17 de junho de 2014, 09:00

EXCLUSIVA Exclusiva: Dilma prestigiará convenção de Rui

Foto: Fabio Pozzebom / ABr

Presidenta Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff (PT) acaba de confirmar presença na convenção que homologara a candidatura ao governo do petista Rui Costa, no próximo dia 27. Além da presidente, quem também deve comparecer ao evento é o ex-presidente Lula. A convenção está marcada para o Parque de Exposições Agropecuárias da Bahia, a Av. Paralela. O PT quer trazer para o evento representantes de todos os municípios baianos. A festa é aguardada também, porque deve definir o tom com que o candidato Rui Costa vai se posicionar nessas eleições.

16 de junho de 2014, 10:05

EXCLUSIVA Pobre Dilma e o torcedor desalmado, por Raul Monteiro

Foto: Agência Brasil

A pobre Dilma, segundo o ex-presidente Lula

A presidente Dilma Rousseff não foi só ofendida no Itaquerão no jogo inaugural da Copa como abertamente desrespeitada. O palavrão repetido em coro pelos torcedores, que o PT, seu partido, e seu mentor político e espiritural, Lula, trataram de atribuir à burguesia branca que, na visão dele, não toleram gente pobre como a presidente e seu antecessor, coitadinhos, tem tudo, no entanto e lamentavelmente, para se transformar no maior legado da Copa para a política brasileira.

Afinal, alguém aí se lembra de um presidente brasileiro, desde a primeira República, já ter sido mandado tomar naquele lugar de forma tão contundente e sonora num estádio onde estava sendo disputada uma Copa do Mundo, como aconteceu com, segundo Lula, a pobre presidente? O ineditismo da ocorrência com Dilma só amplia o potencial ofensivo do coro grosseiro que fizeram contra ela em pleno Itaquerão, onde o mundo todo pôde ver, em tempo real, o tratamento que estão dispensando à presidente.

Deus e o mundo já sabiam que o clima não era bom para Dilma no estádio, uma espécie de microcosmo da sociedade. Tanto que ela teve o cuidado de pedir que não a mostrassem nos telões. Chegou assim, encurralada, a um dos monumentos da Copa que, junto com outros 11 equipamentos de porte semelhante, consumiu bilhões do povo brasileiro em detrimento de investimentos em mobilidade, infraestrutura, saúde e educação, provavelmente um dos motivos porque a elite branca, como assinalou Lula, o pai dos pobres, incluindo de Dilma, anda tão irada com a presidente e os políticos.

O problema é que resolveram mostrar Dilma vibrando e pulando – sim, a pobre Dilma pula – no momento da comemoração pelo primeiro gol do Brasil. O que poderia se transformar numa demonstração de que, além de pobre, Dilma é uma mulher normal, com emoções e identidade com o esporte preferido do povo que governa, saiu pela culatra, desencadeando o embaraçante protesto que todo o mundo pode ouvir pela TV. Claro que algo saiu muito errado para Dilma, Lula e o PT no jogo inaugural da Copa no Brasil.

Mas, talvez por estarem no meio do turbilhão, a presidente e o ex parecem muito distantes de conseguir interpretar o que ocorreu. Revelando toda a sua chateação com os fatos, a presidente disse que perdoaria os insultos, mas não esqueceria. Como assim, Dilma? A senhora pretende se vingar dos agressores, aproveitando os recursos que a tecnologia permite para que se identifiquem um a um os torcedores que a mandaram tomar naquele lugar? Já Lula, além de reprovar mais uma vez a atitude de uma elite de que passou a fazer parte economicamente, optou por dizer algo muito novo. Culpando quem? Ora, a imprensa.

A mesma imprensa que desaprovou em coro os ataques à presidente. A mesma imprensa que, por acreditar no que diziam seus dirigentes com relação à importância de mudar o modus faciendi da política brasileira, ajudou sobremaneira o PT a chegar ao poder, inclusive à custa da demolição implacável de alguns de seus principais adversários. Será que Dilma e Lula ainda não perceberam que a melhor maneira de enfrentar o desrespeito é com a correção e a verdade?

