22 de março de 2019, 06:50

BRASIL Após o Planalto, planos de Temer incluíam livro e filme

Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Michel Temer

O ex-presidente Michel Temer percebeu nesta quinta-feira, 21, que seu dia seria atípico quando viu pela janela de sua casa, no Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, que um pequeno grupo de jornalistas estava na calçada. Fazia tempo que isso não acontecia. Falando por celular, ele comentou o fato com o marqueteiro Elsinho Mouco e o jornalista Márcio Freitas, ambos amigos que foram auxiliares nos tempos de Palácio do Planalto. Rumores sobre uma possível ação da Polícia Federal já circulavam em grupos de WhatsApp desde o dia anterior, mas ninguém no entorno do emedebista imaginava que ele pudesse ser detido na rua por policiais fortemente armados a cerca de 700 metros de casa. “A gente tinha uma reunião às 11 horas. A imprensa chegou na casa dele antes da Polícia Federal”, disse Mouco ao Estado. Ao questionar a motivação da prisão preventiva, o publicitário relatou que Temer tinha uma rotina absolutamente previsível desde que deixou o poder. Recebia visitas de autoridades, políticos, jornalistas e amigos em seu escritório, na Rua Pedroso Alvarenga, no Itaim. Era lá também que fazia longas reuniões com seus advogados para destrinchar os processos nos quais está envolvido. O ex-presidente dizia para seus interlocutores com orgulho que continuava frequentando seus restaurantes preferidos sem ser hostilizado. Geralmente almoçava no La Tambouille da Avenida Nove de Julho, no Gero, na Rua Haddock Lobo, ou no Parigi, na Rua Amauri. Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Temer foi visto na terça-feira passada almoçando no Parigi com o empresário Toninho Abdalla. Na ocasião, cumprimentou e foi cumprimentado por vários clientes da casa. Nesta quinta, antes de ser preso, tinha agendado almoço com um velho amigo constitucionalista. “Ele estava absolutamente tranquilo, com um humor ótimo e levando a vida normalmente. Essa prisão me assustou”, disse o jurista Adilson Dallari, um dos mais próximos amigos do ex-presidente. Advogado constitucionalista, Temer não acreditava que seria preso. “Não há nenhuma justificativa para a prisão do Michel”, afirmou Dallari. Em entrevista ao Estado em dezembro do ano passado, o ex-presidente foi questionado sobre a possibilidade de uma prisão preventiva após deixar o poder e perder o foro privilegiado. “Não tenho a menor preocupação. Zero. Começou uma onda de que eu teria assinado o decreto (dos Portos) para favorecer uma empresa chamada Rodrimar. Mandaram uma certidão e essa empresa não é beneficiada. A rigor, o que deveria ter sido feito com esse inquérito?”, questionou na ocasião. Segundo amigos, Temer tinha planos de escrever um romance, um livro sobre sua passagem pela Presidência da República e estava gravando com Elsinho Mouco um documentário chamado O Brasil de Temer. Ele ainda comentava com os mais próximos ter disposição para voltar a escrever livros sobre Direito Constitucional, sua especialidade. Nos fins de semana viajava com a família para Tietê ou Itu, onde passou o carnaval em um condomínio. Temer tinha decidido sair de vez da política e recusou até um convite para reunião do MDB em Brasília. “Ele não falava em fazer política. Pelo contrário, dizia que já tinha cumprido sua missão, disse Dallari.

Estadão

22 de março de 2019, 06:47

BRASIL Com Temer no governo negócios do amigo e suposto operador cresceram, mostra Lava Jato

