13 de agosto de 2019, 18:30

BRASILOposição pede vista e Câmara adia votação de acordo sobre base de Alcântara

Foto: Lisandra Paraguassu/Estadão

Base de Alcântara, no Maranhão

Após um pedido de vista da oposição, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Creden) adiou a votação do acordo de salvaguardas tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos sobre o uso comercial da Base de Alcântara. A discussão da proposta chega na reta final às vésperas do Planalto encaminhar ao Senado a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), presidente da comissão, ao cargo de embaixador do Brasil em Washington. Desde o início da sessão, a oposição tentou obstruir a pauta afirmando que a discussão do acordo estava contaminada com a indicação de Eduardo ao posto diplomático mais importante do País no exterior. A aprovação da matéria foi uma das tarefas que o deputado recebeu do pai, o presidente Jair Bolsonaro, antes de ser indicado para a embaixada. No início do mês, o Bolsonaro cobrou a aprovação da questão. “Este acordo está embolado por sua possível nomeação como embaixador”, afirmou a deputado Pérpetua Almeida (PCdoB-MA). Apesar do adiamento, feito por um pedido de vista feito pela oposição, Eduardo Bolsonaro conseguiu na sessão desta terça-feira, 13, derrubar as tentativas de obstrução da votação. O texto final do relator, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), que deu parecer integralmente favorável à proposta, deve voltar à pauta na semana que vem. Após a votação na comissão, a mensagem ainda deverá ser analisada por outras comissões, como a de Constituição e Justiça, e no plenário da Casa. Para Rocha, o acordo é importante para a soberania brasileira e para o avanço tecnológico do país. O acordo de salvaguardas tecnológico foi assinado entre os dois países em março deste ano, quando o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente norte-americano, Donald Trump, nos Estados Unidos. A mensagem chegou à Câmara em junho. A base é considerada um dos melhores locais no mundo para o lançamento de foguetes, por estar próxima à linha do Equador e, consequentemente, possibilitar lançamentos com menos combustível. O Estado mostrou nesta terça-feira que a proposta foi discutida entre o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o secretário de Defesa americano, James Mattis, no final de semana. De acordo com o governo, a proposta dá amparo legal para o uso comercial de Alcântara, não importa por qual país, oferecendo a possibilidade de empresas privadas efetuarem lançamentos espaciais a partir do Centro de Lançamento de Alcântara. Os Estados Unidos só permitem que equipamentos que possuam tecnologias americanas sejam utilizados na base aérea brasileira caso o acordo seja assinado. Ao Estado, o presidente da comissão de implantação de sistemas espaciais, brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar, explicou que os americanos têm domínio de 80% do mercado e equipamentos do setor e que a não aprovação da proposta reduziria em o potencial de exploração comercial da base. As autoridades brasileiras asseguram que o acordo de salvaguardas com os Estados Unidos não atinge a soberania do Brasil, como ressaltou o comandante da Aeronáutica, em artigo publicado neste sábado no Estado. Todos os pontos polêmicos do acordo, de acordo com o brigadeiro Aguiar, estão sendo revistos. Os deputados Rubens Bueno (Cidadania-PR) e Aécio Neves (PSDB-SP) afirmaram que a presidência da comissão descumpriu um acordo para a tramitação da proposta. Desde junho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tentou acelerar a votação colocando na relatoria um parlamentar alinhado com o governo. O parecer de Hildo Rocha foi protocolado no dia 11 daquele mês, cinco dias após o documento chegar oficialmente à comissão. Sem discutir com os demais membros do colegiado, o filho do presidente tentou levar a proposta direto à votação, mas foi barrado por deputados da oposição e de partidos de centro que acordaram adiar a votação até a realização de duas audiências públicas e uma visita técnica na base em Maranhão. Durante a votação, Eduardo negou a manobra. “O que está sendo atropelado aqui é a proposta. Já adiamos demais essa discussão”, afirmou o deputado e presidente da comissão. Apesar do esforço das autoridades brasileiras para viabilizar um acordo de salvaguardas que atenda a todas as demandas, o governo sabe que enfrentará dificuldades para fechar este acordo neste momento em que o Congresso está parado, envolvido com as eleições.

Estadão Conteúdo

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