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

12 de junho de 2014, 11:31

EXCLUSIVA Medrado tenta colocar Alcindo de volta na Câmara

Alcindo da Anunciação

Correu ontem nos bastidores da Câmara Municipal a notícia de que o ex-vereador Alcindo da Anunciação quer voltar ao Legislativo. Suplente desde a última eleição municipal, ele precisaria, no entanto, de que um colega deixasse a Casa para conseguir reassumir o mandato. Este teria sido o assunto principal tratado pelo deputado federal Marcos Medrado (Solidariedade) no encontro recente que teve com o secretário particular do prefeito ACM Neto (DEM), João Roma, noticiado com exclusividade por este Política Livre (ver aqui). Recentemente, a direção nacional do Solidariedade permitiu que Medrado permanecesse apoiando o candidato do PT a governador, Rui Costa, apesar de o partido ter declarado apoio nacional ao presidenciável tucano Aécio Neves e à candidatura do democrata Paulo Souto ao governo da Bahia. Em troca do apoio prometido a Rui, Medrado conseguiu emplacar o comando da Bahiatursa.

11 de junho de 2014, 09:25

EXCLUSIVA Governo e PT abrem guerra contra Neto na Câmara

Foto: Adenilson Nunes / Jornal da Grande Bahia

Martiniano Costa, titular da Serin, tentou impedir votação na Câmara

O governo do Estado e o PT abriram guerra contra ACM Neto (DEM), depois da decisão do prefeito de contestar o projeto do governador Jaques Wagner (PT) de assumir definitivamente, por meio de um projeto enviado à Assembleia Legislativa, a fiscalização e a regulação dos serviços prestados pela Embasa, originalmente exercidos pelo município.

Ontem, momentos antes da votação, na Câmara Municipal, do projeto da Prefeitura que dá poderes ao executivo para vender alguns terrenos municipais, baixaram no Legislativo os presidentes estadual, Everaldo Anunciação, e municipal do PT, Edson Valadares, além do chefe de gabinete da secretaria estadual de Relações Institucionais, Martiniano Costa.

Eles tentaram constranger a bancada petista a votar contra a iniciativa do prefeito, considerada por alguns vereadores do partido importantes para a cidade. Seguiu-se um verdadeiro bate-boca entre as lideranças petistas e os vereadores, alguns dos quais se queixaram de que a medida era uma ingerência indevida na posição da bancada e ainda de que nunca haviam sido tratados com atenção antes.

O vereador petista Moisés Rocha foi um dos mais prejudicados porque já havia negociado com a Prefeitura a aprovação de uma desapropriação que favoreceria o Sindpetro, sindicato que representa. Por este motivo, a bancada bateu pé firme e conseguiu ser liberada para votar como quiser, vencendo a pressão dos presidentes petistas e do chefe da gabinete da secretaria por cinco votos a dois. A votação do projeto foi adiada por falta de quórum.

9 de junho de 2014, 09:18

EXCLUSIVA Pequenas diferenças entre Rui e Wagner

Foto: Política Livre

Candidato a governador do PT, Rui Costa

Conscientes do enorme esforço que o candidato do PT a governador, Rui Costa, terá que fazer para se livrar do chamado “cansaço” petista, decorrente, entre outros motivos, dos quase oito anos da administração do partido no plano estadual e dos cerca de 16 que fará no comando do país, alguns membros da agremiação, sem nunca desmerecer o governador Jaques Wagner ou a presidente Dilma Rousseff, se acostumaram a professar a tese de que o ex-chefe da Casa Civil do governo baiano é figura com maior pendor para a gestão que seu padrinho político.

