11 de julho de 2014, 17:15

EXCLUSIVA Lúcio lança jingle de campanha com coreografia própria

Foto: Reprodução/ Facebook

Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB)

Chegada a época da propaganda eleitoral e da queda de braço por votos, um dos momentos mais esperados para candidatos e eleitores é a abordagem das propostas à população. Entre uma dessas estratégias estão os famosos jingles, peças publicitárias que “grudam na cabeça” das pessoas e fazem com que seus números sejam lembrados a todo o momento pela população, como aconteceu com o vereador Hilton Coelho (PSOL), quando lançou “Eu quero Hilton 50, na capital da resistência… Salvador!”. Aproveitando a oportunidade, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB), candidato à reeleição, não se restringiu a apenas montar uma musiquinha “grudante”, mas também elaborou, em gravação na sua página no Facebook, uma dança na qual ele mesmo ensina a coreografia. Se o jingle vai grudar, ainda não se sabe, mas que a dancinha nada modesta e nos moldes de Silvano Salles e Nara Costa tem tudo para marcar, isso se já pode afirmar. O vídeo do jingle pode ser visto clicando aqui.

Flávio Sande

11 de julho de 2014, 08:27

EXCLUSIVA Será que Wagner quer virar ACM, o avô?

Foto: Manu Dias/Agecom/Arquivo

Que pasa, governador?

O governador Jaques Wagner (PT) pode estar coberto de razão ao pedir, por meio de ofício, ao prefeito ACM Neto (DEM) que suspenda a licitação do transporte público em Salvador marcada para o próximo dia 14. Como foi apenas uma solicitação, o prefeito pode ter exagerado ao dar publicidade ao fato antes de responder negativamente, pelo mesmo caminho, ao pedido do governador.

Mas os últimos acontecimentos e as circunstâncias políticas atuais, que envolvem uma eleição onde eles estão trabalhando ostensivamente por candidatos – aqui e em Brasília – adversários, não favorece qualquer defesa do governador. Pelo contrário, apenas fortalecem o argumento de que o prefeito é vítima de retaliação por exercitar sua legítima independência política.

Primeiro, Wagner mandou à Assembleia Legislativa um projeto que retira do município poderes para regular os serviços da Embasa, uma concessão municipal ao Estado cuja fiscalização, na avaliação de ACM Neto, vem sendo pessimamente executada pelo governo, o que permite que a empresa promova intervenções de qualquer forma e a qualquer momento nas vias da cidade, criando problemas à sua administração.

Em seguida, Neto é comunicado pelo governo federal, comandado pela presidente Dilma Rousseff, aliada de Wagner, de que não há prazo para liberação, na Caixa Econômica Federal, de recursos da ordem de $ 150 milhões para obras de contenção de encostas em Salvador. Agora, o prefeito vê, como assinalou, mais uma vez a soberania da cidade ameaçada por uma tentativa – no momento, um pedido – para que suspenda uma licitação em curso legalmente sob sua responsabilidade.

Para completar o cenário desfavorável ao comportamento do governador, que, sob uma análise superficial, parece uma exorbitância, Wagner não se comunica e, desde que se tornou governador, passou a exibir uma soberba no campo do relacionamento com a imprensa que verdadeiramente surpreende num político tarimbado como ele. Por este motivo, neste setor toma de goleada de ACM Neto, que reconhece a importância de se comunicar e, melhor do que tudo, o faz com visível agilidade.

Se é este o seu propósito, Wagner pode até conseguir desestabilizar Neto, com querelas políticas que resultem em problemas administrativos capazes de desviarem sua atenção da campanha pela eleição do presidenciável Aécio Neves (PSDB) e do candidato a governador Paulo Souto (DEM), na qual é de conhecimento público que o prefeito anda empenhadíssimo.

Mas, assim, o governador assume o risco de vitimizar o prefeito de uma forma positiva para o próprio e ruim para o seu governo e, consequentemente, seu candidato, o petista Rui Costa. Será que ninguém o advertiu ainda de que este foi um dos erros fatais cometidos pela campanha petista na eleição de 2012 em que ACM Neto saiu-se vencedor?