Foto: Dida Sampaio / Estadão

Michel Temer

A Operação Lava Jato indica que os negócios da Argeplan, empresa de João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, amigo e suposto operador financeiro de Michel Temer, seria usada para receber propinas e que os negócios da firma cresceram conforme o ex-presidente ocupava cargos públicos. Michel Temer e Coronel Lima foram presos preventivamente nesta quinta-feira, 21, pela Lava Jato do Rio. O ex-presidente é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato. Temer seria o líder de uma organização criminosa que teria acertado R$ 1,8 bilhão em propinas ao longo de pelo menos 20 anos. A operação de ontem, batizada de Operação Descontaminação, mira propina de R$ 1,1 milhão desviado das obras da Usina Termonuclear Angra 3 – e decorrem das apurações iniciadas em 2015 pela Lava Jato em Curitiba. A Argeplan está em nome do Coronel Lima e Carlos Alberto Costa, outro suposto operador financeiro do ex-presidente, também preso ontem. O primeiro é ex-policial miliar e ex-assessor de Temer. No pedido de prisão, o Ministério Público Federal montou um quadro que mostra que a Argeplan nos anos de 1992 e 1993, por exemplo, mais que quadruplicou o número de contratos com a Polícia Militar no Estado de São Paulo. Destaca-se que nesse período, “Michel Temer era Secretário de Segurança Pública do Estado e Coronel Lima era seu assessor na Pasta”. Temer foi secretário da Segurança de São Paulo nesse período e entre 1983 e 1984. Antes, foi procurador-geral do Estado de São Paulo (1983 a 1984). “Documentos apreendidos na sede da Argeplan e analisados no Rama nº 68/2018 reforçam a conclusão de que essa empresa era uma estrutura societária formada por operadores financeiros (Coronel Lima e Carlos Alberto) de Michel Temer e administrada para realizar a captação de propinas e verbas públicas em contratos superfaturados firmados com o Poder Público ou com empresas intermediárias e realizar lavagem de dinheiro”, informa o pedido de prisão de Temer, Coronel Lima e outros oitos investigados, feito pelo Ministério Público Federal do Rio. A Lava Jato afirma que para entender a “complexa rede de atos que permitiu a permanência e estabilidade do grupo criminoso desde a década de 80, é necessário” contextualizar a constituição da Argeplan e a entrada do Coronel Lima em seu quadro societário, com a paralela análise do crescimento exponencial de contratos firmados por esta empresa e a Administração Pública nos períodos em que Michel Temer ocupou cargos públicos”. Aberta em 1974, a Argeplan só passou a ter relação registrada com Coronel Lima e Carlos Alberto Costa, outro homem de confiança de Temer, em 1995. A Lava Jato, no entanto, diz que desde a década de 1980 há elementos que apontam o elo da empresa com o ex-assessor de Temer. Oficialmente, o amigo do ex-presidente só aparecerá como sócio da empresa em 2011.