Sempre enfatizando positivamente o legado, em especial de Wagner, os defensores da idéia de que, se eventualmente conquistar o governo, Rui poderá fazer um governo melhor do que o do antecessor, não cansam de exaltar suas qualidades de político dedicado e estudioso, que não para de buscar se aprofundar nos assuntos de que trata ou dos problemas mais complexos que lhe caem no colo, exibindo como qualidade o que muitos acostumaram-se a apontar como uma falha indelével do postulante petista ao Palácio de Ondina: o perfil mais técnico que político.

Para os defensores da tese do Rui-técnico, seria exatamente sua característica menos política, neste caso, o diferencial do petista no processo eleitoral a que se submeterá, algo de que a população poderá tomar conhecimento à medida que a campanha avance, o horário eleitoral comece e os debates entre os candidatos ganhem corpo,
momento único de embate entre as candidaturas que lhes permite, livres da embalagem de produto que lhes impõem os marqueteiros, que cada uma delas se desnude um pouco frente ao eleitorado que pretende conquistar.

As afirmações sobre o referido diferencial de Rui são normalmente acompanhadas de uma análise, também do núcleo petista, segundo a qual a conjuntura que emerge neste momento na política baiana é muito diferente daquela em que o PT conquistou o poder, há cerca de oito anos atrás, quando a autocracia exercida pelo carlismo entrara em rota de declínio, permitindo a ascensão ao comando do Estado de uma nova elite política cujo maior papel, no primeiro momento, seria fazer a transição para um patamar de democracia plena na Bahia.

Por mais controversa que seja a avaliação, e que já identifiquem nela furos consideráveis seus adversários, alguns movimentos de Rui nesta pré-campanha sugerem algumas mudanças de concepção evidentes entre ele e Wagner que poderão ter impacto tanto na disputa como num eventual governo seu. Primeiro, o candidato acercou-se de um grupo de gente nova no PT, que tem funcionado como núcleo duro de tomada de decisões e análises sobre a campanha, alijando do seu círculo direto alguns figurões conhecidos do partido.

A iniciativa, por si só, demonstraria, além de um desejo de renovação, uma indicação de autonomia frente ao padrinho político e a estrutura de poder que o acompanha e da qual o próprio Rui faz parte. Segundo, depois de ter se dedicado a um trabalho extenso de prospecção na área, o candidato finalmente contratou para assessorá-lo na
comunicação uma empresa sem qualquer vínculo com o petismo, rompendo uma tradição consolidada no partido. Se é insuficiente para livrar Rui da síndrome de aparelhamento que acompanha o petismo, as decisões não deixam de confirmar que criador e criatura têm conceitos diferentes de como agir e, talvez, governar.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

6 de junho de 2014, 11:32

EXCLUSIVA Assumido pelo Estado, metrô de Salvador ganha cor do PT

Foto: Manu Dias/GOVBA

O metrô como está...

Assumido pelo governo do Estado, que promete colocá-lo nos trilhos durante a Copa, o metrô de Salvador ganhou novas cores. Sem que se saiba se era realmente necessário fazer a gastança, os vagões do equipamento que já custou milhões ao contribuinte perderam o azul e cinza discretos com que chegaram da Coréia para o vermelho forte, que, por acaso, é a cor do PT, partido que comanda o governo baiano. O governador Jaques Wagner (PT), que se diz um político republicano, não deveria ter permitido a iniciativa. As cores da bandeira do Estado da Bahia são o azul, o vermelho e o branco. A prevalência do vermelho nas cores do metrô de Salvador é algo verdadeiramente de mau gosto, principalmente para o contribuinte, que é quem mantém com seu dinheiro suado o Estado.

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O metrô como era…

6 de junho de 2014, 10:29

EXCLUSIVA Wagner paga mico com Solidariedade maior que Medrado

Foto: Manu Dias/Agecom/Arquivo

Pintado como um político frio, que sabe articular, Wagner perdeu feio o Solidariedade

O episódio da perda do apoio do Solidariedade pelo governo levou Jaques Wagner (PT) a pagar um mico maior do que o deputado federal Marcos Medrado, presidente do partido, que havia prometido sua entrega ao governo, e, consequentemente, à campanha do candidato do PT à sucessão estadual, Rui Costa.

