31 de maio de 2017, 16:48

COLUNISTASA Ceplac tem futuro

Eduardo Salles

Coluna: Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

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O esforço pela valorização da CEPLAC significa lutar pelo crescimento de uma região e da agricultura baiana. Apenas uma instituição forte pode exercer o papel de uma agência de desenvolvimento regional, fundamental à agricultura do Estado.

Em reunião ocorrida em Brasília, agora em maio, com o ministro da Agricultura em exercício, Eumar Novacki, estive junto com o vice-governador João Leão e o deputado federal Davidson Magalhães e foi confirmado que dia 5 de junho, Dia Internacional do Cacau, será publicada portaria com o nome dos componentes da Comissão para Avaliação da Revitalização da CEPLAC. Sem dúvida um grande passo nesta luta.

A CEPLAC não é só voltada ao cacau, mas sim um órgão que conseguiu implantar na Bahia a diversificação de culturas. Ela foi fundamental pelo desenvolvimento da piscicultura, apicultura e a fruticultura. A região cacaueira de nosso estado hoje é a maior produtora de graviola do mundo, com 1500 hectares plantados.

Outro ponto que precisa ser destacado é que a região cacaueira fica em um importante bioma, que possui resquícios de mata atlântica. A CEPLAC tem a função de promover a sustentabilidade social, ambiental e econômica.

Vivenciamos nos últimos anos a decadência das regiões cacaueiras em todo o Brasil, principalmente pela falta de políticas públicas. Quando estive secretário estadual de Agricultura percebi bem o quanto o investimento do poder público pode melhorar a vida de agricultores e a economia destes municípios e estados.

É preciso reconhecer que nós, representantes do povo, temos a obrigação de propor soluções. Mas é preciso que essas políticas públicas sejam elaboradas por quem conhece a CEPLAC, e não por burocratas da Brasília que não sabem quais são os problemas e necessidades do órgão.

Reconheço que a CEPLAC, ao longo dos seus 60 anos, não é feita apenas de acertos. Também existem falhas, fruto, principalmente, do sucateamento vivenciado nos últimos 30 anos. São três décadas sem concurso público, o que reduziu o quadro de 5.000 para 1.700 funcionários e 60% destes trabalhadores próximos à aposentadoria.

Com as dificuldades, em todo o Brasil, de prestação de assistência técnica e pesquisa agropecuária, o que tem deixado os agricultores órfãos, a recuperação da CEPLAC é imperativa à sobrevivência da economia dos municípios baianos do Baixo-sul, Litoral Sul e Médio Rio de Contas.

A decadência da CEPLAC traz efeitos imediatos, que podem ser vistos por todos. Posso garantir que a saída de funcionários capacitados, sem a devida reposição, será responsável pela perda de um grande cabedal de conhecimento sobre as culturas da região. Caso o rejuvenescimento do órgão não ocorra agora, não teremos tempo para começar do zero.

Os erros não começaram nesta década. Eles vêm de longe. Faltou visão e sobrou utilização da CEPLAC de forma política. Minha crítica não é direcionada. Ela é voltada a todos, até a mim, que fui secretário estadual de Agricultura.

Mas não vamos só apontar os erros. Existe um caminho, sim. E eu acredito que podemos sair deste caos e criar um novo modelo que atenda os anseios da população.

A CEPLAC já possui um grande patrimônio material e de servidores qualificados. Agora é hora de transformar essa instituição na agência de desenvolvimento regional que sonhamos. Mas é necessário que o Ministério da Agricultura entenda seu papel de protagonista nesta função.

Por que não pensar em transformar a CEPLAC numa empresa mista? O órgão não pode mais depender de “esmolas” do governo. A CEPLAC precisa receber “dinheiro de fora” para bancar parte deste orçamento. A outra parte dos recursos seria oriundo do governo, indústria e produtores.

Propus em Brasília, durante audiência pública no Congresso Nacional, uma auditoria que faça a estruturação de uma empresa mista que possa buscar recursos e realizar parcerias importantes de pesquisa. Acredito que o conselho de administração deve ser composto pelo poder público, produtores e toda a região, avançando em um modelo que pode servir de exemplo para o Brasil.

A diversificação, verticalização e a pesquisa aplicada ao campo são fundamentais. Por que não os jovens das universidades e cursos técnicos não podem estar dentro da CEPLAC? Esse pacto regional com outras instituições é fundamental à sobrevivência do órgão.

Acredito que a CEPLAC tem um futuro promissor pela frente e tenho certeza que a região cacaueira vai lutar por dias melhores.

Podem contar comigo!

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