4 de setembro de 2014, 09:43

EXCLUSIVA O furioso ataque de Wagner, por Raul Monteiro

Foto: Editora Globo/Arquivo

O governador Jaques Wagner

A avaliação geral entre democratas e tucanos é que o governador Jaques Wagner (PT) extrapolou nas críticas que dirigiu anteontem, em Plataforma, durante a inauguração da 29ª Delegacia Territorial de Polícia, ao ex-governador Paulo Souto, favorito candidato do DEM à sucessão estadual, segundo as pesquisas. Mas, na opinião da maioria deles, a contundência das críticas revelaria uma quadro mais positivo do que preocupante para o democrata: significaria que Wagner entrou em desespero em relação às possibilidades de eleição do seu candidato, Rui Costa (PT).

Estaria, assim, atacando Souto como um recurso extremado no sentido de alertar o eleitorado quanto ao risco de eleger alguém que não merece, na sua concepção, ser escolhido para comandar os destinos do Estado por quatro anos em detrimento do candidato petista. É uma tese. No evento do governo, Wagner chamou Souto de “funcionário de família”. Seria uma referência, na visão do governador, ao fato de Souto ter surgido na política pelas mãos do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, que comandou o Estado com mão de ferro até a vitória de Wagner, em 2006.

E, desta vez, ter se disposto a disputar o governo de novo, agora sob os auspícios de um membro da mesma família, o prefeito ACM Neto, liderança ascendente do DEM. Reações não tardaram. O ex-deputado federal democrata José Carlos Aleluia, um dos mais próximos a Souto, disse que Wagner “apequenou” o Estado com seu governo e, em reservado, junto com outras lideranças dos partidos que formam a coligação de apoio ao candidato do DEM, afirmou que o governador perdeu a sua maior qualidade, a educação com que sempre tratou adversários e aliados.

De fato, a cortesia sempre foi um elemento a diferenciar Wagner em suas relações institucionais desde que tomou posse. Serviu, inclusive, para sedimentar o discurso de que arejou o Palácio de Ondina com hábitos mais republicanos que seus antecessores da era ACM, que costumava transformar em adversários pessoais aqueles de que não gostava ou que simplesmente lhe faziam oposição. Na realidade, Wagner pensa o que disse. Quem se entrevistou com ele há cerca de um mês, ouviu sobre Souto e ACM Neto as mesmas críticas, só que num tom abaixo.

Então, Wagner dizia que as oposições procuravam um líder para repor ACM e que a nova liderança estava ali, à espera da primeira oportunidade para fazê-lo. Seria o próprio neto do ex-senador, que, na opinião de Wagner, deveria passar a comandar a todos. Na época, Wagner chegou a ver na ostensiva presença de Neto no material de campanha do candidato a governador do DEM não uma tática eleitoral, em decorrência da boa imagem do prefeito no eleitorado baiano, mas um traço de seu perfil “personalista”. Há interpretações para todos os gostos numa campanha, mas, se a um mês da eleição a animosidade chegou a tal ponto, tudo indica que até lá ela só vai piorar.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

4 de setembro de 2014, 09:38

EXCLUSIVA Pesquisa Sensus não deve trazer grande novidade

Foto: Montagem Política Livre

Souto e Rui: sem grandes novidades na pesquisa Sensus?

Deixa sob suspense enorme o comando das campanhas ao governo de Paulo Souto (DEM) e Rui Costa (PT) a divulgação dos números da pesquisa Sensus sobre a sucessão estadual, que deveria vir a público ontem, mas foi transferida para hoje, provavelmente até o horário de exibição do Aratu Notícias, da TV Aratu, emissora que contratou o instituto. Uma fonte do Sensus antecipou ao Política Livre que os números já foram tabulados e estão em processo de envio para a Aratu, devendo surpreender quem aguardar grandes novidades. Na verdade, o Sensus não deve trazer grandes alterações no quadro que se delineou até agora com outros levantamentos. Alguns petistas imaginavam que, já nesta sondagem, Rui Costa poderia bater a casa dos 18%.

