30 de agosto de 2019, 16:24

ECONOMIA Déficit fiscal previsto em Orçamento para 2020 é de R$ 124 bi, diz secretário

O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou que o déficit primário previsto para 2020 na Lei Orçamentária Anual é de R$ 124 bilhões. Já para os anos de 2021 e 2022 o resultado programado é déficit de R$ 68 bilhões e R$ 31,6 bilhões, respectivamente. O projeto do orçamento foi entregue nesta sexta-feira, 30, ao Congresso Nacional. Os números seguem em linha com as programações apresentadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias, enviada em abril e pendente de votação no Congresso, segundo disse Waldery após entregar o projeto do orçamento na Secretaria-Geral da Mesa do Senado.

Estadão

30 de agosto de 2019, 10:52

ECONOMIA Desemprego recua com recorde de trabalho informal

Foto: Marcos de Paula/Estadão

A taxa de desemprego recuou no país, mas devido à criação de vagas no mercado informal, que bateu novo recorde. O número de empregados sem carteira assinada atingiu 11,7 milhões no trimestre encerrado em julho, enquanto os trabalhadores por conta própria —cuja maior parte não tem CNPJ— chegaram a 24,2 milhões, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (30). Os números são os mais altos já registrados pelo IBGE na série da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

No período, a taxa de desocupação no Brasil caiu para 11,8%, o que representa 12,6 milhões de pessoas desempregadas, contra 12,5% no trimestre imediatamente anterior (fevereiro a abril de 2019). “Desde o início da crise econômica a inserção por conta própria vem sendo ampliada em função da falta de oportunidade no mercado formal”, afirmou Cimar Azeredo, gerente da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE. O total de empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada teve um aumento de 3,9% (441 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e de 5,6% (619 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2018. Já o número de trabalhadores por conta própria subiu 1,4% (343 mil pessoas) na comparação trimestral e 5,2% (1,2 milhão de pessoas) em comparação ao mesmo período do ano passado.

Folha de S.Paulo

30 de agosto de 2019, 09:10

ECONOMIA Petrobras abre fase vinculante para venda de participação na Compañia Mega

A Petrobras deu início à fase vinculante para a venda de sua participação de 34% na Compañia Mega, da Argentina, por meio de sua subsidiária Petrobras International Braspetro B.V. (PIB BV). Em julho passado ocorreu a fase não vinculante e o teaser foi apresentado em maio. Além da PIB BV, são acionistas da empresa a Repsol YPF, com 38%, e a Dow Chemical, com 28%. A Mega processa gás natural e fraciona seus líquidos (etano, propano, butano e gasolina natural).

Estadão Conteúdo

30 de agosto de 2019, 08:19

ECONOMIA Crise na Argentina favorece o turista brasileiro, mas só por enquanto

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A forte desvalorização do peso argentino e a declaração de moratória do país, feita na quarta (28), faz da Argentina um destino favorável para o turista brasileiro, mas só por enquanto. O peso argentino está desvalorizado, o que significa que o dinheiro dos turistas brasileiros está valendo mais. A Argentina, no entanto, tem uma inflação alta —o acumulado dos últimos 12 meses é de 55%— e que continua crescendo. Isso neutraliza parte do ganho de poder de compra proporcionado pela moeda mais barata, explica Vinícius Müller, doutor em história econômica e professor do Insper. Ainda assim, por causa do peso desvalorizado, hoje a Argentina está mais em conta para o turista brasileiro do que há alguns meses.

Um levantamento da operadora de turismo CVC apontou que o valor em dólar de alguns produtos no país vizinho caiu quase pela metade de 2018 para cá. Empanadas, água, refrigerantes, cerveja e refeições estão custando hoje pouco mais da metade do que custavam em 2018, mesmo quando o valor é convertido em reais. Ainda segundo dados da CVC, uma empanada, que em 2018 saía por R$ 6,89, hoje é encontrada por R$ 3,93. Uma refeição simples, para uma pessoa, passou de R$ 68,94 para R$ 35,71. Esse efeito, no entanto, não deve durar muito tempo. Como a Argentina é um importante parceiro comercial do Brasil, a crise do lado de lá pode afetar a moeda de cá, que também pode perder valor.