Estadão

22 de março de 2019, 06:45

BRASIL Com Moreira Franco detido, 5 ex-governadores do Rio já foram presos

Foto: Dida Sampaio / Estadão

Moreira Franco

Com a prisão de Wellington Moreira Franco (MDB), todos os ex-governadores vivos do Rio eleitos desde a redemocratização estão presos ou passaram pela cadeia. Dos ex-chefes do Executivo estadual eleitos após 1985, só ficam fora da lista Leonel Brizola (PDT), morto em 2004, e Marcello Alencar (PSDB), que morreu em 2014. Há também uma coincidência partidária: todos os detidos ou ex-detidos são ou foram do MDB/PMDB, que exerceu o poder no Rio de 1987 a 1991 e de 2003 a 2018. Integram o partido os três presos – além de Moreira, Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão – e foram filiados Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. Estes chegaram a ser encarcerados, mas foram soltos. Todas as prisões ocorreram nos últimos três anos. Outros dois ex-governadores, ainda vivos – Nilo Batista (PDT) e Benedita da Silva (PT) -, não passaram pelo cárcere, mas não foram eleitos para o cargo. Eram vice-governadores, que assumiram o Palácio Guanabara após a renúncia dos titulares. Exerceram o poder por poucos meses, encerrando mandatos de outros políticos. Os ex-governadores que estão presos ou passaram pela prisão chefiaram o governo estadual por cerca de 19 anos. Em 11, atuou o esquema de corrupção chefiado por Cabral, governador de 2007 a 2014, que teria continuado sob o governo Pezão. Moreira governou o Rio de 1987 a 1991. Derrotou Darcy Ribeiro (PDT), candidato da situação, em 1986. Para vencer, Moreira reuniu em torno do PMDB uma ampla coligação e aproveitou a onda de apoio gerada pelo Plano Cruzado ao governo José Sarney, também peemedebista. Na campanha, em meio ao crescimento da criminalidade durante o primeiro governo Brizola (eleito em 1982), prometeu acabar com a violência em seis meses, o que não conseguiu. A má avaliação de seu governo abriu caminho para a volta de Brizola, que voltou ao governo por ampla votação em 1990. O próprio Brizola, porém, não conseguiu reeleger o seu sucessor. Foi sucedido em 1995 por Marcello Alencar, ex-pedetista que foi para o PSDB. Entre os dois, o vice-governador, Nilo Batista, assumiu o governo durante alguns meses em 1994, quando Brizola deixou o cargo para tentar a Presidência, pela segunda vez. Marcello também fez um governo mal-avaliado e foi sucedido em 1999 por um adversário, Anthony Garotinho, então no PDT. Garotinho governou até 2002, quando renunciou em favor de Benedita, para tentar a Presidência pelo PSB. Não foi eleito, mas conseguiu que sua mulher, Rosinha Garotinho, fosse eleita governadora. No PMDB, o casal apoiou a primeira eleição de Cabral para o governo, em 2006. Oito anos depois, impopular, Cabral sustentou discretamente a eleição de Pezão, seu vice que assumira o governo estadual. Poucos anos depois, no fim de 2016, Cabral foi preso na Operação Calicute. Ele enfrenta 28 processos, foi denunciado mais uma vez nesta semana e já foi condenado a quase 200 anos de cadeia. Pezão foi preso, acusado de participação no esquema do antecessor. Foi o único preso no exercício do cargo, no fim de 2018. O casal Garotinho também conheceu a prisão. Os dois foram acusados de crimes eleitorais. Os dois conseguiram, porém, responder aos processos em liberdade. Ambos alegam inocência, assim como Pezão. Cabral afirmava ter recorrido a caixa 2, mas recentemente admitiu que cometeu crimes de corrupção passiva, entre outros.

Estadão

22 de março de 2019, 06:36

BRASIL Manchetes do Dia

– A Tarde: Temer é preso acusado de desvio de R$ 1,8 bilhão

– Correio*: Temer preso na Lava Jata

– Tribuna da Bahia: Preso Temer

– Estadão: Temer é preso sob acusação de liderar organização criminosa

– Folha de S. Paulo: Para prender Temer, juiz usa verbo ‘parecer’ 19 vezes e cita destruição de provas de 2017

– O Globo: Temer é preso pela Lava-jato 80 dias após deixar Presidência

21 de março de 2019, 22:00

BRASIL Janot: ‘MP não comemora prisão de ninguém’

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Rodrigo Janot, responsável por grandes dores de cabeça ao ex-presidente Michel Temer (em especial no caso JBS), comentou a prisão do emedebista nesta quinta-feira. Para Janot, o MP e seus membros “não comemoram prisão de ninguém”. “O combate à corrupção é um processo, com marchas e contramarchas. Exige coragem e, sobretudo, resiliência. O MP e seus membros não comemoram e nem se sentem felizes com a prisão de ninguém”, disse o ex-procurador-geral da República. As informações são do BR18, blog de política do Estadão.

21 de março de 2019, 21:55

BRASIL Bolsonaro apaga ‘golden shower’ do Twitter

Nada mais de “golden shower” no Twitter de Jair Bolsonaro. O presidente apagou o polêmico vídeo que mostrava atos obscenos sendo praticados durante um bloco de carnaval e também a postagem em que ele questionava o que significava “golden shower”. A decisão de apagar a polêmica veio um dia depois que os dois homens nas imagens entraram com um mandato de segurança no STF pedindo para que a postagem fosse apagada. A Secom disse apenas que Bolsonaro não vai comentar o caso. As informações são do Br18, blog de política do Estadão.