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3 de setembro de 2014, 10:38

EXCLUSIVA Eliana cotada para a Justiça em eventual governo Marina

Foto: Divulgação/Arquivo

Eliana foi corregedora-geral de Justiça

A ex-ministra Eliana Calmon, candidata pelo PSB ao Senado na Bahia, é vista como interlocutora natural do Judiciário num eventual governo Marina Silva. O comentário circulou com intensidade durante a posse de Francisco Falcão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), na semana passada. Há, em Brasília e São Paulo, quem aposte que Eliana poderia ser convocada para o Ministério da Justiça na hipótese de vitória de Marina e mesmo que não se eleja senadora. Ontem, já começaram a circular na Bahia as inserções em que a presidenciável pede votos para a candidatura de Eliana ao Senado.

1 de setembro de 2014, 09:09

EXCLUSIVA Marina pode levar a segundo turno na Bahia

Foto: Divulgação/Arquivo

Será que Lídice vai ser empurrada morro acima pelo "Tsunami Marina?"

A consolidação do “fenômeno Marina”, sobre o qual havia grande expectativa até a semana passada, mas foi confirmado na última sexta-feira, quando saiu a pesquisa Datafolha revelando o empate da presidenciável do PSB com a presidente Dilma Rousseff no primeiro turno, na faixa dos 34% das intenções de voto, acendeu definitivamente as luzes de alerta das candidaturas majoritárias ao governo da Bahia. O mais forte deles, no entanto, lançou também um sinal sonoro de atenção máxima sobre o grupo que acompanha o candidato do DEM ao governo, Paulo Souto.

Até então, pelos números que Marina conseguira agregar e o potencial eleitoral que demonstrava, as preocupações quanto à perspectiva de crescimento da socialista se
restringiam aos apoiadores da candidatura encabeçada pelo petista Rui Costa. O desempenho ascendente da ex-senadora, medido então pelo Ibope, representava dificuldades na performance baiana da presidente Dilma Rousseff, em que, por uma questão de estratégia definida antes da tragédia de 13 de agosto, Rui havia buscado pongar como forma de alavancar sua campanha sobre o eleitorado local.

Com o Datafolha de sexta-feira, entretanto, as mesuras identificadas na campanha do petista em relação à presidenciável do PSB foram se deslocando para a articulação política de Souto, onde uma questão ganhou grande destaque entre todas que começaram a ser feitas quanto ao encaminhamento de sua estratégia desde a sexta-feira. Trata-se de saber até que ponto o crescimento de Marina vai impactar positivamente a senadora Lídice da Mata (PSB), sua única e legítima representante local, cujos primeiros sinais eram de que não vinha absorvendo influência alguma do “fenômeno Marina” em sua campanha.

Apesar de ter se esquecido de mencionar Marina uma vez sequer no debate de que participou na Bandeirantes, na última quinta-feira, Lídice passou a dar prioridade ao fortalecimento da vinculação entre as duas nas inserções comerciais da campanha na televisão e no rádio desde então. A preocupação do comando do DEM é de que a senadora socialista seja empurrada morro acima pelo “Tsunami Marina”, jogando a disputa pela sucessão de Jaques Wagner (PT) para o campo imprevisível do segundo turno, uma condição que os soutistas querem evitar a todo custo por razões óbvias.

No mesmo debate da Band, era visível que a estratégia usada por Lídice desde o primeiro momento foi a de desbancar Rui pelo segundo lugar. Marchou para cima dele imputando-lhe adjetivos que não tardariam a ser usados pelos adversários, a exemplo de “inimigo público número 1 do funcionalismo”. Como a expectativa de crescimento do petista persiste, dado principalmente a força da máquina estadual, nada impede que, se for empurrada por Marina, Lídice, junto com ele, ajude a levar a disputa ao segundo turno, momento em que não teriam problema em se unir contra Souto.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

28 de agosto de 2014, 18:04

EXCLUSIVA Candidatos se preparam para ataques pessoais em debate

Do intenso treinamento a que os principais candidatos ao governo da Bahia se submeteram hoje com suas assessorias e equipes de marketing para se preparar para o debate de logo mais às 22h, na Band TV, não faltaram análises de dossiês com informações de caráter pessoal sobre os postulantes que poderão ser usadas no caso de o confronto cair neste campo. O assessor de um candidato admitiu ao Política Livre que a intenção não é partir para o ataque aberto, muito menos no campo pessoal, mas antecipa que, se for esta a disposição dos concorrentes, seu candidato não vai recuar. Um sinal de que o debate na Band promete!