“Se a Argentina tem capacidade menor de importar do Brasil, o mercado entende que isso vai prejudicar o nosso país e que a moeda brasileira será desvalorizada”, afirma Müller. Mas, como o Brasil é uma economia maior e mais estável do que a Argentina, essa desvalorização tende a ser mais branda e lenta. Segundo o professor do Insper, quem for viajar para a Argentina dentro de um mês ainda terá poder de compra alto. Depois disso, a moeda brasileira também pode se desvalorizar, anulando esse ganho. Nesse cenário futuro, uma opção é comprar dólares agora no Brasil e guardá-los para trocar na Argentina, já que o peso deve continuar perdendo valor frente a moeda americana. “Quem fizer essa conversão em dólar tende a ganhar, porque dificilmente a Argentina terá um processo de recuperação rápido”, diz Müller.

A tendência é que o processo inflacionário no país continue, ainda mais se o candidato a presidente Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, confirmar na eleição de 27 de outubro a vitória prevista pelas eleições primárias, realizadas no último dia 11. “Dependendo de como forem os discursos da Kirchner e de Fernández, se eles ganharem, o mercado vai reagir de maneira negativa e agressiva”, afirma o professor. Quem vai à Argentina deve ainda prestar atenção na forma de pagamento. Segundo reportagem publicada pela Folha nesta quinta (29), os turistas podem conseguir descontos de até 20% em restaurantes se optarem por pagar em dinheiro, em vez de usar o cartão de crédito.

Isso porque muitos donos desses estabelecimentos não aceitam mais os cartões por medo de perder valor entre a data da compra e o dia em que recebem o valor da operadora. Mas usar o cartão de crédito brasileiro na Argentina pode trazer vantagens ao turista, já que o total da compra em peso poderá ficar menor na data de fechamento da fatura, caso a moeda do país siga se desvalorizando.

Folha de S.Paulo

29 de agosto de 2019, 21:01

ECONOMIA Tesouro: mesmo com reforma, déficit primário é realidade até final deste governo

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, voltou a dizer nesta quinta-feira, 29, que o rombo da Previdência Social continua sendo a causa das sucessões de déficits primários do Governo Central, apesar dos seguidos superávits do Tesouro. “Mesmo com a reforma da Previdência, o déficit primário é uma realidade até o final deste governo. Se tivermos algum superávit primário, é se houver algum ganho de arrecadação”, afirmou. “O cenário conservador é terminar governo com déficit primário. Mas se conseguirmos rever parte das desonerações e a economia voltar a crescer, com reforço da arrecadação, poderemos terminar o governo (em 2022) com superávit primário”, completou. Segundo o secretário, o problema não é o teto de gastos, mas o crescimento contínuo das despesas obrigatórias do governo. Pelas contas do Tesouro, no fim de 2019, despesas obrigatórias terão crescido R$ 200 bilhões em relação ao nível de 2016, enquanto as despesas discricionárias terão caído R$ 40 bilhões na mesma comparação. “Ficará muito difícil cumprir o teto de gastos”, acrescentou. Mansueto ressaltou que as principais políticas sociais não têm sido afetadas pelos cortes despesas discricionárias, já que a maior parte desses desembolsos está enquadrada nos gastos obrigatórios. O secretário do Tesouro disse que seria necessário uma liberação de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões no Orçamento para que todos os órgãos consigam terminar o ano bem. O bloqueio de despesas no orçamento deste ano está em torno de R$ 34 bilhões. “O cálculo de quanto se precisa para terminar o ano bem depende de quem pergunta, mas os nossos cálculos apontam para uma necessidade entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões para o pagamento de todas as despesas até o fim do ano”, afirmou Mansueto. Questionado sobre a promessa de campanha do ministro da Economia Paulo Guedes, em zerar o déficit fiscal já no primeiro ano de governo, Mansueto afirmou que o ministro contava com as receitas do leilão da cessão onerosa de petróleo neste ano. “Mas era muito difícil. Se os recursos do leilão entrarem neste ano, o resultado de 2019 ficará muito abaixo da meta de déficit de R$ 139 bilhões. Mas os resultados de 2019 e 2020 serão muito melhores que a meta”, completou. O secretário do Tesouro repetiu a avaliação de que é arriscado liberar despesas do Orçamento neste ano com base nos recursos do leilão da cessão onerosa de petróleo, que só devem entrar no caixa do governo no dia 27 de dezembro. “Se atrasar dois dias, os recursos só entram em caixa em 2020. Ninguém está contando com esses recursos para autorizar gastos. Mas, entrando no fim de dezembro, esses recursos serão usados para realizar um resultado primário melhor”, respondeu. O secretário do Tesouro disse ainda que o governo federal está mais adiantado que os Estados no controle do gasto com pessoal. Ainda assim, ele voltou a defender uma reforma administrativa no âmbito federal. “Se a gente quiser rever o investimento, não existe espaço fiscal para aumento salário dos servidores ou a realização de concursos públicos pelos próximos dois ou três anos. Agora, só é possível segurar aumento salarial por um período, não dá para segurar por cinco, seis, sete anos”, afirmou Mansueto Almeida. “Esse é o tempo para se fazer uma reforma administrativa”, completou.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2019, 19:00