21 de março de 2019, 21:46

BRASIL Em reunião do MDB, governador do DF pede expulsão de Geddel do partido

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-ministro Geddel Vieira Lima

Diante de correligionários da velha guarda do MDB, como Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Lúcio Vieira Lima (BA), o governador Ibaneis Rocha fez duras críticas à condução do partido, durante uma reunião da legenda, realizada quarta-feira (20) na Câmara dos Deputados. O chefe do Palácio do Buriti disse que “o partido não existe do ponto de vista estrutural”, afirmou que o MDB não tem hoje nenhum porta-voz e defendeu a urgência da renovação da sigla. “Com a atual estrutura do MDB, não vamos conseguir montar diretórios competitivos e estamos fadados ao insucesso nas eleições municipais do ano que vem”, alertou Ibaneis. Novato no MDB, o governador do DF causou constrangimento aos caciques do partido ao defender a expulsão de correligionários presos. “Não me sinto na condição de estar no mesmo partido em que está Eduardo Cunha. Não posso estar no mesmo partido de um camarada que foi preso porque tinha mais de R$ 50 milhões guardados em malas em um apartamento”, afirmou Ibaneis, em referência a Geddel Vieira Lima. A crítica foi disparada cara a cara com Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel. “Ou vocês querem um partido novo, ou vocês não me querem no partido. Acho que o MDB tem que enfrentar suas feridas, porque senão vamos definhar”, bradou o governador, diante de uma plateia silenciosa.

21 de março de 2019, 21:30

BRASIL Moreira Franco é transferido para unidade em Niterói

Foto: Fabio Motta/Estadão

O ex-ministro Moreira Franco

O ex-ministro Moreira Franco (MDB) foi transferido, na noite desta quinta-feira (21), ao Batalhão Especial Prisional (BEP), unidade gerida pela Polícia Militar do Rio em Niterói, na região metropolitana da capital. O local é o mesmo onde está hoje o ex-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão. Um carro da PF foi usado para sua escolta. Já o ex-presidente Michel Temer permanece em uma sala à qual foi encaminhado assim que chegou à Superintendência da PF do Rio.

Folhapress

21 de março de 2019, 21:17

BRASIL Sem citar Temer, Bolsonaro relaciona prisão de autoridades com troca de favores

Foto: Reprodução/Twitter

Presidente Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo pelas redes sociais durante viagem oficial ao Chile

