. Além disso, teremos maior representatividade feminina nessa edição. As inscrições de mulheres mais do que dobrou”, ressalta.

Confira o nome dos baianos selecionados:

Adson Gomes Soares, engenheiro civil, presidente do CDL de Ipirá, líder Juventude Socialista do PDT (Ipirá)

Albert Ferreira, mercadólogo, tesoureiro da Juventude do PDT Bahia, presidente nacional do Movimento Cidadania e Liberdade (Salvador)

André Fraga, secretário municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência, membro do PV, doutorando em Medicina pela USP (Salvador)

Bruno Bello, historiador, publicitário e estudante de Engenharia Elétrica, membro do Movimento Acredito (Paulo Afonso)

Caio Coêlho, advogado, membro da Rede Sustentabilidade (Vitória da Conquista)

Ellen Prince, apresentadora de TV, empresária e estudante de Ciências Políticas, membro da Rede Sustentabilidade (Itabuna)

Henrique Marques, estudante em História, ativista socio-ambiental, coordenador estadual da JRede (Feira de Santana)

Isabela Sousa, estudante de Direito, líder estadual do Movimento Acredito (Salvador)

Jonatas Sodré, engenheiro sanitarista e ambiental, mestre em Saneamento, professor universitário e membro do Acredito-BA (Brotas de Macaúbas)

Júlia Oliveira da Silva, advogada, sindicalista de professores da Educação básica, membro da Rede Sustentabilidade (Serrinha)

Luma Menezes, administradora, presidente municipal do Avante (Alagoinhas)

Rafael Medeiros, enfermeiro (Salvador)

Rafael Pinto Cordeiro, advogado, gestor público (Feira de Santana)

Rodrigo Rara, advogado, presidente estadual do Livres e vice-presidente do JDEM (Salvador)

Raiane Veríssimo

10 de julho de 2019, 11:36

EXCLUSIVA Indiferença de Rui em relação à sucessão municipal em Salvador impacienta aliados

Foto: Reprodução/Arquivo

Governador Rui Costa

Aliados voltaram a se manifestar preocupados com o fato de o governador Rui Costa (PT) não ter conseguido até agora sinalizar com clareza que rumo eles devem seguir com relação à sucessão municipal do próximo ano em Salvador. Acham que a referência ao presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, durante coletiva, na semana passada, foi muito tímida, e lamentam que, até agora, ele não tenha feito qualquer gesto na direção do PT, seu partido, onde aparece o maior número de pré-candidatos até agora, todos órfãos de um padrinho. Lembram que, enquanto isso, o candidato do prefeito ACM Neto (DEM) ao Palácio Thomé de Souza, Bruno Reis (DEM), caminha a toda na capital baiana. E decretam, um tanto quanto ressentidos: “o final político do governador vai ser melancólico”.

10 de julho de 2019, 07:23

EXCLUSIVA Baianos se calam e defesa de João Gilberto é feita no Senado por Randolfe Rodrigues

Foto: Divulgação/Arquivo

João Gilberto faleceu no último sábado, aos 88 anos

Não passou pelos três senadores que representam a Bahia a defesa da decretação pelo Senado do luto oficial de três dias pela morte do genial João Gilberto, criador do estilo musical mundialmente conhecido como Bossa Nova, falecido no último sábado. Toda a movimentação neste sentido foi feita por um representante do Amapá, o senador Randolfe Rodrigues (Rede), líder da minoria no Senado, que protagonizou o principal embate com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) contra o desprezo pela figura do artista, nascido em Juazeiro, na Bahia. Demonstrando toda a sua já conhecida “erudição”, Bolsonaro declarou que João Gilberto era uma “pessoa conhecida”, rejeitando a decretação de luto oficial no país por sua morte. Ante a repercussão da demonstração de tamanho despreparo, o porta-voz da Presidência foi obrigado a ir a público falar sobre a importância do músico baiano. Randolfe citou a Lei dos Símbolos Nacionais, que permite a decretação do luto oficial, e pediu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), hasteasse a bandeira no Legislativo a meio pau durante três dias. O pedido foi submetido a votação e resultou também na decretação do luto oficial pela morte de João Gilberto. Sobre o desconhecimento de Bolsonaro a respeito do músico baiano, o escritor Ruy Castro, em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, afirmou: – Que sorte, a de João Gilberto! Bolsonaro não o elogiou.

9 de julho de 2019, 09:37

EXCLUSIVA Ataque de Rui a Centro de Convenções de Neto atinge em cheio Guilherme Bellintani

Foto: Divulgação/Arquivo

Guilherme Bellintani foi secretário de ACM Neto

Aliados acham que o governador Rui Costa (PT), provavelmente sem saber, atingiu o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, na cabeça, ao fazer críticas ao projeto de construção do Centro de Convenções da Prefeitura na Orla de Salvador, próximo ao equipamento original, de propriedade do Estado, hoje abandonado.