28 de agosto de 2014, 12:02

EXCLUSIVA Políticos registram procura por comitês de Marina no interior

Foto: Divulgação/Arquivo

Lídice tem esperança de que articulação de Marina define Bahia como prioridade

O “fenômeno Marina” tem sido claramente percebido por políticos no interior da Bahia. Em algumas cidades, pessoas comuns procuram candidatos de qualquer partido em busca de informações sobre onde podem encontrar um comitê da presidenciável do PSB que, normalmente, não existe. A “busca” por aproximação com Marina, detectada pelas pesquisas, poderia beneficiar principalmente a candidata de seu partido ao governo, Lídice da Mata, se sua campanha estivesse neste momento muito bem estruturada no interior. Com a morte de Eduardo Campos, as promessas de aporte financeiro à campanha de Lídice se foram. Resta à candidata baiana a compreensão da articulação de Marina de que a Bahia passe a ser prioridade, aproveitando o potencial de crescimento que a presidenciável possui no Estado.

28 de agosto de 2014, 09:13

EXCLUSIVA Como Marina afeta a campanha baiana, por Raul Monteiro

Foto: Agência Brasil

O "fenônemo Marina" ainda é difícil de aquilatar

As pesquisas Ibope e Babesp divulgadas ontem sobre a sucessão baiana mostram que foi positivamente nulo até agora o impacto da candidatura da presidenciável Marina Silva (PSB) na Bahia. Isto não significa, no entanto, que o “fenômeno Marina”, como a ele se reportam os principais analistas do país, não tenha acrescentado novos desafios a algumas das candidaturas locais ao governo, entre as quais, ou principalmente, se inscreve a de Rui Costa. Na verdade, o petista deve ser afetado negativamente, de forma indireta, em decorrência de uma estratégia que assumiu para sua campanha no Estado.
Quando começa a estabelecer uma polarização com a presidente Dilma Rousseff (PT), ameaçando claramente derrotá-la no segundo turno, a candidata do PSB espalha dificuldades para todas as candidaturas estaduais Dilma-dependentes, a exemplo da de Rui. Por uma opção estratégica do PT baiano, desde o primeiro momento o petista foi colocado ao eleitorado como um nome de Dilma, do ex-presidente Lula e do governador Jaques Wagner, nesta ordem. Por conta do processo que resultou em sua escolha como candidato, aliás, Wagner é que deveria aparecer como o principal fiador público do seu nome.
Com anos de antecedência, foi o governador que não só definiu, como concebeu a candidatura, montou a estratégia para dotá-la de musculatura e enfrentou o próprio PT e os partidos aliados para bancar o nome de Rui como aquele que poderia melhor disputar sua sucessão. Nada a opor, mas, por isso, é natural que estivesse em posição destacada na linha de frente da defesa de seu nome junto ao eleitorado do Estado que governa vai completar oito anos. No entanto, por motivos que o marketing explica, foi acordado que Wagner ficaria ligeiramente fora do proscênio, deixando no papel de protagonistas no apoio a Rui a presidente Dilma e Lula.
Sob a nova onda anti-petista, que o “fenômeno Marina” só faz aumentar, os apelos de Lula em favor de uma candidatura estadual chegam extremamente enfraquecidos. Já é hercúleo o esforço que o ex-presidente faz para empurrar para a linha de chegada o poste que concebeu, governa o país há quase quatro anos, mas, ao que vergonhosamente evidencia a campanha presidencial petista, parece nunca ter deixado a posição subalterna de ministra ou assessora, de mera coadjuvante sua no comando do país. Assim, restaria no auxílio a Rui a própria Dilma, que está ameaçada de ser brutalmente atropelada por Marina, mesmo com o denodado empenho que faz por ela Lula.
Com uma presidente Lula-dependente num nível grotesco como o que revela a sua própria propaganda, na qual Lula precisa aparecer ostensivamente lançando mão de ficções como a de que os problemas econômicos do país governado há quase 1.400 dias por ela são causados por uma gigantesca crise internacional à qual ele já se referiu no passado como uma mera marolinha, e Marina subindo numa velocidade e frequência ainda difíceis de aquilatar, é duro acreditar que Dilma ainda poderá puxar candidaturas nos Estados, o que pressiona por mudanças rápidas nas estratégias de candidatos petistas – ou aliados – às sucessões estaduais.
* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