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais durante viagem oficial ao Chile, o presidente Jair Bolsonaro voltou a relacionar a prisão do ex-presidente Michel Temer com acordos políticos feitos no passado. Bolsonaro afirmou que prisões de autoridades ocorrem pela maneira que governantes buscam governabilidade. “Basicamente é pela forma de buscar governabilidade”, disse Bolsonaro ao citar prisões de autoridades sem fazer referência direta a Temer. Bolsonaro afirmou que a prisão é consequência de atos praticados por um presidente da República quando oferece cargos em estatais. “O que acontece no futuro é o que vocês estão vendo agora? Prisão de autoridades, além de ineficiência do Estado e corrupção”. Assim como fez em entrevista concedida na chegada ao hotel, o presidente se defendeu da suposta falta de diálogo com o Congresso. “Eu gostaria que a imprensa me dissesse o que eu tenho que fazer pela governabilidade. Se é para conversar com parlamentar, tenho conversado. Acredito que grande parte ou a maioria deles estão de acordo com nossa proposta”. O presidente também comentou a respeito do uso de urnas eletrônicas nas eleições brasileiras. Ele pretende enviar um projeto para aprovação no Congresso para que as próximas eleições presidenciais sejam auditadas. “Um milagre foi a minha eleição, em cima inclusive de uma urna eletrônica. Vamos dar um projeto brevemente para que as eleições sejam auditadas no futuro, porque essa (passada) não teríamos como auditar, se bem que acho que só ganhamos porque tínhamos muitos votos, muita gente apoiando, seria impossível uma fraude”. Durante a campanha eleitoral do primeiro e segundo turno, Bolsonaro dirigiu ataques constantes duvidando da credibilidade das urnas e do Tribunal Superior Eleitoral e incentivando eleitores a fiscalizarem as urnas de suas sessões eleitorais em busca de fraudes. Posteriormente, admitiu “caneladas”. O decreto a respeito da aplicação da Lei Ficha Limpa para contratação de comissionados também foi comentado pelo próprio presidente e pelo ministro da Controladoria Geral da União, Wagner Rosário, presente na transmissão. “Estamos preparando a documentação para todas as nomeações serem revisadas, e quem não cumprir os requisitos sairá do governo”, disse. Após pressão por parte do Congresso, o decreto foi posteriormente modificado por Bolsonaro para que indicações feitas durante seu mandato também fossem avaliadas. Bolsonaro voltou a se retratar sobre a presença de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em reunião exclusiva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Parte da mídia brasileira falou que o Eduardo lá dentro estava servindo para desprestigiar o nosso chanceler Ernesto Araújo”, afirmou, em referência implícita à análise publicada pelo Estado. “Vale lembrar que o chanceler dos EUA também não estava lá”, complementou. Na viagem ao Chile, Rosário especificou que um dos objetivos principais da CGU é adquirir dados de um sistema do país na área de transparência e anticorrupção. “Assinaremos um acorde de troca de informações com o Chile, que vai passar um sistema completo que desenvolveram, uma base de controle de agendas e regulamentação do lobby. Vai ser um câmbio de informações entre os dois países”, explicou. No início da transmissão ao vivo, Bolsonaro, quis fazer uma homenagem ao Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março. “Hoje é o dia da Síndrome de ‘drown'”. Ficou a cargo do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, corrigir o presidente. Ao prestar solidariedade a Moçambique, atingido pelo ciclone que deve ter matado quase mil pessoas, segundo estimativa do presidente do País africano, Bolsonaro se referiu a Moçambique como um estado.

Estadão Conteúdo

21 de março de 2019, 21:00

BRASIL Desembargador que analisará habeas de Temer comparou propina a gorjeta

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-presidente Michel Temer

Em 2017, durante uma sessão da 1.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), o desembargador Ivan Athié comparou pagamentos de propinas a alvos da Operação Lava Jato com meras gorjetas. Athié vai analisar o habeas corpus do ex-presidente Michel Temer (MDB), preso nesta quinta-feira, 21. A informação sobre o pensamento do magistrado foi divulgada em 25 de fevereiro daquele ano pelo jornal O Globo. “Nós temos que começar a rever essas investigações. Agora, tudo é propina. Será que não é hora de admitirmos que parte desse dinheiro foi apenas uma gratificação, uma gorjeta? A palavra propina vem do espanhol. Significa gorjeta. Será que não passou de uma gratificação dada a um servidor que nos serviu bem, como se paga a um garçom que nos atendeu bem? Essas investigações estão criminalizando a vida”, disse o desembargador na ocasião. Ivan Athié foi procurador da República entre 1981 e 1984, quando passou no concurso para juiz federal. Foi diretor do Foro das Seções Judiciárias de Rondônia e do Acre. Em 31 de outubro de 2000 passou a compor o quadro de membros do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, onde atualmente integra a 1ª Turma. Naquela sessão, Ivan Athié votou pela revogação da prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, então acusado por recebimento de propina sobre a construção da usina de Angra 3. As obras são pivô também da prisão de Michel Temer. A ação que prendeu o ex-presidente, o ex-ministro Moreira Franco, o coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, ‘Coronel Lima’, e outros seis investigados é decorrente da Operação Radioatividade, que mirou o esquema de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação na construção da usina nuclear de Angra 3. A nova investigação apura pagamentos ilícitos feitos por determinação do empreiteiro José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, para ‘o grupo criminoso liderado por Michel Temer, bem como de possíveis desvios de recursos da Eletronuclear para empresas indicadas pelo referido grupo’.