ECONOMIA Bolsa recupera 100 mil pontos e dólar fecha a R$ 4,17, maior cotação em quase um ano

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Ibovespa

O dólar chegou a encostar em R$ 4,18 nesta quinta-feira, 29, em sessão que prometia ser marcada por estresse, após a Argentina pedir mais prazo aos credores para pagar suas dívidas. Mas a alta perdeu um pouco de força na parte da tarde e voltou a acelerar os ganhos apenas perto do fechamento. A moeda terminou com valorização de 0,31%, a R$ 4,1709, maior cotação em 350 dias (em setembro do ano passado, o dólar atingiu a maior cotação desde o Plano Real). Em agosto, o dólar acumula ganho de 9,2%. No mercado de ações, o avanço de 0,4% do PIB no segundo trimestre (de 0,2% e acima da mediana das estimativas), em dia de alívio no exterior, abriu espaço para uma alta firme da bolsa, que retomou o nível de 100 mil pontos. Sustentado por papéis ligados a commodities, varejo e bancos, o Ibovespa avançou 2,37%, aos 100.524,43 pontos. Lá fora, os principais índices norte-americanos tiveram alta entre 1,25% e 1,50%, diante da melhora de percepção nas negociações entre China e Estados Unidos e com a sinalização de mais estímulos pelo Banco Central Europeu (BCE). Terminou nesta quinta a primeira rodada de vendas de reservas internacionais pelo Banco Central em conjunto com operação de swap reverso (uma espécie de compra de dólar no mercado futuro). Hoje foram vendidos US$ 545 milhões no mercado à vista. Para agentes do mercado, essa estratégia junto com outras operações de oferta de moeda dos últimos dias, como o leilão de linha surpresa de anteontem, foram eficientes em evitar depreciação mais forte do real. Para o gestor da TAG Investimentos, Dan Kawa, o BC quis dar esta semana um sinal de que o dólar no nível de R$ 4,20 incomoda e ainda mostrar que tem “munição” para suavizar oscilações mais fortes. Ao não anunciar o tamanho da intervenção anteontem, como não fazia há dez anos, Kawa ressalta que o BC evitou dar previsibilidade ao mercado, o que é “prudente” neste momento. “O BC está sendo bem-sucedido. O real deixou de ser nos últimos dias o destaque negativo de desempenho nos emergentes”, destaca um outro gestor de recursos. Para este executivo, o dólar só cairia de forma mais consistente do patamar atual se a moeda americana se desvalorizar lá fora, o que parece difícil de acontecer, considerando que indicadores de atividade de países desenvolvidos estão vindo mais fracos que o previsto e os emergentes, como classe de ativos, não estão em um bom momento, o que segue estimulando a busca por segurança. Nesta sexta-feira, deve ganhar força a disputa pela definição da taxa Ptax de agosto, que serve como base de referencial para contratos cambiais. Hoje os comprados (que apostam na alta do dólar) pressionaram as cotações, o que segundo operadores contribuiu para o movimento de alta perto do fechamento do mercado à vista. Mesmo com a piora do risco na Argentina, com o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos encostando em 4 mil pontos, aqui o CDS operou relativamente estável, em 140 pontos. A avaliação de operadores é que investidores estão sabendo diferenciar as duas economias. No câmbio, o efeito de Buenos Aires chegou a pressionar as cotações aqui mais cedo, com investidores realocando carteiras e buscando caixa, mas o movimento se dissipou.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2019, 17:02

