22 de outubro de 2018, 08:49

COLUNISTASBreves Impressões do Primeiro Turno das Eleições de 2018

Luiz Eduardo Romano

Coluna: Direito

Graduando em Direito pela Universidade Federal da Bahia - UFBA. Vice Presidente Institucional da Juventude Democratas da Bahia.

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Passados pouco mais de dez dias após o encerramento do primeiro turno das eleições gerais de 2018, cumpre-nos fazer algumas observações acerca do que a população brasileira depositou e, ao fim da apuração, as urnas eletrônicas revelaram abertamente a todo o país.

O interesse desse artigo não é conferir qualquer espécie de juízo de valor perante às escolhas firmadas pelo eleitorado, mas expor alguns dados que permearam as características principais do resultado apurado e deram o contorno do quadro político para os próximos quatro anos, mesmo sabendo das largas possibilidades de modificação, em virtude da excessiva e constante mutação, característica própria da política.

Inicialmente, mister se faz necessário comentar acerca da enorme renovação feita nas duas casas legislativas do Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados teve 49% dos seus quadros renovados, cuja oxigenação foi a maior desde 1990. Já o Senado Federal foi modificado em 85%, tendo sido reeleitos apenas oito senadores de um total de cinquenta e quatro vagas em disputa.

As mudanças no poder legislativo surpreenderam aos mais diversos analistas e cientistas políticos, vez que a expectativa era de que a alternância de poder fosse reduzida, já que a legislação eleitoral vigente, essa marcada pela duração curta do período de campanha e da mitigação das formas de realizar propaganda por parte do candidato, tenderia a ceifar a substituição de quadros políticos.

Nomes antigos e tradicionais cederam espaços a postulantes inéditos e sem tradição na carreira pública. Vitaminado pelo desempenho grandioso de Jair Bolsonaro na corrida presidencial, o PSL alcançou a marca de cinquenta e dois deputados federais eleitos, fincando-se como a segunda maior bancada partidária da Câmara, inferior apenas à agremiação do PT.

A Câmara Alta observará o adeus de seus principais figurões, nomes que protagonizaram a política nacional ao longo dos últimos anos, a partir das derrotas de Romero Jucá, Eunício Oliveira, Edison Lobão, Valdir Raupp, Lindberg Farias, Jorge Viana, Magno Malta, Cássio Cunha Lima, dentre outros mandatários que não obtiveram suas respectivas reconduções aos cargos.

As eleições para os governos estaduais também foram permeadas por profundas surpresas e novidades, a partir da ascensão de nomes como Wilson Witzel (PSC – Rio de Janeiro) e Romeu Zema (NOVO – Minas Gerais), ambos líderes na votação do primeiro turno e com grandes chances de se consagrarem vitoriosos na segunda etapa do pleito.

Como é de costume em todo o escrutínio geral, a disputa que mais atraiu a atenção do país e do eleitorado foi a concorrência pelo comando do Palácio do Planalto, sede do poder executivo federal. Impressionou toda a nação os mais de quarenta e nove milhões de votos recebidos por Jair Bolsonaro, que quase faturou o pleito na etapa inaugural.

Um candidato com meros sete segundos no Rádio e na TV, filiado a um partido de estrutura franciscana, acometido por um gravíssimo incidente ao sofrer uma facada no município de Juiz de Fora/MG, que culminou em seu afastamento das atividades de campanha, Bolsonaro, hoje, caminha com chances reais para ser o vencedor no segundo turno desta eleição.

Afirma-se de modo claro e consciente que a população deu um recado ensurdecedor aos políticos. O povo promoveu a mudança desejada ao depositar o seu voto em candidatos que mais pareciam esquecidos das atenções dos veículos que fizeram a cobertura de todos os acontecimentos do prélio, alijando dos cargos boa parte de mandatários tradicionais e bem conhecidos publicamente.

As redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, dentre outras) se revelaram enquanto ferramentas de capacidade extraordinária no que tange à potencialização de candidaturas aos mais diversos cargos eletivos, sem precisar de estruturas grandiosas ou cifras fartas de recursos pecuniários.

Conclui-se alegando que as práticas políticas precisam ser diretamente modificadas, com vistas a atender os anseios e volições despertados pelo povo, esse dotado do poder democrático de escolher os seus representantes. É de suma importância que a participação política brasileira precisa evoluir e se aprimorar, para que os cidadãos possam alcançar o destino de grandeza que o país merece.

No próximo dia 28 de outubro, o país voltará às urnas para decidir o seu futuro Presidente da República, devendo a escolha ser responsável, vislumbrando o desenvolvimento da pátria amada.

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