Ou será que Wagner mudou, decidiu jogar a biografia de democrata e republicano que cunhou na primeira fase de seu governo no lixo e resolveu incorporar o espírito do falecido senador ACM, o avô, para quem adversário bom era adversário quase morto? Será que acha mesmo que, agindo assim, terá apoio de eleitorado que ajudou a libertar das amarras da opressão? Afinal, que pasa, governador?

Raul Monteiro

10 de julho de 2014, 09:34

EXCLUSIVA A surpreendente pobreza e riqueza dos candidatos

Foto: Divulgação/Arquivo

Seleção brasileira: um legado dinamizado pela derrota humilhante

Antes do massacre nunca antes visto na história deste país sofrido por uma Seleção Brasileira numa Copa do Mundo, políticos, atendendo ao que exige a Legislação Eleitoral, registraram suas candidaturas, apresentaram sua previsão de gastos milionários para a campanha e sua declaração de bens à Justiça Eleitoral. E não fosse a animação geral que até anteontem tomava conta do Brasil e do Estado, ante a possibilidade de vitória no Mundial, apesar das conhecidas limitações do time do Felipão, pelo menos o item relativo ao patrimônio dos candidatos teria provavelmente ganho maior notoriedade, deixando todo mundo com o pé atrás.

Os números impressionam verdadeiramente tanto pela riqueza como pela pobreza declarada de alguns candidatos. Por um motivo simples: eles não condizem com a realidade nem muito menos com o padrão de vida desfrutado por grande parte, inclusive por alguns dos mais importantes ou conhecidos deles. Acreditar que candidatos a cargos majoritários, de extensa ficha pública, tenham conseguido acumular, ao longo de anos de atividade política, menos de meio milhão em imóveis é tão difícil quanto crer que deputados, de origem declaradamente humilde, pertencentes à esquerda, exibam patrimônio assombrosamente milionário.

Quem está, afinal, sendo sincero e quem está mentindo nesta história? A dúvida apenas se amplia quando se deduz, a partir de outras informações sobre a vida dos políticos, como o próprio convívio profissional com eles e suas equipes, que, na grande maioria das vezes, os valores declarados estão muito aquém dos sinais exteriores de riqueza que ostentam. Uma tese que ganha ainda mais corpo quando se lembra do costumeiro uso do expediente de laranjas como forma de encobrir a verdadeira propriedade de bens no país do hexa frustrado.

Portanto, por mais que se tente crer, como se acreditou que o Brasil poderia sagrar-se mais uma vez campeão numa Copa, que os candidatos estão sendo honestos quando apresentam sua declaração patrimonial, a discrepância entre a afortunada existência que a maioria leva e os dados que eles se encarregam de registrar, no momento em que formalizam o desejo de disputar um cargo público, como prova do que produziram em sua escalada profissional, acaba revigorando a grande desconfiança e até a ojeriza de que a classe política tem sido alvo cada vez maior.

Pior ainda é saber que os dados passam a circular livremente no Judiciário frente a uma postura impassível de organismos de fiscalização da atividade pública, o que em nada ajuda a melhorar no eleitorado a percepção sobre as informações que lhe chegam neste momento e deveriam ajudá-lo a formar posição sobre em quem votar em outubro próximo. Afinal, quem mente ou omite agora, por hábito ou estratégia, emite como sinal claro também que acabará fazendo muito pior depois de eleito, com um mandato em mãos.

Legado dinâmico

Tão logo a Seleção Brasileira levou a goleada de terça-feira, um comentário circulou na internet, principalmente via WhatsApp, atribuindo a acachapante derrota nacional à prevalência do improviso, do amadorismo e da falta de planejamento em detrimento da competência e do preparo. Com claro teor político, senso de oportunidade e referências explícitas, em determinado trecho, ao universo petista, viralizou de imediato, levando rapidamente à conclusão de que a discussão sobre o legado da Copa será muito mais dinâmica do que se imaginou até a estrondosa vitória alemã.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