ECONOMIA ‘Fundo do poço pode ter ficado para trás’, diz Mendonça de Barros

Foto: Evelson de Freitas/Estadão

O economista e ex-presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros

A economia brasileira parece ter batido no fundo do poço e agora está voltando – só que em marcha lenta, avalia o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira, 29, apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior. Para o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-ministro das Comunicações, o País ainda sofre de um colapso de demanda, que adia investimentos e desacelera o ritmo de recuperação. A seguir, trechos de sua entrevista ao Estado:

O resultado do PIB do segundo trimestre veio acima do esperado pelos analistas. Que sinais a economia está dando?

Quando o resultado vem melhor do que aquilo que o mercado esperava, a primeira avaliação é de que a economia bateu no fundo do poço e agora está voltando, em marcha lenta. Antes da divulgação do PIB do segundo trimestre, alguns analistas já previam um crescimento de 0,8% ou de 0,6% para o ano – e essa perspectiva deve melhorar agora. Eu sou um pouco mais otimista, acredito que o País deve crescer 1% este ano.

Ainda assim, não seria um crescimento baixo, se considerada a queda dos anos recentes?

Evidentemente, estamos falando de um crescimento baixo. Embora o IBGE tenha informado esta semana que a população brasileira está crescendo 0,8% ao ano. Se a expectativa de crescer 1% se confirmar, isso quer dizer que a economia vai crescer mais do que a população – o que é um resultado importante.

O Brasil escapou de mais um trimestre recessivo.

Alguns itens tiveram um desempenho bem acima do esperado. Na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, a taxa de investimentos na economia), a alta foi de 3,2%. No comércio e no consumo, vieram números mais sólidos. Esses dados são importantes, porque interrompem um movimento contínuo para baixo que nos acostumamos a ver nos últimos trimestres. O País escapou de uma recessão técnica (quando o resultado é negativo por dois trimestres consecutivos) e estava melhor no segundo trimestre do que os analisas esperavam, mas isso não muda o quadro geral de crescimento baixo.

Que outros resultados merecem destaque?

A construção civil trouxe dados importantes e que são representativos da formação bruta de capital. Já havia sinais setoriais, mas ninguém esperava que isso se refletisse no agregado do PIB. E esse é um setor fundamental na criação de postos de trabalho de baixa qualificação. Como a construção é um setor que perdeu muito na crise, agora parece ter um movimento de alguns investidores mais ousados que tentam tomar a dianteira dos investimentos antes da recuperação plena do setor.

O resultado positivo pode animar os investidores?

Tem o aspecto psicológico importante, de não ter tido uma queda. Os analistas já viram que o pior parece ter passado. Mas ninguém vai sair correndo para fazer investimentos, porque a demanda está muito baixa e a capacidade ociosa na indústria é muito alta ainda. O investidor sente que o quadro está melhor do que imaginava, mas ainda não tem motivos para sair por aí investindo.

O agravamento da crise argentina pode causar um impacto ainda maior na indústria brasileira e nas exportações?

Acredito que a indústria já sentiu o que tinha de sentir. Mas é preciso perceber que o Brasil está umbilicalmente ligado à China, é preciso ficar atento aos desdobramentos da guerra comercial entre chineses e americanos. E há também pesquisas recentes que mostram uma perda de popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Argentina sempre nos impacta, mas são os movimentos desses dois países que precisam ficar no radar do governo.

