4 de setembro de 2019, 17:08

MUNDOParlamento derrota Boris Johnson e aprova lei que impede Brexit sem acordo

Foto: Reprodução

O primeiro-ministro da Inglaterra, Boris Johnson

Os deputados britânicos adotaram nesta quarta-feira, 4, uma lei que obriga o governo a pedir um novo adiamento do Brexit, atualmente previsto para 31 de outubro, se um novo acordo não for alcançado com Bruxelas nas próximas semanas. Logo após a votação, o primeiro-ministro Boris Johnson propôs a antecipação das eleições legislativas para 15 de outubro. “O país deve decidir se o líder da oposição ou eu quem irá a Bruxelas (tentar obter um acordo)”, afirmou Johnson. O texto, que deve ainda ser ratificado pela Câmara dos Lordes, recebeu 327 votos a favor e 299 contra na Câmara dos Comuns, impondo um novo revés ao primeiro-ministro, que se opunha a essa prorrogação. Na primeira rodada de votação, ele havia sido aprovado por 329 votos a 300. Na Câmara dos Lordes, um grupo pró-Europa tentará impedir uma eventual manobra de bloqueio por parte dos eurocéticos. Na terça-feira, 3, os deputados decidiram abrir o debate sobre o projeto por 328 a 301. Os parlamentares tomaram o controle do cronograma do Brexit, após Johnson ter perdido a maioria na Casa, quando um parlamentar deixou o Partido Conservador e aderiu ao Partido Liberal-Democrata, de oposição. As rusgas com o Parlamento se agravaram quando o premiê estendeu o período de recesso parlamentar, medida que iria dar a ele autonomia no andamento da saída do Reino Unido da União Europeia. A oposição quer evitar a convocação das eleições, previstas para 2022. Para isso, o governo precisa do apoio de dois terços da Câmara dos Comuns e, nesta quarta, parecia longe de alcançar este número. Em meio à confusão, os dissidentes do Partido Conservador foram imediatamente expulsos da bancada parlamentar por Johnson. Entre os expulsos, estão Nicholas Soames, neto de Winston Churchill, ídolo de Johnson, e o ex-ministro das Finanças Philip Hammond. O atual prazo para o Brexit acaba em 31 de outubro. Desde que Johnson assumiu o cargo, em substituição a Theresa May, ele adotou duas medidas que, segundo analistas, tendem a facilitar uma ruptura unilateral com Bruxelas. A primeira foi a ampliação do recesso do Parlamento. A segunda é a ameaça de antecipar eleições. Ambas dificultariam o debate parlamentar para a aprovação de um acordo. Johnson é defensor de uma ruptura radical com a UE e um crítico do acordo negociado por May com Bruxelas. Os britânicos decidiram sair da UE com 52% dos votos na consulta popular realizada em junho de 2016. Inicialmente previsto para ser concluído em março passado, o Brexit foi adiado duas vezes diante da rejeição do Parlamento ao Tratado de Retirada negociado por May. Johnson chegou ao poder em 24 de julho, com a garantia de que vai tirar o país da UE em 31 de outubro – com, ou sem, acordo. Muitos deputados de todo espectro político temem as consequências de uma saída brutal do bloco, que deixará o país com escassez de alimentos frescos, medicamentos e outros produtos importados, ao mesmo tempo em que o fará perder bilhões de dólares em exportações. Nesta quarta-feira de manhã, a maioria dos jornais britânicos afirmava que Boris Johnson “perdeu o controle” sobre o processo do Brexit.

Estadão Conteúdo

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