9 de julho de 2014, 10:00

EXCLUSIVA Presidente do PTdoB denuncia assédio para apoiar Rui

Dilma Gramacho nega apoio ao PT: - Eles não cumprem nenhum acordo político

A presidente do PTdoB na Bahia, Dilma Gramacho, que já havia firmado compromisso com a chapa da oposição, encabeçada pelo candidato a governador Paulo Souto (DEM), denunciou hoje que os candidatos do partido estão sendo assediados para trocar de lado e apoiar o candidato do governo, Rui Costa (PT). “Estão fazendo chantagem com o partido para desestabilizar a nossa legenda. A chapa de Rui, através de uma pessoa chamada Lomba. É um empresário que está ligando para os nossos candidatos para que eles assinem uma ata apoiando Rui. Não tem porque assinar essa ata. Nós temos palavra e vamos cumprir essa palavra. Não existe possibilidade alguma de apoiar o PT. Não vamos trair a parceria com os partidos da frente Jorge Aleluia”, explicou ao Política Livre. Questionada pela nossa reportagem se alguém da base governista entrou em contato pedindo que o partido assinasse essa ata, a presidente negou. “Até agora não. Nós só falamos com o deputado Nelson Pelegrino, por quem temos um apreço muito grande, mas não tratamos sobre essa ata”, garantiu. Questionada sobre o motivo de não apoiar o PT, já que a legenda deu apoio a Pelegrino em 2012, quando ele foi candidato a prefeito de Salvador, Gramacho foi incisiva. “Primeiro porque eles não cumprem nenhum acordo político, eles não cumprem nunca. Depois porque já fechamos acordo com a chapa majoritária de Paulo Souto. Em hipótese, alguma vamos apoiar o PT”, concluiu.

Emerson Nunes

7 de julho de 2014, 09:48

EXCLUSIVA O fim da Copa e o início da campanha, por Raul Monteiro

Foto: ARQUIVO/WILLIAM VOLCOV/NEWS FREE

A presidente que disputa a reeleição e suas negociações perigosas

A Copa do Mundo é um bom negócio para os maus políticos porque, inclusive, faz a população esquecer temporariamente deles e de como são responsáveis pelos problemas do país. Desde o início do mundial, no qual o time brasileiro vai, aos poucos, se destacando e avançando na possibilidade de se tornar hexacampeão, o noticiário não registra nada de importante no Brasil que não esteja relacionado aos jogos. Iniciada formalmente ontem, com o término do prazo para o registro de candidaturas no último sábado, a campanha ainda não deslanchou.

Com a Copa, desapareceram dos telejornais, maior fonte de informação do grosso da população brasileira, notícias sobre o aumento do custo de vida, o endividamento profundo da classe média, o crescimento da violência e da falta de segurança e a continuidade dos problemas na saúde e na educação, apenas para citar alguns dos temas tão habituais, em dias normais, ao noticiário que deverão ser, naturalmente, debatidos na campanha. Mas os indicadores gerais de que o país está longe de ser um paraíso onde se possa viver nem por isso deixam de se atropelar com rapidez e frequência na realidade nacional.

A semana que passou foi marcada, por exemplo, por outro fluxo de liberalidade judicial envolvendo os mensaleiros, que ganharam agora o direito de deixar a Papuda para trabalhar e, assim, provavelmente ajudar na construção de um gigante chamado Brasil. Foi também a semana em que um dos responsáveis pelo maior esquema de corrupção já descoberto e, inicialmente, punido da história republicana nacional, de dentro de um presídio federal, impôs a troca de um ministro, por acaso baiano, e a ocupação de um ministério levando em conta os interesses eleitorais, entre outros, de seu partido.

Sem dúvida, não fossem a Copa e o noticiário massificado que a acompanha um grande lenitivo para as mentes e corações de um povo cansado de informações negativas e insistentes, o país assistiria mais estupefacto à negociação, diretamente da Papuda, entre um condenado e uma presidente da República desesperada para se reeleger a qualquer custo. Mas a Copa está acabando até o domingo que vem e, qualquer que seja o resultado do mundial, vença ou não o Brasil, a realidade não demorará a se instalar de novo nas salas brasileiras, inclusive, por meio dos televisores de LED e tela plana, muitos adquiridos em longínquas prestações para o seu desfrute.