Por que a recuperação está demorando tanto?

Teve um colapso da economia, pelo exagero do crescimento. Isso é um quadro que os economistas têm dificuldade de lidar, porque acontece poucas vezes na história. Mesmo uma economia como a dos Estados Unidos, com a crise de 2008, levou tempo para se recuperar. A crise do Brasil tem a vantagem de não ter se tornado uma crise bancária, mas temos uma situação de colapso da demanda.

O governo tem conseguido lidar bem com os desafios da economia?

Caímos em uma armadilha e a recuperação é muito difícil. Alguns economistas insistem na tese errada de que a recuperação é lenta por estarmos atrasados na agenda de reformas. Não é isso. A demanda está muito fraca e o setor que responde mais rápido é o investimento privado, que demora a vir. Uma solução para isso seria fomentar o processo de privatizações, mas vai demorar um ou dois anos para se transformar esses planos em uma ponte para atrair investimentos privados. Infelizmente, essa análise é difícil de entrar na cabeça da turma do (ministro da Economia) Paulo Guedes.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2019, 16:50

ECONOMIA Governo avalia congelar Minha Casa, Minha Vida e redirecionar repasse do Sistema S

Foto: Alex Silva/Estadão

Obras paradas do programa Minha Casa, Minha Vida

Diante de um cenário dramático de necessidade de corte de despesas em 2020, o governo avalia suspender novas contratações do programa Minha Casa Minha Vida e redirecionar recursos do Sistema S para bancar alguns gastos do Orçamento. O assunto foi discutido em reunião da Junta de Execução Orçamentária (JEO), que avaliou um conjunto de medidas para reduzir despesas obrigatórias (como salários, aposentadorias e pensões) e abrir espaço no teto de gastos (dispositivo previsto na Constituição que impede o crescimento das despesas acima da inflação) na proposta de Orçamento de 2020. Com essa diminuição das despesas obrigatórias, o governo poderia aumentar os chamados gastos discricionários (aqueles que são tradicionalmente contingenciados e que incluem custeio da máquina e investimentos). A suspensão das novas contratações do Minha Casa, Minha Vida por um período pode garantir uma economia de despesas de R$ 2 bilhões. No caso do sistema S, além do corte dos recursos anunciado no início do governo Bolsonaro, o que está em discussão é repassar uma parcela da arrecadação para bancar alguns grupos de despesas, principalmente aquelas voltadas para qualificação. As duas propostas, porém, enfrentam fortes resistências e não há definição. Uma das preocupações no caso do sistema S é com o risco de transformação de uma espécie de “orçamento paralelo”. Como o Orçamento de 2020 tem de ser enviado nesta sexta-feira, 30, ao Congresso, o mais provável é que o projeto não conte ainda com o impacto das medidas que estão sendo estudadas – boa parte delas depende de medidas legais que precisam de ser aprovadas pelo Congresso. A ideia é que as ações sejam apresentadas ao longo das negociações com o Congresso. Como mostrou o Estadão/Broadcast, na reta final da elaboração da proposta orçamentária para 2020, o governo prepara medidas para reduzir as despesas obrigatórias em mais de R$ 10 bilhões. Mas o valor ainda é insuficiente, e a equipe econômica busca saídas para conseguir cerca de R$ 15 bilhões adicionais para as chamadas despesas discricionárias. A maior parte das medidas deve ser feita via medida provisória, que tem vigência imediata, segundo apurou a reportagem. Uma reunião foi realizada no início da noite desta quarta-feira, 28, no Palácio do Planalto para tentar definir as ações adicionais e fechar as contas do ano que vem. Entre as medidas, como mostrou o Estadão/Broadcast, o governo quer propor o congelamento das progressões de servidores públicos civis nas carreiras do Executivo para economizar cerca de R$ 2 bilhões. Outra medida é o fim do adicional de 10% da multa rescisória sobre o FGTS pago pelas empresas. Hoje, as empresas pagam 50% de multa nas demissões, 40% ficam com o trabalhador e os outros 10% vão para os cofres da União, que repassa os recursos para a administração do fundo. Por ano, esses 10% correspondem a R$ 5,4 bilhões pagos pelas empresas, dinheiro que passa pelo Orçamento e consome espaço do teto de gastos. A situação é tão dramática que não há mais cortes que possam ser feitos “só com a caneta” do presidente Jair Bolsonaro para adequar o Orçamento de 2020 ao teto de gastos e desafogar os ministérios, segundo uma fonte da área econômica. Qualquer iniciativa que resulte em alívio nas despesas obrigatórias precisará ser feita por meio de lei. O quadro é de dificuldades mesmo depois de os técnicos terem decidido incluir nas contas o cenário de aprovação da reforma da Previdência – o que resulta em economia de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões nos gastos previdenciários. É a primeira vez que o governo decide incluir os efeitos da reforma no Orçamento. Sem isso, a situação estaria ainda mais apertada. O governo reservou cerca de R$ 89 bilhões até agora para as despesas discricionárias. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2019, 13:34