Contrariando a mística que o pinta como um articulador frio e calculista, incapaz de atos tresloucados, o governador parece ter se desesperado para manter, a qualquer custo, o Solidariedade sob seu jugo e o do seu candidato. E perdeu feio.

Ou melhor: levou o Estado da Bahia a perder com a operação que resultou na troca de um cargo importante e estratégico, como é de conhecimento de todo mundo, por simplesmente nada. Muito menos um minuto e pouco do tempo de TV para a campanha de Rui, o que era seu objetivo.

Agora, que o negócio micou, Wagner vai a público dizer que não vai tomar o cargo de volta de Medrado porque o deputado federal é seu leal amigo. Uma lástima! Primeiro, governo e gestão pública não correspondem a uma ação entre amigos.

Segundo, Wagner e Medrado não são amigos coisa alguma. O governador só não toma a Bahiatursa de volta para uma nova operação com algum partido que interessa apoiar Rui e está descontente com o governo porque passaria o recibo do que a operação foi: uma troca por apoio político e eleitoral.

Raul Monteiro

5 de junho de 2014, 08:33

EXCLUSIVA Wagner e ACM Neto arregaçam as mangas, por Raul Monteiro

Foto: Montagem Política Livre

Neto e Wagner lutam por seus candidatos

É o envolvimento direto das duas mais importantes lideranças políticas do momento na Bahia, uma delas em clara ascensão, que torna esta sucessão estadual verdadeiramente disputada e, mais do que isso, com potencial para ferver, principalmente nos momentos mais decisivos e próximos do processo eleitoral. O governador Jaques Wagner (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) deixaram seus cuidados de lado para definitivamente vestir a camisa de seus candidatos – o democrata Paulo Souto e o petista Rui Costa -, arregaçar as mangas na campanha e, inclusive, trocar farpas.

No caso de Neto, é a melhor resposta que poderia ter dado a quem duvidava ou professava a dúvida de que ele, em nome de uma boa relação institucional com o governo federal e o governador da Bahia, abriria mão de trabalhar abertamente pela candidatura de Souto. Wagner nunca foi uma incógnita neste sentido porque Rui sempre foi o seu candidato, desde o momento em que começou a refletir sobre o que faria com relação à própria sucessão, não hesitando em, na hora que considerou certa, impor seu nome ao conjunto do PT, onde vários outros candidatos se animavam, alguns influenciados por melhor desempenho nas pesquisas do que o escolhido.

Com melhor performance nas intenções de voto ao governo que Souto, fato influenciado tanto pela gestão que realiza em Salvador como pela novidade que representaria o neto de ACM governando pela primeira vez o Estado, o prefeito tem buscado colar sua imagem à do seu candidato e, claro que, na hora oportuna, deve colocar a máquina municipal para rodar na intenção do democrata, do mesmo jeito que o governador vai fazer com a que dirige, muito maior, mais influente e poderosa do que uma Prefeitura pode representar.

A maior prova do compromisso de Wagner com a candidatura de Rui é sua postura em relação ao candidato. No próprio PT, não falta quem compare a diferença de tratamento que dá ao projeto de eleger o seu ex-chefe da Casa Civil em relação a outras candidaturas que o PT apresentou no curso desses seus dois mandatos de governador, principalmente nas disputas municipais em Salvador, onde concorreram, de forma sequenciada, primeiro, o petista Walter Pinheiro e, depois, o deputado federal Nelson Pelegrino, ambos, aliás, derrotados.

De fato, não há registro de discursos ou falas de Wagner tão contundentes contra os adversários como as que ele já começou a proferir, em defesa da candidatura de Rui, a ponto de fazer o prefeito ir a público revidá-las no ponto em que considerou seu grupo atingido. A agressividade do governador é proporcional ao seu interesse em manter o PT no poder na Bahia com alguém umbilicalmente ligado a ele, capaz de defender seu legado tanto na campanha quanto na administração, um ponto que norteou sua escolha por Rui desde o princípio.