Cenas emocionantes ou revoltantes, como a do criminoso golpe levado pelas costas pelo craque Neymar, finalmente cederão lugar à labuta cotidiana, temperada pelo início da propaganda eleitoral local e nacional em que, qualquer que seja o viés imposto pelos candidatos e pelo marketing que os tenta vender como produtos feitos sob medida para atender às demandas longamente reprimidas da sociedade brasileira, os problemas com que os brasileiros parecem ter se acostumado a viver têm tudo para reativar uma indignação que tomou conta da nação exatamente há um ano. Ou não.

Retaliação?

Vem de Veja a informação segundo a qual o prefeito ACM Neto (DEM) foi avisado pelo governo federal de que não há previsão para a liberação de cerca de R$ 150 mi para a contenção de encostas na capital. Seria uma retaliação ao fato de ter montado, na Bahia, o palanque do presidenciável tucano Aécio Neves com o apoio à candidatura de Paulo Souto ao governo e de Geddel Vieira Lima ao Senado. Podem alegar que Neto não estava inocente ao concorrer à Prefeitura contra os governos federal e estadual. Mas, em plena campanha eleitoral, o fato desmente amplamente o argumento de que a presidente Dilma Rousseff e o governador Jaques Wagner são políticos republicanos.

* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às segundas e quintas-feiras.

Raul Monteiro*

3 de julho de 2014, 09:13

EXCLUSIVA Sinais de guerra na sucessão baiana, por Raul Monteiro

Foto: Facebook de Lídice da Mata

História: Lídice, tendo ao lado Bete, discute com ACM na saída do 2 de Julho

Lídice da Mata fora eleita prefeita de Salvador confrontando o carlismo, que comandava com mão de força a política estadual, quando ela e o então todo poderoso senador Antonio Carlos Magalhães, à frente de um grupo grande e majoritariamente masculino onde estavam, entre outros, Paulo Souto, na época governador, protagonizaram publicamente um enfrentamento verbal que quase resulta em briga em plena abertura da festa cívica do 2 de Julho, comemorativa da Independência do Brasil na Bahia. ACM queria passar, com seu destacamento, à frente de Lídice, que, na condição de prefeita, reivindicava o direito de conduzir o cortejo.

À medida que se aproximava da prefeita, o senador, conhecido também pelo perfil provocador, a instigava com críticas como forma de pressioná-la para que lhe
desse passagem e a seu time. Lídice resistia quase solitária, apoiando-se apenas na então vice-prefeita Bete Wagner, na época jovem e frágil como ela, o que compunha um retrato enternecedor. Bete ria de nervoso, mais propensa a se ver livre logo de ACM e seu grupo do que a chefe do governo municipal. A contenda revelaria o que todo mundo sabia: Lídice e ACM eram inimigos pessoais.

Não se suportavam para além do campo político e partidário, onde sempre militaram em lados opostos até a morte do senador. Num determinado momento da disputa por espaço em plena Lapinha, Lídice irritaria-se de tal forma com o comportamento de ACM que se voltaria contra ele e, envolta em cólera, dispararia: – Desencarna, ACM!, ouvindo de volta um impropério. A imagem, flagrada por fotógrafos e presenciada por vários jornalistas, marcaria um momento ímpar de resistência política na história recente da Bahia e da tensão que, em eventos públicos, oporia sempre oposição e governo no Estado no longo período de hegemonia carlista.

Lídice se orgulha do feito até hoje. Caso contrário, não rememoraria o episódio com uma belíssima foto, registro preciso do momento exato em que discute com ACM em praça pública, divulgada por sua assessoria em seu Facebook por ocasião dos preparativos para a participação dela no 2 de Julho como candidata ao governo. De fato, a demonstração de bravura e força de uma pequenina mulher frente ao poderio de um grupamento político cujo líder era capaz de despertar medo físico em adversários e até em aliados marcou como acontecimento por seu inegável simbolismo.