27 de agosto de 2014, 09:32

EXCLUSIVA ACM Neto deixa PT e PSB em frangalhos na Câmara

Foto: Reginaldo Ipê

Votação de ontem à noite na Câmara de Salvador que desafetou para venda 59 terrenos da Prefeitura

Abertamente comemorada pelo governo municipal, a votação de ontem à noite na Câmara de Salvador que desafetou para venda 59 terrenos da Prefeitura deixou um PT em frangalhos e um PSB dividido. Desconsiderando o clima de acirramento eleitoral que os opõem frontalmente ao DEM na disputa pela sucessão estadual, os dois principais partidos oposicionistas da Câmara, responsáveis pelas duas candidaturas mais fortes contra o favorito Democratas, sucumbiram ao encanto da articulação política do prefeito ACM Neto (DEM) e deram ao executivo municipal o gosto de celebrar a votação como sua maior vitória até agora no Legislativo.

Foram 35 votos a favor do projeto da Prefeitura, que conseguiu ainda aprovar a doação de terrenos para a Caixa executar o Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, autorizações legislativas para empréstimos junto ao BID e ao Prodetur, a LDO e o Primeiros Passos, primeira investida do DEM para fazer frente, no município, ao Bolsa Família que encanta a população mais pobre e cujos louros são exclusivamente faturados pelo PT. Dos nove vereadores petistas, pelo menos seis fecharam com ACM Neto na votação de ontem em decorrência de um processo de negociação considerado absolutamente “transparente” pelos operadores do prefeito na Câmara.

Em assim sendo, não seriam os petistas que ajudaram o prefeito a cravar a vitória “acachapante” de ontem a considerar a negociação opaca. Parte da adesão da bancada municipal do partido aos projetos do DEM era ontem mesmo atribuída ao que alguns, reservadamente, consideraram “excessos” do presidente do PT em Salvador, Edson Valadares. Determinado a marcar a diferença de posição de seu partido na Câmara em relação à Prefeitura, Valadares apertou o cerco contra os representantes municipais do partido, chegando a fechar questão – e a comunicá-la publicamente – contra a venda dos terrenos.

A rádio corredor do Legislativo dava conta de que, no auge dos debates, ele foi visto num dos corredores da Câmara praticamente batendo boca com a vereadora Vânia Galvão, um quadro verdadeiramente ideológico do petismo municipal que está entre os três que votaram contra o projeto de ACM Neto. O resultado foi uma derrota fragorosa em relação ao roteiro que o presidente municipal do PT traçara para os vereadores do partido. E o aprofundamento da crise com a ala – majoritária – da bancada que anda, a olhos vistos, simplesmente encantada com a faceta mais sedutora do prefeito Netinho.

27 de agosto de 2014, 09:00

EXCLUSIVA Neto influenciou em tom incisivo de Aécio em debate

Foto: Rahel Patrasso/Xinhua

Candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves

O tom mais incisivo adotado ontem pelo presidenciável tucano Aécio Neves no debate da TV Bandeirantes, o primeiro entre os candidatos à Presidência realizado até agora, pode ser atribuído aos conselhos do prefeito ACM Neto (DEM) ao amigo e correligionário. Desde o início da campanha, Neto tem defendido que Aécio deixe o estilo mineiro, normalmente mais conciliador, e parta para o ataque em relação à presidente Dilma Rousseff (PT) de forma a consolidar a polarização com ela. Na conversa que tiveram no último sábado, em Salvador, quando Aécio veio à capital baiana apresentar seu programa de governo para o Nordeste, voltaram a falar sobre o assunto. Neto defende a tese de que o tucano precisa ser mais agressivo sob o argumento de que é a única forma de Aécio se tornar o verdadeiro depositário da insatisfação contra o governo Dilma e beneficiar-se da onda anti-petista. O Ibope de ontem, apontando o favoritismo de Marina Silva (PSB) sobre o tucano, deve ter animado Aécio a reagir no debate da Band, no qual para democratas e tucanos baianos ele foi quem melhor performou.

