6 de dezembro de 2017, 16:32

COLUNISTASO diálogo é o único caminho

Eduardo Salles

Coluna: Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

Listar artigos

Encontrar as soluções para os problemas que atingem a população é uma das missões que um representante eleito tem que cumprir. Mas o melhor caminho para todos os setores da sociedade só pode ocorrer com diálogo. O radicalismo, seja ele de que lado for, nunca trouxe avanço.

E foi com o objetivo de promover o diálogo e criar uma agenda comum sobre os recursos hídricos do oeste da Bahia que os deputados estaduais das comissões de Agricultura e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa resolveram marcar audiência pública em Barreiras para ouvir ribeirinhos, agricultores, Ministério Público e toda a sociedade civil.

A proposta da audiência conjunta, que vai ocorrer em Barreiras, foi do deputado estadual Antônio Henrique Júnior e aprovada por unanimidade. Nossa intenção é acabar com as tensões ocorridas em novembro após a invasão de uma propriedade rural em Correntina sob a alegação que a fazenda, em função dos equipamentos de irrigação, causava problemas à Bacia do Rio Corrente. Queremos também promover uma agenda propositiva que traga segurança hídrica à região e mantenha os empregos gerados pela agricultura.

O deputado estadual Fábio Souto propôs e todos os deputados das duas comissões aprovaram a colocação de emenda parlamentar no valor de R$ 100 mil cada um, totalizando R$ 800 mil. O governo estadual faria a contrapartida de mais R$ 800 mil, permitindo que R$ 1,6 milhão fosse investido na recuperação de nascentes da Bacia do Rio Corrente.

Durante a audiência será possível que todos conheçam, de forma detalhada, os critérios técnicos que cercam os projetos de irrigação das propriedades, ouvir o que aflige os ribeirinhos e os agricultores e as saber as ações do Ministério Público.

Os eventos que ocorreram em Correntina em novembro mostram que a sociedade tem uma visão distorcida do agronegócio. A agricultura irrigada não pode ser vista como vilã, pois além de gerar divisas à Bahia e ao Brasil e empregos à população, é responsável também por colocar alimentos na mesa de todos nós.

É claro que existem pontos que precisam ser corrigidos, investigados e, quando comprovada a irregularidade, ocorrer punição exemplar. O que não é o caso da empresa instalada em Correntina, que possui todas as certificações para operar. Assim como atos de radicalismo que afrontem a Constituição devem punidos exemplarmente.

Acredito que é ajudar a desfazer esse nó uma das nossas missões como deputado estadual. Colocar ribeirinhos, agricultores e a sociedade na mesa, com toda a certeza, vai gerar importantes frutos.

A falta de comunicação do agronegócio com a sociedade brasileira, de forma geral, não permite que a população perceba quantos empregos esse setor gera, quanto de riqueza ao país é produzido, quantos milhões de brasileiros são alimentados, quanto é investido em estradas, telefonia e eletrificação, quantos programas sociais são realizados e tantos outros benefícios são usufruídos, às vezes sem nenhuma contrapartida da União, estados ou municípios.

Melhorar o relacionamento entre agronegócio e a sociedade não permite apenas que deixemos de ver cenas de radicalismo, mas também abre portas para novas oportunidades.

Muitas empresas do setor agropecuário são responsáveis por gerarem milhares de empregos em pequenos municípios e regiões. Porém, em muitos casos, a mão de obra, nas posições mais qualificadas, precisa vir de outros locais por falta de investimento.

Acredito que podemos utilizar esse momento ímpar da audiência pública entre ribeirinhos, agricultores e sociedade civil para tratar da qualificação dos jovens do oeste da Bahia e formas em que poder público e inciativa privada trabalhem juntos no intuito de qualificar os jovens para futura utilização nas empresas do setor agropecuário da região.

Mais um ponto importante que vamos tratar é em relação a oferecer aos ribeirinhos acesso a crédito para aquisição de equipamentos de irrigação mais modernos. O modelo usado atualmente muitas vezes causa prejuízos ao meio ambiente por utilizar áreas que deveriam ser preservadas no leito dos rios.

Oferecer assistência técnica é mais um pilar para que os ribeirinhos possam aumentar sua produtividade, gerando mais renda, e consigam realizar práticas de agricultura sustentável.

Não sou de acreditar em soluções mágicas ou radicalismo para a resolução de problemas. Como engenheiro agrônomo, com mestrado em irrigação, tenho uma vida no setor público e privado dedicado a esse assunto e conheço um pouco os caminhos para produzirmos com qualidade e permitir que o meio ambiente seja preservado.

Tenho certeza que essa audiência será o pontapé inicial de uma nova fase entre ribeirinhos, agricultores e a sociedade civil para uma convivência harmoniosa entre todos.

Comentários