11 de setembro de 2019, 06:31

BRASILGrampo telefônico deu à Lava Jato rastro da propina para o filho ‘operador’ de Edison Lobão

A quebra de sigilo telefônico foi o tiro certo para que a força-tarefa da Operação Lava Jato traçasse o caminho da propina ao filho e suposto ‘operador’ do ex-senador Edison Lobão (MDB/MA), ex-ministro de Minas e Energia dos Governos Lula e Dilma. Estações rádio base ajudaram a reconstruir a movimentação de investigados em torno do escritório de advocacia de Marta Lobão, nora do emedebista, onde delatores apontam como destino do dinheiro pago pelas companhias Estre Ambiental e Odebrecht.

Segundo o Ministério Público Federal, as empresas pagaram, ao menos entre 2008 e 2014, cerca de R$ 50 milhões em propinas a Edison e a Márcio Lobão. Neste período, segundo a Lava Jato, o patrimônio de Márcio teria saltado de R$ 8 milhões para R$ 44 milhões. A fortuna teria sido ocultada por meio da aquisição de obras de arte em um esquema que o delegado Luciano Flores, chefe da PF no Paraná, definiu como ‘uma aula de lavagem de dinheiro’. As propinas da Estre foram narradas inicialmente pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

O ex-presidente da Estre, Wilson Quintella, admitiu à Lava Jato que fazia repasses ao grupo político de apoio de Machado. Para viabilizar o dinheiro, segundo a investigação, ele fez uso do escritório de advocacia de Mauro de Morais, que teria emitido notas fiscais frias.

Segundo a Lava Jato, o dinheiro em espécie gerado era então repassado para Antonio Kanji, então funcionário da Estre encarregado por Wilson Quintella Filho de realizar as operações de entrega de propinas, que, ‘no caso das propinas pagas ao então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, as entregas de dinheiro ocorriam na Rua México, 168, Centro, Rio, em escritório da família de Márcio Lobão, filho de Edison’.

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