Os embates entre forças governistas e oposicionistas, registrados ontem, em trechos do cortejo do Centro Histórico de Salvador, que acabaram em troca de socos e pontapés envolvendo uma militância de ambos os lados de cuja espontaneidade se têm todos os elementos para desconfiar, estão longe de representar o que significaram muitos anos atrás, quando Lídice comandava a Prefeitura de Salvador e ACM, a política estadual. Mas não deixam de prenunciar, dada a similitude do palco, o clima de acirramento político que se vive hoje em torno da disputa pelo poder estadual.

Ainda que Paulo Souto, candidato mais forte das oposições à sucessão estadual, e Rui Costa, seu adversário governista, não tenham liderado, pessoalmente, qualquer entrevero na festa de ontem, a atmosfera entre apoiadores de ambos esteve longe de ser amistosa no 2 de Julho, na opinião de quem fez o percurso acompanhando a passagem dos políticos pelo cortejo. Mais um sinal, entre tantos outros que já começam a aparecer, de que a corrida pelo Palácio de Ondina terá mais lances de guerra do que de paz até a proclamação do vencedor.

* Texto publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

1 de julho de 2014, 17:20

EXCLUSIVA Pedro Galvão deve ser substituído por empresário na Setur

Foto: Divulgação

Secretário estadual de Turismo, Pedro Galvão

Como consequência da tomada do PR pelo deputado federal João Bacelar, tudo indica que o atual secretário estadual de Turismo, Pedro Galvão, vai cair. Ele deve ser substituído pelo empresário baiano Roberto Duran. Falta apenas o convite a ser formalizado pelo governador Jaques Wagner. A conferir!

30 de junho de 2014, 18:53

EXCLUSIVA Wagner quer mudar relação com imprensa

Foto: Manu Dias/Agecom/Arquivo

Depois de quase oito anos de governo, Jaques Wagner (PT) resolveu mudar sua relação com a imprensa. Na semana passada, o governador almoçou num conhecido restaurante de Salvador com dois famosos jornalistas baianos, dando início a uma série de encontros que pretende ter com formadores de opinião até o fim do seu mandato. A iniciativa marca a interrupção de um inexplicável processo de auto-reclusão a que Wagner se impôs com relação aos comunicadores assim que assumiu o comando do Estado, o que, bem computado, lhe trouxe mais prejuízos que ganhos até agora.

Desde que se encastelou no Palácio de Ondina, em 2006, depois de protagonizar uma das mais festejadas vitórias políticas por profissionais da imprensa na Bahia, Wagner assumiu uma postura relativa a jornalistas, de uma forma geral, de substantivo isolamento. Sem jamais agredir um profissional de imprensa, excluí-lo de suas relações profissionais ou constrangê-lo, um avanço se comparado a padrão que predominou na Bahia durante período, infelizmente, não tão remoto, manteve todos sob considerável distância regulamentar, jejum só quebrado em ocasiões muito raras e especiais que se contam em muito menos de cinco dedos.

O Wagner entronizado no posto de governador nem de longe lembrava o deputado federal petista e nem mesmo o ministro do governo do presidente Lula que tinha o telefone pessoal de todos os jornalistas importantes do Estado, não raro os ajudava a montar boas manchetes para seus periódicos e se credenciou como uma das mais importantes fontes jornalísticas das oposições em pleno período carlista, granjeando simpatia única na categoria. É evidente que não há termo de comparação entre o exercício da atividade de um chefe de governo e a de um legislador.

Em volume e impacto, os afazares do primeiro são infinitamente maiores do que os de qualquer parlamentar, não importa quão alto seja seu nível de produtividade. Daí que ninguém esperava que, no comando do Estado, Wagner se comportasse, pelo menos no relacionamento com a mídia, da mesma maneira que agia no período em que exerceu seus mandatos de deputado. O que seu histórico de parlamentar mostra, entretanto, é que sempre teve pleno conhecimento da importância da imprensa na divulgação do trabalho e, principalmente, na formação da imagem de qualquer político.