ECONOMIA Crescimento do PIB traz “um certo alívio”, diz Mansueto

Foto: Ministério da Fazenda

Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, diz que pode haver descontingenciamento nos próximos meses

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), de 0,4% no segundo trimestre deste ano traz “um certo alívio”, disse hoje (29) o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. “Não dá pra soltar fogos com o resultado de um trimestre. Mas é maior do que todo o mercado estava esperando, é um certo alívio”, disse. Ele acrescentou que o Brasil está em um processo de recuperação muito lento da recessão, após dois anos seguidos de queda do PIB. Ele avalia que a sociedade está aprovando as medidas de ajuste fiscal. “Se sinaliza que está fazendo ajuste fiscal, se o país é solvente, melhora o ambiente de negócios, a qualidade da sua educação, o sistema tributário fica menos complexo, a consequência natural é ter um país que vai crescer mais”, disse, acrescentando que “fazer essa agenda não é fácil”. Mansueto adiantou que pode haver descontingenciamento de recursos para alguns ministérios nos próximos meses, com a melhora da arrecadação e receitas extras, como antecipação de dividendos pelos bancos públicos. Há também a previsão de entrada de recursos da Lava Jato, de cerca de R$ 2,5 bilhões, mas ainda em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda de acordo com Mansueto, há também a possibilidade de serem liberados R$ 10 bilhões que seriam usados na capitalização de bancos públicos. Mas para que esses recursos sejam liberados, será preciso aprovação de projetos de lei, com mudança na destinação dos gastos, disse.

Agência Brasil

29 de agosto de 2019, 10:48

ECONOMIA Governo Central tem déficit primário de R$ 5,995 bilhões em julho, diz Tesouro

O caixa do Governo Central registrou um déficit primário de R$ 5,995 bilhões em julho, o melhor desempenho para o mês desde 2014 na série histórica, que tem início em 1997. O resultado, que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, sucede o déficit de R$ 11,481 bilhões de junho. Em julho de 2018, o resultado havia sido negativo em R$ 7,448 bilhões. O déficit de julho de 2019, no entanto, ficou acima das expectativas do mercado financeiro, cuja mediana apontava um resultado negativo de R$ 5,400 bilhões, de acordo com levantamento do Projeções Broadcast junto 27 instituições financeiras.

De janeiro a julho, o resultado primário foi de déficit de R$ 35,249 bilhões, o melhor resultado desde 2015. Em igual período do ano passado, esse mesmo resultado era negativo em R$ 39,081 bilhões. Em 12 meses, o governo central apresenta um déficit de R$ 118,5 bilhões – equivalente a 1,66% do PIB. Para este ano, a meta fiscal admite um déficit de até R$ 139 bilhões nas contas do Governo Central.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2019, 09:16

ECONOMIA PIB do Brasil cresce 0,4% no 2º trimestre, diz IBGE

Foto: Werther Santana/Estadão

O PIB (Produto Interno Bruto) avançou 0,4% no segundo trimestre de 2019 em relação aos três meses imediatamente anteriores. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo IBGE. Os dados do IBGE também mostram que a economia avançou 1% no período abril/março/junho em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O acumulado dos últimos quatro trimestres mostra crescimento 1%. O PIB é uma medida da produção de bens e serviços em um país em um determinado período e sua retração é utilizada como sinônimo de encolhimento da economia. Analistas de mercado ouvidos pela agência Bloomberg projetavam um avanço de 0,2% no trimestre na relação com os três meses anteriores, e crescimento de 0,8% na relação com o mesmo período de 2018.