26 de agosto de 2014, 18:52

EXCLUSIVA A clara tendência de polarização entre Marina e Dilma

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Marina e Dilma na época em que eram ministras de Lula

O resultado da última pesquisa Ibope, que coloca a presidente Dilma Rousseff (PT) em empate técnico com a candidata Marina Silva (PSB) no primeiro turno e aponta a vitória da socialista sobre a petista no segundo turno, revela que o presidenciável tucano, Aécio Neves, é o maior prejudicado segundo os cenários revelados pela sondagem. Há pelo menos uma semana, números de pesquisas para consumo interno realizadas por candidatos no interior da Bahia já indicavam o aprofundamento da mudança favorável a Marina em detrimento da posição de Aécio, que apareceu como segundo colocado nas intenções de voto à Presidência até a morte de Eduardo Campos, presidenciável do PSB substituído por Marina. No novo contexto, é uma possibilidade concreta uma verdadeira debandada de eleitores e lideranças políticas na direção da candidata do PSB, o que só tende a firmar a polarização entre ela e a presidente Dilma na corrida sucessória. Chama a atenção o fato de os números de agora, diferentemente daqueles da sondagem anterior do Ibope, mostrarem que Marina não cresceu apenas sobre brancos e nulos, mas sobre os dois candidatos que antes polarizavam a disputa. De fato, só um novo fato extraordinário para impedir que a sucessão presidencial seja decidida entre duas mulheres.

Raul Monteiro*

25 de agosto de 2014, 10:56

EXCLUSIVA Nova Ibope exclui Rui de cenário do segundo turno

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui: exclusão de levantamento do Ibope para segundo turno

A terceira pesquisa Ibope/TV Bahia sobre a sucessão estadual que será divulgada nesta quarta-feira, dia 27, só apresenta como cenário para um eventual segundo turno no Estado uma hipotética disputa entre os candidatos do PSB, Lídice da Mata, e Paulo Souto, do DEM, excluindo do páreo o candidato do PT, Rui Costa. É o que se deduz da pergunta de número seis do questionário. “E se a eleição para Governador da Bahia tiver um SEGUNDO TURNO, em quem o(a) sr(a) votaria se tivesse que escolher entre: (LEIA ALTERNATIVAS 1 E 2 – FAÇA RODÍZIO A CADA ENTREVISTA) 1 ( ) Lidice da Mata 2 ( ) Paulo Souto 7 ( ) Nenhum/ Branco/ Nulo 8 ( ) Não sabe 9 ( ) Não respondeu”, é a questão apresentada aos entrevistados. Nos dois levantamentos anteriores (de julho e maio), Lídice e Souto aparecem com os mesmos percentuais em segundo e primeiro lugar, respectivamente. Souto tem 42% e Lídice, 11%, enquanto Rui surge com 8%, um ponto a menos que no levantamento anterior, de maio. A sondagem foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número BA-00013/2014 e está sendo realizada desde o último dia 23 até a data da divulgação pela emissora. Ao todo, 1008 pessoas serão entrevistadas. A pergunta sobre o segundo turno é a sexta de um questionário com 15 questões. A pesquisa foi contratada ao Ibope pela TV Bahia ao custo de R$ 62.324,64. Uma outra pesquisa foi registrada no TRE sobre a sucessão estadual. Ela pertence ao Instituto Sensus. São mil entrevistas em sete regiões, abrangendo 56 municípios, entre os dias 25 e 28 de agosto. O Sensus não informou a data de divulgação. Procurada, a representação do Ibope na Bahia, não soube confirmar se a pergunta nº 06 do candidato exclui o candidato Rui Costa.

