14 de agosto de 2019, 09:04

EXCLUSIVAVisita de Rui Costa à Câmara Municipal pode se transformar num “tiro no pé”

Foto: Fernanda Chagas/Política Livre

Governador Rui Costa faz visita inédita hoje à Câmara Municipal

Justificadamente cercada de cuidados para evitar uma exposição desnecessária ao chefe do executivo estadual, a visita que o governador Rui Costa (PT) faz hoje à tarde à Câmara Municipal está envolta em incógnitas com relação a seus objetivos e eventuais resultados.

Pelo que consta, Rui deve pedir aos vereadores apoio para aprovar projeto que concederia isenção fiscal às empresas que devem construir o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na região do Subúrbio, em substituição ao sistema de trens que hoje serve àquela parte bela, porém pobre da cidade.

Ocorre que a matéria precisa ser enviada à Câmara Municipal pelo prefeito ACM Neto (DEM), que, depois de alguma luta, acaba de ver aprovado pelos vereadores iniciativa semelhante de autoria da Prefeitura renunciando à receita do ISS que deveria ser pago pelas empresas de ônibus.

Levando em conta o baque que tanto o primeiro projeto quanto o que pode beneficiar o VLT podem, cumulativamente, produzir nas finanças da cidade, além do papel que o prefeito, seu gestor, precisa jogar no processo, era de se esperar que Rui procurasse para uma conversa, primeiro, ACM Neto.

Ainda que esteja em seus planos consultá-lo mais adiante ou mesmo que setores do governo e da Prefeitura possam estar já em franco entendimento para produzir algo que atenda a seu desejo, não parece razoável que dirija-se, primeiro à Câmara, que não tem poder de iniciativa neste caso.

Além de parecer uma desconsideração ao papel institucional do representante legal máximo da cidade, a iniciativa do governador pode indicar que ele coloca as divergências políticas e ideológicas que possui com o democrata acima dos interesses de Salvador, o que pode, naturalmente, atrapalhar seus planos para o VLT.

Sem contar que os vereadores da base do prefeito já se municiam para esperá-lo na Praça Municipal, alguns com pacotes de pedidos que vão da isenção do ICMS sobre o diesel até a devolução de parte dos recursos que o sistema de integração ônibus-metrô tirou das empresas de ônibus que podem transformar sua passagem pela Câmara num “tiro no pé”.

A visita tem ainda caráter mais inédito dada a maneira com que Rui é acusado de sempre ter tratado os vereadores, a começar pela bancada de seu partido, que se queixa de nunca ter sido prestigiada pelo gestor desde o seu primeiro governo.

Não deve ser à toa que entre os líderes do movimento para recepcionar o governador com exigências que certamente não andavam no seu horizonte se encontra Henrique Carballal, vereador de formação esquerdista que integrou a bancada petista na Câmara até a chegada de Rui ao governo.

Carballal é um dos políticos que nunca escondeu desaprovar a pouca importância dada pelo governador aos correligionários de Salvador, o que pode ter influído na sua opção, como de outros petistas, de deixar o partido para se aliar a ACM Neto na cidade no auge da força petista na Bahia.

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