O país teve sua última recessão em 2015 e 2016, quando foram registrados oito trimestres consecutivos de queda do PIB, uma retração acumulada de quase 8%. O PIB cresceu 1,1% tanto em 2017 como em 2018, período em que foram registrados sete trimestres de crescimento modesto e um de estabilidade. Para 2019, as projeções do mercado até a semana passada eram de avanço em torno de 0,8%, resultado mais fraco que o dos anos anteriores. Para 2020, a estimativa era uma alta de 2,1%, resultado condicionado à recuperação dos investimentos privados no país. O resultado ainda estará aquém da média de 3% registrada de 1996 a 2014.

Folhapress

28 de agosto de 2019, 21:50

ECONOMIA Maior produtora mundial de salmão ameaça parar de comprar soja brasileira

Foto: Epitácio Pessoa/Estadão

A maior produtora mundial de salmão, Mowi ASA, poderá parar de comprar soja brasileira

A maior produtora mundial de salmão, Mowi ASA (MOWI.OL), poderá parar de comprar soja brasileira para ser usada na sua produção se o País não coibir o desmatamento. O anúncio foi feito pela empresa norueguesa nesta quarta-feira, 28. As queimadas na floresta tropical brasileira aumentaram neste ano, enquanto as proteções ambientais foram cortadas, provocando uma reação internacional contra o presidente Jair Bolsonaro e a sua administração. “O tratamento dado à Amazônia é inaceitável. A Mowi terá que considerar a possibilidade de procurar outras fontes de matéria-prima a menos que a situação melhore”, disse Catarina Martins, diretora de sustentabilidade da empresa. A companhia, que espera vender cerca de 430 mil toneladas de salmão neste ano, é também uma grande produtora de alimento para peixes. “As fontes da Mowi (de soja) vêm de fornecedores certificados, e podemos garantir que nossos fornecedores não estão ligados a desmatamento ou violações de direitos humanos”, acrescentou Catarina. “No entanto, é importante que nós e todos que compram bens do Brasil digam claramente que a floresta tropical deve ser preservada e a situação atual é inaceitável”, apontou. Nesta quarta-feira, chegou a ser divulgado que marcas internacionais como Timberland, Kipling e Vans teriam intenção de suspender as compras de couro do Brasil. Mais tarde, o presidente do Centro das das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, negou que a suspensão vá ocorrer, diferentemente de carta assinada pelo próprio dirigente. A suspensão teria sido aventada por causa da repercussão internacional das queimadas na Amazônia e da possível associação dos incêndios com a atividade pecuária na região. A Noruega também está no centro da polêmica brasileira depois da suspensão da doação de recursos para o Fundo Amazônia, em razão das mudanças propostas pelo ministro Ricardo Salles. O ministro disse que o país explora petróleo no Ártico e caça baleia, atribuindo às atividades passivo ambiental que a descredenciaria como crítica à situação brasileira.