25 de agosto de 2014, 09:37

EXCLUSIVA Horário eleitoral e segundo turno, por Raul Monteiro

Foto: Montagem Política Livre

Lídice, Souto e Rui: disputa com segundo turno

O horário eleitoral completa uma semana amanhã em todo o país provavelmente sem conseguir gerar grande impacto nas intenções de voto para a presidência da República, governos dos Estados, Senado e casas legislativas estaduais e federal, sua razão de existir. É o que dizem as primeiras pesquisas para consumo interno de candidatos realizadas a partir do início da propaganda política, iniciada na terça-feira da semana passada, as quais continuam captando o desinteresse letárgico da população pelo universo político e seus protagonistas.

A tradição aposta em pelo menos duas semanas de exposição do nome, marca e propostas dos candidatos – além, naturalmente, de eventuais embates entre eles – como tempo suficiente para que o horário eleitoral cumpra o papel de iniciar o convencimento do eleitorado. É natural que a ansiedade seja maior entre os candidatos que, de acordo com as pesquisas, se encontram em posição inferior na preferência do eleitorado, caso do candidato do PT ao governo, Rui Costa, que vem empatando tecnicamente até aqui com a candidata do PSB, Lídice da Mata, na segunda posição.

Ansiedade, aliás, ampliada pela aposta explícita do governador Jaques Wagner (PT) na propaganda no rádio e televisão como forma de garantir a seu candidato a exposição positiva necessária à alavancagem de seu nome junto aos eleitores baianos que, de acordo com as mesmas sondagens, simplesmente o desconhecem como político, bem como o apoio com o qual conta por parte da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula, personagens que vêm ocupando espaço no horário do petista exatamente com o objetivo de preencher esta lacuna.

Embora não se fale sobre o assunto abertamente na campanha de Rui, uma meta foi fixada no seu comando com relação à expectativa eleitoral sobre o candidato que coincide com o cumprimento do prazo de duas ou três semanas desde o início da propaganda no rádio e na TV. Ela dá conta de que, ao fim deste período, ele precisa pelo menos duplicar os percentuais de intenções de voto que hoje registra nas pesquisas, distanciando-se da adversária do PSB e aproximando-se do líder das sondagens, o candidato do DEM, Paulo Souto.

O objetivo leva em conta um outro pressuposto: o de que a disputa deve e precisa ser levada ao segundo turno, onde Rui enfrentaria Souto com o apoio de Lídice e de quantos outros candidatos – todos nanicos – sejam capazes de se juntar a ele. Não é por outro motivo que a campanha de Rui escolheu como alvo preferencial para uma virtual polarização o candidato do DEM. Desta forma, mira o líder nas pesquisas que pretende desbancar e poupa quem pode, eventualmente, lhe apoiar mais à frente. É o que ele pode fazer, por enquanto, no campo de variáveis supostamente controláveis.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

21 de agosto de 2014, 09:50

EXCLUSIVA Por um amigo no Planalto, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

Candidato à Presidência da República da Coligação Muda Brasil, Aécio Neves (PSDB)

A vinda de Aécio Neves a Salvador neste sábado sob o pretexto de lançar na Bahia seu programa de governo para o Nordeste dá uma pequena demonstração do grau de vinculação entre o presidenciável do PSDB e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). O convite, de pronto aceito pelo tucano, para que a capital baiana se tornasse palco para o lançamento de suas propostas para uma região tradicionalmente esquecida por governantes de todos os rincões que já governaram o país, foi feito diretamente pelo democrata ao candidato a presidente.

Não é de agora e por causa da campanha presidencial que os dois estão tão próximos. A relação remonta à atuação de ambos, no campo da oposição, na Câmara dos Deputados, onde Neto militou como parlamentar do DEM pela Bahia e Aécio exerceu o mesmo ofício representando seu Estado natal, Minas Gerais, terra de seu avô Tancredo Neves, chegando à presidência daquele poder. Quando o democrata foi eleito prefeito de Salvador, em 2012, partiu de Aécio um dos telefonemas mais calorosos pela vitória de Neto na Bahia.