Só a crença, sem questionamentos, no conceito recente, mas arraigado cada vez mais no petismo, de que mídia é coisa de classe média e, portanto golpista, o qual passou a predominar no PT apenas depois que a legenda chegou ao poder central e se constituiu num partido de massas por meio de iniciativas como o bolsa família, pode explicar a postura deliberamente distante adotada pelo governador na relação com a imprensa, o que ele parece finalmente ter compreendido que não ajuda em nada a imagem de seu governo nem o projeto de continuidade que busca na Bahia.

O caso do PR

Informes chegados de Brasília dão conta de que está longe de ter satisfeito a bancada federal do PR a troca do ministro César Borges pelo baiano Sérgio Passos no comando da pasta dos Transportes. Como decorrência da briga no partido, o deputado federal José Rocha, um parlamentar ativo tanto em Brasília quanto na Bahia, perdeu a presidência da legenda no Estado, o que, pelo clima reinante na capital federal, pode acabar empurrando o partido localmente para o colo do candidato do DEM a governador, Paulo Souto. A conferir!

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

27 de junho de 2014, 13:05

EXCLUSIVA PR deve destituir José Rocha do comando da legenda na Bahia

José Rocha deve perder o comando do PR na Bahia

A executiva nacional do PR está prestes a destituir o deputado federal José Rocha da presidência da legenda na Bahia. Depois de conseguirem remover o baiano César Borges do Ministério dos Transportes, o controlador da legenda, Valdemar da Costa Neto, articula contra Rocha. Não será novidade se, como consequência, a agremiação cair no colo do ex-governador Paulo Souto, candidato do Democratas ao governo da Bahia.

26 de junho de 2014, 10:55

EXCLUSIVA Oposições selam chapão para a eleição de deputados

Foto: Arquivo/Divulgação

Partidos aliados de Souto fecham chapão para eleições proporcionais

Motivo até bem pouco tempo de desentendimento, o chapão para a disputa proporcional – de deputados federais e estaduais – entre os partidos de oposição foi finalmente selado. A estratégia é lançar duas chapas grandes – uma com os partidos maiores e outra com os menores. No chapão dos partidos maiores, ficam DEM, PSDB, PMDB, PROS, PTN, PRB, Solidariedade e PSC. No dos pequenos, PPS, PV, PRP, PSDC, PTdoB, PTC e PHS. A estimativa é que, com a estratégia, o chapão dos grandes partidos faça 17 deputados federais e 27 estaduais. O chapão integrado pelas siglas menores faria de três a quatro estaduais e no mínimo um deputado federal.

21 de junho de 2014, 18:53

EXCLUSIVA PR condiciona apoio a Dilma a troca de César Borges

Foto: Divulgação/Arquivo

José Rocha e César Borges

Em encontro hoje, a maioria dos convencionais do PR resolveu delegar à executiva nacional a decisão de apoiar ou não a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). A condição para o apoio, entretanto, é a presidente substituir o ministro César Borges (Transportes). Os convencionais decidiram ainda dar prazo até a próxima semana para que o ministro seja substituído. Borges, que é baiano, se encontra no exterior. A iniciativa dos convencionais ocorre um dia depois de a executiva nacional ter decidido intervir na seção baiana do partido, comandado na Bahia pelo deputado federal José Rocha, aliado de Borges. Rocha permanece presidente, mas perde o controle da agremiação. As decisões são decorrentes da briga pessoal ocorrida entre Borges e o “dono” do PR, o ex-deputado Waldemar da Costa Neto, preso por envolvimento no mensalão.

19 de junho de 2014, 17:21

EXCLUSIVA O candidato Rui na visão de Caetano, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Luiz Caetano é conhecido pela sinceridade com que se posiciona no PT

O ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), tem se dedicado de tal forma a sua campanha no interior, com visitas e permanência prolongada em vários municípios baianos, que passou a ser convocado com alguma regularidade ao Palácio de Ondina a fim de relatar suas impressões sobre o que vê e escuta a respeito do projeto do governador Jaques Wagner (PT) de fazer do deputado federal petista Rui Costa seu sucessor. Como faz com algumas cabeças coroadas do petismo e do grupo de partidos aliados, Wagner quer saber se as avaliações de Caetano sobre o desempenho de Rui e suas perspectivas de ganhar a eleição batem com as dele.