Estadão Conteúdo

21 de março de 2019, 20:45

BRASIL Após prisão de Temer, Carlos Bolsonaro compartilha frase anticrime de Moro

Foto: Fabio Motta/Estadão

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ)

Após a prisão de Michel Temer, Carlos Bolsonaro compartilhou frase de Sérgio Moro segundo a qual o combate ao crime não pode mais ser adiado. A fala consta em uma notícia, postada pelo filho do presidente, sobre troca de críticas entre o ministro da Justiça – e ex-juiz da Lava Jato – e Rodrigo Maia, presidente da Câmara. A frase é: “Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”. No contexto da notícia compartilhada por Carlos, Moro rebate críticas de Maia sobre o pacote anticrime levado à Câmara pelo Ministério da Justiça.

Estadão

21 de março de 2019, 20:31

BRASIL Bretas mandou grampear oito celulares de Temer um dia antes da prisão

Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

o juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro

Um dia antes da prisão do ex-presidente Michel Temer, o juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, autorizou que o emedebista tivesse oito linhas telefônicas grampeadas. A interceptação dos celulares de Temer, segundo o magistrado, seria uma ‘forma de viabilizar a deflagração da fase ostensiva da operação’. “Reitero os fundamentos da decisão anterior, na qual decretei a prisão preventiva dos investigados e determino a interceptação telefônica nos terminais indicados pelo MPF, abaixo relacionados, vinculados ao Michel Temer, como forma de viabilizar a deflagração da fase ostensiva da operação”, ordenou. Michel Temer foi preso nesta quinta-feira, 21. Também foram capturados o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia), o coronel reformado da Polícia Militar a mulher de Lima, Maria Rita Fratezi, e os empresários Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale, Rodrigo Castro Alves Neves e Carlos Jorge Zimmermann. Até as 18h, a PF já havia prendido nove dos dez alvos da Descontaminação. Somente Carlos Alberto Montenegro Gallo ainda não havia sido capturado. Ele estava em negociação para apresentação. O magistrado ordenou busca e apreensão nos endereços desses investigados, assim como da filha do ex-presidente Maristela Temer, do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, de Ana Cristina da Silva Toniolo e de Nara de Deus Vieira. Também foram realizadas buscas nas empresas vinculadas aos investigados. A ação que prendeu Temer e seus aliados é decorrente da Operação Radioatividade, que mirou um esquema de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação que atuou na construção da usina nuclear de Angra 3. A nova investigação apura pagamentos ilícitos feitos por determinação do empreiteiro José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, para ‘o grupo criminoso liderado por Michel Temer, bem como de possíveis desvios de recursos da Eletronuclear para empresas indicadas pelo referido grupo’. A Lava Jato identificou um ‘sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3’. O Ministério Público Federal afirmou que a Argeplan, de coronel Lima, ‘participou do consórcio da AF Consult LTD, vencedor da licitação para a obra da Usina Nuclear de Angra 3, apenas para repassar valores a Michel Temer’. Segundo a Procuradoria, a AF Consult do Brasil e a Argeplan não tinham pessoal e expertise suficientes para a realização dos serviços, e, por isso, houve a subcontratação da Engevix. No curso do contrato, conforme a investigação, coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina, em benefício de Michel Temer. A Lava Jato destaca que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,91 milhão da empresa da Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo coronel Lima. Para justificar as transferências de valores foram simulados contratos de prestação de serviços da empresa PDA para a empresa Alumi. O empresário que pagou a propina afirma ter prestado contas de tal pagamento para o coronel Lima e para Moreira Franco. As investigações apontaram que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil ensejaram o desvio de R$ 10, 859 milhões, ‘tendo em vista que a referida empresa não possuía capacidade técnica, nem pessoal para a prestação dos serviços para os quais foi contratada’. De acordo com a Lava Jato, o esquema ‘praticou diversos crimes envolvendo variados órgãos públicos e empresas estatais, tendo sido prometido, pago ou desviado para o grupo mais de R$ 1,8 bilhão. A investigação aponta que diversas pessoas físicas e jurídicas usadas de maneira interposta na rede de lavagem de ativos de Michel Temer continuam recebendo e movimentando valores ilícitos, além de permanecerem ocultando valores, inclusive no exterior. Os procuradores afirmam que ‘quase todos os atos comprados por meio de propina continuam em vigência e muitos dos valores prometidos como propina seguem pendentes de pagamento ao longo dos próximos anos’. Segundo a força-tarefa, as apurações também indicaram uma espécie de braço da organização, especializado em atos de contrainteligência, a fim de dificultar as investigações, tais como o monitoramento das investigações e dos investigadores, a combinação de versões entre os investigados e, inclusive, seus subordinados, e a produção de documentos forjados para despistar o estado atual das investigações. O Ministério Público Federal requereu a prisão preventiva de alguns dos investigados, pois, todos esses fatos somados apontam para a existência de uma organização criminosa em plena operação, envolvida em atos concretos de clara gravidade.