Case

Apontado como o papa da administração, Peter Drucker, se vivo fosse, poderia transformar num case digno de análise o episódio envolvendo a demissão do secretário estadual de Justiça, Almiro Sena, acusado de assédio sexual e moral por um grupo de servidoras do Estado. Depois de sangrar por mais de uma semana em decorrência da formalização da denúncia e da decisão do MP baiano, onde é promotor, de abrir um procedimento para investigá-lo, Almiro finalmente pediu demissão após ouvir, na tevê, um apelo do governador Jaques Wagner (PT) para que deixasse o governo. Há que se vê na história se na Bahia tem precedente.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

5 de junho de 2014, 08:23

EXCLUSIVA PRB: Cálculo político e eleitoral norteia apoio a Souto

Foto: Divulgação/Arquivo

Márcio Marinho

Fonte importante do Democratas confirmou hoje a este Política Livre que o PRB já fechou apoio ao candidato do DEM a governador, Paulo Souto. A decisão não teria qualquer relação com a queda do secretário estadual de Justiça, Almiro Sena, acusado por um grupo de servidoras do Estado de assédio moral e sexual, denúncia que ele nega. Na verdade, Almiro já perdera o apoio do partido que o indicou há alguns meses, em decorrência, principalmente, de divergências com o deputado federal e bispo Márcio Marinho, espécie de controlador da legenda na Bahia, o deputado Sildevan Nóbrega, presidente da agremiação em Salvador, e a vereadora Tia Eron. A decisão do PRB basearia-se, portanto, exclusivamente em cálculo político e eleitoral. Os políticos da Igreja Universal passaram a avaliar que Souto tem melhores condições de vencer as eleições que Rui. Pesou na decisão ainda o fato de o partido ter apoiado, nas eleições municipais passadas em Salvador, o PT, que foi derrotado pelo prefeito ACM Neto (DEM). “O PRB avalia que seria muito ruim perder duas vezes seguidas”, afirma a fonte do Democrata que garante que o partido vai com Souto nestas eleições.

2 de junho de 2014, 18:57

EXCLUSIVA Solidariedade adia reunião e gera especulação de apoio a Rui

Foto: Divulgação/Arquivo

Adiamento de decisão pode significar que posição de Medrado pode prevalecer no Solidariedade

Em decorrência de um apelo do presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulinho da Força, a executiva estadual da sigla resolveu adiar a reunião que faria hoje para manifestar apoio à candidatura de Paulo Souto (DEM). Paulinho alegou que confiava num acordo, motivo porque transferiu para um encontro, em Brasília, com a executiva baiana, a decisão sobre o assunto. A prorrogação da definição frustou a expectativa de que a legenda anunciasse logo seu preferido para a sucessão, levantando especulações de que o partido poderá permanecer na base do governo Jaques Wagner e apoiar seu candidato à sucessão estadual, Rui Costa, como sempre defendeu o presidente estadual Marcos Medrado. A convocação para a reunião de hoje foi assinada pela maioria da legenda – além do deputado federal Arthur Maia, defensor ostensivo da candidatura Souto, estariam com o democrata o ex-prefeito Roberto Maia, o vereador Geraldo Jr. e mais Joel Neiva e Luciano Oliveira. O adiamento transforma a opção do Solidariedade na sucessão estadual numa ópera bufa, de baixíssimo nível, como tantas a que se está acostumado a ver em períodos pré-eleitorais.

2 de junho de 2014, 08:20

EXCLUSIVA Porque Rui Costa mira também em ACM Neto

Foto: Política Livre

Rui Costa é candidato do PT ao governo da Bahia

Assessores do prefeito ACM Neto (DEM) se surpreenderam no último sábado, ao tomarem conhecimento de que o pré-candidato do PT a governador, Rui Costa, havia virado suas baterias contra ele. Afinal, o candidato do DEM ao governo é Paulo Souto, que por acaso lidera as pesquisas de intenção de voto à sucessão estadual com mais de 30
pontos percentuais à frente do petista. Trata-se da típica situação em que, quem está abaixo, exatamente na posição em que se encontra Rui, deve mirar em quem está acima, a fim de tentar uma polarização que resulte em algum ganho eleitoral.