Não se tratava apenas da comemoração do sucesso político de um amigo, mas da demonstração de vitalidade de um partido que poderia se transformar num grande aliado seu na Bahia, exatamente como agora acontece. Por seu interesse direto na montagem de um palanque forte no Estado onde pudesse subir para defender suas propostas para o país, Aécio acompanhou, por intermédio de Neto e, na maioria das vezes sob a torcida fervorosa do prefeito, passo a passo o longo processo que resultou no convencimento de Paulo Souto a disputar o governo baiano pelo Democratas, fato que também soube celebrar.

Mas o toque mais pessoal impresso pelo prefeito na corrida de Aécio pela Presidência ocorreria mais recentemente, no momento em que despachou, para ajudar na montagem do programa de governo do tucano, Guilherme Bellintani, secretário municipal de Turismo e um dos colaboradores que passaram a mais se destacar em sua curta gestão. Apostar numa possível escolha de Bellintani para um eventual ministério tucano é colocar o carro na frente dos bois. Mais apropriado seria dizer que, na hipótese de vitória de Aécio, Neto deve ter espaço assegurado no governo federal.

De fato, o empenho que tem feito pela eleição de Souto ao governo Neto tem redobrado na tentativa de dar a Aécio uma boa votação, pelo menos na capital baiana. Mas não é em algum ministério que ele foca no momento. Com as pontes praticamente dinamitadas com o governo estadual, que se esforça para dar continuidade ao seu projeto pelas mãos do petista Rui Costa, Neto sabe como suas dificuldades aumentarão num cenário econômico depauperado se Dilma Rousseff (PT) se reeleger, motivo por que é melhor resguardar-se e a seus projetos futuros por meio de um amigo no Palácio do Planalto.

* Artigo publicado originalmente no Tribuna da Bahia

Raul Monteiro

19 de agosto de 2014, 15:34

EXCLUSIVA Aécio lança programa para Nordeste em Salvador sábado

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) estará em Salvador neste sábado para lançar seu programa de governo para o Nordeste, para o qual o prefeito ACM Neto (DEM) deu significativa contribuição por meio de seu secretário municipal de Turismo, Guilherme Bellitani.

19 de agosto de 2014, 09:14

EXCLUSIVA Uma entrevista vexatória, por Raul Monteiro

Foto: Reprodução Blog do Noblat

Dilma Rousseff: escapismo frente a questões importantes

Foram pouco mais de 15 minutos difíceis de enfrentar e de assistir. Em entrevista ao Jornal Nacional, ontem à noite, a presidente Dilma Rousseff (PT) teve que respirar fundo para não se descontrolar abertamente frente aos questionamentos incisivos dos apresentadores Willian Bonner e Patrícia Poeta. Dilma deve ter se surpreendido com a inquirição dura, especialmente de Bonner. Deve ter achado que, apesar de terem apertado os entrevistados anteriores – Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, que teve performance excelente no confronto, um dia antes de morrer -, os dois pegariam mais leve com ela pelo fato de ser presidente. E saiu-se mal. Muito mal. Por um motivo simples: Dilma não respondeu aos questionamentos que lhe foram dirigidos por Bonner a respeito de os petistas condenados pelo mensalão, aos quais o apresentador se referiu literalmente como corruptos, terem sido defendidos pelo PT, o partido da presidente. Como também evitou se pronunciar claramente frente à pergunta do apresentador sobre o quadro difícil vivido pela economia, com inflação alta e baixo crescimento. Bonner queria saber se atribuir os problemas econômicos nacionais à crise internacional não era fugir da responsabilidade de uma gestão petista que vai para o 12º ano. A presidente preferiu sair pela tangente, tergiversar. Ficou evidente, claro como água limpa, que tentava enrolar os apresentadores e, principalmente, os telespectadores. Foi horrível ver que Dilma não enfrenta as questões do país que dirige de frente e pelos quais, sim, é em grande parte responsável. Um exagero dizer que Dilma trocou as bolas, evidenciando sua prosaica dificuldade de expressão. Pelo contrário, agiu deliberadamente no sentido de tentar ocultar aquilo que se pode ver a olho nu e torna transparentes os fracassos de seu governo. Um vexame!

Raul Monteiro