Estadão Conteúdo

21 de março de 2019, 20:16

BRASIL Coronel Lima sentou no sofá e tentou esconder celular da PF

Foto: Divulgação/PF

Coronel Lima tentou esconder celular embaixo do sofá após a chegada da Polícia Federal a sua casa

O coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho preso nesta quinta-feira, 21, pela Operação Descontaminação, tentou esconder celular após a chegada da Polícia Federal a sua casa em São Paulo. O coronel Lima disse aos agentes que estava passando mal e sentou no sofá da sala de sua residência. Quando ele se levantou, a PF encontrou os aparelhos embaixo de uma das almofadas do sofá. Coronel Lima é amigo do ex-presidente Michel Temer (MDB) há mais de 40 anos. A Descontaminação, desdobramento da Lava Jato, afirma que o militar reformado da Polícia Militar de São Paulo é um dos operadores financeiros do emedebista. Ambos foram presos. O juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, mandou custodiar por tempo indeterminado também a mulher de Lima, Maria Rita Fratezi, o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia) e os empresários Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo. O juiz ainda decretou as custódias temporárias de Rodrigo Castro Alves Neves e Carlos Jorge Zimmermann. Até as 18h, a PF já havia prendido nove dos dez alvos da Descontaminação. Somente Carlos Alberto Montenegro Gallo ainda não havia sido capturado. Ele estava em negociação para apresentação. O magistrado ordenou busca e apreensão nos endereços desses investigados, assim como da filha do ex-presidente Maristela Temer, do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, de Ana Cristina da Silva Toniolo e de Nara de Deus Vieira. Também foram realizadas buscas nas empresas vinculadas aos investigados. A ação que prendeu Temer e seus aliados é decorrente da Operação Radioatividade, que mirou um esquema de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação que atuou na construção da usina nuclear de Angra 3. A nova investigação apura pagamentos ilícitos feitos por determinação do empreiteiro José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, para ‘o grupo criminoso liderado por Michel Temer, bem como de possíveis desvios de recursos da Eletronuclear para empresas indicadas pelo referido grupo’. A Lava Jato identificou um ‘sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3’. O Ministério Público Federal afirmou que a Argeplan, de coronel Lima, ‘participou do consórcio da AF Consult LTD, vencedor da licitação para a obra da Usina Nuclear de Angra 3, apenas para repassar valores a Michel Temer’. Segundo a Procuradoria, a AF Consult do Brasil e a Argeplan não tinham pessoal e expertise suficientes para a realização dos serviços, e, por isso, houve a subcontratação da Engevix. No curso do contrato, conforme a investigação, coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina, em benefício de Michel Temer. A Lava Jato destaca que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,91 milhão da empresa da Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo coronel Lima. Para justificar as transferências de valores foram simulados contratos de prestação de serviços da empresa PDA para a empresa Alumi. O empresário que pagou a propina afirma ter prestado contas de tal pagamento para o coronel Lima e para Moreira Franco. As investigações apontaram que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil ensejaram o desvio de R$ 10, 859 milhões, ‘tendo em vista que a referida empresa não possuía capacidade técnica, nem pessoal para a prestação dos serviços para os quais foi contratada’. De acordo com a Lava Jato, o esquema ‘praticou diversos crimes envolvendo variados órgãos públicos e empresas estatais, tendo sido prometido, pago ou desviado para o grupo mais de R$ 1,8 bilhão. A investigação aponta que diversas pessoas físicas e jurídicas usadas de maneira interposta na rede de lavagem de ativos de Michel Temer continuam recebendo e movimentando valores ilícitos, além de permanecerem ocultando valores, inclusive no exterior. Os procuradores afirmam que ‘quase todos os atos comprados por meio de propina continuam em vigência e muitos dos valores prometidos como propina seguem pendentes de pagamento ao longo dos próximos anos’. Segundo a força-tarefa, as apurações também indicaram uma espécie de braço da organização, especializado em atos de contrainteligência, a fim de dificultar as investigações, tais como o monitoramento das investigações e dos investigadores, a combinação de versões entre os investigados e, inclusive, seus subordinados, e a produção de documentos forjados para despistar o estado atual das investigações. O Ministério Público Federal requereu a prisão preventiva de alguns dos investigados, pois, todos esses fatos somados apontam para a existência de uma organização criminosa em plena operação, envolvida em atos concretos de clara gravidade.