E Neto é apenas, neste momento, o prefeito de Salvador. Permanece, portanto, distante da disputa eleitoral direta pelo Palácio de Ondina, afora pelo fato de que não apenas apóia como faz campanha por Souto em toda a Bahia, viajando para o interior todo fim de semana ao lado do candidato a governador do DEM. Com a popularidade mais em alta do que a do próprio candidato de seu partido pela Bahia afora, o prefeito virou alvo de Rui porque não pára quieto, reforçando aonde pode a campanha do democrata à sucessão estadual, e atacá-lo é uma boa forma de se tornar mais conhecido.

Para atingir o prefeito, Rui mirou na licitação em curso pela Prefeitura para renovar a concessão da operação das linhas de ônibus na capital. Disse que o modelo escolhido por ACM Neto, de “licitação onerosa”, em que as empresas de ônibus vão pagar pelo direito de explorar, pode ferir o interesse público. O argumento do candidato petista é que transporte de massa é um negócio subsidiado e não faz o menor sentido o prefeito querer botar o empresário para pagar, podendo a medida, em sua avaliação, repercutir negativamente tanto na tarifa quanto no serviço.

Neto preferiu não polemizar com o candidato, escalando o ex-secretário municipal de Transportes, José Carlos Aleluia, para respondê-lo em grande e agressivo estilo. Em outras palavras, o prefeito dispensou a isca de Rui, que foi ignorado também – obviamente – por seu verdadeiro oponente, Souto. A estratégia dos democratas parte do pressuposto de que só Rui tem a ganhar na hipótese de engatar uma polêmica com um ou com outro, porque é exatamente o candidato do PT que, segundo as pesquisas, aparece em situação desvantajosa do ponto de vista do conhecimento do eleitorado comparativamente a ambos.

Enquanto Rui toma conta de Neto, o governador Jaques Wagner, seu padrinho político, se ocupa de Souto. Já chamou o ex-governador, a quem sucedeu, de “homem maduro”, numa tentativa meio sem jeito de apresentar seu candidato como uma novidade e, em entrevista neste fim de semana, mostrou que está bastante incomodado com as críticas que Souto dirigiu à política de segurança pública na Bahia, um tema que com certeza será explorado pelos adversários do governo na campanha, principalmente, no horário político. É claro que Wagner não ouvirá uma resposta do candidato do Democrata.

Se não considera apropriado para a sua posição na campanha debater, neste momento, com Rui, Souto acha muito mais inadequado ainda discutir qualquer assunto com Wagner. Guiado pelo marketing político, o ex-governador prefere dirigir as críticas ao governo do sucessor sem confrontá-lo diretamente, porque é melhor que se coloque para a frente, na direção do futuro, evitando trilhar o caminho do passado, como Wagner e Rui estão doidos que faça. Neste momento, escolher o que fazer na campanha, enquanto liderá-la e não for ameaçado, é também uma das vantagens competitivas de Souto.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

1 de junho de 2014, 17:46

EXCLUSIVA Almiro Sena deve deixar secretaria nesta terça-feira

Foto: Manu Dias/Agecom/Arquivo

Almiro Sena nega acusações de assédio feitas por servidoras estaduais

Informes chegados há pouco ao Política Livre dão conta de que o secretário estadual de Justiça, Almiro Sena, teria sido aconselhado pelo governo a pedir exoneração do cargo nesta segunda-feira. Sena está sendo investigado pelo Ministério Público em decorrência da acusação de que teria praticado assédio moral e sexual, feita por um grupo de servidoras estaduais. Ele nega a denúncia. O governador Jaques Wagner (PT) teria revelado a interlocutores que a permanência de Almiro na secretaria ficou insustentável depois da denúncia e da retirada de apoio político ao seu nome por parte do PRB, partido da Igreja Universal que o indicou para o cargo. Caso peça exoneração, Almiro deixará o cargo oficialmente na terça-feira. As acusações contra o secretário eclodiram em meio à negociação pela permanência do PRB na base do governo e em apoio ao candidato do PT a governador, Rui Costa. O partido estaria namorando há algum tempo a candidatura a governador de Paulo Souto (DEM), que pode ganhar o apoio da Universal nestas eleições.