Caetano não é um interlocutor qualquer. Além de prefeito por duas vezes de Camaçari, onde sua popularidade e a determinação com que se lançou às eleições municipais de 2012 garantiram ao seu secretário de Administração, Ademar Delgado, a chance de sucedê-lo, coordenou a última campanha vitoriosa de Wagner ao governo do Estado, condição que lhe garantiu ainda mais proximidade com o governador. A sinceridade com que aborda as questões políticas e eleitorais do partido ampliam o respeito que Wagner devota a suas idéias e opiniões.

Por este motivo, as críticas de Caetano à comunicação do governo, tornadas públicas em diversos encontros partidários, e principalmente no período em que tentou se viabilizar como candidato do PT a governador, nunca foram repelidas. Pelo contrário, encontraram guarida em vários setores da legenda e da própria administração, todos ressentidos com a falta de visibilidade a ações que consideravam verdadeiramente impactantes, mas em relação às quais não viam repercussão, situação que tem cobrado agora seu preço ao plano de continuidade petista.

A menos de 10 dias da convenção que oficializará a candidatura do PT ao governo, Caetano faz avaliações que têm tido razoável impacto na sigla. A primeira delas é um reconhecimento. Ele não se preocupa, por exemplo, em dizer, para quem quiser ouvir, que o candidato do DEM ao governo, Paulo Souto, conseguiu organizar bem sua campanha. A medida, para o petista, no entanto, está longe de assegurar a vitória às oposições, como seus destacados representantes não se cansam de repetir. Para Caetano, existem dois divisores de água na campanha que acaba de ser iniciada.

O primeiro deles é o horário na TV, quinhão no qual Rui sai de cara bem compensado por causa do tempo de seu próprio partido e daquele pertencente ao grupo de aliados. O segundo é a forte presença que o governador e o ex-presidente Lula terão na defesa da candidatura do petista na Bahia. Para Caetano, o diferencial de Rui em relação a outros candidatos que apostaram no apoio do governador e do ex-presidente da República é que seu marketing já identificou que não basta dizer que o candidato ao governo pertence ao mesmo time deles.

Em sua avaliação, por conhecer a administração por dentro, pelas escolhas que têm feito até agora na campanha e a maneira como encara o desafio de governar a Bahia, Rui tem chances de ser identificado efetivamente como uma novidade pelo eleitorado, ponto que os petistas consideram fundamental na diferenciação em relação ao seu principal adversário, que lidera as pesquisas. Mas, para que não pareça que Caetano perdeu o perfil sincero: quando perguntado sobre a coordenação da campanha de Rui, ele não nega que precisa de mais suavidade, incorporando um político à tarefa, do mesmo jeito como funcionou a de Wagner.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

17 de junho de 2014, 09:00

EXCLUSIVA Exclusiva: Dilma prestigiará convenção de Rui

Foto: Fabio Pozzebom / ABr

Presidenta Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff (PT) acaba de confirmar presença na convenção que homologara a candidatura ao governo do petista Rui Costa, no próximo dia 27. Além da presidente, quem também deve comparecer ao evento é o ex-presidente Lula. A convenção está marcada para o Parque de Exposições Agropecuárias da Bahia, a Av. Paralela. O PT quer trazer para o evento representantes de todos os municípios baianos. A festa é aguardada também, porque deve definir o tom com que o candidato Rui Costa vai se posicionar nessas eleições.

16 de junho de 2014, 10:05

EXCLUSIVA Pobre Dilma e o torcedor desalmado, por Raul Monteiro

Foto: Agência Brasil

A pobre Dilma, segundo o ex-presidente Lula

A presidente Dilma Rousseff não foi só ofendida no Itaquerão no jogo inaugural da Copa como abertamente desrespeitada. O palavrão repetido em coro pelos torcedores, que o PT, seu partido, e seu mentor político e espiritural, Lula, trataram de atribuir à burguesia branca que, na visão dele, não toleram gente pobre como a presidente e seu antecessor, coitadinhos, tem tudo, no entanto e lamentavelmente, para se transformar no maior legado da Copa para a política brasileira.