Estadão Conteúdo

21 de março de 2019, 20:01

BRASIL ‘Não estou preocupado com pesquisas porque não têm credibilidade’, diz Bolsonaro

Foto: Alberto Valdés/EFE

Presidente Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa em Santiago, Chile, durante primeira viagem oficial ao País

O presidente Jair Bolsonaro minimizou, durante viagem ao Chile nesta quinta-feira, 20, a pesquisa do Ibope divulgada nesta quarta-feira, 20, que apontou queda de 49% em janeiro para 34% em março no índice de aprovação de seu governo no Brasil. Ao desembarcar em Santiago para uma agenda de três dias, Bolsonaro declarou que levantamentos como esse não têm credibilidade. “Eu não estou preocupado com pesquisas porque também não têm credibilidade, assim como pesquisas eleitorais”, declarou, citando que institutos de pesquisa haviam apontado, em 2018, que ele perderia para qualquer candidato que enfrentasse no segundo turno. Para este sábado, 23, protestos estão convocados na capital chilena durante a agenda bilateral do presidente brasileiro com o presidente do Chile, Sebastian Piñera. Bolsonaro afirmou que há manifestações contrárias a ele em qualquer lugar que viaja e que os brasileiros que o elegeram votaram “do coração”. “Essas pessoas que reclamam hoje acho que eles não queriam que o Brasil caminhasse para a situação que se encontra a nossa Venezuela, onde o povo luta bravamente para se libertar das garras da ditadura”. Para a ocasião, líderes do Congresso chileno recusaram convites para o almoço que será oferecido a Bolsonaro. Perguntado sobre o tema, o brasileiro afirmou apenas que não foi responsável pelos convites e que quem os distribuiu – ou seja, o governo do Chile – sabia quem estava convidando. Na sexta-feira, 22, Bolsonaro se junta a outros seis presidentes sul-americanos para uma cúpula de integração da região. A proposta é oficializar a criação de um bloco em substituição à Unasul (União de Nações Sul-Americanas). A expectativa do presidente brasileiro é, durante o encontro, “selar o fim da Unasul”, conforme declarou ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Santiago.

Estadão Conteúdo

21 de março de 2019, 19:30

BRASIL Aos gritos de ‘ladrão’, Temer chega à sede da PF no Rio

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O ex-presidente Michel Temer chega à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro

O ex-presidente Michel Temer (MDB) chegou à Superintendência da Polícia federal no Rio de Janeiro, onde ficará preso preventivamente. Um grupo de cerca de dez manifestantes esperava a chegada do ex-presidente, que foi chamado de golpista e ladrão. Dois deles ergueram uma bandeira do Brasil. O juiz Marcelo Bretas, que determinou a prisão de Temer, decidiu mantê-lo no local e afirmou que o tratamento deve ser o mesmo dado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Polícia Federal de Curitiba desde abril de 2018.

Folhapress