Estadão Conteúdo

28 de agosto de 2019, 18:00

ECONOMIA Entidade volta atrás e nega suspensão de compras de couro brasileiro

Foto: Divulgação

O presidente-executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello

O presidente-executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, negou que importadores de couro brasileiro vão suspender compras do produto, diferentemente de carta assinada pelo próprio dirigente que circulou na manhã desta quarta-feira, 28. A suspensão teria sido aventada por causa da repercussão internacional das queimadas na Amazônia e da possível associação dos incêndios com a atividade pecuária na região. Na carta direcionada ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na noite desta terça-feira, 27, o CICB menciona “suspensão de compras de couros a partir do Brasil de alguns dos principais importadores mundiais”. Bello, contudo, disse ao Broadcast Agro que se trata de um “erro de pré-avaliação” da entidade. “A carta foi divulgada (pelo próprio CICB) antes da checagem com a empresa importadora”, disse Bello. “Esse importador estaria supostamente suspendendo as compras. Foi um equívoco nosso. Vamos corrigir a informação junto ao governo federal”. O presidente do CICB disse também que não há intenção de os importadores boicotarem ou restringirem compras do produto brasileiro. Segundo ele, em contato com o CICB, o importador explicou que vai continuar com os pedidos em andamento, mas que gostaria de “esclarecimento adicionais” sobre a origem e rastreabilidade do produto. “Recebemos este relato de uma indústria brasileira e, quando esclarecemos o fato com o cliente internacional, obtivemos a informação de que não haverá cancelamentos”, acrescentou o presidente do CICB. Mais cedo, em entrevista ao Broadcast Agro, ele já havia garantido que a exportação de couro não foi interrompida e que os importadores gostariam apenas de mais informações. De acordo com a entidade, entre as marcas internacionais que já solicitaram esclarecimentos adicionais estão Timberland, Dickies, Kipling, Vans, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small. Segundo Bello, todo o couro originado no Brasil passa por processo de rastreabilidade e controle, auditado por órgão internacional. “Diante desses questionamentos, concedemos ainda garantias adicionais aos compradores quanto ao controle e rastreabilidade do couro brasileiro”, relatou.

Estadão Conteúdo

28 de agosto de 2019, 12:03

ECONOMIA Petrobras eleva em 3,5% preço da gasolina nas refinarias

A Petrobras elevou o preço médio da gasolina em 3,5% nas suas refinarias com vigência nesta quarta-feira, 28. Conforme tabela divulgada no site da empresa, o preço médio da gasolina passou de R$ 1,623/litro para R$ 1,679/litro. O último ajuste na gasolina havia sido feito no dia 16 deste mês. Enquanto isso, o preço do diesel permanece estável desde o dia primeiro deste mês.

Estadão Conteúdo

28 de agosto de 2019, 10:23

ECONOMIA Setor de serviços tinha 1,3 milhão de empresas em 2017, diz IBGE

A Pesquisa Anual dos Serviços (PAS 2017), divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que em 2017 havia no país 1,3 milhão de empresas prestadoras de serviços não financeiros, cuja receita operacional líquida atingiu R$ 1,5 trilhão e o valor adicionado bruto foi de R$ 906,5 bilhões. Essas companhias empregavam 12,3 milhões de pessoas, às quais pagaram R$ 336,7 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

A gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Synthia Santana, salientou entretanto que embora a economia brasileira tenha se recuperado um pouco da recessão registrada em 2015 e 2016, a atividade de serviços não se recuperou. Analisando dados reais da pesquisa, entre 2016 e 2017 há uma queda real da receita operacional líquida de 0,2% no setor de serviços. “O setor de serviços vem encolhendo”, comentou Synthia. O número de empresas também caiu 1,7% em comparação a 2016.

Entre 2014, no período pré-crise, e 2017, a queda observada na atividade de serviços alcançou 6,9%. De 2015 a 2016, período considerado da grande recessão, alguns setores conseguiram se recuperar, mas o setor de serviços ainda refletiu o cenário de estagnação. O setor de serviços participa na prestação de serviços às famílias e às empresas. “Houve certa recomposição do consumo das famílias que ainda deu algum fôlego para a atividade, mas as empresas ainda estão revendo e replanejando suas atividades, renegociando prazos, planos de investimento e contratos. Tudo isso afeta os setores que são auxiliares à atividade principal da empresa, que seriam as atividades de suporte e prestação de serviços. Essas atividades esperam ainda boas notícias para que possam efetivar suas decisões de investimento e promover o desenvolvimento de suas atividades”, disse Synthia à Agência Brasil.

Agência Brasil