30 de maio de 2014, 10:00

EXCLUSIVA MP abre investigação criminal contra Almiro Sena

Foto: MP/BA

Investigação ficará a cargo do promotor Luis Cláudio Nogueira

O chefe do Ministério Público baiano, Márcio Fahel, abriu ontem à noite procedimento investigatório criminal para apurar as denúncias de que o secretário de Justiça da Bahia, o promotor Almiro Sena, assediou sexual e moralmente um grupo de servidoras do Estado. Para apurar o caso, foi designado o promotor Luis Cláudio Nogueira, que prometeu agilidade no processo.

Se ficar evidenciada culpa, o Ministério Público oferecerá denúncia contra o investigado à Justiça. Na hipótese de condenação, a depender da classificação e extensão do crime e do tamanho da pena, Sena pode perder até o cargo. Ao denunciar o secretário, o grupo de servidores entrou com uma representação na Corregedoria do MP.

Como os supostos crimes foram cometidos no âmbito da secretaria e não do Ministério Público, o procurador de Justiça do MP Rômulo de Andrade Moreira resolveu tomar a iniciativa de solicitar a abertura de um procedimento criminal administrativo ao órgão contra o secretário como forma de corrigir o rumo do processo.

Na queixa que dirigiram à Corregedoria do MP, as servidoras fazem relatos cavernosos do que sofriam nas mãos do secretário, chamado por elas de “monstro”. Uma delas teria relatado que o secretário teria chegado a exibir seus órgãos sexuais durante uma visita que ela fez ao seu gabinete.

As denúncias contra Almiro abriram uma discussão no governo do Estado sobre um eventual desligamento do secretário. O fato de ele pertencer ao PRB, partido que estaria namorando o candidato a governador Paulo Souto (DEM) e é considerado importante para a candidatura ao governo do petista Rui Costa, estaria emperrando uma solução.

29 de maio de 2014, 09:14

EXCLUSIVA Marcos Medrado e a mercadoria por entregar

Foto: Divulgação

Deputado federal Marcos Medrado (SDD)

Tudo indica que o deputado federal Marcos Medrado enrascou-se de vez. Presidente do Solidariedade, partido novo criado nacionalmente pelo deputado federal Paulinho da Força (SP), que também acumula sua presidência nacional, Medrado prometera a entrega da agremiação à campanha do petista Rui Costa, que encabeça a chapa governista à sucessão estadual. Em troca, ele pode rapidamente indicar ao comando da Bahiatursa, empresa pública responsável pela promoção do turismo baiano, seu filho, Diogo, sem qualquer tradição de atuação ou experiência no setor.

A operação era vista como tão importante para o governo, que, para satisfazer Medrado, o governador Jaques Wagner (PT) removeu da direção da Bahiatursa seu amigo do peito Fernando Ferrero, personagem tão íntima sua que havia lhe emprestado até o paletó para a posse no seu primeiro mandato de deputado federal. Ocorre que Medrado negociou o apoio do Solidariedade sem lastro. Desde o início, se dizia, aqui mesmo nesta Tribuna, que o partido tendia na Bahia na direção do apoio à candidatura ao governo do democrata Paulo Souto e que Medrado não teria força para marchar na direção contrária.