Afinal, alguém aí se lembra de um presidente brasileiro, desde a primeira República, já ter sido mandado tomar naquele lugar de forma tão contundente e sonora num estádio onde estava sendo disputada uma Copa do Mundo, como aconteceu com, segundo Lula, a pobre presidente? O ineditismo da ocorrência com Dilma só amplia o potencial ofensivo do coro grosseiro que fizeram contra ela em pleno Itaquerão, onde o mundo todo pôde ver, em tempo real, o tratamento que estão dispensando à presidente.

Deus e o mundo já sabiam que o clima não era bom para Dilma no estádio, uma espécie de microcosmo da sociedade. Tanto que ela teve o cuidado de pedir que não a mostrassem nos telões. Chegou assim, encurralada, a um dos monumentos da Copa que, junto com outros 11 equipamentos de porte semelhante, consumiu bilhões do povo brasileiro em detrimento de investimentos em mobilidade, infraestrutura, saúde e educação, provavelmente um dos motivos porque a elite branca, como assinalou Lula, o pai dos pobres, incluindo de Dilma, anda tão irada com a presidente e os políticos.

O problema é que resolveram mostrar Dilma vibrando e pulando – sim, a pobre Dilma pula – no momento da comemoração pelo primeiro gol do Brasil. O que poderia se transformar numa demonstração de que, além de pobre, Dilma é uma mulher normal, com emoções e identidade com o esporte preferido do povo que governa, saiu pela culatra, desencadeando o embaraçante protesto que todo o mundo pode ouvir pela TV. Claro que algo saiu muito errado para Dilma, Lula e o PT no jogo inaugural da Copa no Brasil.

Mas, talvez por estarem no meio do turbilhão, a presidente e o ex parecem muito distantes de conseguir interpretar o que ocorreu. Revelando toda a sua chateação com os fatos, a presidente disse que perdoaria os insultos, mas não esqueceria. Como assim, Dilma? A senhora pretende se vingar dos agressores, aproveitando os recursos que a tecnologia permite para que se identifiquem um a um os torcedores que a mandaram tomar naquele lugar? Já Lula, além de reprovar mais uma vez a atitude de uma elite de que passou a fazer parte economicamente, optou por dizer algo muito novo. Culpando quem? Ora, a imprensa.

A mesma imprensa que desaprovou em coro os ataques à presidente. A mesma imprensa que, por acreditar no que diziam seus dirigentes com relação à importância de mudar o modus faciendi da política brasileira, ajudou sobremaneira o PT a chegar ao poder, inclusive à custa da demolição implacável de alguns de seus principais adversários. Será que Dilma e Lula ainda não perceberam que a melhor maneira de enfrentar o desrespeito é com a correção e a verdade?

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

12 de junho de 2014, 11:31

EXCLUSIVA Medrado tenta colocar Alcindo de volta na Câmara

Alcindo da Anunciação

Correu ontem nos bastidores da Câmara Municipal a notícia de que o ex-vereador Alcindo da Anunciação quer voltar ao Legislativo. Suplente desde a última eleição municipal, ele precisaria, no entanto, de que um colega deixasse a Casa para conseguir reassumir o mandato. Este teria sido o assunto principal tratado pelo deputado federal Marcos Medrado (Solidariedade) no encontro recente que teve com o secretário particular do prefeito ACM Neto (DEM), João Roma, noticiado com exclusividade por este Política Livre (ver aqui). Recentemente, a direção nacional do Solidariedade permitiu que Medrado permanecesse apoiando o candidato do PT a governador, Rui Costa, apesar de o partido ter declarado apoio nacional ao presidenciável tucano Aécio Neves e à candidatura do democrata Paulo Souto ao governo da Bahia. Em troca do apoio prometido a Rui, Medrado conseguiu emplacar o comando da Bahiatursa.