Ocorre que, nas conversas que teve com partidos da base de Rui para sondar a que legenda deverá se filiar para concorrer à Prefeitura em 2020, Bellintani revelou, com muito orgulho a todos, que foi o grande responsável pela construção do Centro de Convenções da Prefeitura na Boca do Rio.

Contou, inclusive, que na reunião decisiva para definir o local do equipamento, ele defendeu a Boca do Rio e foi voto vencido, enfrentando a oposição, entre outros, do vice-prefeito Bruno Reis (DEM), candidato do prefeito à sucessão municipal.

Após o encontro, Bellintani, que era então secretário de Turismo do prefeito, chamou Neto para uma conversa particular, em que pode esclarecer melhor o seu ponto de vista, ganhando o gestor como aliado para o projeto de edificar o Centro de Convenções na Orla.

Rui é contrário ao Centro de Convenções na Boca do Rio sob a alegação de que o alto grau de salinidade registrado no local vai estragar o equipamento, como aconteceu como o outro. Na semana passada, ao anunciar à imprensa que o Estado também fará seu Centro de Convenções, no Instituto do Cacau, no Comércio, pela primeira vez em público, afirmou que Bellintani era uma possibilidade (como candidato a prefeito em seu grupo).

Antes, porém, deve ter esquecido de conversar com o presidente do Esporte Clube Bahia sobre o Centro de Convenções, como suas declarações revelam.

9 de julho de 2019, 08:34

EXCLUSIVA Apesar da acusação de ser contra reforma, Rui liberou voto de bancada baiana

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui Costa em coletiva recente na Bahia

Apesar da crítica de adversários como o deputado federal Arthur Maia (DEM), ex-relator da reforma na Câmara dos Deputados, de que boicota as mudanças na Previdência, o governador Rui Costa (PT) praticamente liberou sua bancada para votar como quiser a matéria, na reunião que teve com a bancada baiana de sua base de apoio ontem. “O governador foi extremamente elegante, não pediu voto a ninguém (a favor nem contra a reforma)”, disse um dos deputados que participaram do encontro, ao qual faltaram pelo menos 10 aliados, entre os quais a presidente do PSB baiano, Lídice da Mata. Segundo disse o governador na reunião, a reforma do ministro da Economia, Paulo Guedes, não ajuda em nada a Bahia, porque economiza apenas R$ 47 milhões por ano ante um déficit de mais de R$ 4 bi. Seria, nas palavras de Rui, segundo relato dos deputados, “uma economia muito pequena para o tamanho do desgaste”. O grande problema da Previdência da Bahia, como de outros estados, também segundo o governador, são os militares e os professores, no qual a proposta do governo não mexe. Rui deixou claro que o pode ajudar a Bahia são as mudanças na Lei Kandir e na do pré-sal, que fazem parte da reforma tributária e não da previdenciária.

6 de julho de 2019, 09:37

EXCLUSIVA Guilherme Bellintani teria se encontrado com ACM Neto na semana passada

Foto: Divulgação

Guilherme Bellintani

Na esvaziada Praça Municipal de sexta-feira, a conversa mais forte girava em torno da história de que o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, encontrou-se na mesma semana com o prefeito ACM Neto (DEM). Não se informava se avistaram-se no Palácio Thomé de Souza ou em outro espaço.

5 de julho de 2019, 10:13

EXCLUSIVA “Dois pontos” para um entendimento “firme” com Geraldo Jr., na visão de governistas

Foto: Política Livre/Reprodução

Geraldo Jr., presidente da Câmara Municipal

Depois da confusão desta semana na Câmara Municipal, em que o projeto da Prefeitura que isenta o ISS das empresas de ônibus foi colocado em votação pelo presidente da Casa, Geraldo Jr. (SD), com a base desarticulada e quase era derrubado, vereadores governistas sugerem uma nova abordagem do executivo a ele.

Na avaliação desse grupo, o primeiro passo para o entendimento seria a articulação política do prefeito reconhecer a legitimidade da pré-candidatura de Geraldo Jr. à Prefeitura no ano que vem, tratando-o como aliado e não como adversário. Depois, partir para uma negociação com ele em torno de dois pontos.

O primeiro deles passaria pela discussão de sua reeleição à presidência da Câmara, na legislatura que começa em 2020, o que pressupõe que ele concorra de novo à Câmara e seja reeleito vereador. O segundo, garantir-lhe apoio a uma candidatura de deputado federal em 2022.

O que os mesmos defensores do “passo a passo para lidar com Geraldo Jr.” não sabem assegurar é se o timing para a construção dessa ponte ainda existe ou… já expirou.