27 de junho de 2017, 09:32

COLUNISTASDefesa Agropecuária Forte

Eduardo Salles

Coluna: Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

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O momento exige alerta máximo das autoridades agropecuárias brasileiras e baianas com o anúncio da chegada da febre aftosa à Colômbia. O país sul-americano foi declarado área livre da doença em 2009, mas registrou esse mês o foco de aftosa próximo à fronteira com a Venezuela.

Minha vida é dedicada à agropecuária, seja no setor privado ou público. Sou engenheiro agrônomo e tive a oportunidade de visitar a maioria dos municípios baianos, principalmente quando estive como secretário estadual de Agricultura.

Nossa Bahia possui 56 milhões de hectares, área idêntica a de muitos países europeus. Essa dimensão territorial impõe muita dificuldade para a defesa agropecuária manter nosso rebanho e culturas livres de doenças provenientes de outras unidades da federação e países.

A febre aftosa na Colômbia é apenas mais um desafio imposto à ADAB (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia). Muitas outras pragas podem entrar em nosso estado e causar sérios prejuízos nos rebanhos e lavouras.

A defesa agropecuária não é um assunto restrito apenas a esse setor, mas à economia baiana. Foi o campo o único responsável por gerar emprego no nosso país. É preciso que todos nós, independente de partido e ideologias, possamos enxergar que defender a ADAB é proteger o patrimônio da agropecuária baiana.

Em menos de uma década a ADAB perdeu 50% do seu corpo de servidores. Não ocorre concurso público há 17 anos. A agência possui atualmente apenas 51 engenheiros agrônomos e 141 veterinários.

Reconheço aqui o esforço hercúleo e a competência do nosso governador Rui Costa, que mesmo com uma crise financeira sem precedentes, tem pagado pontualmente o salário dos servidores e inaugurado obras estruturantes à Bahia. Não há como tirar a componente queda de arrecadação deste contexto.

Mas mesmo reconhecendo o momento difícil da economia, é necessário o alerta à urgente recuperação da ADAB. As pragas que podem entrar em nosso Estado não vão esperar a retomada do crescimento econômico. Pelo contrário: uma praga que atinja a agropecuária baiana vai colocar em risco mais empregos.

Não quero propor ações inexequíveis ou mirabolantes. Mas uma retomada agora da estruturação da ADAB. Acredito que a valorização da carreira, ampliação do quadro funcional com servidores efetivos, melhoria da infraestrutura e qualidade de gestão são pilares para a protegermos a agropecuária baiana.

Sou defensor que a diretoria da ADAB seja composta, mesmo que por indicação política, de quadros qualificados e conhecedor da defesa agropecuária. E o corpo de servidores da agência tem capacidade para oferecer esses nomes.

A recuperação da ADAB não é exclusiva do governador Rui Costa, mas de todos nós, principalmente aqueles que têm relação íntima como a agropecuária baiana. É preciso o envolvimento dos servidores da ADAB, agricultores, pecuaristas, agroindústrias, prefeitos, deputados estaduais e federais, prefeitos, vereadores e a população.

Meu mandato de deputado estadual estará sempre à disposição da valorização da ADAB. Porque defender a ADAB é defender a agropecuária baiana.

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