E o presidente do Solidariedade negava. Negava, inclusive, as implicações decorrentes do fato de Paulinho da Força ter fechado o apoio nacional da agremiação à campanha presidencial do tucano Aécio Neves, cujo representante nesta eleição na Bahia é Souto. Continuou negando tanto que parece ter convencido até o governador. Agora, o problema está criado para Medrado e Wagner. Com o aval de Paulinho, a maioria da executiva estadual do Solidariedade, liderada pelo deputado federal Arthur Maia, assinou um documento convocando uma reunião para a próxima semana cujo objetivo será anunciar o apoio a Souto.

A condição para Medrado não sofrer nenhuma retaliação e permanecer no comando do Solidariedade é ficar quietinho e seguir a maioria do partido no apoio à campanha do democrata, na Bahia, e do tucano Aécio, nacionalmente. Sem o tempo de TV que o Solidariedade possui para emprestar à campanha de Rui, o presidente do partido valerá pouca coisa, apesar de continuar sendo uma liderança política respeitada no Subúrbio, região que, nos bons tempos, deu-lhe prestígio e força suficientes para que fosse escolhido por ACM para vice na chapa vitoriosa de Antonio Imbassahy à Prefeitura de Salvador.

Wagner poucas vezes foi tão rápido no toma lá da cá como agiu com o presidente do Solidariedade. Ante o compromisso de Medrado de o partido apoiar o seu candidato a governador, rapidamente deu ao filho dele o controle de um órgão estratégico para a Bahia. O governador fez sua parte, ao que parece, sem se preocupar com o que se falava a boca pequena sobre a pouca força interna do presidente da agremiação. Falta agora Medrado fazer a sua, entregando a mercadoria que dissera possuir. Como as chances de fazê-lo são, ao dia de hoje, consideradas mínimas, a questão agora é saber o que Wagner fará com o rebento de Medrado na Bahiatursa quando o Solidariedade lhe escapa.

Tese

Uma das principais lideranças nacionais do PSDB, o baiano Jutahy Magalhães está no time dos que exultaram com a pesquisa Ibope sobre a sucessão estadual que confere a liderança das intenções de voto ao democrata Paulo Souto. Ele achou muito frágil o argumento do PT, que rebateu os números lembrando da campanha de 2006, quando Souto também aparecia liderando e perdeu a eleição para Jaques Wagner. Entre os vários argumentos que elencou como resposta à tese petista, Jutahy lembrou que hoje a candidatura de Souto é natural, decorrente de um clamor popular identificado nas pesquisas, ao passo que o nome do PT foi imposto, inclusive, no próprio partido.

*Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

28 de maio de 2014, 10:23

EXCLUSIVA Maioria do Solidariedade fecha com Souto e alija Medrado

Foto: Arquivo/Divulgação

Arthur Maia integra maioria que defende apoio a Souto no Solidariedade

O Política Livre teve acesso hoje a documento subscrito por cinco dos nove membros da executiva estadual do Solidariedade convocando uma reunião extraordinária do partido para o próximo dia 2, onde será anunciado o apoio da agremiação à candidatura a governador de Paulo Souto (DEM), conforme antecipado ontem pelo site (ver aqui). Em seguida, a decisão será comunicada à executiva nacional do Solidariedade, já antecipando a posição que o partido fechará na convenção estadual, também prevista para junho. Uma fonte do Solidariedade em Brasília informou há pouco ao Política Livre que o deputado federal Marcos Medrado, presidente estadual do Solidariedade, não terá condições de adotar postura distinta da que a executiva estadual decidir com relação à sucessão estadual. “Ou ele fica com o partido ou perde a presidência”, disse a mesma fonte. O documento é assinado pelo deputado federal Arthur Maia, o ex-prefeito de Lapa, Roberto Maia, o vereador em Salvador Geraldo Jr., Joel Neiva e Luciano Oliveira, todos defensores do apoio a Souto na agremiação. Agora, resta saber o que fará o governador Jaques Wagner (PT), que entregou o comando da Bahiatursa ao filho de Medrado, Diogo, em troca do apoio do Solidariedade ao candidato governista, Rui Costa (PT).