29 de maio de 2019, 09:21

COLUNISTASENOTURISMO É MAIS UMA GRANDE OPÇÃO PARA GERAR EMPREGOS

Eduardo Salles

Coluna: Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

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Às vésperas do Dia Nacional do Vinho, celebrado sempre no primeiro domingo de junho, quero falar sobre a importância de investirmos no enoturismo e aproveitar as belezas naturais baianas com a produção de vinhos para gerar empregos em duas importantes regiões do Estado.

No Vale do São Francisco esse trabalho iniciou há alguns anos. Um bom exemplo é a Miolo, em Casa Nova. A empresa gera milhares de empregos desde o cultivo das uvas viníferas, especialmente para espumantes, até a industrialização e comercialização das garrafas.

Quando estive à frente da Secretaria Estadual de Agricultura, pude apoiar a criação do projeto Vapor do Vinho, criado em 2011, e que consiste em levar turistas pelo rio São Francisco, passando pela eclusa da barragem de Sobradinho, visitando propriedades que investem na fruticultura irrigada e finalizando na fazenda da Miolo, com degustação na adega da empresa. Um marco na Bahia, sem dúvida.

No Vale do São Francisco, mesmo com a alta temperatura do clima tropical semiárido, o conhecimento produzido nas últimas décadas permite a produção de até duas safras anuais. A Miolo pretende investir R$ 30 milhões no setor e criar mais 100 postos de trabalho.

Segundo a Associação dos Produtores e Exportadores de Hortifrutigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (VALEXPORT), a região produziu 10 milhões de litros de vinho em 2017. Neste mesmo ano, conforme dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o Brasil produziu 340 milhões de litros, tornando-se o 14º maior produtor mundial.

Na Chapada Diamantina, tão rica em belezas naturais, como cachoeiras, cânions, trilhas e rios, a produção de uvas viníferas é mais recente, mas também bastante promissora.

Em 2010, na Secretaria Estadual de Agricultura, com o apoio de outros visionários, conseguimos implantar um experimento em Morro do Chapéu e expandimos para Mucugê.

Com altitude média superior a 1000 metros e temperaturas adequadas de clima tropical de altitude, Morro do Chapéu chega à sétima safra e espera produzir 20 mil garrafas de vinho em 2020.

Em Mucugê, na Fazenda Progresso, conhecida pela produção de café de alta qualidade, um investimento de R$ 50 milhões vai criar um complexo com hotel, restaurante e vinícola.

São 80 mil hectares plantados no país com uvas viníferas. Sua maioria absoluta, quase 90%, composta por micro e pequenas vinícolas, responsáveis por fixar famílias inteiras nas regiões produtoras e gerando empregos diretos e indiretos nos municípios longe dos grandes centros urbanos.

Estive agora em maio em Portugal acompanhando o vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, João Leão, para atrair ao Estado empreendimentos para se instalarem no Vale do São Francisco e Chapada Diamantina. A ideia é trazer à Bahia experiências exitosas do enoturismo lusitano.

Temos climas e solos adequados, acumulamos ao longo dos anos conhecimento na produção, empreendedores que acreditam na viabilidade econômica e fomos abençoados com as belezas naturais do Vale do São Francisco e da Chapada Diamantina. Condições que quase lugar nenhum do mundo tem para expandir o enoturismo e gerar empregos.

As duas regiões têm também infraestrutura de aeroportos próximos: Petrolina, no Vale do São Francisco, e Lençóis, na Chapada Diamantina, e estradas que permitem a atração de turistas.

Agora é trabalhar em sintonia com as secretarias estaduais de Turismo, Meio Ambiente e Agricultura, além de outras entidades do setor, para incremento do enoturismo baiano e permitir que o Estado possa atrair turistas interessados em degustar bons vinhos e aproveitar as belezas naturais e a hospitalidade baiana.

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