12 de dezembro de 2016, 09:25

COLUNISTASNo mesmo barco

Adriano Peixoto

Coluna: Relações de Trabalho

Adriano de Lemos Alves Peixoto é PHD, administrador e psicólogo, mestre em Administração pela UFBA e Doutor em Psicologia pelo Instituto de Psicologia do Trabalho da Universidade de Sheffiel (Inglaterra). Atualmente é pesquisador de pós-doutorado associado ao Instituto de Psicologia da UFBA e escreve para o Política Livre às quintas-feiras.

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Quando comecei a escrever este texto me peguei pensando longamente sobre qual a expressão que melhor capturaria o momento em que vivemos. Comecei com tempestade perfeita, refletindo a conjunção de favores contextuais extremamente negativos que enfrentamos. De um lado seguimos em depressão econômica sem perspectivas claras de melhora da atividade econômica nos próximos meses. Quem acha que o desemprego está em níveis elevados, ainda não se deu conta de que as projeções mais otimistas apontam um crescimento da massa de desempregados em mais dois milhões de pessoas.

Aprofundando um pouco mais a reflexão cheguei à conclusão de que na verdade a vaca foi para o brejo expressa melhor a atual situação em que nos encontramos. No plano político o quadro não o poderia ser pior. À crise econômica se junta uma crise política de amplitude e magnitude nuncaantesvistanahistoriadestepais. Como se já não bastasse termos um governo de transição que já nasceu na defensiva midiática e com uma agenda de reformas fortemente impopular, ele  agora está ferido de morte no rastro das denúncias apocalípticas da Odebrecht. Aliás, a delação da empreiteira levará de roldão todo o governo, seus aliados e a parte da oposição que ainda não está presa. O quadro sugere uma total desorganização do nosso já degenerado sistema politico, que dá seus últimos sinais de vida.

Ja no plano social parece que impera um misto de perplexidade, diante dos desdobramentos de uma crise que parece não ter fim, e imobilismo, diante da patente falta de alternativas viáveis. A única agenda que mostra algum grau de consenso é o combate à corrupção encarnado na lava a jato, mas isso é insuficiente como projeto de pais. Nossos intelectuais ainda não conseguiram formular uma agenda mínima de consenso que combine crescimento econômico e desenvolvimento social. Tem-se a impressão de que estamos no mato sem cachorro!

Alguns enxergam no judiciário uma bóia de salvação. Isso porque ainda não acordamos para o fato de que a corrupção é endêmica em nossa sociedade. O próprio judiciário, como parte desta sociedade, é extremamente corrupto, fisiológico, corporativo e patrimonialista. Quem não se lembra das palavras da ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça quando se referiu aos bandidos de toga? Casa de ferreiro, esperto de pau! Será que alguém imagina que as empreiteiras não têm interesses em disputa no judiciário? Que elas teriam algum tipo de escrúpulo específico na relação a pagar propina aos juízes e desembargadores? Ou será que os membros do poder judiciário são feitos de algum tipo de DNA distinto dos demais brasileiros, vivem em um mundo a parte ou são diretamente escolhidas pelo divino espírito santo para sua missão de julgar pairando impolutos acima do bem e do mal? No popular, tamo lascados!!!!!

Agora não adianta chorar pelo leite derramado, Inês é morta. Parece-me que a esta altura do campeonato o mais sensato é buscar construir pontes e consensos mínimos em torno de uma agenda que nos permita superar a profunda crise que atravessamos. Precisamos evitar falsas soluções que privilegiem grupos e interesses corporativos específicos, precisamos a todo custo fugir da lógica do é tempo de muruci, cada um por sí! No final das contas, creio que a melhor expressão é aquela que diz: o pau que dá em Chico dá em Francisco. Estamos todos no mesmo barco. Se ele afundar ninguém se salvará.

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